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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Sem papas na língua

Escutei hoje a entrevista que Manuela Moura Guedes deu, um destes dias, a um canal de televisão. A antiga deputada do CDS denunciou publicamente muitos casos, que estava a investigar, enquanto jornalista de investigação.

A forma como MMG foi corrida do canal televisivo pareceu-me demasiado grave para ser verdade.

Umas das declarações que mais me chocou teve a ver com a questão da justiça portuguesa e de como esta esteve refém do Governo de José Sócrates.

Segundo MMG, tanto o procurador-geral da República da altura, o Doutor Pinto Monteiro, como a procuradora Cândida Almeida pouco fizeram no célebre caso "Freeport", que envolvia directamente na altura o PM, aquando da sua função como ministro com a pasta do ambiente.

Mas a antiga "pivot" do canal de Queluz não ficou por aqui e lançou diversos ataques, essencialmente à classe política pela forma como esta não deseja alterações à actual lei eleitoral.

Assertiva e sem papas na língua MMG foi igual a si própria e disparou para diversos alvos. Nomeadamente falou dos contractos do Estado com entidades privadas (PPP's, Portucale, Submarinos...).

Verdade ou mentira certo é que ninguém veio a terreiro desmenti-la.

O que me parece sintomático!

Um País pob/dre

Neste país chegámos a um ponto de não retorno.

Percebe-se que cada vez mais a política é um terreno deveras pantanoso onde evolui gente sem carácter e sem escrúpulos.

Os sucessivos casos que têm vindo a lume deixam-me triste. Muito triste mesmo. Não foi, com certeza, para isto que a democracia foi implementada em Portugal após o 25 de Abril.

Somos hoje um povo recheado de pequenas e grandes invejas, venenosas hipocrisias, sem méritos e sem estratégias. Vamos por isso dirigindo este “navio” ao sabor das ondas alteradas ou do mar chão, mas sempre com terra à vista, já que ninguém gosta de avançar para propostas mais desafiantes. Há muito receio de errar…

Talvez por isso:

- Tivemos um primeiro-ministro com demasiados interesses na Banca;

- Outro que mentiu descaradamente ao País fazendo-se passar por aquilo que não era;

- Tivemos um PR que criou uma Fundação que ninguém percebe para que serve;

- Existiu um Banco que alimentou governos e partidos;

- Governantes que foram para empresas privadas ganhar a vida;

- Outros foram somente à bola, com bilhetes à borla;

- Ministros com licenciaturas, no mínimo, muito duvidosas;

- Deputados a receberem dinheiro a mais, por viagens a menos;

- Autarcas reféns de empresários locais;

Por fim há o povo, que segundo as últimas tendências, um quarto deste está perto do limiar da pobreza. Para outros se passearem gordos e anafados.

A sociedade lusa está podre e pobre.

FIFA – Associação de malfeitores?

É por todos sabido que o futebol deixou de ser um desporto, para se tornar numa indústria que movimenta demasiados milhões. Também já escrevi que alguém que tenha a possibilidade de meter a mão nesta (enorme) massa jamais a retirará sem que “algum” venho colado.

Teve de ser o FBI, a vir do outro lado do Atlântico, para desfazer esta teia onde a FIFA se deixou, há muito tempo, enredar. Sete dirigentes foram detidos num hotel da Suíça e sabe-se lá quantos mais irão ser envolvidos nesta espécie de “polvo”. Curiosamente (ou provavelmente não) em vésperas de eleições. Joseph Blatter parece ter a eleição garantida mas dificilmente passará “pelos intervalos da chuva” que esta tempestade está a causar.

Portugal, digam o que disserem, foi outrossim um dos beneficiados com esta troca de favores. Ou será que já se esqueceram do Euro2004? Um país sem recursos financeiros consegue ganhar direito a organizar um evento daquele calibre? Como?

Hoje percebe-se como tudo foi conseguido. Os clubes desportivos, as câmaras municipais e os governos endividaram-se nos bancos alemães, belgas, holandeses e outros para poderem construir as infraestruturas necessárias ao evento desportivo. Claro está que com este manancial de empréstimos a Portugal, era certo que a organização cairia neste rectângulo. O que era (e é!) preciso era (e é!) vender dinheiro. Seja a quem for!

Não imagino o que irá acontecer no futuro próximo àquela organização desportiva. Mas os próximos dias dar-nos-ão mais dados.

Aguardemos serenamente!

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