Nestes dias de pluviosidade incomum o trânsito na capital, já de si assaz caótico, tende a piorar. Ou seja pela muita chuva que obriga a andar mais devagar ou seja pelo estado das ruas sempre muito deterioradas e raramente remendadas.
Os artistas que comandam as áreas dos pavimentos têm pouco senso para a possibilidade de dias com muita chuva, como são os de agora. E esta insensibilidade vê-se na maneira como os arruamentos são feitos, sem escoamentos capazes de evitar os lagos de água que vamos encontrando.
Não me venham com a ideia de que a cidade é centenária pois há zonas novas onde o problema das inundações das ruas também acontece! A maioria das vezes porque as sarjetas encontram-se entupidas e só ajudam alguns condutores imbecis que ao verem uma poça de água junto ao passeio adoram acelerar. Percebem para quê, não percebem?
Por causa desta postura de alguns automobilistas vi alguém, há muito tempo, no passeio com um calhau na mão... Nem imaginam como as velocidades se reduziram!
Não imagino o que será irmos, em tempo de férias até à praia e depois ficarmos apeados... por mau estacionamento!
Escrevi que não imagino porque tenho por hábito arrumar sempre bem o carro e nos sítios devidos. É a pagar, mas não me importo. Antes pagar diariamente dois euros que apanhar o susto de ficar com o carro bloqueado ou rebocado.
Trago este assunto porque no passado Domingo reparei numa série de veículos estacionados à beira da estrada ultrapassando a linha amarela de proibição, já para não falar do sinal vertical indicativo da inibição de parar e estacionar. De volta de alguns deles estava já a autoridade a ajudar o reboque a levá-los dali para fora. Estão a imaginar a cara dos veraneantes quando não encontraram o seu carro, não estão?
Esta situação das multas e reboques nesta zona balnear é recente! Mas durante aaaaaaaaaaaaaaaaaaaanos aquilo era um "ver-se-te-avias" de carros estacionados causando inúmeras vezes graves transtornos na normal circulação do trânsito!
Já nessa altura estavam lá os sinais e linhas contínuas que o tempo foi desgastando. Mas tenho a certeza que em consciência quem ali parava sabia que estava a fazer algo incorrecto.
Só que este ano tudo mudou. Os avisos são muitos, as linhas contínuas deixaram de ser brancas e passaram a amarelas, mas o condutor xico-esperto considera que nada daquilo é para si! Porque normalmente a xico-espertice vive e convive bem à margem da lei.
Vi diversos carros a serem rebocados no Domingo, mas hoje estranhamente (ou talvez não) já lá estavam outros! Como saí cedo da praia não sei o que lhes terá acontecido, mas estas poderão ser umas férias inesquecíveis para muitos destes condutores armados em xicos-espertos!
Um destes dias li algures uma estória (não imagino se verdadeira ou falsa, mas gostaria de acreditar que será verdadeira) relatando que numa cidade da Suécia as estações do Metro têm uma porta permanentemente aberta para acesso gratuito ao transporte. Alguém perguntou o porquê ao que responderam que servia para aqueles que não podiam pagar o metro ou que tivessem esquecido, por exemplo, da carteira em casa com dinheiro. Questionaram ainda se aquilo não levaria a outras pessoas a aproveitarem-se e andarem gratuitamente ao que o sueco deixou uma questão: por que fariam isso?
Sinceramente não consigo imaginar um português a comprar bilhete tendo ali uma oportunidade de se deslocar gratuitamente. Não imagino. Ponto.
Mas tudo é uma questão de mentalidade, educação, urbanidade e... civismo. Que se plasma na ideia de que para os suecos os outros são mais importantes que eles mesmos!
Uma filosofia impossível de implementar em Portugal, já que os maus exemplos principiam, infelizmente, por cima!
Não me compete fazer qualquer campanha para as dádivas de sangue, mas entendo que é um recurso escasso e que necessita de permanenente incremento de reservas.
Durante alguns anos fui também dador. A empresa onde trabalhei tinha um acordo com o Instituro Português do Sangue e de seis em seis meses lá aparecia uma enorme carrinha transportando um conjunto de equipamentos para recolha. Eu e os meus colegas tinhamos uma manhá dedicada à iniciativa.
Hoje por motivos clínicos jã não o posso fazer, mas tenho muita pena!
Esta é uma daquelas iniciativas que deveriam ser mostradas, elucidadas e fomentadas nas escolas. Não na idade infantil, mas um pouco mais tarde. Se a juventude está tão capaz para fazer e decidir tanta coisa na sua vida, também acredito que seriam capazes de se tornarem dadores de sangue.
Formar bons cidadãos não corresponde somente a ensinar o que foi o 25 de Abril de 74 nas escolas, mas explicar que aquele acontecimento histórico serviu para nos tornarmos melhores cidadãos.
Conhece-se um povo pela forma como aceita a cidadania... do outro. Bem vistas as coisas um cidadão só o é verdadeiramente na relação que mantém com as outras pessoas.
Dito isto há muito que por aqui vou defendendo a ideia de que a cidadania deveria ser uma disciplina obrigatória desde a escola primária. Já que muitas vezes os próprios pais não a sabem ensinar.
Diz o povo que "burro velho não aprende", mas nem sempre é verdade. Por isso diversas vezes toca-me um sino cá e aí vou eu tentando mostrar a outros o que é essa coisa da cidadania.
Duas moradias ao lado da minha há um restaurante. Assim às horas do almoço a rua enche-se de carros cujos condutores os estacionam quasem sempre em cima do passeio, obrigando os peões a sairem para a estrada pondo em risco asxsuas vidas.
Ontem alguém estava a estacionar no meu passeio e encostou tanto o carro à parede que mais uma vez impedia que um peão passasse.
Perante a situação disse ao cidadão, ironicamente:
- Pode encostar mais, sem problema! Os peões que vão para a estrada.
O cidadão retirou o carro do meu passeio, para o ir estacionar... em cima do passeio do outro lado da rua.
Portanto não percebeu a minha ironia. De todo!
E agora como se ensina esta gente o que é a cidadania e o respeito pelo próximo?
Antigamente todas as pastelarias tinham serviço de mesa. Fosse um café, um chá, um pequeno-almoço ou uma saborosa merenda havia sempre alguém que vinha à mesa perguntar pelo serviço. Hoje tudo isto caíu em desuso, exceptuando ainda alguns casos muitos pontuais, e se desejamos comer ou beber temos de ir ao balcão, pedir, pagar e munidos de um tabuleiro, eis-nos em busca de uma mesa.
Esta mudança faz parte do actual paradigma da restauração: menos despesa, mais ou maiores lucros.
Entretanto a mim não me aflige ir ao balcão pedir a minha comida para depois pegar no tabuleiro e levá-lo até à mesa, comer e finalmente colocá-lo num local próprio onde será levado. O que estranho são os clientes que vão ao balcão, tal como eu, pegam nos seus repletos tabuleiros, comem e depois abandonam a loiça na mesa, como "se lhe caíssem os parentes na lama" só por pegarem num tabuleiro vazio e colocá-lo na armação dos tabuleiros sujos.
São nestes gestos mais simples e mais singelos que se percebe a pouca cidadania de muitos dos portugueses. A anos-luz de muitos outros povos europeus!
Moro numa zona residencial às portas da capital, repleta de moradias.
A minha rua tem apenas um sentido e daí ambos os lados da rua estarem, ao fim do dia, repletos de carros estacionados.
Um destes dias percebi que um dos meus vizinhos barafustava com veemência por encontrar o seu carro com um enorme vinco na chapa, começando este bem na frente e acabando já depois da portinhola do combustível.
Na verdade tem todo o aspectro de ser um acto selvagem que não lucra a ninguém (quiçá os pintores de automóveis!!!). Depois fiquei a pensar que o meu dito vizinho colocou-se a jeito para que tal acontecesse, já que a moradia tem uma garagem e um espaço à frente onde poderia, se quisesse, estacionar os dois carros que tem, sem arriscar a qualquer malvadez.
Vim a saber, à posteriori, que outros proprietários queixaram-se do mesmo problema. Na verdade a maioria dos moradores da minha rua não estacionam os seus carros nas garagens, preferindo ocupar com os seus veículos o espaço na estrada, quando não é no próprio passeio, obrigando desta forma os peões a sairem para a estrada.
Por meu lado guardo sempre o carro na minha garagem assim como faz o meu filho que mora na mesma rua, mas nuns números abaixo.
O prolema é que estacionar os carros numa garagem dá trabalho, muito trabalho. Essencialmente se esta estiver repleta de artefactos de divertimento, sejam mesas de snooker, matraquilhos ou simples mesas para refeições.
Esta manhã bem cedo fui ao pão, mas necessitava de dinheiro, portanto fui a uma ATM. Levantei o que necessitava, mas não pudeixar de reparar em diversos talões de levantamento que alguém por ali deixou. Se não o queriam levar poderiam ter evitado gastar papel, certo?
Conclusão: devem gostar que os outros saibam das suas misérias financeiras!
Regresso a casa a pé, como o faço quase sempre. Aproveito para perceber a evolução das construções de diversas moradias. Mais à frente há um caixote do lixo que tem atrás um aviso onde diz dá direito a coima despejar naquele local inertes urbanos. Todavia ao redor do caixote pude encontrar desde bocados de mobílias a restos de desperdício.
Conclusão: alguém não deve saber ler, tem falta de vista ou então anda a arriscar uma coima!
A meio da manhã fui à praia. O mar por esta altuira estava bravo sinal das marés vivas do final do Verão. A bandeira encarnada estava assim hasteada sinal de que os banhos estariam proíbidos. Estava à beira-mar quando noto um cavalheiro a entrar no mar de forma afoita. Sem medos e também obviamente sem responsabilidade. Entretanto o vigilante fez soar o apito e chan«mou o banhista, que não pareceu feliz.
Conclusão: ou há ainda quem não saiba o significado das bandeiras balneares ou adore chamar a atenção.
Por estes singelos casos reonheço que o povo ainda tem um longo caminho a percorrer... até á cidaddania responsável.
Acordei e levantei-me cedo, aliás como sempre faço!
Tinha uma série de coisas para resolver e para fazer. Ora, tendo em conta que a neta chegaria excepcionalmente mais tarde, era o momento óptimo para dar despacho...
Às nove fui aos CTT, para um quarto de hora depois estar ao balcão do Banco e finalmente às 9 e meia entrei num supermercado para comprar somente iogurtes para a cachopa pequena.
Caminhava eu no sentido do Supermercado quando chego ao sinal de peões e este vermelho. Paro e espero que passe a verde, mesmo que não haja trânsito... Chega então a meu lado uma idosa airosa e apressada, já que não esperou pela esperança do sinal e toca a passar. Só que veio um carro e quase que a atropelava. O interessante é que a senhora ainda refilou com o condutor. Gravo a cena e fico a pensar: porquê a pressa, ainda por cima nesta idade? Pior... quando entrei na loja encontrei-a a mirar uma coisa qualquer. A pressa havia, portanto, desaparecido.
Já da parte da tarde quando me encaminhava para o hospital onde está um familiar próximo internado, é a minha vez, como condutor, apanhar uma jovem a atravessar fora da passadeira que estava a dois metros... Também com sinal vermelho. Passou imaculada!
Reconheço mais uma vez que eu como condutor detesto passadeiras, não pela sua utilidade, mas pela forma como é (mal) usada. Mas sou eu, pronto!
Todavia quando ando a pé respeito sinais e tráfego. Passo apenas quando ambos os sentidos me dão passagem e nunca me atiro para o alcatrão de branco listado!
Já não tenho idade e muito menos paciência para ensinar a população a andar, seja na rua ou na estrada. No entanto vou tentando ensinar através destes escritos e, acima de tudo, pelo exemplo. A começar pela neta a quem já vou ensinando estas coisas...
Se há alguma coisa que preocupa seriamente o cidadão português é a sua saúde.
Hoje estive com um familiar na urgência de um hospital público. O doente teve direito a pulseira laranja o que, em princípio, teria direito a ser despachado em pouco tempo.
O que quero chamar à atenção é sobretudo aos familiares e acompanhantes dos doentes que por aqui aparecem por "dácáestapalha". Na maioria são pouco pacientes e nem querem saber dos outros que chegaram primeiro ou que estão em poor estado.
Mas deixem-me assumir isto: se eu trabalhasse num hospital deste tipo nem que me pagassem o triplo eu estaria aqui a atender gente deste calibre.
É preciso muita coragem, mas muuuuuuuuuuita coragem para estar num serviço de Urgências deste tipo, sejam médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar ou seguranças.