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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Sou o que sou ou sou o que o outro julga que eu sou?

Parece quase uma lenga-lenga infantil. mas o primeiro silêncio proposto na peregrinação que acabei de fazer abordava a temática do ser. Da pessoa como ser humano e ser pensante, plasmado no que saõ hojes as redes sociais e de que forma o homem vivente se relaciona com itodos estes desafios.

A questão que coloquei como título deste postal é feita com o intuito de entendermos o que somos nesta sociedade, sempre tão ávida de acontecimentos e novidades. Mais que não seja para irmos falando dos outros.

Pegando então na pergunta, diria que aquilo que pretendo saber é se cada um de nós vive de forma séria consigo próprio e com os outros ou ao invés vive no sentido de acertar com a ideia que os outros terão de nós.

Usei o seguinte exemplo com um peregrino que caminhava a meu lado: Suponhamos que eu destesto caviar, mas um amigo convida-me para jantar e imagina/calcula que eu gosto daquela iguaria e serve-a como aperitivo.

Perante esta situação poderia tomar uma das seguintes decisões:

- sou sério comigo mesmo e com os outros e recuso-me a comer, mesmo que o anfitrião fique aborrecido;

- pretendo agradar e vou comer algo que detesto só para que o outro fique feliz!

É neste dilema que vive muitas vezes o homem actual. Entre ser alguém feliz mesmo que alguém diga que não aprecia ou dar ideia de que é feliz porque os outros assim gostam.

Portanto a preocupação maior da nossa sociedade é ser... aceite! Mesmo que seja necessário uma rede social!

Um retiro em movimento!

Peregrinar é rezar com os pés” bela e conhecida frase que diz muito do que é caminhar para qualquer lugar santo.

Porém eu acrescentaria que peregrinar será mais um retiro… a andar! Digo eu que senti isso muuuuuuuuuuuuuito bem.

Quem vai com este grupo de peregrinos tem de estar muito bem preparado para sofrer. Sendo que o menor dos sofrimentos está nas dores das pernas, nas bolhas ou nas unhas dos pés amassadas.

Quem caminha é paulatinamente convocado a abrir o seu coração aos outros e obviamente a Deus. Um Deus que é misericordioso e que nos quer felizes. Sempre felizes.

Porém a felicidade só entrará nas nossas vidas se conseguirmos desalojar uma série de mágoas e tristezas que fomos angariando durante muito tempo.

A proposta deste ano seria: “Vai e faz como eu”!

Roteiro_2022.png

A fé nos tempos modernos torna-se para muita gente algo estranho, quase bizarro. Para que quero eu a fé se tenho feicebuque, instagram e mais um sem número de aplicações. Como é que sou mais feliz com fé do que com uma rede social?

As respostas a estas questões não se explicam, nem se teorizam apenas se sentem. E vão surgindo a cada passo que damos no caminho para Fátima.

Dizia-me um peregrino no final da subida da serra que nos levaria a Minde: Esta caminhada só se consegue, porque há fé. Sem esta nada disto faria sentido – concluiu.

Touché!

Cada dia, cada quilómetro, cada saudação que demos fez parte integrante deste caminho ao âmago de cada um de nós.

Falou-se muito de Santos (Santa Teresinha do Menino Jesus, São Francisco de Assis, Sãozinha, Santa Teresa de Ávila) tudo gente que um dia se colocou ao serviço do Senhor. Eles deram testemunho através das obras, os peregrinos através do exemplo de estoicismo e coragem.

Conquanto íamos aproximando do regaço da nossa Santíssima Mãe, o Espírito Santo alargava os nossos corações para que neles pudéssemos receber todas as ideias e venturas que íamos testemunhando.

Caminhar não é fácil, nada mesmo. Os trilhos irregulares, as pedras a fugiram sob cada passo, o “tuvenam” branco escorregadio e traiçoeiro, o alcatrão negro, quente e abrasivo tudo fez parte deste caminho físico que é muito menos penoso que a fé a esgueirar-se por todos os poros da nossa alma e a colocar em causa algumas certezas que tínhamos.

Se juntarmos a tudo isto o companheirismo, a camaradagem, a alegria, a solidariedade, a disponibilidade, a preocupação com o próximo, diria que uma peregrinação inicia-se com um conjunto de peregrinos a andar pela estrada e termina como uma irmandade a chorar.

Finalmente... a fé é o trilho único e obrigatório para a felicidade interior em cada um.

Saibamos cada um de nós perceber e desvendar esse caminho que é e será sempre o mistério supremo!

Peregrinação 2022 - 3º dia

Mais um dia de caminhada, mais um dia de cansaço. Todavia para estes peregrinos nada é mais forte que a sua vontade em caminhar de encontro a Mãe Santíssima.

Resistimos, lutamos contra as dores e as bolhas, choramos quando as palavras lidas ou ouvidas se instalam no nosso coração e repelem anos de tristezas, agonias, raivas reprimidas.

Tudo então se transforma numa alegria... que a todos atinge, que a todos assola.

Continuemos pois que o destino é já ali!

Rezarei por vós!

A gente lê-se por aí!

Peregrinação 2022 - 2º dia

Se tivesse de entitular este postal diria: quando o silêncio é ensurcedor.

Cinco e meia da manhã e já estamos a acordar. Meia hora depois tralha arrumada e pequeno-almoço tomado. Seis e um quarto e já estamos a andar. A noite ainda perdura. Ao longe o sol começa a querer despontar e os peregrinos já se espalham na beira da estrada.

O silêncio de hoje não teve uma leitura própria, mas tão-somente uma questão: procurar nos nossos corações aquilo que no fundo atemoriza cada um de nós.

Ui... questão complicada comigo já que carrego tanto barulho dentro de mim que o silêncio veio agitar estas águas interiores e criou muito ruído.

Portanto segundo dia e a fé a fazer das suas...

Mas é para isso mesmo que aqui estamos. Dar corpo e voz à fé que nos acolhe.

Rezarei por vós!

A gente lê-se por aí!

Peregrinação 2022 - 1º dia

Iniciou-se hoje a peregrinação a Fátima de 2022, como já havia referido no postal anterior.

Desde 2019 que esta comunidade não caminhava. Somos realmente menos este ano, mas a fé que nos leva é a mesma.

Um dia completo já com muitos desafios ao nosso interior. Dois padresca acompanhar até ao almoço como se houvesse uma passagem de testemunho.

Rezarei por todos que aqui vêem, sejam crentes ou não, pois nesta caminhada reside a lei de Lavoisier: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!

A gente lê-se por aí!

Estado civil: pré-peregrino!

Partirei amanhã de madrugada para a peregrinação de 2022. Após dois anos sem direito a tal é com um misto de alegria e algum receio que amanhã de madrugada, partirei para Fátima a pé.

Serão aproximadamente 150 quilómetros entre muita gente (menos do que é costume), muitas estradas, caminhos e trilhos. Muita fé no coração, mas sempre com a certeza que Deus e Mãe Santíssima velarão por nós.

Prevê-se tempo quente para estes dias. Demasiado quente se bem que as manhãs sejam já bem frescas. Veremos como correrá!

Nestas horas que me restam até à partida tento reposicionar-me mentalmente para aquilo que posso a vir a ter necessidade nos próximos dias, se bem que não seja a primeira vez que peregrino há sempre aquilo que nos esquecemos.

Para quem por aqui fica, tenha um óptimo fim de semana. E se porventura forem crentes rezem por nós. Também necessitamos.

Eu pelo caminho rezarei certamente por todos vós, crentes e não crentes!

Irei, na medida do possível, tentar escrever alguma coisa sobre a caminhada. Mas se não virem nada publicado não se admirem... é porque não tive rede ou fiquei sem bateria no telemóvel.

A gente lê-se por aí!

Abram a janela!

Na entrevista recente que o Papa Francisco deu à Maria João Avilez, o Sumo Pontífice respondeu de forma sucinta à última questão formulada por aquela jornalista com:

- "Abram a janela. Vejam além do nariz, além. Olhem, abram, olhem para o horizonte. E alarguem o coração."

Uma frase com um sentido profundo, numa altura das nossas vidas em que a maioria das pessoas só olham para si próprias. Fecham-se nas suas carapaças e recusam a ver para lá do horizonte. Por medo, por incerteza... nem sequer imagino.

Mais que pilulas da felicidade ou livros de auto-consolo, o ser humano necessita de se abrir ao mundo. E consequentemente aos outros. Só assim conseguirá curar-se e curar os outros.

Ainda não vi a totalidade da entrevista, mas espero brevemente vê-la e perceber o que dirá o Santo Padre sobre a polémica dos abusos sexuais da Igraja.

Mas de uma coisa tenho a certeza: a Igreja Católica da era do Papa Francisco jamais será a mesma. Para o melhor e para o pior!

A Igreja católica do século XXI!

Como católico estou um tanto apreensivo com a eventual saída de D. Manuel Clemente de Cardeal Patriarca de Lisboa. Já li que D. Manuel está aproveitar a situação das diversas denúncias de eventuais abusos sexuais por parte do clero para renunciar ao cargo, mas tudo devido ao seu estado de saúde.

Entretanto a Igreja católica atravessa uma enormíssima crise, não só de identidade como de vocações para além dos tais escândalos de abusos de cariz sexual. Obviamente que muitas outras tendâncias religiosas aproveitam-se destas fragilidades para tentarem crescer à custa da desgraça alheia. Faz parte!

Na minha relação com o clero conheci e conheço alguns que renunciaram às suas vocações para assumirem um amor. Todos eles têm já filhos o que equivale dizer que a Igreja, como instituição, não soube adaptar-se a este novo mundo e perdeu por isso padres fantásticos.

Tenho debatido com outros clérigos a minha ideia de que os religiosos deviam ter direito a optar entre uma vida dedicada à missão de pastor de almas ou assumir a sua vocação também como pastores, mas sempre com a postura de um homem carnal. Nenhum dos padres com que falei concorda com esta minha ideia...

O celibato parece-me, nesta época, algo assaz retrógado, cheirando ainda a Inquisição.

Seria bom que o Papa Francisco e a Cúria Romana acordassem num modelo híbrido para os novos padres. Talvez com isso se evitasse tantos escândalos.

Finalizo com a ideia de que a justiça e a Igreja deveriam em conjunto tentar perceber a verdade e a mentira (porque também há!!!) e julgar e condenar os criminosos.

Porque precisamos de bons Padres e não podemos agora olhar para estes e pensar que poderão estar envolvidos em algum escândalo.

Seria devastador...

Rezar pela Paz no Mundo!

As quartas feiras seguintes ao Entrudo são a porta de entrada para a Quaresma. Quarenta dias mais os Domingos que nos distanciam desse dia fantástico em que a Vida venceu a Morte, numa sucessão de episódios e momentos marcantes para todos os católicos.

Os mais antigos jejuavam neste dia (o meu avô paterno era um deles). Agora apenas não se come carne, assim como às sextas-feiras e durante todo o tempo quaresmal.

Mas a Quaresma tem (ou deveria ter) um significado mais vincado nas nossas vidas. Não é por acaso que aquela decorre entre o fim do Inverno e o início da Primavera, num real simbolismo que plasmado nos nossos dias deveria significar uma renovada perspectiva da mensagem da Páscoa.

O lavrador lança à terra as sementes, para que estas cresçam e se transformem em novos frutos que, por fim, nos alimentarão. Da mesma forma a verdadeira fé católica tem por missão colocar nos corações de cada um de nós a semente de paz, concórdia e amor. Se esta semente germina e dá frutos é responsabilidade nossa. Depende se a regamos com ternura, disponibilidade, espírito de entrega ou, ao invés, nem sequer a regamos de todo.

Num momento em que a palavra Guerra soa ferozmente, seria bom que todos percebêssemos até onde somos capazes de chegar para tornar este Mundo melhor.

Não cabe somente ao Papa rezar pela paz. Também nós que professamos uma fé, seja ela qual for, temos o dever de o fazer!

Boa caminhada até à Páscoa!

Em nome da... fé!

Em termos de fé religiosa (pois, pois é que há outra fé pouco dada a religiosidades!) sempre tomei uma posição muito aberta. Isto é, aceito que cada um acredite no que quiser ou nem acredite em nada. Para mim tudo bem desde que não me tentem impingir a ideia deles…

Quase todas as religiões têm crenças, preceitos e proibições. Os muçulmanos não bebem álcool nem comem carne de porco, os hindus também não devem comer qualquer carne, os católicos não devem comer carne sexta feira durante a quaresma e há também algumas que não comem peixes sem escamas.

Há ainda o Ramadão muçulmano que obriga a jejum entre o nascer e por do sol ao nono mês do seu calendário.

Portanto há limitações para quase todos os gostos. Porém há um grupo de crentes que não comemora nem o Natal nem a data do seu nascimento.

O Natal ainda posso aceitar, não obstante não compreender. Mas não se poder comemorar o seu próprio aniversário parece-me uma atitude bem radical. E sem verdadeiro sentido prático.

Nem imagino como se sentirão as crianças destes crentes, perante uma turma que durante o ano vai festejando os aniversários de quase todos os alunos.

Sei que muito cedo os infantes são preparados para a negação, mas sinceramente deve ser muito duro e difícil.

Para no fundo, no fundo criarem uma série de problemas às crianças que mais tarde na vida podem-se tornar demasiado graves!

Mas como diz o povo: cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

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