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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Na minha cidade - XVI

Mesmo debaixo do local onde trabalho há desde há pouco mais de um ano. um pequeno supermercado de ocasião. Por causa da próxima viagem tive necessiddae de comprar uma daquelas pastas de dentes pequenas para que a mala não vá para o porão.

Já na fila para pagar encontra-se à minha frente um homem robusto (para não lhe chamar gordo) e que a única coisa que carregava nas sapudas mãos era uma garrafa de 1 litro de um refrigerante daquela marca que consegue até mudar a cor do Pai Natal.

Foi a minha vez de pagar e quando ia a sair do estabelecimento reparei que o homem ainda dentro da loja colocou a garrafa à boca e bebeu de uma só vez todo o seu conteúdo.

De uma vez só? Perguntar-me-ão.

Nem mais!

Já ouvira dizer que havia gente capaz disso, todavia até assistir ao que assisti hoje, a minha dúvida era persistente.

Fiquei atónito. Não admira que haja tanta gente obesa na cidade.

Assim se vê a força da… PSP!

São 14 horas de uma tarde nem quente nem fria, muito por causa do vento forte que sacode os lisboetas. Percorro em passo rápido a Avenida Duque de Ávila no sentido da Avenida da República. Aquela artéria foi há uns anos surripiada de uma via para a entregar aos peões e essencialmente para ali colocar um corredor para as bicicletas e outros veículos de duas rodas.

Em sentido inverso ao meu um jovem percorre o tal corredor numa daquelas bicicletas de cor alface que se distribuem pela cidade. Com uma pequena nuance… carrega consigo também uma jovem.

Há um polícia de trânsito muito perto e que reparando no excesso de lotação manda parar o jovem. A rapariga desmonta e ambos seguem a pé empurrando a bicicleta até à “slot” de estacionamento mais próximo.

Ainda não tinha percorrido 5 metros e passa por mim também no tal corredor dedicado dois jovens empoleirados numa trotinete. Avançam rapidamente mas depressa deparam com o mesmo polícia. De dois rapidamente passa a um que sai dali apressadamente, antes que o polícia lhe pespegue alguma multa.

Mas o momento culmina com outro condutor de trotinete que de forma pouco responsável tricota por entre os transeuntes, ainda por cima fora do seu corredor. De súbito dá de caras com o polícia, que o manda parar e desmontar da trotinete.

Não ouvi o que o agente da autoridade lhe terá dito, mas o jovem não se livrou, com toda a certeza, de uma boa reprimenda. Parte a pé... deixando o veículo no meio do passeio. Provavelmente mais à frente terá pegado noutra trotinete, mas até lá não deve ter ficado muito contente…

Sigo o meu caminho a pensar num velho slogan de esquerda…

Porém adaptado!

Elas andam aí! Algumas...

Sou dos que consideram as trotinetas electricas como uma praga. Tal e qual um virus mau que se instala no corpo da gente.

Todavia o problema não é o equipamento em si, que por muito que se pense ou julgue não tem vida própria, mas unicamente os seus utilizadores.

A verdade é que as trotinetas atapetam em alguns locais todo um chão, inibindo os traseuntes de passarem e são por isso um verdadeiro transtorno.

Ainda por cima numa cidade, por exemplo, com tanto idoso como é Lisboa, parece-me pouco simpático alguém usar o equipamento e depois largá-lo no sítio mais incrível.

Numa rede social bem conhecida alguém criou uma página para mostrar os locais onde utilizadores depositam as ditas trotinetas.

Como se pode ver aqui.

 

O M.S.

Lembram-se desta estória que aqui relatei há umas semanas?

Pois é esta semana voltei a encontrar o cavalheiro invisual, mais uma vez no Metro. Aproximei-me dele, identifiquei-me e após uma pequena dúvida ou sei lá incerteza, recordou-se de mim e tivemos finalmente uma conversa bem animada.

Onde trabalha, que idade tem, como ficou cego... tudo questões que ele respondeu sem azedume. Ah e como se chamava também lhe perguntei.

Uma conversa mais masculina a seguir, retirou-lhe umas gargalhadas valentes e sonoras. Notei que à nossa volta algumas pessoas olhavam-nos de forma estranha como se vissem dois extra-terrestres.

Mas tal não me inibiu de dar um abraço a este cego que é um exemplo de coragem, tenacidade e resiliência na cidade. No final e segundos antes de eu sair da estação ele augura:

- Havemos de nos ver por aí!

Testar a sorte?

Já por aqui fui afirmando, ou melhor, assumindo que considero as passadeiras de peões um verdadeiro perigo na cidade.

Mais... estou plenamente convicto que as passadeiras devem ser causadoras de muuuuuuuuuuuitos acidentes com peões, que se atiram para a estrada crentes que todos os veículos irão parar e depois só param nas urgências, e com os carros que têm de travar repentinamente porque o peão se lançou para a sua frente e os de trás amarrotam as traseiras.

Todavia também não entendo o que leva um peão com sinal vermelho a atravessar indevidamente na passadeira quando os carros aparecem.

Assisti a um caso destes nesta iluminada cidade de Lisboa. A sorte que o peão teve em não ser colhido por um veículo não é para todos. E pior... estava ao telemóvel, que não largou.

Temi o pior, mas felizmente nada aconteceu.

Até um destes dias. Só espero não ser eu...

 

 

Na minha cidade XV - Apanhado?

Parei o carro num local onde o estacionamento é gratuito (já li algures que é por pouco tempo!!!). Assim que saí do carro surgiu um homem que vinha à busca da moeda que não merecera. Todavia como sei que aqueles tipos não são de fiar dei-lhe um euro.

Entretanto meti conversa e apurei que tinha 45 anos bem vividos (provavelmente até demais), que estava desempregado e necessitava do dinheiro para se governar. Depois acrescentou que iria frequentar um curso profissional durante um ano, onde lhe dariam almoço e lhe pagavam algumas despesas.

Veio outro carro e ele fugiu logo atrás do dono em busca de mais uma moeda. Escapou à conversa de forma rápida.

Entretanto em frente do parque há uma série de estabelecimentos comerciais. Entrei num café já conhecido e após uma garrafa de água fresca falei do arrumador com quem acabara de ter o diálogo.

Avisaram-me logo que não era pessoa em quem confiar. Geralmente adora deixar a sua marca nos carros de quem não lhe dá dinheiro.

Veio-me logo à memória este episódio. Porém não tinha provas e por isso lá continuou a sacar moedas aos condutores.

Até um dia...

Na minha cidade XIV - Simpatia pura!

São pouco mais que dez da manhã. Saí na estação do Metro do Colégio Militar onde vou visitor o meu pai no hospital e entregar-lhe o jornal, como tenho feito nos últimos dias.

Ao cima das escadas, ainda antes dos pórticos de saída, encontra-se um invisual. Percebo que está um tanto desorientado tal a confusão de indicações que algumas pessoas do lado de fora vão dando ao cego.

Já escaldado com algumas más experiências com cegos ainda assim avanço:

- Necessita de ajuda?

- Quero ir para o Centro Comercial.

- Mas tem de passar as cancelas...

Ao mesmo que digo ajudo-o a encaminhar-se para uma saída de sinal verde. Coloca o passe, as portas abrem-se e ele passa com calma. Sigo atrás.

Vira à direita mas por pouco bate numa coluna. Ajudo:

- Cuidado que está aí uma coluna. Quero que o leve até ao CC?

- Havia aqui um quiosque onde se podia comer... - diz sem sequer escutar a minha indicação. 

Olho em redor e não percebo qualquer loja. Todavia...

- Para este lado do CC não há. Só se for para o lado das paragens de autocarro.

- É para aí é!

- Quer que o leve?

- Agradeço.

Ando meia dúzia de metros e encontro logo uma pequena loja.

- Está aqui um quiosque... Quer vir aqui?

- É esse mesmo.

Endereço-o para lá com o braço.

- Cuidado com o degrau.

E num ápice:

- Está cá a Paula?

Por detrás do balcão está uma senhora alta, robusta mas simpática. Em tom de brincadeira vou dizendo:

- Este senhor quer um copo de três... tinto.

Ela responde:

- Só favaios!

- Ela é a minha madrinha! - diz o cego.

- Ai sim?

- Arranjei noiva e ela vai ser a madrinha...

A outra ri, mas preciso de me despachar.

- Um abraço e um fantástico 2019 - desejo eu.

- Se 2019 for igual ao fim de 2018 vai ser um ano muito bom. Não quer beber nada?

- Obrigado, mas não. Agora não! Felicidades.

Dou um aperto de mão ao cego que me retribui com vigor e regresso ao caminho.

Começou bem o meu dia. Finalmente um cego repleto de simpatia pura.

Autocarro para onde?

Quando vou a uma qualquer povoação portuguesa costumo estar atento aos transportes públicos locais. Especialmente por causa dos destinos que indicam.

Obviamente como estrangeiro na cidade ou vila não conheço onde são os sítios, mas há quem conheça.

Lisboa não foge também a este “drama” toponímico e imagino o que é que pensarão aqueles que veêm alguns estranhos destinos dos autocarros.

O mais curioso será sem dúvida o Senhor Roubado. Todavia que dizer de Buraca ou Picheleira? E de Santos ou Beato?

Podemos também encontrar destinos como Poço do Bispo, Braço  de Prata ou Boa-Hora, Graça ou Prazeres este último um local onde estranhamente há um enorme… cemitério.

Termino com a referencia ao local do Rato bem perto da Estrela que fica encostada à Lapa.

Para alguém de Lisboa parecem nomes perfeitamente normais, mas será assim para os visitantes da cidade?

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