É sempre bom percebermos que há gente assaz corajosa para enfrentar os próximos desafios.
Como já escrevi aqui adorei participar na primeira temporada e obviamente inscrevi-me para a segunda, arriscando-me a ter que elevar a fasquia na qualidade dos meus textos, o que também não deveria ser difícil tal a pobreza, quase franciscana, dos escritos anteriores.
Pronto... os dados foram lançados e agora é aguentar o que por aí vier.
Quem se aventura a escrever estórias de desencantar luta permanentemente com a dificuldade de dar nome às suas personagens. Pelo menos comigo é assim. Ainda por cima tenho uma agravante que é a cada nome gosto de associar uma personagem com estrutura moral ou imoral…
Quando a corrida do Desafio da Escrita dos Pássaros se iniciou dei por mim a criar um herói mais ou menos rebelde e desse modo o nome teria de ser outrossim bizarro.
Dezassete desafios depois o Malquíades esteve em todos e parece ter-se saído melhor do que aquilo que eu ao início julgava.
Esta é a verdadeira beleza da escrita… começarmos com uma ideia muito simples, quiçá ingénua e paulatinamente aquela vai crescendo, tomando forma, ganhando personalidade.
Foi o que aconteceu com o jornalista que falava pouco. Espero sinceramente que tenha deliciado os leitores como me deliciou a escrevê-lo.
Uma nota à margem
O genuíno Malquíades é um homem mais velho que eu, magro, desdentado, de cabelos desalinhados, com profundas rugas no rosto e claramente o tolo da minha aldeia.
A minha personagem foi em sua honra. Ele nunca lerá o que escrevi, mas eu sei que ele merece!