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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Irresponsabilidade pura!

Ainda no seguimento deste postal chegou até mim esta estória real de vida.

Uma mãe deixou o seu filho numa ama, como todos os dias em que trabalha. Essa senhora tem outras crianças consigo. A determinada altura a ama soube que estava infectada com Covid-19, mas em vez de comunicar aos pais a sua situação de doença vírica, calou-se e deixou que tudo eventualmente passasse por entre os pingos da chuva.

Obviamente que as coisas correram mal, já que as crianças que tomava conta foram infectadas que por sua vez infectaram pais e mães e estes colegas e outros familiares.

Tudo porque alguém não fez o que lhe competia que seria simplesmente isolar-se e não ter mais contactos com as crianças a seu cuidado.

Dos números de infectados que diariamente tendem a crescer quantos se devem à incúria de pessoas como a senhora irresponsável aqui referida?

Uma coisa é sermos infectados sem o sabermos e andarmos por aí involutariamente a disseminar o virus, outra é termos conhecimento da situação e não ligarmos patavina às indicações das entidades de saúde, originando com isso uma disseminação com consequências imprevisíveis e quiçá catastróficas...

Consciência cívica precisa-se!

Hoje fui fazer testes antigénio à farmácia mais a minha mulher. Correu tudo como previsto e o resultado manteve-se como até aqui: negativo!

A seguir a nós entrou um outro casal bem mais velhos que nós e que logo deram sinal de estarem positivos.

O estranho é que uma hora depois encontrámos o mesmo casal em amena cavaqueira na rua com vizinhos se bem que com máscara, mas ainda assim sem os cuidados que deveriam ter que seria estarem isolados em casa.

É esta pobre consciência cívica que me parece ser o calcanhar de Aquiles dos portugueses, pois continuam a não acatar os conselhos médicos e das demais organizações especializadas (vulgo Direcção Geral de Saúde). Porque consideram que os seus interesses estão acima de qualquer lei e neste caso do bom-senso,

Reconheço que no início desta pandemia considerei que tudo não passaria de um bizarro alarmismo. Infelizmente estava enganado e eu próprio haveria de ser um dos atingidos.

Só que hoje resguardo-me, cuido-me e cuido de quem vive comigo. É que os outros não devem ser vítimas dos meus erros!

Chove... Mas isso que importa (*)

Oiço a chuva a bater na janela atrás de mim. É uma chuva forte com sabor e cheiro a Inverno.
Quase a terminar o Outono eis a estação seguinte a querer mostrar-se competente nas suas normais funções: chuva, vento, trovoada e muitas vezes frio.
Gosto especialmente do Inverno, das tardes cinzentas e de ver esta chuva forte a espalhar-se com força pela vidraça.
No entanto sempre que olho a rua esta é quase sempre um mar de água porque as sarjetas estão quase todas entupidas. Após um Verão e um Outono sereno a edilidade não se preocupou em limpar para escoamento das águas pluviais. Ou melhor fê-lo em Maio ou Junho, mas desde lá até agora as sargetas voltaram a entupir...
Não todas já que aquela que está mais perto da minha casa é intervencionada por mim, pelo menos uma vez por mês, de forma a poder escoar a água da chuva.
Não sou melhor cidadão que os outros, mas tento cuidar de algo que pode ser benefício de todos. É que resido numa zona alta e lembro-me de muitas vezes, quando trabalhava, não poder apanhar o comboio por o acesso à estação de comboios, que é subterrânea, estar inundado por convergir naquele lugar toda a água não escoada pelas sargetas.
A cidadania não passa só por campanhas sempre tão mediáticas de doações, mas outrossim pela nossa intervenção no terreno.
Como disse acima nunca me tomem como exemplo de óptimo cidadão porque também não o serei, mas há momentos que sinto conscientemente qual é o meu dever perante a sociedade!

 

(*) - Excerto de um poema de José Gomes Ferreira

 

O passeio (não) é de todos!

Quem aqui me lê sabe que eu tenho uma espécie de bravata contra os peões, acima de tudo pela forma como assumem que só têm direitos especialmente nas passadeiras onde (quase) literalmente se atiram para atravessar uma rua. Depois há sempre quem atenda telemóvel, ajeite a gola do casaco da criança, que discuta com alguém e tudo em cima da passadeira... e os condutores à espera!

Eis agora o outro lado da moeda, cabendo-me chamar a atenção para os condutores e para a forma como estacionam os carros na rua. Se não ouver estacionamento em espinha toca a parar em cima do passeio ocupando deste modo um espaço que é pertença de todos os transeuntes.

Ora como sabemos a nossa população está cada vez mais velha e com isso mais limitada de movimentos nas suas pequenas deslocações. Já para não falar de pessoas com outras limitações...

Hoje de manhã quando fui à padaria percorri mais de um par de quilómetros a pé tendo deparado com uma quantidade de carros estacionados em cima do passeio, de maneira que tive de ir para a estrada de alcatrão para poder presseguir.

Para piorar a coisa a maioria das pessoas que estacionam o carro no passeio têm garagem ou pátio onde caberia o veículo em causa. Porém é sabido que a maioria usa as garagens para funções diferentes para que foram concebidas.

Provavelmente nenhum deles terá familiares com problemas de locomoção (idosos, cegos, deficientes) e daí não perceberem que há quem necessite de andar no passeio para sua própria segurança.

Face a este triste panorama tenho a certeza de que a nossa sociedade está cada vez mais egoista. Depois há umas campanhas muito solidárias mas a cidadania não é existe só por decreto!

O que somos fora de casa!

Aprendi com a experiência de vida que há duas situações em que as pessoas tendem a alterar radicalmente a sua personalidade e os seus comportamentos em sociedade. 

Estas bizarras posturas estão presentes nos campos de futebol e dentro dos automóveis que conduzem. Isto é, há quem entre no estádio de forma calma e serena, para assim que começa o jogo se transformar de tal  maneira que deixa de ser aquela pessoa sensata e afável para se tornar durante hora e meia num bicho enraivecido. 

Da mesma maneira é frequente depararmo-nos na estrada com condutores sem o mínimo sentido de serenidade e calma, assim que se apanham com um volante nas mãos. Gesticulam, berram, proferem todo o tipo de impropérios sem cuidar que do outro lado há também condutores que carregam vidas, tornando-se, com as suas atitudes, num verdadeiro perigo.

Em ambos os casos, mas essencialmente no segundo convém ensinar desde a escola, que os veículos são verdadeiras armas e que devem por isso ser utilizados com todo o cuidado.

Termino com um velho ditado popular que diz: "Queres ver um vilão mete-lhe um pau na mão!". Hoje o ditado deveria ser: " Queres ver alguém nervoso, dá-lhe um carro novo!"

O melhor do mundo são as crianças!

Serão mesmo?

Mas se são porque utilizam os pais, avós, tios, primos e restante família personagens para atemorizar os petizes no sentido de eles se “comportarem”?

Nestas férias quando estava a sair da praia ultrapassei um casal que trazia consigo uma criança de tenra idade. Calculei que fossem os avós.

A criança era “naturalmente” irrequieta (e coloco aspas no advérbio de propósito, sem qualquer conotação pejorativa, bem pelo contrário). A determinada altura oiço a avó dizer:

- Olha que vou chamar o senhor polícia…

Tudo porque o petiz não sossegava e como se o hipotético agente de autoridade fosse o maior dos fantasmas.

Esta situação não é única mas há quem ainda utilize outras figuras como o “papão” (imagino que seja um pai grande), o bicho (ainda estou para saber qual será) ou outra qualquer entidade estranha no sentido de colocar a criança no seu lugar.

Nunca usei esta técnica (quase) ancestral para atemorizar os meus filhos. Tentei sempre explicar de forma assertiva como se comportarem, fosse na rua ou em casa! E eles perceberam e sempre se portaram muito bem.

Esta será outrossim a técnica que usarei com a minha neta. Explicar o porquê e não utilizar monstros, fantasmas e afins para a fazer perceber como deve estar na sociedade.

As crianças serão o melhor do Mundo, é certo! Portanto cuidemos delas com o cuidado devido (passe o pleonasmo) de forma a termos no futuro cidadãos conscientes, educados e acima de tudo bem formados.

Escutado hoje na praia!

Gosto muito de dormir ao sol na praia.

E as conversas ao meu redor são bons soporíferos para que adormeça mais depressa. Todavia hoje escutei esta conversa e nem consegui dormir:

- Já vieste à praia este ano?

- Tive 15 dias no início de Julho.

- De férias?

- Não... de quarentena!

- Como assim?

- Telefonei para a Saúde 24 a comunicar que tinha estado em contacto com alguém positivo. Mandaram-me fazer testes que só fiz passado dois dias e depois mais 14 dias em casa... Que aproveitei para vir à praia!

Perante este diálogo onde se pode observar uma evidente trapaça, pergunto como poderá este cidadão ter a ousadia de futuramente criticar alguém do governo?

É por estas e muuuuuuuuuuuuuuuuuitas outras que Portugal é um país de evidentes atrasos: económicos, culturais, mas essencialmente de cidadania!

Pode até nem ter sido verdade, mas a forma como foi descrito pareceu-me, infelizmente, muito plausível!

Anos modernos... velhos anúncios!

Há meio século corria na televisão lusa, ainda a preto e branco, um anúncio de prevenção rodoviária que dizia assim: atrás de uma bola vem sempre uma criança!

Na realidade naqueles tempos as crianças brincavam quase todas na rua (parece estranho, mas é verdade!) e quando a bola fugia corria-se sempre atrás dela sem a preocupação do trânsito (o que era?). Daí o anúncio.

Os tempos mudaram muito. Oh se mudaram!!! As crianças preferem uma qualquer consola com o ar viciado e tétrico de quatro paredes, ao ar livre. Optam por brincadeiras sem nexo, sozinhos ou com gente a quem nunca viram o olhar. Deste modo o velho anúncio já não fará qualquer sentido... Ou será que ainda fará?

Bom tudo isto para validar que provavelmente o anúncio com algumas alterações faria ainda jus. Uma delas seria que em vez de "uma bola" seria "em frente ao Multibanco".

Pois é... a frequência com que vejo gente a abandonar a caixa de Multibanco e olimpicamente atravessar a estrada sem qualquer cuidado com o movimento de viaturas é deveras assoladora.

É que colocam as suas vidas em perigo e podem originar muitos estragos nas vidas dos condutores.

Assim seria o anúncio: "à frente de um Multibanco sai sempre um estupor para a estrada!

Nem a pandemia os curou!

A pandemia e as consequentes restrições que nos foram impostas desde o ano passado poderia ter dado a muitos a capacidade de perceberem que a vida não é controlável e que no fundo somos uns infimos parafusos de uma gigantesca máquina.

Porém com o desconfinamento, regressou a costumada falta de educação e de cidadania dos portugueses.

Basta olhar para o estado do trânsito para descobrirmos que nada, rigorosamente nada, foi alterado. Os xico-espertos continuam a existir, assim como alguns desembaraçados. Obviamente com muitas e nefastas consequências.

Hoje fui a uma pastelaria tomar o pequeno almoço conjuntamente com a minha mulher. Aguardámos fora do estabelecimento que a fila de clientes lá dentro andasse, mas o cliente que chegou depois de nós passou por mim e retirou uma senha de chamamento. Primeiro não percebi qual a necessidade já que só é atendido um cliente de cada vez e a segundo foi a forma arrogante, mal criada e abtrupta como depois se nos dirigiu para avançarmos na fila. Sinceramente nem lhe liguei e quiçá foi o melhor que fiz já que depressa depreendi que era alguém com um gosto especial pelo conflito. Bateu à porta errada!

Entretanto durante a tarde andei na estrada e deparei com o mesmo tipo de condutores de antes da pandemia. Ultrapassagens arriscadas, altas velocidades, total desrespeito por quem está numa fila, educação e cidadania a roçar o boçal. Mas quem os escutar provavelmente sentem-se os heróis do dia.

A verdade é quando penetram abusivamente na traseira dos carros da frente dizem que tiveram azar! Os que vivem para o dizer!

Portanto a pandemia não curou ninguém.

Lombas ou degraus?

Entendo a intenção da maioria dos municípios em criarem condições especiais para os condutores de automóveis conduzirem mais devagar dentro das localidades, evitando com isso um conjunto de acidentes de viação.

Primeiro foram, e ainda são, os sinais luminosos associados a sensores que captam a velocidade a que determinada viatura de desloca e por isso acendem o vermelho. Todavia sendo uma boa maneira de minimizar acidentes ainda assim não pareceu suficiente, já que os sinais avisam, mas não impedem que os condutores continuem a acelerar.

Então criaram as conhecidas bandas sonoras, geralmente junto às escolas. Estas conseguem retrair alguma velocidade, mas há muitos condutores que respeitam pouco esta estrutura e continuam a passar em alta velocidade.

Por fim surgiram umas lombas que atravessam toda a estrada. Na realidade este obstáculo consegue finalmente reduzir a velocidade já que a sua subida e descida quase repentida poderá causar diversos estragos nas viaturas se vierem muito depressa.

Porém há lombas tão altas que se assemelham a verdadeiros degraus. E se as velocidades se perdem naqueles locais, já os choques traseiros e por vezes em cadeia sucedem-se amiude já que os condutores travam de repente perante tal obstáculo.

Não há, portanto, soluções perfeitas. Ou até haverá... mas aquelaa tèm de ser incutidas nas crianças desde muito cedo, seja na escola como em casa.

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