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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Duas ilhas - duas jóias #10!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

7 - As Almas com café no Topo

8 - Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

9 - Fajã da Caldeira de Santo Cristo

 

O arco, a corrida, a vila e o regresso

Quando chegámos ao carro, na Fajã dos Cubres, descobri que tinha um pneu em baixo. Nada de muito grave, todavia o suficiente para sair daquele lugar em busca de um bomba de combustível onde pudesse encher a roda.

Estrada acima chegámos ao Norte Pequeno. Aqui decidi ir para Velas onde, quiçá, encontraria alguém que me valesse, pois não sabia se era tão-somente um pneu vazio ou um furo lento.

Conduzia devagar quando me apercebi à direita de uma oficina de carros aberta. Parei, falei com o dono que mui simpaticamente me resolveu o problema mais premente. No meio da conversa, enquanto metia ar perguntou-nos:

- Já visitaram a Fajã da Ribeira da Areia? Olhe que vale a pena... ver o arco!

Pronto... eis-nos uma vez mais estrada abaixo até encontrarmos o local indicado. O mar batia com alguma força nas rochas. A paisagem continuava deslumbrante.

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A surpresa viria a seguir com esta imagem,

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Contou-me o tal mecânico que em 1980 aquando do tremor de terra que assolou fortemente aquelas ilhas, um homem fora para o cimo do arco pescar. Duro de ouvido nem sentiu o abalo. De tal forma que só se apercebeu do cismo quando regressou a casa e a irmã e demais população se mostrou muito assustada, para além dos estragos evidentes.

Também não admira.... Alguém que possa ver estas imagens permanentemente jamais se cansará nem desejará sair do local.

Esta terá sido a mais bela surpresa que tive nesta viagem... Jamais pensei em ver algo semelhante...

Ao longe outra Fajã podia-se observar.

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Entretanto era tempo de regressar pois ainda queria ver algo que nunca tinha visto: uma corrida de toiros à corda. Muito popular nestas ilhas do Atlântico, como Ribatejano que sou tinha gosto em ver este evento. Afianço que o animal nunca foi molestado por ninguém, apenas correu, e o próprio dono da ganadaria a que pertencia o toiro esteve sempre presente entrando outrossim na brincadeira.

Não aguardei pelos restantes toiros, mas fiquei assaz satisfeito com o que vi.

Cheguei às Velas ao fim da tarde. Na Matriz o sacristão, qual ostiário, surgiu à porta do templo a aguardar os fiéis. Desta vez passei a missa e preferi comprar umas recordações. Depois um passeio demorado pela vila onde se destaca na sua praça principal um lindíssimo coreto.

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Aproximou-se a hora de jantar. Entre algumas opções acabei por comer no Clube Naval de Velas. Restaurante simpático, sem luxos e preços acessíveis. De regresso à última noite do hotel ainda constatei novo arco... Todavia, e não obstante ser maior que o anterior, ainda assim não exibia da mesma beleza.

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O dia seguinte foi dedicado ao regresso.

Deixámos S. Jorge pelas onze e meia da manhã de barco sob um Sol forte e sem frio.

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De tal forma que quase toda a gente optou por vir ao ar livre. A bela ilha de S. Jorge afastava-se da minha vista, mas aproximava-se do meu coração e da minha memória.

Chegámos ao Faial eram duas da tarde, ainda a tempo de voltarmos ao Genuíno para almoçar um peixão fantástico. Após o almoço foi a vez do digestivo. E nada melhor que o ex-libris da cidade da Horta para o fazer: o Café Sport, comumente mais conhecido por Peter´s.

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Uma última e apaixonada vista do belo porto da Horta sempre bem supervisionado pelo Pico.

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Parti por fim para o aeroporto do Faial deixando para trás duas ilhas encantadoras, a simpatia de um povo humilde e a renovada beleza de uma hortense.

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Chegámos a Lisboa eram duas da manhã!

Duas ilhas - duas jóias #9!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

7 - As Almas com café no Topo

8 - Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

 

Fajá da Caldeira de Santo Cristo

O momento alto da nossa viagem...

Viver uma vida inteira para um dia chegar aqui vale mesmo a pena...

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Reza a lenda que um dia nesta Fajã apareceu a imagem do Santo Cristo que tanto é venerado nos Açores e mais ainda em Ponta Delgada. Admirados com o aparecimento de tal imagem os habitantes pegaram nela e levaram-na para um sítio mais condizente com o Santo.

Só que no dia seguinte a imagem voltou a aparecer no mesmo local. A história repetiu-se por mais vezes e sempre que tiravam a figura desta Fajã. Perante algo inexplicável o povo ergueu no local uma pequena igreja a que chamaram Ermida do Senho Santo Cristo,

É um templo singelo, mas na sua própria beleza apresenta uma força e ao mesmo tempo uma serenidade invulgar,

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Os naturais da ilha têm enorme devoção a este templo, originando muitas peregrinações ao local.

Nem um compêndio de adjectivos seria suficiente para qualificar este local. Tem tudo... onde não há nada!

Um paradoxo que se justifica, pois...

Não há luz eléctrica...

Não há água canalizada...

Não há carros...

Não há telefone...

Não há televisão...

Mas há paz!

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Serenidade!

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Liberdade!

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Beleza natural!

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Sossego...

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Mar...

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Terra...

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Paisagens...

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Percorri demoradamente aquele lugar. Calcorreei ruas e ruelas, meti-me com os cães que pachorrentamente passeavam no meio da rua,

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embrenhei-me na Caldeira pedregosa,

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rezei na Ermida, chorei de felicidade por poder um dia ter tido a possibilidade de ver este local tão longínquo da balbúrdia cosmopolita.

Uma Fajã que carrega em si mesma a força única de um povo lutador e estóico.

Por ali também almocei. Umas ameijoas que a Caldeira se digna oferecer aos três únicos apanhadores autorizados. Sentado à mesa a paisagem era singela.

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Estive na Fajã horas.

Ms antes de me fazer ao caminho de regresso,

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Tatuaei no meu coração estas imagens...

E prometi a mim mesmo aqui regressar. Mas pelo caminho da montanha.

 

10 - O arco, a corrida, a vila e o regresso

Duas ilhas - duas jóias #8!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

7 - As Almas com café no Topo

Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

Era quase noite quando chegámos a Velas. Estávamos sem jantar e um petisco leve serviria... Parei o carro numa rua da vila e fomos por ali andando devagar. Ao longe parecia ouvir-se uma banda filarmónica. Fomos caminhando ao seu encontro e demos de caras com uma procissão em louvor de S. João. Muita gente na rua e acabámos por perceber que em breve haveria missa campal já que a pequena capela, recentemente restaurada, seria assaz pequena para receber tanta gente.

Assistimos a mais uma eucaristia. Para depois sermos convidados a comer das sardinhas, caldo verde, broa e queijo da ilha que a Junta de freguesia oferecia graciosamente. Não me fiz rogado até porque adoro sardinhas e queria outrossim sentir o espírito do momento, Comprei um saco de rifas na quermesse a quem devolvi mais tarde os prémios. Ficam já para a próxima!

A noite caira há muito e uma brisa leve soprava vindo do mar. Quando por fim chegámos ao hotel estávamos visivelmente cansados.

O dia seguinte surgiu brilhante sem uma nuvem. O roteiro passava essencialmente por Rosais e o seu farol, Fajã dos Cudres e Fajá da Caldeira de Santo Cristo.

Porém a primeira paragem foi em "Sete Fontes" um local muito bonito. Uma espécie de parque de merendas, onde se viam uns patos que nos seguiam por todo o lado, provavelmente à espera de uma migalha, tal como uns galos e galinhas.

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Se no dia anterior havíamos estado no Topo agora queríamos ir à Ponta dos Rosais que se situa na  ponta oposta do Topo da ilha de S. Jorge. Uma estrada de terra batida que atravessava prados imensos e salpicados aqui e ali por algum gado.

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A estrada vermelha parecia não ter fim, até que finalmente avistámos a torre do que parecia ser um farol.

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Neste local deserto o vento soprava com muita força. A paisagem era bonita e os reflexos do sol no mar eram imperdíveis. há quem diga que daqui se vê a ilha Graciosa... No entanto o tempo nublado não nos deixou vê-la.

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De retorno ao alcatrão segui para a parte Norte da ilha. Passámos por Toledo, Santo António, Norte Grande e Norte Pequeno. E aqui surge o desvio para a Fajã dos Cubres. Não imagino quantos quilómetros serão entre a estrada e a povoação lá em baixo bem encostado ao mar, mas a via assemelha-se às anteriores com curvas e contra curvas e com um declive muito assentuado.

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Dentro do povo há uma indicação do caminho para a Fajã da Caldeira de Santo Cristo. Mais à frente um largo com estacionamento. Foi aqui que largámos a viatura. Esperáva-nos 4,3 quilómetros de caminho até ao nosso destino.

Nada de mais para quem é peregrino e ainda há pouco tempo fez 150 quilómetros até Fátima... Portanto pés ao caminho e eis-nos a subir e a descer uma estrada só transitável para as moto-quatro ou pequenos tractores.

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O mar umas vezes surgia longe outras bem perto.

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Por nós, entretanto, passavam as referidas motos de quatro rodas carregadas de gente ou haveres, num vai-vém quase citadino. Ou simples peregerinos a pé que haviam dedicado a manhã a uma pequena peregrinação à Ermida de Santo Cristo. Um cumprimento matinal entre nós bastava...

Sinceramente nem demos pelo tempo passar... nem pelo comprimeto do caminho. Ainda não era meio-dia quando, de súbito, demos com isto.

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9 - Fajã da Caldeira de Santo Cristo

Duas ilhas - duas jóias #7!!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

As Almas com café no Topo

Inicio este postal com um mui breve exemplo do que foi a viagem de barco entre a cidade da Horta na ilha do Faial e a vila das Velas na ilha de S. Jorge e que durou mais de duas horas já que partimos às nove da manhã e chegámos já passava das onze e meia.

Durante toda a viagem tanto a chuva como o mar encapelado fizeram as suas vítimas. Felizmente que este casal sexagenário passou esta prova com grande distinção chegando à bonita vila das Velas fresco e airoso e pronto para aquilo que a ilha teria para nos mostrar.

Durante a viagem marítima um dos assistentes de bordo aconselhou-nos lugares e restaurantes. Com os pés em terra firme recolhemos a viatura e fomos em busca do hotel onde deixámos as malas. Novamente na estrada eis que começámos a subir para Santo Amaro onde encontraríamos o primeiro restaurante na ilha do bom queijo (mais uma!!!).

O Forno de Lava é um espaço fantástico com boa comida, óptimo serviço e simpatia a rodos. Como é apanágio dos ilhéus. Os preços dentro do que é normal para as ilhas. Pena foi que o nevoeiro tivesse inundado a ilha, inibindo de vermos a paisagem da esplanada do restaurante.

Após o almoço partimos à descoberta da ilha. A ideia seria correr o sul da ilha nesse mesmo dia, tentando ver as Fajãs mais conhecidas para no dia dia seguinte o destino ser... a Fajá da Caldeira de Santo Cristo.

A primeira paragem foi nas Manadas onde o sol mais ou menos surgia por entre umas nuvens cinzentas. Junto ao mar conseguia-se ver a Ilha do Pico à distãncia

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A igreja bem perto parece guardar o local das intempéries.

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Voltei à estrada principal até encontrar o primeiro desvio para uma Fajã. Seria a da Alams a priemeri ra algumas que veria gom gosto. Estrada muito inclinada, curvas deveras apertadas onde seria impossível a passagem de duas viaturas. A determinada altura já quase a chegar a estrada alargou como se houvesse um parque de estacionamento.

Fui aí que deixei a viatura e desci o resto a pé. Esta foi a primeira foto da Fajã

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Ainha havia muito para descer. A paisagem é de cortar a respiração mas o que mais me surprendeu foi a quantidade de lagartixas que se conseguiam ver. Não exagero ao dizer que vi centenas... de todos os tamanhos e cores. Inofensivas, ainda assim pareceu-me claramente estranho aquela quantidade enorme de répteis.

Que me parecem já estar habituados ao ser humano

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Chegar ao nível do mar ainda demorou uns belos minutos, mas valeu a pena.

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A subida fez-se bem sem sobressaltos nem outras viaturas e mais à frente nova Fajã. A dos Vimes que é conhecida por ser o único local da Europa onde se produz café. Mais uma descida até bem perto do mar para encontrar a loja da D. Paula que é uma das três produtoras de café naquela Fajã.

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Tivemos o privilégio de fazer uma visita ao cafezal onde a proprietária contou um pouco da história de como apareceu ali o café. Parece que um antigo emigrante no século XIX regressou á sua ilha e para lá trouxe alguns bagos de café que semeou. Mais tarde a planta deu frutos e daí ter surgido esta pequeníssima actividade.

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Por ali ficámos a tentar perceber como tudo se fazia. Parece que estamos ainda nos velhos tempos pois tudo ali se faz de forma artesanal. Saímos da Fajã e percorremos o caminho para uma das pontas da ilha. Mais conhecida pelo Topo este local deu-nos então isto.

Fica a pergunta: haverá outro mar azul como este?

8 - Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

 

Duas ilhas - duas jóias #6!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

Genuinamente bom!

Quando descíamos com o carro da Espalamaca para dar uma vez mais ao cais, reparei que um dos veleiros que havia visto no dia anterior fizera-se ao mar.

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O "Tres hombres" içara já parte das suas velas para seguir viagem. Todavia deixara a sua marca na marina. Tradição é tradição e será sempre para manter|

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Quando cheguei ao Porto Pim para almoçar a chuva, que toda a manhã fustigara com mais ou menos violência a cidade da Horta, parecia ter amainado.

A conselho de um outro bloguer acabei por ir almoçar ao Genuíno. Sinceramente não me arrependi. Boa comida, bom serviço, simpatia a rodos e um lobo-do-mar à porta para se despedir da gente. Um privilégio ter podido apertar a mão àquele homem.

Genuíno Goulart Madruga nasceu no Pico mas cedo se instalou no Faial. Pescador e marinheiro Genuíno foi o primeiro açoriano a dar a volta ao mundo num solitário.

Uma história de vida que ninguém deverá esquecer.

O tempo entretanto levantara. O sol lançava-se agora com força sobre a cidade. Após o almoço voltei ao porto. Definitivamente não me cansava de ver aquele mundo...

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Percorri calmamente muralhas de betão onde os veleiros estavam encostados. Encontrei um pai e três crianças que haviam partido de Le Havre em França no passado mês de Agosto para ir até às Antilhas, no seu "jubilé" de cor azul, estando agora de regresso ao país natal quase um ano passado.

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Mais um mestre que encontrei a cumprir a tradição.

Aproximava-se o fim da tarde. No dia anterior soubera de um missa na Igreja Matris da Horta seguida de procissão por algumas artérias da cidade.

Chegámos mesmo a tempo de ainda ver os padres a chegarem à Matriz onde foram recebidos com uma enorme fanfarra. Lá dentro os fiéis enchiam o templo aguardando a chegada dos padres. A rua surgiu muito bem enfeitada num trabalho que deve ter sido moroso.

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A devoção que todos os presentes mostraram nas cerimónias do dia Santo foi óbvio sinal de muita fé e crença. Um exemplo para muitos dos continentais...

A noite aproximava-se e com ela a aventura do dia seguinte.

7 - As Almas com café no Topo

Duas ilhas - duas jóias #5!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

Feriado na cidade

A cidade da Horta acordou sob uma chuva miudinha na quinta feira. Dia importante para os católicos mas apenas mais um feriado para os outros. Após um pequeno almoço onde o queijo da Ilha de S. Jorge foi a estrela e um bom café, peguei no carro e fomos até ao Monte da Guia.

As "Caldeirinhas" apreciadas do cimo do Monte têm outra beleza.

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O vento soprava com força e a chuva molhava com alguma intensidade. A vista da cidade do lado contrário à Espalamaca, especialmente para o Porto Pim denuncia uma vista única, não obstante o cinzentismo da manhã. 

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A descida para o porto fez-se devagar tendo em conta a queda de terras que cortaram o caminho. Procurei o Aquário e o Museu da Baleia. Mas quer um quer outro encontravam-se encerrados por via do feriado...

Virei à esquerda e percorri diversos quilómetros à beira-mar. O negro das rochas destacavam-se como gumes no mar revolto. Apanhei finalmente a estrada que me levaria ao aeroporto. Pelo caminho apanhei diversos Impérios ao Divino Espírito Santo, devoção muito enraizada neste povo insular.

Até que a seta indicava o local...

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Vira-o ao longe lá do Monte da Guia, mas não calculava ver algo tão especial. Um istmo que entra pelo mar dentro. Uma espécie de castelo construído sem intervenção humana, maioritariamente habitado por muitas aves especialmente os já conhecidos e anteriormente referidos cagarros,

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e que conjuntamente com a restante passarada que por ali vive faz-nos sentir a beleza do que é puro em todo o seu esplendor. As vacas que por ali vão pastando perto são outrossim testemenhas desta imensidão de Natureza, em estado genuíno.

Após uma visita à queijaria do "Morro" onde acabámos por comprar uma série de queijos eis que é tempo de regressar à cidade. A povoação Flamengos surge nos painéis identificativos e depressa chego ao Jardim Botânico.

Outro local fantástico onde se tenta preservar e até desenvolver espécies endémicasDSC_0467.JPG

como é o caso da flor "não-me-esqueças" ou mais conhecida por Miosótis.

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Pena foi que o Orquidário não estivesse já aberto. Mas valeu a visita... Demorada.

Entretanto antes da visita percebemos que bem perto dali existiam os charcos de Pedro Miguel. Decidimos assim que saímos pormo-nos a caminho em busca dos ditos...

O tempo continuava plúmbeo e desagradável mas nada nos demoveu. Sobe e desce curva e mais curva, alcatrão e terra, gado atravessado na estrada, para pararmos em... nenhures. A chuva continuava a cair, o vento a soprar com força mas o som que emanava daquele lugar tornou-se inesquecível e inanarrável.

 

Aproximou-se a hora do almoço... Era o momento de experimentar o restaurante Genuíno.

6 - Genuinamente bom

Duas ilhas - duas jóias #4!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

O porto

Após um ligeiro petisco numa esplanada na Taberna de Pim ao sabor de uma fresca brisa da tarde, foi o momento de voltarmos ao porto da cidade da Horta.

Desde traineiras

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a veleiros

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passando pelos iates de luxo,

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todos ali repousam até que novas viagens e renovadas aventuras surgam no horizonte marítimo.

Eu que jamais naveguei em qualquer veleiro, tendo tido apenas a experiência de muitos anos de atravessar o Tejo nos Cacilheiros, comovo-me a olhar aquela fantástica paisagem náutica.

Muitos turistas podem aqui chegar, ver, admirar, tirar um conjunto de fotografias, mas depois passam e rapidamente esquecem. Todavia este porto tem um mistério qualquer associado que desconheço, uma magia única que me assolou quando por ali passei.

Podem ter sido das pinturas,

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que as tripulações tradicionalmente vão deixando como prova da presença naquele porto,

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ou de outra coisa qualquer, no entanto não consigo ficar indiferente àquele lugar.

Ele transporta-nos para muito longe dali, para um mar tantas vezes ingrato mas ao mesmo tempo absolutamente único. Um porto que não é um ex-libris da cidade da Horta... É a cidade que, na sua simplicidade, complementa o porto.

Cai a noite... 

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5 - Feriado na cidade

 

Duas ilhas - duas jóias #1!

Nota de abertura

Da minha primeira visita ao Faial, já lá vão quinze anos, guardei três grandes memórias: a Caldeira, os Capelinhos e o porto da cidade da Horta. Portanto a minha expectativa para esta viagem, não sendo enorme, traria, quiçá, alguma correcção ao que sentira e vira naquela altura. Os próximos textos tenderão a descrever o que vi e acima de tudo como senti esta volta a duas ilhas que sendo do mesmo arquipélago e do mesmo grupo são tão diferentes! Espero que se entusiasmem a visitá-las. Os açorianos merecem e nós também.

Voltas trocadas!

Aterrei pouco depois das nove da manhã (hora local) no Aeroporto do Faial após vôo directo de Lisboa. No balcão onde levantaria o carro perguntei à menina se seria boa ideia visitar já a Caldeira, se bem que já tivesse mais ou menos desenhado um croqui da volta à ilha, maioritariamente feito por uma (quase) filha da terra. Peremptória disse que o melhor seria ir para lá de seguida pois no dia seguinte iria chover e provavelmente não veria a bela caldeira.

Ora se bem o pensei melhor o fiz e à entrada do Varadouro virei à direita por uma estrada de terra vermelha e onde os coelhos e a passarada conviviam em saudável conjugação de Natureza e perante os quais tive de conduzir devagar e com todos os cuidados. Muitos quilómetros e muitas curvas e subidas lá encontrei um largo repleto de carros e com muita gente. O tempo variava entre o fresco da altura, algumas nuvens entrecortadas por um Sol por vezes abrasador tendo em conta a hora da manhã.

Atravessado o túnel é-nos oferecido uma beleza estonteante.

 

 

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Os diferentes verdes iuminados pela luz solar contrastando com alguma sombra nebulosa a uma profundidade que a foto não faz justiça, davam mais encanto ao lugar. Andei por ali longos minutos até que de repente ficámos sozinhos (eu e a minha mulher, obviamente!). Foi o momento perfeito para escutar o silêncio, aqui e ali cortado pelo cantar feliz dos melros e demais aves.

 

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Um silêncio que até doía.

Saí dali assim que diversos táxis surgiram na estrada. Voltei pelo mesmo caminho encontrando mais coelhos, mais melros sempre ladeados por uma vegetação verde e pujante.

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Havia que regressar rapidamente ao esfalto e recomeçar a volta conforme havia sido previsto pois a subida não calendarizada à caldeira trocára-nos as voltas.

2 - Vulcão de emoções

Quase, quase de partida!

Será depois de amanhã que regressarei ao encantador arquipélado dos Açores. Desta vez para visitar as ilhas do Faial e de S. Jorge.

Esta última ilha é um desejo antigo da minha mulher. Há quem afirme que a par da Graciosa é a ilha mais genuína. Logo veremos.

Mas pelo que sei há um temporal que nos antecede, no grupo central do arquipélago. Só espero que a chuva e o vento que por lá vai fustigando não estrague caminhos e veredas que nos inibam de ver as maravilhas que as ilhas terão para nos oferecer.

Entretanto estou já a preparar-me para vir de lá com muito mais quilos que tenho agora. Se for como nas Flores e no Corvo, sei com quantos quilos saio de cá, mas não imagino com quantos virei.

Aviso à navegação

A partir de hoje à noite vou estar ausente. Passarei a estar em modo "azeitona" que é, para quem não conhece, o meu estado normal por esta altura do ano. Vão ser duas longas semanas a levantar muito cedo de forma a aproveitar o dia na apanha da azeitona.

Pelos menos até dia 31 deve ser difícil que apareça aqui alguma coisa escrita. Tentarei deixar uns textos agendados mas não sei se hoje ainda terei tempo para isso. Quanto a respostas a eventuais comentários só mesmo a partir do dia 31.

Tudo se prende com a questão de na aldeia onde vou estar a rede de telemóvel ser muuuuuuuuuuuito fraquinha. Resultado... dificilmente terei rede.

Portanto para quem fica por aqui desejo bom trabalho, férias, feriado, fins-de-semana. reforma... seja o que for!

A gente lê-se por aí!

 

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