A maneira como cada pessoa gere as suas contas é da sua inteira responsabilidade.
Enquanto uns procuram dar razão à expressão "gastar vamos" outros há que procuram o dito "poupar vamos". Mais uma vez a decisão é individual e não devem ser atribuídas culpas a ninguém se as coisas correrem bem ou mal (quase sempre correm mal!).
Pondo as coisas no devido contexto estou a referir-me a famílias com um rendimento razoável e mais ou menos certo no final do mês. Obviamente que excluo desta equação todas as pessoas que recebem abaixo do salário mínimo (normalmente reformados e/ou pensionistas).
Li há pouco uma notícia orriunda do Banco de Portugal (BdP) onde este entidade aconselha as pessoas a terem algum dinheiro vivo em casa, para uma eventualidade de falhas dos sistemas de pagamentos e/ou levantamentos electrónicos. Uma ideia que não é original pois o próprio BCE já o havia aconselhado.
Ora os valores mínimos variam entre os 70 euros por cada adulto e 30 por criança. Isto é para um casal com dois filhos, por exemplo, serão 200 euros que a família terá de retirar ao orçamento familiar. A própria DECO dizia que as famílias deveriam tentar poupar entre cinco a dez euros mensalmente para constituirem essa carteira fiduciária.
Um esforço para muita gente, para outras famílias talvez um exercício menos esforçado. Porém o que conta é a necessidade de se ter algum dinheiro em casa, acima de tudo para pagar alguma compra urgente.
Entretanto muitos dirão que não conseguem poupar tanto dinheiro, face às despesas que têm normalmente. Só que as tais ditas despesas envolvem na maioria das vezes demasiados vícios, sendo alguns destes muito caros, mas que ninguém quer abdicar.
Manter contas equilibradas não é uma tarefa fácil, mas tornar-se-á muito mais difícil se não conseguirmos controlar os nossos gastos...
Nunca foi meu propósito ser rico. Até porque sei que o dinheiro avilta as pessoas, mesmo as mais radicais.
Desde que constituí família por cá sempre se organizou as contas de forma a não ser como o "maltês de bronze, ganha dez e gasta onze".
Geralmente fiz umas espécies de orçamentos familiares com a ajuda de aplicações informáticas. Primeiro o "QuatroPro" uma folha de cálculo da Borland e que foi a génese do que viria a ser o Excel. Depois esta última aplicação em diferentes versões e muitas actualizações.
E trago este assunto porque hoje de manhã vi uma senhora pagar um ínfimo pequeno almoço, tabaco e raspadinhas (não sei quantas comprou!). Entregou uma nota de 20 euros e recebeu uma nota de cinco e algumas moedas. Isto é, a senhora terá gasto algo como 12,50 euros (aproximadamente).
Um valor destes diário dará cerca de 375 euros mensais. Um valor que pode ser quase incomportável em alguns orçamentos familiares. Sei que há cada vez mais famílias a cairem num submundo de falência técnica, pagando dívida antiga com a criação de nova dívida. E já nem falo de agiotas como conheci alguns.
Por isto estou ciente que a muita gente deveriam ser ministradas umas aulas de administração fiduciária para assim evitarem alguns (ou muitos) sustos financeiros.
Obviamente que o dinheiro serve para ser gasto, mas outrossim para ser poupado. Porque ninguém sabe o que o amanhã nos tem reservado.
Já por aqui fui dizendo que durante alguns anos fui do género tão luso de “gastar vamos”. Tivesse eu naquele tempo poupado algum hoje teria provavelmente um pé de meia razoável. Mas não o fiz e de nada me vale agora vir aqui lamentar.
Hoje sou uma pessoa bem diferente pois só gasto o que posso. A minha reforma não sendo doirada é, ainda assim, suficiente para não ter dificuldades, mas também é certo que não esbanjo dinheiro.
Como não tenho vícios também ajuda a controlar as minhas despesas.
A minha experiência de vida ensinou-me que quanto menos eu ganhar mais vontade tenho em ter coisas caras que o meu orçamento não comporta. Parece assaz estranho, mas é verdade!
Se juntarmos a esta gulodice por coisas impossíveis uns cartões de crédito temos uma mistura quase explosiva a que muita gente não resiste.
Talvez por esta filosofia estar já enraizada no espírito lusitano é que se percebe que algumas empresas do sector telefónico vendam equipamentos recentes por valores altíssimos, quando a maioria dos compradores não conseguirá usufruir do aparelho em todas as suas valências ou se comprem férias em locais paradisíacos a pagar em x prestações ou aquela consola que amanhã será substituída por uma mais moderna.
Só que o pior destas (más) opções não tem só a ver com as dívidas contraídas e que provavelmente nunca serão pagas, mas com a colocação das próprias famílias num limbo demasiado perigoso, retirando a estas os recursos mais elementares como alimentação, vestuário ou educação.
Não é primeira vez que falo desta nossa novel postura. Depois de uma época em que os nossos pais foram ensinados a poupar hoje vivemos tempos opostos com uma juventude nada preocupada com o dinheiro e muito menos com o seu futuro e descendentes.
Com um ex-PM a assumir nos seus tempos aúreos que as dividas não se pagavam… não admira!
Em Fevrereiro deste ano coloquei aos leitores neste postal uma questão que me pareceu pertinente, tendo em conta o que me acontecera nesse dia.
A realidade é que continuo a achar moedas no chão, essencialmente cêntimos, o que equivale dizer que as pessoas olham para esta moeda com algum desprezo e quiça mesmo descuido.
Aproveito este tema para fazer a ponte para o que aqui me trás hoje e que se prende com a ileteracia financeira (expressão ora tão em voga!!!).
É certo que durante muitos anos ninguém falou ou escreveu sobre a (in)capacidade de muitos em lidarem ou gerirem os seus dinheiros. Este total desconhecimento acabou por criar num futuro mais ou menos curto, graves problemas às pessoas e respectivas famílias.
O "gastar vamos" surgiu assim como catapulta para muitas falências familiares, com as respectivas consequências de perda de casa, carro e até emprego.
Hoje há uma maior preocupação por parte das entidades reguladoras em chamarem à atenção aos que olham o dinheiro como algo que existe para esbanjar em vez de poupar. Até as instituições financeiras tentam salvaguardar-se obrigando os devedores a apresentarem reais garantias de pagamento em vez de meros jogos de intenções como foi outrora.
Ser "maltês de bronze, ganhar dez e gastar onze", como soi dizer-se, é muito fácil. O que custa é pagar as dívidas e honrar os compromissos. Para isso é necessário ter consciência que não se pode gastar mais do que se ganha ou recebe!
Seria bom que ensinássemos já as nossas crianças a gerirem os seus próprios e parcos dinheiros! Talvez assim um dia possam também gerir melhor o nosso país!