Muitas serão, provavelmente, as vítimas políticas destas explosões.
Em primeiro lugar o já demissionário Primeiro-Ministro, Doutor António Costa! Depois João Galamba e nem será necessário dizer porquê! O próprio Presidente da República, que em 2017 quase demitiu em directo uma Ministra, após os trágicos incêndios desse ano, não o conseguindo fazer com o actual Ministro das Infraestruturas e finalmente o Partido Socialista que ficará sem líder durante algum tempo.
Uma travessia no deserto que muitos partidos têm sofrido!
Esta situação não é nova! Já em 2011 José Sócrates havia colocado o seu lugar à disposição de Cavaco Silva cabendo agora, ao mais alto magistrado da Nação, decidir qual será o melhor caminho para Portugal.
O Professor Marcelo tem diversas opções para resolver esta crise, sendo que a aprovação do OGE para 2024 poderá criar alguns problemas e engulhos às soluções.
Todavia há muito que se esperava esta implosão governamental! Os sucessivos casos políticos não auguravam nada de bom!
Agora temos o futuro! E é este que me preocupa! Definitivamente!
Se o Presidente optar por dissolver a AR e convocar eleições acredito que a Direita saia reforçada no próximo acto eleitoral, atirando a esquerda para um secundarismo muito perigoso.
No entanto se tal acontecer e a esquerda perder a força que tem actualmente na AR, não culpem a Direita (e muito menos Pedro Passos Coelho!!!) do estado a que chegou o país político. Mais... arrisco mesmo a dizer que tudo isto terá começado (e mal) com a tal de "geringonça".
Repare-se no exemplo da TAP que deixou de ser um "parceiro estratégico para o país", como era em 2020, aquando da forçada nacionalização a pedido dos partidos da geringonça (PCP/BE/PS) para se tornar descartável e (mal) vendável em 2023! E já nem falo do novo aeroporto de Lisboa.
São estas e outras contradições que atiraram este governo para o charco político! Um charco podre, mas onde muita gente meteu as mãos!
A demissão da Ministra da Saúde nem é hoje um facto político porque há muito que se previa esta saída… Ainda me pergunto como se manteve tanto tempo neste novo governo?
Ser Ministro em Portugal é arranjar “lenha para se queimar”. Então se for da Saúde, Educação ou Finanças pior ainda.
Mas se pretendermos enumerar culpados seria bom que regressássemos aos anos 70 logo a seguir ao 25 de Abril. Foi aí que iniciaram os “números clausus” que limitaram, e de que maneira, o acesso a um curso de medicina. Logo por aquela altura percebi que mais tarde ou mais cedo os médicos seriam poucos para assistir à população lusa,
A regra nunca foi alterada (apenas surgiram novas universidades) e deste modo o número de médicos activos em Portugal tem vindo a decair.
Se juntarmos à equação a entrada em força de hospitais privados oferecendo melhores remunerações aos médicos e enfermeiros temos um problema acrescido com a falta de médicos no sector público.
Percebo que criar condições para dar aulas a 2000 alunos não são as mesmas para 200. Mas até nisto poder-se-ia ter arranjado uma solução. Bastava alguém pensar e querer fazê-lo.
O resultado está agora à vista com alguns médicos em regime de internato a assumirem responsabilidades que não deveriam já que estão ainda em fase de aprendizagem.
Portanto a bola de neve cresceu exponencialmente desde os tais anos 70. Depois todos os ministros que vieram a seguir nunca tiveram nem força e essencialmente dinheiro para poderem renegociar alguns contratos laborais. Porque no fundo no fundo tudo tem sido uma questão de dinheiro!
Entretanto Marta Temido, independentemente do que foi dizendo, deu sempre a cara pelo governo, numa altura de grande e real alarmismo (leia-se pandemia). Foi atirada às feras jornalísticas, mas manteve-se firme e hirta. Aceitou o Comandante Gouveia e Melo para agora que os níveis de infecção recuam quase todos os dias, poder sair antes que entre o Inverno.
Destemidamente sai pelo próprio pé o que em termos políticos será sempre algo a valorizar.