Um dos meus autores preferidos escreveu pouco. Era extremamente reservado, tornando-se durante muitos anos quase um eremita.
Falo naturalmente de J.D. Salinger, que entre outras obras, escreveu um "best-seller" que dá pelo nome "The catcher in the rye". Título este quase intraduzível para português.
Deste autor li por diversas vezes aquela obra, traduzida para português por João Palma Ferreira com o título "Uma agulha no palheiro", e "Nine stories" - deste livro nunca vi qualquer tradução mas reconheço que também nunca procurei.
Salinger foi um escritor estranho, muito estranho. Mas era dono de uma escrita incrível.
Um dos meus escritores de eleição é sem dúvida Miguel Torga.
Um transmontano que carrega na sua escrita o peso de um povo.
Li "Os Contos da Montanha", "Novos contos da Montanha", "Bichos", "O senhor Ventura" e alguns volumes do seu "Diário". E alguns poemas dispersos.
De uma escrita simples e escorreita, Torga consegue transpor o limite da nossa imaginação e lança-nos em cada página, em cada livro uma série de questões que normalmente temos dificuldade em responder.
A sua obra varia entre poemas, contos, romances, teatro e muitas outros escritos. Um dos Enormes escritores portugueses do século XX.