Nunca foi meu propósito ser rico. Até porque sei que o dinheiro avilta as pessoas, mesmo as mais radicais.
Desde que constituí família por cá sempre se organizou as contas de forma a não ser como o "maltês de bronze, ganha dez e gasta onze".
Geralmente fiz umas espécies de orçamentos familiares com a ajuda de aplicações informáticas. Primeiro o "QuatroPro" uma folha de cálculo da Borland e que foi a génese do que viria a ser o Excel. Depois esta última aplicação em diferentes versões e muitas actualizações.
E trago este assunto porque hoje de manhã vi uma senhora pagar um ínfimo pequeno almoço, tabaco e raspadinhas (não sei quantas comprou!). Entregou uma nota de 20 euros e recebeu uma nota de cinco e algumas moedas. Isto é, a senhora terá gasto algo como 12,50 euros (aproximadamente).
Um valor destes diário dará cerca de 375 euros mensais. Um valor que pode ser quase incomportável em alguns orçamentos familiares. Sei que há cada vez mais famílias a cairem num submundo de falência técnica, pagando dívida antiga com a criação de nova dívida. E já nem falo de agiotas como conheci alguns.
Por isto estou ciente que a muita gente deveriam ser ministradas umas aulas de administração fiduciária para assim evitarem alguns (ou muitos) sustos financeiros.
Obviamente que o dinheiro serve para ser gasto, mas outrossim para ser poupado. Porque ninguém sabe o que o amanhã nos tem reservado.
Já por aqui fui dizendo que durante alguns anos fui do género tão luso de “gastar vamos”. Tivesse eu naquele tempo poupado algum hoje teria provavelmente um pé de meia razoável. Mas não o fiz e de nada me vale agora vir aqui lamentar.
Hoje sou uma pessoa bem diferente pois só gasto o que posso. A minha reforma não sendo doirada é, ainda assim, suficiente para não ter dificuldades, mas também é certo que não esbanjo dinheiro.
Como não tenho vícios também ajuda a controlar as minhas despesas.
A minha experiência de vida ensinou-me que quanto menos eu ganhar mais vontade tenho em ter coisas caras que o meu orçamento não comporta. Parece assaz estranho, mas é verdade!
Se juntarmos a esta gulodice por coisas impossíveis uns cartões de crédito temos uma mistura quase explosiva a que muita gente não resiste.
Talvez por esta filosofia estar já enraizada no espírito lusitano é que se percebe que algumas empresas do sector telefónico vendam equipamentos recentes por valores altíssimos, quando a maioria dos compradores não conseguirá usufruir do aparelho em todas as suas valências ou se comprem férias em locais paradisíacos a pagar em x prestações ou aquela consola que amanhã será substituída por uma mais moderna.
Só que o pior destas (más) opções não tem só a ver com as dívidas contraídas e que provavelmente nunca serão pagas, mas com a colocação das próprias famílias num limbo demasiado perigoso, retirando a estas os recursos mais elementares como alimentação, vestuário ou educação.
Não é primeira vez que falo desta nossa novel postura. Depois de uma época em que os nossos pais foram ensinados a poupar hoje vivemos tempos opostos com uma juventude nada preocupada com o dinheiro e muito menos com o seu futuro e descendentes.
Com um ex-PM a assumir nos seus tempos aúreos que as dividas não se pagavam… não admira!
Quando iniciei a trabalhar e a ganhar algum dinheiro não tive o cuidado nem conhecimento de gerir as minhas próprias finanças. De tal forma que antes do final do mês já metia vales... à minha mãe!
Ao fim de uns meses acabei por arrepiar caminho e iniciei um controlo apertado sob as minhas finanças. De tal forma que consegui que o dinheiro começasse a chegar até receber novamente. Filosofia ou postura, conforme lhe queiram chamar, que mantive até aos dias de hoje.
Diria mesmo mais... hoje uso um estratagema que me inibe de gastar dinheiro. Simples e eficaz. Tão simples como ter uma nota alta na carteira. Se na carteira usar notas de 10 ou 20 euros é certo que desaparecem num abrir ou fechar de olhos. Todavia se tiver uma nota de 50 ou 100 euros fico muuuuuuuuuuuito mais inibido em gastar esse dinheiro.
Também tenho perfeita consciência que os cartões de débito e essencialmenteb de crédito não deixam ninguém à mingua (só em casos extremos!). Ou como diria o meu sábio avô: "Dinheiro no bolso não consente misérias"!
Hoje muitas famílias vivem muito acima do que ganham. No entanto não se coibem de gastar sem parar! Com a inflação a subir, o aumento das taxas de juro das casas e dos créditos ao consumo, mais apertados vão ficando os orçamentos familiares.
As pessoas necessitam de ser esclarecidas, de ser alertadas para que não empenhem somente a casa mas o próprio futuro.