Há uma enorme diferença na sensação de fim de férias de agora e aquele terminar do descanso quando estava no activo.
Enquanto ser produtivo assumo que adorava ir trabalhar. Tinha horários é óbvio, mas também tinha pausas! Muuuuuitas! Falava com imensa gente, dava umas boas e sonoras gargalhadas, discutia com elevação política, futebol e imaginem até... trabalho.
Com a reforma tudo isso terminou. Se não tenho horários, também não tenho pausas. As caras em casa são sempre as mesmas e nem sempre com a alegria que eu aprecio. Não há debates nem de política nem de futebol, não rio e quanto a trabalho... é sempre "a bombar".
Vale a presença dos "piquenos" que por vezes não falando, não debatendo, ainda assim conseguem demonstrar mais afectos que os mais velhos.
Dizem que as relações entre as pessoas, sejam pais, filhos, casais caem muitas vezes num hábito e com isso perdem algum fervor. Parece que é verdade!
Enfim estou a despedir-me das férias, este ano muuuuuuuuuuuito mais cedo que o costume. Ficou a memória de uma semana em Porto Santo simplesmente fantástica. Uns livros que li, uns textos que escrevi, uns comentários que troquei.
Mas deixem-me desabafar... gosto de estar aqui na minha casa, perto do mar, perto de um horizonte onde dois azuis se juntam, superiormente observados por um Sol atento e que nunca nos abandona.
Hoje cheguei à praia um pouco mais tarde que o costume. Mas antes de entrar no parque de estacionamento deparei-me com uma enorme confusão automobilistica ou será melhor dizer... "autocarrista"?
Certo é que depois de entrar e estacionar o meu carro acabei por contar mais de trinta autocarros de passageiros que ali estavam estacionados depois de terem trazido algum povo certamente! Pensei eu.
Mas logo ali deparei com uma população de tamanho mini.
Avançando no tempo quando cheguei ao areal este estava literalmente invadido por muuuuuitas centenas de crianças, oriundas de diferentes sítios e entidades. Juntas de freguesia, Centros Sociais, colégios particulares e provavelmente mais entidades que eu não identifiquei.
Sinceramente senti uma imensa alegria por ver tanta criança com acesso à praia, mas ao mesmo tempo senti o coração apertado pela enormíssima responsabilidade de todos aqueles educadores e monitores.
Não tirei fotos porque seria uma invasão na vida dessas crianças, mas senti-me tentado a fazê-lo... Um mar fantástico de mini gente.
Ou como diria alguém: quantos dos que estavam ali poderão daqui a muitos anos estar à frente dos destinos do nosso país!
Durante sete preguiçosos dias vivi momentos únicos.
Já conhecia a Praia de Porto Santo. Há 30 anos estivera lá duas semanas com os meus filhos. Temi que passado todo este tempo tudo estivesse muito diferente. Mas não... Apenas mais algumas unidades hoteleiras sem chocarem com o areal.
A matriz para estas férias tinha uma opção fantástica: "tudo incluído". Ui... o que foram colocar à minha frente. Eu que se pudesse comeria e beberia este Mundo e o outro, imaginem com esta opção.
Obviamente que bebi mais do que é costume, até porque tinha tempo, coisa que não há na cidade. Provei bebidas que jamais experimentara e o resultado rapidamente se pôde comprovar na balança. Recordo a este propósito que no primeiro dia, no bar da praia, encontrei um colaborador de nome F. bem simpático e competente, natural de S. Tomé e que servia uns cocktails fantásticos (assumo que houve coisas que nem soube o que eram, apenas que eram frescas e sabiam bem).
Como sou geralmente afoito nas conversetas acabei por lhe perguntar, assim que o conheci, como é que era das bebidas. Ao que me respondeu que poderia beber o que quisesse e na quantidade que me apetecesse. Apenas respondi: não me tente! Devolveu-me uma enorme gargallhada.
Não imagino quantas pessoas leva aquele hotal apenas percebi que ao almoço servia 650 refeições, apenas num dos restaurantes... Não soube quantos serviam nos outros dois.
Mas ali nada falha! Quando falta algo logo vem a segunda remessa e o que sobra não vai fora e é distribuído pelos diversos bares para serem devorados mais tarde pelos comilões. Uma organização fantástica tendo sempre a felicidade do cliente como foco.
Não é muito barata uma viagem destas reconheço, mas se fizer bem as contas provavelmente gasto mais dinheiro em porcarias sem utilidade, enquanto ali o lema deveria ser: "Um paraíso à beira mar!"
Fica infra uma fotografia da praia. Tal como ela é!
Quando em convesa pediam a minha opinião sobre a melhor praia portuguesa eu dizia e digo: a Praia Dourada em Porto Santo.
Muitos falam das praias do Algarve, da Costa Vicentina e até de algumas da Costa do Sol. Não estou em desacordo com ninguém, porém passados trinta anos desde que vim a primeira vez a Porto Santo, a praia não mudou.
Diria que tem tudo o que exigo numa praia: água do mar fantástica, areal acessível, calor q.b. e depois o serviço do hotel... simplesmente fantástico.
Os pássaros são dos animais mais engraçados que há na Natureza. Por aqui, em Porto Santo, onde a praia ainda é Dourada, há muitas aves. Desde as gaivotas, às rolas, pombos, melros passando pelos pardais (os tais que como diz a sabedoria lusa, nascem em Portugal, vivem em Portugal, mas não andam em Portugal... porque só saltitam!).
Hoje após uma longa caminhada na praia, acabei a tarde na piscina exterior sob um chapéu de colmo e deitado numa espreguiçadeira.
Reconheço que não estou habituado a estas mordomias, mas que é fantástico isso é! Enquanto me entretinha a ler um livro difícil, mas muito bom dei que a passarada andava por ali sem problemas e muito menos com receio do homem. De tal maneira que um par de jovens pardalitos aterraram aos meus pés e partiram por vontade própria sem que eu os tivesse enxotado.
O mais curioso foi um outro pardal, bem maior que os primeiros que poisou no cimo de um poste de madeira, numa chilreada própria. Ali esteve, esteve, esteve decerto num diálogo com outros companheiros de vida.
Peguei no telemóvel e num ápice disparei para apanhar o passarito.
Mais tarde já no quarto apercebi-me que conseguira esta bonita sequência.
Gosto especialmente da última foto onde se vêem parte das asas e a cauda num vôo que sabe para ele e outrossim para mim a liberdade.
Todos caminhamos para termos mais idade. E quando esta realmente aparece temos de perceber os nossos limites. Os nossos e os que connosco convinvém (quase) diariamente!
Se eu não assistisse diria que alguém estava a brincar pois esta é uma crónica de um início de viagem de avião.
O meu cunhado tem 79 anos, não é muito velho, foi um explêndido médico e alguém com uma memória fantástica. Adora história e sabe aquelas datas todas... umas importantes outras nem por isso. Porém na sua mera organização pessoal tem algumas falhas. Para já habitou-se que fossem os outros a resolver as suas situações burocráticas e não só, o que equivale dizer que se não fosse a mulher estava realmente bem tramado.
Hoje viajámos todos de avião, Mas uma das coisas essenciais para tal é a identificação, que ele tem numa carteira que está sempre no carro.
A meio da tarde uma carrinha foi-nos buscar e levar para o Aeroporto onde se despachou as malas maiores, ficando na nossa posse os tróleis (nem sei se é assim que isto se escreve, mas enfim...). Estávamos já na fila para o embarque com o meu cunhado atrás de mim, quando lhe pergunto:
- O teu Bilhete de identidade (ainda não em cartão de cidadão)?
- Está no carro - responde ele com uma calma como se dissesse que estava com ele.
A verdade é que não é a primeira vez que tal acontece. E para ele o BI é para ficar no carro e mai'nada! Nem imaginam o que aconteceu a seguir... telefone para o meu filho que foi ao carro buscar a dita carteira fotografou o cartão e enviou via uotessape. Perguntar ao responsável pelo embarque se aceitavam a fotografia do BI, etc, etc, etc.
Só mais tarde no autocarro para o avião é que me ri... E muito.
Alguns dos que me viram devem ter pensado que eu era doido... Mas este meu cunhado é realmente um ponto ou um exemplar muito especial!
Na próxima sexta feira fará três semanas que estou oficialmente de férias.
Mas como durante pos próximos quatro dias dias andarei a cirandar pelo país, acabei agora de deitar contas aos meus dias que foram realmente de repouso, diria que em demasia.
Assim sendo desde o dia 26 de Julho que estou na minha casa a quatro quilómetros da pria e onde fui... 18 dias. Faltei um dia porque tive de alinhar numas consultas... do dia 5. Exceptuando este dia, todas as manhãs lé ia eu para a praia da Raínha onde depois de assentar arraiais me punha a caminho.
Como tenho uma aplicação no telemáóel que mede as distâncias percorridas tomei hoje consciência que percorri 129 quilómetros a pé e à beira-mar. Parece pouco, mas para quem já não caminhava assim há uns anos, até que nem foi mau.
Estou a queimar os derradeiros cartuchos das férias mas fica aqui o registo das minhas longas caminhadas. Quem pagou foram as garrafinhas de branco bem fresquinha que marcharam mais depressa que os meus passeios.
Pode ser, poder se repito que em Setembro aqui volte. Logo veremos...
Já por aqui referi o meu imenso gosto pelo tempo de praia. O Sol e o mar são as principais forças que me levam até um areal para desfrutar desta relação. Gosto de longas caminhadas à beira mar, de sentir o astro-rei a aquecer-me, de ler um livro e acima de tudo de dormitar estendido numa toalha.
Só que, como tudo na vida, há na praia situações que não aprecio, diria mesmo que detesto. Se algumas ninguém consegue controlar, outras há que não posso fazer nada mas que me irritam na mesma.
Eis ora a lista:
- Vento. Esta é daqueles fenómenos naturais que ninguém manda, mas chateia-me estar a ser sovado selvaticamente pela areia;
- Os fumadores. Sei que há a tal de liberdade. Mas se há liberdade para os fumadores conspurcarem tudo em seu redor eu também deveria ter a liberdade de não ser fumador passivo;
- Os jogadores de bola. Esta maltinha são daqueles que jogam em qualquer metro quadrado. E nem se preocupam na possibilidade de magoar alguém;
- O chapéu de Sol com vida. Este ano foram diversos os casos de chapéus que sairam do seu lugar e alguns até foram parar dentro de água. Um desses acertou-me, por sorte, no pé... E se fosse num olho? Pois;
- O luso-francês. Aquele emigrante que há um par de anos partiu para terras gaulesas e agora chega cá de "vacances" e só sabe falar a língua de Victor Hugo, olvidando a sua lusa origem.
Portanto sem esta mão cheia de eventos a praia seria um local perfeito.
Até que correu bem! Não comi muito, bebi mais do que é costume, mas sem exageros e fiz pratos novos (obrigado MJP!).
Portanto estou na segunda semana já com convocação para amanhã de um almoço de aniversário. Depois seguir-se-á segunda e quarta com consultas médicas de rotina!
Portanto uma semana que se prevê mais atribulada que a anterior, acima de tudo devido ao trânsito que irei apanhar na Ponte. Todavia não tenho pressa de chegar! Quero é chegar bem!
A praia de manhã tem estado muito boa mas conforme avança nas horas há um vento parvo. Um Sol fantástico mas a água continua a ser importada directamento do Polo Norte. Já era tempo de se mudara de fornecedor.
Fiquem bem... Portem-se mal e a gente lê-se por aí.
Hoje necessitei de indicar a uma entidade responsável pelos postes públicos de telecomunicações a localização certa da minha casa pois é encostada a esta que se encontra um poste danificado pondo em perigo acima de tudo pessoas.
Através de uma aplicação super conhecida lá encontrei a posição geográfica da minha humilde casa. Mas esta pesquisa deu-me uma outra noção que vou passar a expor. Todavia há que fazer uma breve introdução explicativa.
Da minha casa à praia mais perto (não é a que frequento!!!) serão, no máximo, três quilómetros. Outras são ligeiramente mais distantes, mas nada de muuuuuuuuuuuuito longínquo. Posso dizer que a praia que vou diariamente neste tempo de férias fica a quatro quilómetros, mal medidos.
Ora bem, o que constatei com a pesquisa que referi no início deste postal é que a maioria das casas deste enorme bairro exibem de uma mancha em azul claro nos seus logradouros, sinal evidente da existência de uma piscina. Se algumas foram feitas de raiz outras nasceram à posteriori e há muitas redondas que calculo sejam das desmontáveis.
Como amante que sou de praia até nem me importo nada com isso pois será menos gente na estrada, nos estacionamentos, no areal.
Muitos destes visados desculpar-se-ão com os filhos e netos pequenos, mas sinceramente questiono esta opção... Até porque não acredito que uma verdadeira criança troque um divertido mergulho numa onda por um salto para uma água carregadinha de cloro! Depois há a areia, outros miúdos e muitas aventuras que um belo areal pode efectivamente dar às crianças.
Em forma de remate diria que me cheira a comodismo por parte dos mais velhos (sejam estes pais, avós, tios ou amigos), olvidando que os afogamentos de crianças nas piscinas são muito superiores aos das praias. Na verdade as piscinas não têm ondas... e muitas nem supervisão adulta!