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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A dor que nos entra em casa!

Hoje foi um dia quase normal tendo como referência os dias que antecederam a minha doença. De tal forma que só agora, já noite, consigo sentar-me e escrever umas linhas.

Mas prefiro um dia assim àqueles em que alternei a cama com o sofá, desfiando mágoas e tristezas.

Fui a Lisboa tratar de assuntos inadiáveis e a capital quase parece uma cidade fantasma. Há algum movimento, mas comparado com o que seria há um ano parece mesmo um deserto.

Não admira todos os dias os números de infectados e mortos crescem sem pudor. E não parece haver forma de travar estes trágicos números. As pessoas continuam descrentes... Descrentes da realidade pandémica, descrentes do caos hospitalar, descrentes, no fundo, delas mesmas.

O mundo está virado do avesso. Completamente. 

Cabe a todos nós, sem excepção, assumir que esta pandemia não é uma mera gripe, mas um caso muito sério que poderá hipotecar todo o nosso futuro.

Pensem nisso antes de sair de casa...

 

O postal que não gostei de escrever!

Todo o dia hesitei em escrever este postal. Porque me toca, porque nos toca.

Que escrever ou dizer a um pai que perde o filho? Não foi certamente o primeiro pai, nem será o último, infelizmente. Mas o drama não está na morte em si, mas na tragédia associada, pois ninguém percebe o que leva um jovem de 22 anos a enforcar-se.

Definitivamente até me custa esgalhar este texto. Todavia é necessário alertar, é preciso acordar, é urgente dar voz... à dor interior! Que tantas vezes não ligamos!

Nunca vivi este drama e talvez por isso, repito, que não saiba o que escrever ou o que dizer a um pai cujo filho único se suicidou. Creio que nenhum dicionário chegaria... Porém as palavras não o trariam à vida... Quiçá antes!

Agora a família tentará buscar razões, causas, episódios... que originaram esta profunda tragédia.

Mas faltará sempre a voz única de quem nunca falou ou que nunca foi escutada. Faltarão as lágrimas de quem sofreu sozinho o drama que foi a sua vida, mesmo que para muitos de nós possa nem parecer.

Por isso somos todos tão diferentes.

Hoje o meu coração chora por um jovem que preferiu a tentação de morrer à coragem de viver! E quantos sentirão diariamente este suplício?

Descansa em Paz R.

Aquele dia!

Nesta já longa vida que tenho atravessado aprendi, entre muitas coisas, que não é por não se ir a um médico que não se está doente.

Na verdade, enquanto alguém com conhecimento médico não nos disser que estamos realmente doentes tudo o que temos pode ser meramente passageiro. Mesmo que nos sintamos horrivelmente mal.

Mas curiosamente ou talvez não, os piores seres a assumirem as suas próprias doenças são os… médicos.

Mais medricas, piegas e maus doentes que estes profissionais de saúde, não há! Sei do que falo, pois lido diariamente com dois médicos na família e que temem os colegas de uma forma quase absurda. A ida, por exemplo, a um mero dentista parece uma prova de dificuldade elevadíssima.

Depois são pouco sensíveis aos bons hábitos sejam eles alimentares ou outros já que fumam, bebem, comem sem terem qualquer cuidado, colocando deste modo as suas vidas em risco.

Pois é… mas enquanto um colega não o disser que estão a fazer asneiras vendem erradamente saúde.

Até aquele dia!

Dias de tempestade!

Desde o Natal que a minha vida é uma roda viva qual tempestade terrível. Primeiro foi a crescente preocupação com a anemia do meu pai que o impedia de ser operado, para depois ser a própria cirurgia e os consequentes Cuidados Intensivos.

Todos os dias  tenho ido ao hospital ver o meu pai. De manhã levo-lhe o jornal, para de tarde regressar à sua companhia e por lá ficar um bom bocado a conversar e a vê-lo comer a merenda e o jantar.

No entanto nos primeiros dias após os CI aquela cabeça parecia muito desarrumada: diálogos impensáveis, ideias completamente baralhadas e fora de contexto, deslocalização total.

A juntar a isto tudo uma apneia profunda que mesmo com máscara não parecia ajudar. Mas alguém cá em casa, que percebe destas coisas dizia-me:

- Dá-lhe 48 horas...

E dei! Na realidade após este tempo encontrei-o bem melhor. Com uma melhor mobilidade e independência motora. O descernimento regressou, assim como a sensatez.

Hoje enquanto passeávamos no corredor falámos de muita coisa. Do passado, do presente e obviamente do futuro. Não fizemos planos, mas alinhámos somente ideias. Como há muito não fazíamos.

Curioso (ou talvez não) como a vida por vezes escolhe os piores trilhos para nos colocar no bom caminho.

Cuidar dos outros!

Quando somos miúdos olhamos para o futuro e queremos ser qualquer coisa. No meu caso pessoal oensei em ser:

Bombeiro,

paraquedista,

jogador de futebol,

actor,

advogado,

jornalista,

eu sei lá que mais…

Mas nunca quis ser um avião (como a Joana) e muito menos médico, enfermeiro ou algo ligado à saúde ou melhor à doença.

O meu pai está no hospital vai quase para duas semanas. Era para estar uma.

Após a cirurgia ao coração, que correu maravilhosamente bem, mantém-se ainda na Unidade de Cuidados intensivos devido a diversas complicações, não muito graves, mas que requerem vigilância apertada.

Naquele serviço contei 9 salas onde em cada uma está um doente devidamente monitorizado. Todavia o que realço é a forma como toda a equipa que ali trabalha se preocupa e entreajuda nos cuidados médicos. Chamo a atenção que a maioria dos doentes são pessoas com graves problemas, sem grande autonomia seja motora seja verbal o que leva a que todos os intervenientes de cuidados de saúde sejam postos à prova.
Tudo o que envolve a vida ou a saúde dos outros torna-se a meu ver complicado. Saber que um a miligrama a mais ou a menos de um determinado medicamento pode deitar tudo a perder (inclusive a vida) é de uma responsabilidade atroz.

Para a qual eu jamais estaria verdadeiramente preparado.

Entre o Céu e a Terra

Estive logo de manhã para escrever sobre a morte do famoso matemático e físico. Mas depois vi tanta coisa escrita que desisti.

Sinceramente conheço pouco a obra deste génio ora desaparecido. Sei que concebeu umas ideias, algumas a colocar em dúvida as teorias de Einstein. Pouco mais...

No entanto foi ainda um exemplo de coragem e tenacidade numa altura em que qualquer dor é logo sinónimo de uma impensável enfermidade.

Ê neste sentido que olho para Stephen Hawking. Um homem que mostrou ao Mundo que as doenças não são impeditivas de se ser útil à sociedade.

Hoje andará a viajar entre o Céu e a Terra, procurando ainda as respostas às perguntas que tantas vezes terá formulado.

Uma dúvida doentia!

Um destes dia fui a um médico especialista pela primeira vez. Após as costumadas e naturais apresentações de parte a parte, perguntou-me as razões de estar ali, ao que eu respondi com a normalíssima: prevenção.

Foi escrevendo as minhas respostas às suas questões até finalmente remata com: é saudável?

À pergunta colocada assim de chofre respondi com: sim sou! Todavia já em casa e perante o meu historial fiquei na dúvida.

Tive durante a minha vida algumas mazelas que deixaram marcas permanentes. Mas continuo mesmo assim a fazer a minha vida de forma natural e sem limitações evidentes. De outra forma estaria já devidamente reformado por invalidez.

Portanto a saúde é um estado fisiológico real sem quaisquer sinais de enfermidade ou será outrossim uma questão psicológica?

Todos nós conhecemos quem se sinta doente só por falar nisso quase, no mesmo sentido que Jerry Lewis ao protagonizar um enfermeiro que sofria com as doenças de Mrs. Fuzzibee. Ora provavelmente, e na maioria dos casos, estas pessoas têm uma saúde muito mais resistente que os outros que se queixam menos.

A pergunta repete-se: a saúde é somente fisiológica ou também psicológica?

Quanto mais penso nesta questão, mais me convenço que a resposta está muito para lá do que é imaginável. Pode-se ser fisiologicamente doente, mas sentir mais saúde que outrém. E o invés também é válido.

Tudo dependerá justamente da forma como cada um aceita o seu estado de saúde: o verdadeiro e aquele que julga ter.

Detesto...

... estar doente.

Mas este fim de semana fui acometido de uma gripe que me deixou sem reação. Não escrevi, não li, somente sobrevivi a febres altas e dores em todas as articulações...

Nem imaginava que tinha tanta coisa no corpo para me doer.

Não sou especialmente piegas com as doenças ou com as dores. A não ser a febre. Com esta logo nos 37 graus passo a ser chato, aborrecido e, na maioria das vezes, intolerante.

Hoje fiquei mais um dia em casa doente sem poder ir trabalhar. Porque o estado febril não me abandona.

Aguardemos portanto por melhores horas!

 

Estar ou sentir-se doente!

Se há coisa que gosto muito pouco é de estar doente. Mas sentir-me doente então muito menos.

À primeira vista pode parecer o mesmo, só que não é! De todo!

Posso estar constipado, andar engripado com tosse e febre, o corpo a doer como se tivesse sido atropelado por um camião, que não me importo. Não aprecio é certo, mas é a menor da minhas preocupações.

Pior mesmo é...sentir-me doente. 

É uma sensação estranha, como se um poder oculto tomasse conta do meu corpo e da minha mente. Tenho a lucidez suficiente para perceber que tudo isto não passam de anormais reacções psicológicas a vivências que não controlo.

A verdade é que desde que regressei da aldeia, no passao fim-de-semana, um mal estar permanente apoderou-se de mim e sinto-me doente.

Normalmente não sou piegas. Se tenho uma dor real aceito-a com estoicismo e coragem. Agora este padecimento corrosivo que tomou conta de mim é por demais doloroso.

Amanhã será um novo dia!

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