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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Hoje na capital!

Uma profissão que poderia ter tido era... táxista.

Conheço bem a cidade de Lisboa. Muitos recantos, ruas estreitas e caminhos mais rápidos para chegar ao destino.

Hoje parecia um táxista ou um condutor dessas plataformas de automóveis de aluguer. Comecei nos arredores de Lisboa, mais precisamente em A-da-Beja para ir parar em primeiro lugar a um hospital na actual zona nobre da cidade, mais conhecida como Parque das Nações.

A meio da manhã lá fui para o outro extremo da cidade em busca de outra pessoa que também estava num hospital. A meio do caminho percebi que havia percorrido somente nesta manhã mais de 60 quilómetros através de estradas e auto estradas que circundam a capital.

Ainda bem que conheço muitas vias alternativas para chegar a qualquer lado nesta urbe. Todavia por vezes também fico preso no trânsito. Hoje não foi um dia desses.

Mas há algo nestas estradas, avenidas, ruas e vielas e que se prende com o estado do pavimento que mui rapidamente se deteora.

Seria bom que alguém com responsabilidades camarárias neste sector tivesse conhecimento e melhorasse as vias.

A gente lê-se por aí!

Fez ontem 25 anos!

Foi no, já longínquo, dia 11 de Fevereiro de 1999 que me sujeitei à primeira cirurgia ao meu olho esquerdo, vítima de um descolamento de retina. Um problema assaz frequente, especialmente em altos míopes como eu sou!

A cirurgia correu bem e as coisas aparentemente andaram bem até... ao início de Abril quando tudo se reverteu. Programou-se nova cirurgia, mas sem grandes resultados e acabei por ficar internado uns dias no Hospital Gama Pinto. Também sem melhoras...

Para não me alongar acabei em Junho por ir a Barcelona ao IMO (Instituto de Microcirurgia Ocular) onde fui novamente operado com melhores resultados, se bem que sem visão suficiente. A única coisa que fiquei foi com aquilo que os ingleses chamam de "count fingers". Que é neste momento aquilo que tenho.

Portanto entre Fevereiro e Junho de 1999 a minha vida resumiu-se a ficar quieto, sem poder fazer qualquer esforço, sem poder ver televisão, ler ou sequer escrever. Recordo a este propósito que o meu filho mais novo sentava-se a meu lado na cama e lia-me em voz alta o jornal.

Para piorar as coisas, já de si pouco famosas, tudo isto aconteceu no ano em que iniciei a construir a minha casa. Quem já passou pela aventura ou desventura de construir uma habitação sabe que todos os tostões contam... Agora imaginem o meu azar!

Não tenho vergonha de assumir que pedi ajuda até aos meus filhos pequenos, especialmente para a cirurgia em Barcelona que custou na altura 650 mil pesetas, mais ou menos 800 000 escudos ou quatro mil euros. Cheguei a recorrer aos seus mealheiros para comprar as pesetas necessárias.

Como escrevi no dealbar deste postal, fez ontem 25 anos que tudo começou. Mas ao invés do que seria suposto pensar foi um ano de enorme aprendizagem! Principalmente nos quatros meses que mearam entre a minha vinda para casa e o regresso ao trabalho. Já que tinha de estar permanentemente de cabeça para baixo foi neste tempo, que... tive tempo:

Para pensar!

Para chorar!

Para rir!

Para sentir!

E finalmente:

Para mudar!

Definitivamente hoje não sou o mesmo daquela época, nem penso da mesma maneira. Talvez por isso agora não pare... especialmente dentro da minha cabeça onde tudo fervilha a enorme temperatura, querendo fazer tanta coisa...

Finalmente este texto não serve como lamechice nem como desabafo, mas tão somente como mais uma estória da minha vida e da luta que tantas vezes tive dentro de mim mesmo, até acordar para uma realidade tão diferente daquela em que acreditava.

Como nota à margem posso confessar que paguei tudo e a toda a gente!

Visita rápida ao dentista!

Estava prevista para hoje uma visita ao médico dentista para a extracção de um dente do siso, mas que por acaso até foram... dois.

O médico era um jovem que teria idade para ser meu filho, mas tratei-o com a deferência própria entre doente e paciente.

Agulhas de um lado, injecções do outro, ferramentas tenebrosas poisadas na bandeja a verdade é que não tive qualquer temor perante os acontecimentos que se aproximavam. A determinada altura o médico pergunta-me:

- Podemos começar?

Ao que respondi:

- Com certeza e sem medos. Mais... não costumo ser piegas portanto vamos a isso!

Abri a boca, fechei os olhos a ver se aproveitava para dormir, para um quarto de hora mais tarde, provavelmente nem tanto, sentir que uma linha assentava na minha cara. Percebi então que os dentes do siso... já eram!

Rápido, eficiente, num instante estava pronto para sair do consultório apenas com alguns recados:

- Não pode falar hoje (grande chatice!), só pode comer coisas frias (sem problema!), não pode fazer esforços (não tinha essa ideia!) e amanhã já pode principiar outro tipo de alimentação mais quente, mas ainda mole. Ah e ponha gelo nesse lado...

A todos estes recados associou uns comprimidos para as dores que me ajudaram a suportar alguns rasgos repentinos que a carne dilacerada apresentava.

Por fim e antes de sair o jovem médico teve a simpatia de confessar:

- É um homem de coragem. Por muito menos muita gente grita e barafusta.

Sorri e não pude responder... Já tinha a boca entrapada com compressas!

Crónica de um dia... loooooooooooogo!

O meu pai ficou internado nos Hospital de Torres Novas na passada segunda feira. Os seus 91 anos, uma infecção a que se junta uma quase falência renal não aigurava nada de bom!

Perante esta situação em vez de levar o meu carro levei a carrinho e quando saí do hospital, já com o meu pai internado parti para a Beira Baixa já que estava a meio do caminho e onde fui dormir.

Então o dia de ontem principiou às 66 da manhã, quando fui buscar o pão à padaria. Tomei o pequeno-almoço calmamente para às 8 estar na quinta para ver os trabalhos aí realizados. Depoisfoi a vez de carregar a carrinha de lenha. Bem cheia e depois de tudo bem visto parti do Louriçal do Campo direito ao Covão do Feto para ir yter com a minha mãe. Caminho feito sem chuva,

Na aldeia:

- fui buscar batatas para a minha mãe fazer uma sopa;

- carreguei  alguma lenhq da que trouxera para dentro de um barracão contíguo à casa;

- uma má disposição fez-me não almoçar;

- saí às diuas e meia com a minha mãe para ir ver o meu pai no Hospital;

- antes passei por uma loja, mas estava ainda fechada:

- fui para o hostpital onde âs três horas vimos o meu pai;

- uma hoira depois saímos e voltei à loja agora aberta;

- depois um supermercado para comprar víveres;

- regresso à aldeia onde pego na carrinha e parto para o Sul;

- a noite caía e a fila para passar a ponte iniciava em Campolide;

- uma hora depois estou do outro lado do Tejo;

- chego a casa e descarrego um monte de lenha no meio da garagem:

- o tempo piorara e a chuva mal deixava ver o caminho;

- chego a casa descarrego o essencial (o resto ficou para hoje);

- tomo banho e sem coragem para mais nada aterro na cama, ainda não seriam 10 da noite.

Para ajudar à festa confesso que estava febril e este terá sido um dos piores dias desde há alguns anos. Curiosamente no dia em que fiz 40 anos. Dia em que tirei a carta de condução.

Ufa!!!!!

Crónica de uma tarde de Domingo

Para a tarde de hoje estava programada uma ida à bola.

O Sporting iria jogar no seu estádio contra o Dumiense, equipa minhota que milita nos Campeonatos de Portugal, o que equivale dizer de um escalão muito inferior ao da Primeira Liga. Portanto nível de dificuldade a roçar o fraco.

Mas como o jogo era de Taça de Portugal e nesta competição são frequentes os tomba-gigantes seria bom o Sporting respeitar o adversário não fosse o Diabo tecê-las. E não teceu!!!

Saí de casa eram 17 e 06 minutos já que o jogo principiaria às 18 horas. Pouco trânsito e num instante tinha o carro estacionado. O cachecol embrulhou-me e a camisola Stromp agasalhava-me (ainda não me pagam para fazer publicidade na minha vestimenta!!!)

Passo rápido e ainda longe do estádio apercebi-me de mais adeptos e seguirem o mesmo trajecto. Tudo normal em dia de jogo. Mas muitos deles vinham acompanhados das esposas e companheiras e consequentes infantes, todos vestidos a rigor.

Quando cheguei perto do estádio vi uma enorme fila para entrar na minha porta de acesso. Caso raro! Depois entendi a verdadeira razão: as crianças. Muitas…

Sentei-me por fim no meu costumado lugar. Todavia ao meu redor gente diferente da que costumo ver noutros jogos. Acima de tudo muitas mulheres de todas as idades. Vi idosas, jovens e crianças da idade da minha neta mais velha.

Ao intervalo um conjunto de miúdos gritava a plenos pulmões o nome do clube do seu coração.

Depois os diversos golos e a festa estava por fim consumada!

Fim de jogo e regresso a casa! Para trás ficaram duas horas de pura e genuína alegria! Não só pelo volumoso resultado, mas por este publico tão jovem, mas já tão fervoroso adepto.

Imagino que sejam assim os jogos de futebol em Inglaterra!

Manhã de praia!

Cheguei à praia as nove e meia da manhã!

Este ano tenho notado uma anormal afluência à Praia da Rainha. Calculo que se prenda com as dificuldades que as pessoas têm tido em cumprir com os seus compromissos financeiros, o que leva a terem de abdicar daquelas férias no Algarve e escolherem umas das praias da Caparica.

Certo é que se juntarmos o calor quase tórrido dos últimos dias dá uma mistura explosiva e que termina na praia hipercheia ainda muuuuuuuuuuuuito antes do meio-dia.

Chapéu, saco das toalhas, cadeira e mais uma parafrenália de brinquedos para a miúda é a minha sina... todos os dias! Depois descarrego tudo na areia, mais ou menos longe das pessoas e monto este estaminé. Por fim é aquela parte dos protectores solares na pele não vá o Sol pregar das suas... como se ele estiveesse preocupado com isso!

A minha neta quer logo ir à água e portanto lá vamos nós a reboque da cachopa. Quando finalmente regresso à toalha e ao meu chapéu... ups... onde está ele. Finalmente lá o encontro rodeado de outros tantos irmãos.

Quase num ápice a praia encheu. E o pior é que os veraneantes adoram ficar quase uns em cima dos outros (não aprenderam nada como COVID!), deixando pouco espaço para estender umas reles toalhas.

Associado a esta quase invasão temos gente de todas idades, sexos, tamanhos e gorduras. Muitos com uma linguagem pouco feliz, com conversas da treta, música aos berros e para piorar... naqueles três metros de areal que sobra... "bora jogar à bola"!

A fauna humana que encontro actualmente nesta praia é assaz diferente dos anos anteriores... Tão diferente que quase me sinto tentado a escolher outro local.

Temo, no entanto, que o panorama seja semelhante nas praias vizinhas.
Pelas onze e meia costumo regressar a casa. Mas o movimento de entrada continua a superar o espaço do areal...  Um destes dias rebenta!

O que vale é que a maré, nesta semana, está a descer!

As ilhas perfeitas - dia V

Dia I

Dia II

Dia III

Dia IV

 

Notas finais!

O regresso na segunda-feira ao Continente foi demorado, como é quase sempre que se sai dos Açores ainda por cima de ilhas sem voos directos para Lisboa. Portanto "check-in! às 10 da manhã em Santa Cruz das Flores e chegada a casa às 20 horas! Posto isto é só para comunicar que as deslocações de e para os Açores dá quase sempre um dia perdido!

Mas regressemos ao que conta. 

1 - As Flores e o Corvo são duas ilhas onde o tempo parece ter parado. Não no sentido evolutivo, mas unicamente na forma como se gere esse mesmo tempo. Dito de outra forma há tempo para tudo.

2 - Não há filas de trânsito. E se alguém pára, o carro que vier a seguir aguarda pacientemente. Assisti a um casal que parou a viatura à porta do café, deixou o carro a trabalhar, foi beber o café matinal e entrou no carro sem que ninguém barafustasse.

3 - Os restaurantes são razoáveis, mas anormalmente caros. Não sei a insularidade é uma (má) desculpa.

4 - As pessoas são muito simpáticas e tenho a certeza que se lá vivesse ao fim de pouco tempo conheceria a população toda.

5 - Quanto ao que vi... gostaria de fazer uma lista do mais bonito... todavia tornar-se-ia injusto para outros locais de uma beleza fantástica. No entanto reconheço que viajar para o Corvo acompanhado pelos golfinhos foi algo que deixou marcas.

6 - As hortenses ocupam grande parte da ilha. Dividem estradas, terrenos, cobrem os campos mais inóspitos para as vacas, enfim dão uma beleza quase infinita à ilha.

7 - Muita gente afirma que não gostaria de viver numa ilha devido â falta de assistência médica, por exemplo. A minha pergunta é esta: quantas pessoas morreram e que vivem perto dos hospitais? Teria mais receio de um tremor de terra que do resto. Mas isto sou eu!

8 - Não percebi grande agitação nocturna o que equivale dizer que a malta gosta de se deitar cedo. Os que desejam agitação terão de escolher outra ilha, provavelmente.

9 - As viagens não são baratas mesmo que algumas se possam fazer em "low-cost", mas continuo a dizer que vale a pena uma viagem ao local mais ocidental de Portugal e da Europa.

10 - As Ilhas perfeitas mais uma vez encheram o meu coração de imagens que jamais esquecerei! Ide, ide que não se arrependerão!

As ilhas perfeitas - dia IV

Dia I

Dia II

Dia III

Domingo foi o último dia de passeio pela Ilha das Flores. Mas foi também dia de festa em honra de S. Pedro, padroeiro da freguesia e do Divino Espírito Santo. Logo de manhã notou-se movimento defronte do Império consagrado ao Divino. Aproximei-me lentamente e fui percebendo pais e mães de mãos dadas às filhas de branco vestidas... Uma ternura.

Eram dez e meia da manhã, já batia um Sol quente, quando sairam todos em procissão até à Igreja Matriz. Tudo muito bem organizado com direito a fanfarra e poucos fiéis a acompanhar.

 

No largo da igreja mais gente, mas estranhamente ainda pouca para a conhecida fá católica daquela região.

 

Não fui à missa desta vez e parti em busca de uma Reseva Natural na Fazenda de Santa Cruz. Este é um local que é outra boa surpresa. Com cerca de três hectares, este local tem uma diversidade de polantas e animais que faz as delícias dos visitantes.

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Foi uma volta demorada e pensei como gostaria de ter as minhas netas ali! Nas costas do parque há ainda uma belíssima queijaria gerida pelo senhor Fernando, um beirão radicado há muitos anos na ilha, e pela filha Ana Catarina, onde comprámos uma série de queijos... fabulosos!

Fazia-se tarde e logo dali saí para as Lages onde me esperava um almoço fantástico: boca-negra grelhada com batata doce. E abrótea frita! Ui... como me soube bem!

Entretanto o tempo estragara-se e caía uma pequena chuva. Nada que um bom continental não aguentasse. Por isso mesmo à chuva fui dar conta dos estragos que o furacão Lorenzo fez ao porto em 2018 e não obstante muitas obras ainda visíveis.

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Mas há também alguns pedaços reparados e prontos a receber embarcações, se bem que de pequeno calado o que ainda é insuficiente para as necessidades da ilha.

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Por ali deambulei até chegar bem perto de um veleiro com bandeira peruana e acabadinho de atracar. Acabei por meter conversa com um dos triputlantes que me disse serem três e que haviam partido bas Bahamas 13 dias antes. Apanharam na viagem uma forte depressão e que agora seguiriam para... a Horta! Só podia, pensei eu!

A povoação teve em tempos um museu da baleia mas desapareceu também com o tal furacão.

Faltava já ver pouco da ilha. Porém as paisagens de Costa, Lajedo e Mosteiro não deixam ninguém indiferente.

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A beleza é tanta que quase tenho de parar a cada 100 metros de estrada.

Finalmente encontrei esta estranha formação rochosa a que deram o nome de Rochedo dos Bordões.

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Neste sobe e desce de estrada íngreme e demuitas curvas, quase se assemelhava aos caminhos para as Fajãs de S. Jorge, a beleza destas serranias verdes é algo inesquecível.

À saída da estrada que vem de Mosteiro ao lado esquerdo há um marco geodésico e um miradouro... Parei, aproximei-me e...

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A Fajãzinha e as quedas de água do Poço da Ribeira do Ferreiro e toda azona envolvente e a uma altura considerável.

Esta paisagem autenticamente de bilhete postal é por assim dizer o toque final desta viagem, se bem que ainda aproveitei o resto do dia para visitar as Lagoas Branca

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e a Lagoa Seca

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Saí deste local bonito para parar mais à frente no miradouro do Bico de Sete Pés.

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Regressei a Ponta Delgada onde vim mais tarde a descobrir que faltara ver o farol do Albernaz ali bem perto do Ilhéu Maria Vaz!

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Cheguei a Santa Cruz já perto do fim do dia.

Quando a noite caiu consegui perceber movimento de arrumações no Império ao Divino Espírito Santo.

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Entretanto a Lua se escondia-se por detrás de uma nuvem tendo como companhia um candeeiro de rua!

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Dia V

As ilhas perfeitas - dia III

Dia I

Dia II

 

A ilha do Corvo é das nove ilhas que compreendem o arquipélago dos Açores, a mais pequena. Talvez por isso é muitas vezes colocada em segundo plano.

Porém quem como eu já conhecia a Ilha sabe que aquele pedaço de terra que se ergue de um mar tão azul merece uma visita. Porque também esta ilha tema sua beleza.

Mas vamos ao que importa. No primeiro dia e assim que cheguei ao apartamento encontrei um número de telefone para onde liguei a marcar viagem para o Corvo. Só tinham disponibilidade para sábado e para mim era totalmente indiferente. Marquei para Sábado e o embarque seria no Porto das Poças.

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Assim à hora marcada lá estava a aguaradar a embarcação que me levasse até ao outro lado do canal. Já passava das onze da manhã quando surgiu a lancha.

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Foi nesta embarcação aparentemente frágil que embarquei e durante mais de uma hora naveguei pelo belo mar anil dos Açores. A determinada altura os motores reduziram a força e durante muitos e saborosíssimos minutos pude apreciar isto:

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Uma alegria esta companhia que durante algumas milhas nos acompanharam. Porém a foto que mais gosto desta singela viagem para o Corvo é esta.

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Há neste vôo do cagarro uma liberdade que ninguém tem! Depois a ilha das Flores já distante e o azul do mar... sempre o azul!

Cheguei à ilha do Corvo por volta da hora do almoço. Eu e mais de duas dezenas de viajantes. Achei mais avisado ver o que queria ver e depois mais tarde almoçar. A subida para o caldeirão do Corvo não é fácil. Perto de sete quilómetros pela única estrada que existe foram da povoação.

Depois... bom depois é aquele choque, aquela sensação de pequenez perante tamanha beleza.

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Não sei se o léxico português terá palavras suficientes para descrever o que se vê do alto daquele Caldeirão. Umas vezes límpido, outras ata+petado de umas nuvens que desaparecem rapidamente, mas que quase nada deixam ver!

Da primeira vez desci até lá abaixo junto à água, mas desta vez considerei arriscado até porque o chão estava molhado e uma queda naquele tapete não seria coisa de somenos! Fiquei pelo meio caminho... Donde aproveitei para fotografar mais de perto... hortenses!

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E vacas!

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Há quem faça a volta inteira ao cimo do Caldeirão, mas isso leva muitas horas porque são só... cinco quilómetros de perímetro.

Sair daqui, deste local tão belo quanto pacificador é quase uma violência, mas haveria que o fazer, até porque às duas e meia o restaurante deixaria de servir refeições.

A vila do Corvo é pequena, mas tem quase tudo o que as vilas têm! Supermercado, CTT, duas agências bancárias, para além, obviamente da Câmara Municipal e um conjunto de outros serviços públicos, todos a trabalhar no mesmo edifício onde o azul celeste (a exemplo da Fajãzinha nas Flores) é a cor predominante. Parece que a República aqui ainda não chegou...

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A igreja é humilde mas bonita.

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A vida por aqui faz-se à velocidade de chegada e partida dos turistas, seja de barco seja de avião, mesmo quw aeroporto seja do tamanho da vila.

 

Às cinco horas lá estou novamente da embarcação desta vez de regresso às Flores. Levantou-se uma nortada ligeira suficiente para nascesse alguma onulação no mar. Ainda assim nada de preocupante e a viagem fez-se muito bem.

 

Mas faltava ainda uma pequena surpresa. O responsável pela embarcação deu-nos a hipótese de ver mais maravilhas... 

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Para além das cascatas que caiam no mar, pude ver grutas onde o azul do mar ganhava novas tonalidades. 

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Simplesmente imperdível este fim de tarde no regresso à ilha e que mais uma vez surpreendeu por uma beleza invulgar.

Quando atraquei ainda tinha o coração aos pulos!

A noite entretanto foi de festa popular!

 

Dia IV

As ilhas perfeitas - dia II

Dia I

O dia acordou com Sol e uma temperatura branda tão característica da ilha, mas sempre com aquela estranha humidade a invadir-nos!

Tinha a consciência que seria um dia especial e vai daí iniciei pelo Museu da Fábrica da Baleia do Boqueirão onde percebi a razão porque a busca pelos cachalotes era tão importante na economia dos ilhéus.

Tempos duros de um risco sempre patente e a vida presa por um laivo de sorte ou azar! Muitos por lá ficaram, mas os que regressavam, sentiam que deviam agradecer ao Altíssimo tamanha façanha. Daí haver tantas festas, tantos impérios (pequenas oradas) consagrados ao Divino Espírito Santo, quase sempre criadas para agradecer.

Bom adiante que temos caminho para percorrer...

De viatura nas unhas toca a subir montes atapetados de... verde e vacas,

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até chegar a um cruzamento de dizia simplesmente: "Lagoas". Incentivo suficiente para virar e procurá-las. Poucos quilómetros à frente eis que surge a primeira lagoa ou como chamam comummente na ilha Caldeira. Esta é a Caldeira da Lomba.

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Um sítio calmo, sereno e sem grande aparato turístico. A estrada de acesso apresenta esta singela beleza,

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Um caminho ladeado de frondosas árvores. Não percebi se eram cliptomérias ou eucaliptos californianos ou simplesmento cedros. Mas também não procurei saber.

Logo a seguir, um par de quilómetros mais à frente, novas caldeiras com dois miradouros, um de cada lado, onde se observam duas belíssimas lagoas: a Caldeira Funda e a Caldeira Rasa. A primeira está a uma altura de 368 metros acima do nível do mar, 

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e a segunda a perto de 600 metros de altura.

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A foto seguinte demonstra a diferença de alturas das duas lagoas.

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Saí daquele lugar tão fascinante para a vista como para o espírito e segui até à povoação mais próxima: Fajâzinha.

Uma aldeia rodeada por beleza por todo o lado, muito activa já que tem uma queijaria muito boa da D. Ilda, uma Filarmónica, restaurante e outrossim algumas casas fechadas e outras abandonadas. Afirmam convictos os mais velhos que os jovens partem para longe para estudar e nunca mais regressam...

No imo da povoação uma belíssima igreja de um azul celeste muito bonito.

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No seu interior, ao invés de outros templos açorianos a pedra principal da edificação não é o negro basalto, mas uma espécie de mármore branco com uns singelos laivos negros. O seu interior é singelo, mas encontra-se bem estimada.

Subi a estrada até apanhar o caminho para a Fajã Grande onde iria almoçar. Mas antes uma visita especial para abrir o apetite para o que seria a tarde!

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Uma queda de água que só pára numa pequena bacia onde muita gente toma banho...

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Depois a água corre por entre pedras,  simplesmente até ao mar!

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Umas pequenas levadas roubam alguma desta água alimentando o que em tempos terá sido um moínho.

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Veio finalmente o almoço e de seguida a visita a um local muito especial: a aldeia da Cuada!

Diria que aqui a vida que os florentinos deixaram nos anos 60 tomou novamente forma e pujança. Um conjunto de casas originais em pedra,  num local idílico próprio para quem quer viver a vida em paz. Interior e exterior.

As casas da aldeia mantêm a traça original e à entrada o nome do último residente, Por dentro foram recuperadas de forma a terem conforto. Sei que marcar para esta aldeia um alojamento é deveras difícil e caro, mas pode-se passear por entre ruas e ruelas sem qualquer problema.

Tem uma pequena capela e o sossego do local é fabuloso.

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Voltei à estrada principal para parar um pouco mais à frente. Diversos carros edtacionados sinal que muita gente andaria por ali.

Uma seta indica "Poço da Ribeira do Ferreiro", mas os locais chama-lhe unicamente "lagoa dos patos". Cerca de seiscentos metros a subir por um caminho muito irregular e de um grau de dificuldade acima da média! Pelo caminho encontramos diversas levadas com muita água que se cruzam por debaixo das pedras do caminho. Sobe-se, sobe-se e parece que o caminho não vai dar a lado nenhum.

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Até que passado esta espécie de pórtico mágico deparamos com isto:

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É um momento único! Simplesmente sublime!

 

Nem mesmo o cagarro, ave prima da gaivota, que por ali deambulava percebe a beleza do local.

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Não sei quanto tempo ali estive, mas se pudesse morreria ali...

Descer tornou-se muito mais fácil,

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Finalmente na estrada em busca de mais lagoas. Estas...

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A Lagoa Escura e

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a Lagoa Comprida!

O dia caminhava para o fim... ou seria para o início de uma paixão por esta ilha?

 

Dia III

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