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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Quando o maior Óscar é… viver!

Desde miúdo que me lembro de Christopher Plummer como o chefe austero da família Von Trapp. Falo obviamente um dos filmes que mais vezes vi na televisão, Música no Coração. Provavelmente como quase todos nós!

Morreu hoje o actor. Ficou todavia o Capitão resistente contra o III Reich. Como ficaram as músicas que desde 1965 nos acompanham.

Muitas vezes avalia-se o sucesso de um actor pelo número de prémios conquistados ao longo da sua carreira. No entanto Plummer mostrou-se sempre muito mais preocupado em representar bem os seus papéis do que em ganhar prémios.

A vida, todavia, premiou-o com 91 anos. Não me parece assim tão pouco.

Que descanse em Paz!

Filmes de Natal...

... que não quero rever!

Por esta altura do Natal as televisões costumam passar um conjunto de filmes alusivos (ou não!) à época que estamos a viver e que se tornaram uma tradição.

Se bem que não veja televisão, ainda assim há sempre um aparelho pequeno na cozinha e que vai mostrando a programação para os próximos dias.

Assim diria que não quero (re)ver:

- Música no coração - ando há 60 anos a ver;

- Sozinho em casa - já vi 733 vezes

- Sozinho em casa 2  - só vi 486 vezes;

- Um conto de Natal - revi 105 vezes;

- Assalto ao arranha céus - vi 499 vezes:

- Assalto ao aeroporto - só foram 275 visualizações;

- Die hard 3 - A vingança - apenas 50 vezes.

Para já são só estes. Mas se me lembrar de mais algum venho aqui actualizar!

O eterno Caval(h)eiro de Rosa!

Enquanto Morfeu reinava a "ceifeira" levou o mais polivalente dos actores que passaram pela sétima arte. Sean Connery morreu nas Bahamas enquanto dormia.

Reconheço que sempre gostei deste actor. É daqueles que nunca enganou e mesmo em filmes medíocres o actor escocês destacava-se sempre pela positiva.

Liga-se a este actor a primeira saga de James Bond, que começou nos anos 60 e continuou até ao presente século. Não sendo eu um enorme apreciador destas sagas, tenho de admitir que Connery foi, de todos aqueles que incorporaram o agente secreto britânico, o actor que deu mais carisma e qualidade.

Vi muitos filmes com Sean Connery. Todavia há um que gosto especialmente até porque considero que a adaptação do livro para o cinema foi muito bem conseguida. Chama-se "O Nome da Rosa"!

Partiu um dos grandes "Intocáveis" do cinema.

A sétima arte perdeu uma das suas figuras maiores.

Que descanse em Paz!

Ennio Morricone por fim no Paraíso!

Morreu o enorme Ennio Morricone. Aos 91 anos!

Se há pessoas que nunca deveriam desaparecer do Mundo, este compositor italiano, deveria ser uma delas. Ennio compôs dos melhores temas, das melhores músicas que o cinema já teve.

É quase infidável a lista de filmes em que Morricone participou com as suas belas melodias. Que a sétima arte ficará agora mais pobre é certo, pois dificilmente haverá um compositor que conseguisse somente com a sua música colocar um cunho tão pessoal nas suas fantásticas melodias.

Lamento profundamente o seu desaparecimento, mas de uma coisa tenho a certeza: Ennio Morricone irá tocar agora as suas belas e comoventes músicas de cinema no Paraíso.

O livro ou o filme primeiro?

Adaptar uma obra literária, seja ela qual for, ao cinema ou à televisão não me parece uma demanda de somenos.

Talvez por isso prefira ler primeiro o livro e só depois constatar como foi passado para o pequeno ou grande ecran.

Há argumentistas e realizadores que tentam seguir fielmente o enredo. Outros tentam acrescentar alguma emoção ao que já se encontra escrito.

Neste confinamento acabei de ler Tieta de Jorge Amado. Um romance muito curioso, já que é muito diferente daquilo que foi a telenovela que a Globo brasileira emitiu há muitos anos. Algumas personagens são as mesmas, mas a maioria peca por excesso. Isto é a televisão brasileira criou uma série de figuras associadas a pequenas histórias que nunca vi escritas no original.

Não é que fiquem mal… longe disso. Todavia o livro acabou por saber a pouco, tais foram as nuances introduzidas ao enredo original.

As minhas sugestões de filmes...

... para a próxima quarentena!

Após as sugestões de livros que fiz aqui e de discos neste postal é a vez de apresentar algumas ideias de filmes para este tempo de quarentena.

A exemplo das leituras e das músicas estas são simples sugestões de longas metragens de grande qualidade realizadas por directores de excepção.

Poderia acrescentar alguns trailers dos filmes, mas da mesma maneira que não apresentei capas de livros e discos escuso-me a mostrar dos filmes.

Ora vamos lá às dicas:

Um assassino pelas costas de Steven Splielberg

Sínopse – Cuidado com quem nos metemos na estrada;

Forrest Gump de Robert Zemeckis

Sínopse – Quiçá a melhor interpretação de Tom Hanks;

Obsessão de Brian de Palma

Sínopse – Um drama impensável e imprevisível;

Melancolia de Lars von Trier

Sínopse – A Terra nos seus momentos finais;

Missing de Costa-Gravas

Sínopse – A busca do filho num país em guerra;

Ben-Hur de William Wyller

Sínopse – Uma longuíssima metragem própria para esta época da Páscoa;

Uma noite na Ópera  de Sam Wood

Sínopse – Uma fantástica comédia onde os irmãos Marx atravessam o Atlântico;

New York, New York de Martin Scorcese

Sínopse – O amor pela música e por uma mulher são incompatíveis;

Os inadaptados de John Huston

Sínopse – O último filme de Marilyn Monroe. Imperdível;

12 homens zangados de Sidney Lumet

Sínopse – A luta por um homem inocente.

O último grande... resistente!

Partiu o último dos grandes actores de Hollywood, de seu nome Kirk Douglas.

A aplicação IMDB faz ao homem de personalizou “Spartacus” uma belíssima e justa homenagem.

Quase que se poderia dizer que Kirk nasceu com o cinema quando decorria a primeira Guerra Mundial. Mas foi já com 30 anos que se iniciou na sétima arte com “O Tempo Não Apaga” de Lewis Mileston.

A imensidão de filmes que fez tornou-o numa verdadeira lenda, não obstante não ter ganho qualquer Óscar a não ser o de 50 anos de carreira em 1996.

Pai de Michael Douglas, o actor principal de “The champion” de 1949 nunca foi uma estrela baça. Bem pelo contrário, interventivo e lúcido, sempre se mostrou um verdadeiro anti-herói.

Trabalhou com os melhores realizadores de cinema: Billy Wilder, Vicente Minelli, Stanley Kubrik e muitos outros. Também ele passou pela produção e realização mas com menor sucesso.

Kirk Douglas foi sempre um resistente… Até perante a morte.

Morreu aos 103 anos!

kirk_douglas.png

Lembrar o passado!

Lembro-me bem da notícia da morte de Audrey Hepburn no início dos anos 90. Fiquei muito triste.

Nunca percebi bem porquê mas a actriz principal de "My Fair Lady" sempre foi para mim uma menina e a minha actriz favorita.

Aquele seu ar gaiato e quase inocente fizeram dela uma estrela cintilante. Com direito a um lugar no passeio da fama e um Óscar com o filme "Férias em Roma" do realizador William Wyler onde contracenou com um dos grandes actores americanos: Gregory Peck, por sinal seu grande amigo.

Todavia Audrey mostrar-se-ia uma lutadora pelos mais desprotegidos tendo sido embaixadora da UNICEF e derivado a isso, visitado muitos países tentando com a sua influência melhorar as condições de vida de muitas mães e respectivas crianças.

Audrey Hepburn a actriz que jamais envelheceu faria hoje, se fosse viva, 90 anos.

 

Green Book - o (tal) Guia!

Galardoado com três Oscares de Hollywood este ano, "Green Book - Um guia para a vida" é um filme excelente.

A história baseia-se em factos reais e conta com excelentes actores: Viggo Montensen no papel de Tony Lip um italo-americano repleto de jogo de cintura perante algumas embrulhadas e Mahershala Ali no papel de Don Shirley um reconhecidíssimo tocador de piano de raça negra.

Estava-se nos anos 60 numa América ainda muito refém de preconceitos e tabus raciais. A história leva um trio de músicos a entrar nesse país assaz retrógado, mas sempre muito bem acompanhado por um perito em zaragatas que tem como função conduzir o artista negro durante dois meses.

A amizade entre ambos não parece, à primeira vista, tornar-se evidente mas com a continuação as relações tendem a mudar.

Bom argumento, boa fotografia, óptimas interpretações e uma realização de grande nível. Tudo condimentos para afirmar que este é um filme imperdível.

Green_book.jpg

 

O Caminho

Fazendo parte das comemorações do ano jubilar da Catedral de Santiago de Compostela, o filme “O Caminho” realizado por Emílio Estevez e tendo como protagonista um dos actores de Apocalipse Now, Martin Sheen, é um filme, no mínimo, muito curioso. E que só recentemento consegui ver.

Não obstante estar datado de 2010 ainda assim esta grande-metragem toca um dos principais pontos e quiçá o mais difícil de explicar ainda hoje e que se prende com uma simples pergunta: o que leva alguém a peregrinar?

A questão colocada assim de chofre poderá não obter a resposta desejada. Muitos dirão que é por promessa de carácter religioso, outros por puro turismo, há aqueles que terão somente curiosidade e finalmente os que vão peregrinar porque…

…Nem sabem porquê!

Como peregrino que sou, mesmo que seja somente até Fátima, reconheci no filme muitos dos dilemas que nos assolam durante a caminhada. As dores, as conversas, o cansaço e acima de tudo o tal dilema… interior.

Como por diversas vezes neste espaço fui referindo, peregrinar não é chegar, mas tão-só fazer o caminho. Partilhar vidas, camas e comidas, lágrimas e risos, frustrações e alegrias, todos imbuídos das mesmas sensações, sentimentos e vontades.

Ainda do filme retive dois momentos fantásticos: o primeiro quando a personagem principal mostra o terço a um padre, que este lhe havia oferecido muitos quilómetros antes e o segundo quando uma das personagens entra na Catedral de joelhos. O único que parecia estar ali apenas para perder peso, foi o que se vergou à fé que aquele local santo tanto carrega.

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