Escutei hoje a entrevista que Manuela Moura Guedes deu, um destes dias, a um canal de televisão. A antiga deputada do CDS denunciou publicamente muitos casos, que estava a investigar, enquanto jornalista de investigação.
A forma como MMG foi corrida do canal televisivo pareceu-me demasiado grave para ser verdade.
Umas das declarações que mais me chocou teve a ver com a questão da justiça portuguesa e de como esta esteve refém do Governo de José Sócrates.
Segundo MMG, tanto o procurador-geral da República da altura, o Doutor Pinto Monteiro, como a procuradora Cândida Almeida pouco fizeram no célebre caso "Freeport", que envolvia directamente na altura o PM, aquando da sua função como ministro com a pasta do ambiente.
Mas a antiga "pivot" do canal de Queluz não ficou por aqui e lançou diversos ataques, essencialmente à classe política pela forma como esta não deseja alterações à actual lei eleitoral.
Assertiva e sem papas na língua MMG foi igual a si própria e disparou para diversos alvos. Nomeadamente falou dos contractos do Estado com entidades privadas (PPP's, Portucale, Submarinos...).
Verdade ou mentira certo é que ninguém veio a terreiro desmenti-la.
Percebe-se que cada vez mais a política é um terreno deveras pantanoso onde evolui gente sem carácter e sem escrúpulos.
Os sucessivos casos que têm vindo a lume deixam-me triste. Muito triste mesmo. Não foi, com certeza, para isto que a democracia foi implementada em Portugal após o 25 de Abril.
Somos hoje um povo recheado de pequenas e grandes invejas, venenosas hipocrisias, sem méritos e sem estratégias. Vamos por isso dirigindo este “navio” ao sabor das ondas alteradas ou do mar chão, mas sempre com terra à vista, já que ninguém gosta de avançar para propostas mais desafiantes. Há muito receio de errar…
Talvez por isso:
- Tivemos um primeiro-ministro com demasiados interesses na Banca;
- Outro que mentiu descaradamente ao País fazendo-se passar por aquilo que não era;
- Tivemos um PR que criou uma Fundação que ninguém percebe para que serve;
- Existiu um Banco que alimentou governos e partidos;
- Governantes que foram para empresas privadas ganhar a vida;
- Outros foram somente à bola, com bilhetes à borla;
- Ministros com licenciaturas, no mínimo, muito duvidosas;
- Deputados a receberem dinheiro a mais, por viagens a menos;
- Autarcas reféns de empresários locais;
Por fim há o povo, que segundo as últimas tendências, um quarto deste está perto do limiar da pobreza. Para outros se passearem gordos e anafados.
É por todos sabido que o futebol deixou de ser um desporto, para se tornar numa indústria que movimenta demasiados milhões. Também já escrevi que alguém que tenha a possibilidade de meter a mão nesta (enorme) massa jamais a retirará sem que “algum” venho colado.
Teve de ser o FBI, a vir do outro lado do Atlântico, para desfazer esta teia onde a FIFA se deixou, há muito tempo, enredar. Sete dirigentes foram detidos num hotel da Suíça e sabe-se lá quantos mais irão ser envolvidos nesta espécie de “polvo”. Curiosamente (ou provavelmente não) em vésperas de eleições. Joseph Blatter parece ter a eleição garantida mas dificilmente passará “pelos intervalos da chuva” que esta tempestade está a causar.
Portugal, digam o que disserem, foi outrossim um dos beneficiados com esta troca de favores. Ou será que já se esqueceram do Euro2004? Um país sem recursos financeiros consegue ganhar direito a organizar um evento daquele calibre? Como?
Hoje percebe-se como tudo foi conseguido. Os clubes desportivos, as câmaras municipais e os governos endividaram-se nos bancos alemães, belgas, holandeses e outros para poderem construir as infraestruturas necessárias ao evento desportivo. Claro está que com este manancial de empréstimos a Portugal, era certo que a organização cairia neste rectângulo. O que era (e é!) preciso era (e é!) vender dinheiro. Seja a quem for!
Não imagino o que irá acontecer no futuro próximo àquela organização desportiva. Mas os próximos dias dar-nos-ão mais dados.