A pandemia ameaçava já o Mundo, para neste mesmo dia no ano de 2020 e sem medos das eventuais ameaças nascer a minha primeira neta.
Desde este dia, há precisamente seis anos, até hoje já nasceram, entretanto, mais três crianças que me enchem o coração e algumas deles os dias. Mas não me importo, mesmo sabendo que recai sobre os meus ombros outras responsabilidades.
Uma coisa é sermos pais e termos o poder de orientar os nossos decendentes outra é sermos avós e tentarmos conciliar a nossa visão para as novas crianças, com a perspectiva por vezes muito diferente das dos nossos filhos para os seus descendentes. O que nem sempre é fácil, admito!
Curiosamernte há umas semanas e em conversa com uma amiga com filhos já crescidos ela assumia que gostaria de ter muitos netos, mas jamais estaria disponível para tomar conta deles. Não é caso virgam e muito menos anormal. Opcões!
Só que deste lado olho para estes infantes não apenas como meus legais sucessores, mas como reais focos de ternura, amor, carinho, solidariedade e compromisso. De muita entrega e recebimento na mesma medida!
Não pretendo com esta prosa atacar alguém que não pensa como eu... Longe disso. Mas fica, quiçá, um aviso: no futuro só colheremos se semearmos. A realidade da vida diz-nos que nem sempre será assim, mas quero crer que deixo às minhas crianças bons exemplos, para que eles um dia mais tarde sejam outrossim bons exemplos para quem os seguir.
Um beijo será o gesto mais simples e mais genuíno do ser humano mostrar afecto. Algo que as crianças com dois anos já sabem fazer, muito antes se saberem sequer falar.
Paralelamente aos beijos temos os abraços que são também eles gestos afectuosos e muito característicos da raça humana. Há mesmo quem prefira um amplexo a um ósculo, como há quem não queira uma coisa ou outra.
Os beijos e os abraços simbolizam os afectos verdadeiros e genuínos sendo por isso sinónimos de ternura, carinho, amizade e obviamente amor pelo outro a quem entregamos o gesto.
De outra forma como conseguiríamos demonstrar a nossa preferência pela pessoa que temos à nossa frente? Não imagino! Há sempre uns ramos de flores, umas caixas de chocolates ou umas simples poesias, mas não é coisa diária.
Entre homens o cumprimento inclui uma derivação do abraço e ao qual damos o nome de aperto-de-mão! Gesto mais raro entre as senhoras, mas ainda assim também existente, especialmente em actividades muito formais.
Ora se eu brindar alguém com um ósculo ou um abraço é porque este tem um verdadeiro significado para mim. E quem recebe o gesto como se sentirá? Deve demonstrar o mesmo afecto, se o sentir, ou simplesmente devolver como mero agradecimento?
O nosso Mundo tem muitas e diferenciadas culturas e formas de se viver em sociedade e muitas delas terão também os seus próprios gestos para demonstrar os seus afectos.
Lanço então uma questão para a mesa de trabalho: e houver alguém que nunca receba provas de afectos seja de quem for, será somente culpa sua?
Na passada segunda-feira escrevi este postal referindo a minha ida à praia, nesta minha semana de férias (não imagino se terei outra, mas adiante!).
Falei na altura das centenas, para não dizer milhares, de crianças que com a sua alegria e fervor gozarem de umas boas horas de praia, sempre bem supervisionadas por grupos de monitores mui atentos.
Na altura havia mais gente na praia da qual não falei porque senti que mereceriam um postal totalmente dedicados a todos eles.
Para além de um grupo de terceira idade havia dois ou mais grupos, e que me chamaram à atenção, de pessoas deficientes. Estas de todas as idades, raças e com diferentes níveis de deficiência: trissomia 21, paralisia cerebral e provavelmente outras deficiências do foro mental que eu não identifiquei.
Este texto é assim uma singela homenagem a todos, todos, todos que nas suas vidas profissionais e/ou voluntárias lidam com estes bons seres humanos. Que são gente, que riem e choram muitas vezes sem se perceber do quê, que têm vontade e que apenas necessitam que alguém olhe por eles… permanentemente.
O carinho que vi nos cuidadores perante estes deficientes foi tocante. A alegria das idas à água com natural ajuda e apoio foi contagiante. Pareciam (e provavelmente serão!) crianças em tamanho grande.
Este é um postal, repito, de homenagem a quem dedica muita atenção, muito tempo e atribui o devido amor a quem, certamente, não conhece, de todo, esse sentimento!
Um bem hajam profundo e sincero a todos os cuidadores!
O melhor que me poderia ter acontecido nesta pandemia foi ter sido avô. A sério!
Escrevi neste postal o momento em que fiquei um par de horas com a minha neta pela primeira vez. Foi um sentimento de suprema alegria.
Entretanto desde Setembro que a menina passa o dia comigo. Ou melhor desde manhã até à tarde.
Devagar vamos dando conta da evolução da cachopa. A miúda é bonita (qual a criança que não o é???), esperta (qual a criança que não o é???), carinhosa e tem um ar muito reguila... Gosto disso.
Ao fim de uma mão cheia de meses com a minha neta tomei consciência de duas situações:
- A primeira, já o havia referido no outro postal, prende-se com a minha maior paciência;
- A segunda é que a miúda leva-me a fazer coisas impensáveis tais como brincar com bonecas, imaginem;
Depois os ritmos de vida cá em casa dependem exclusivamente dela. Mas sabe tãããããããããããaõ bem esta mudança.
Mesmo em dias de chuva e frio, a minha neta será sempre um Sol radioso!
Há aproximadamente um mês que passei a ser avô a (quase) tempo inteiro. Ou dito de outra forma todos os dias úteis, logo pela manhã, recebo nos braços a nova mulher da minha vida.
Após quase nove meses de licenças de maternidade, paternidade e férias foi o momento dos pais regressarem presencialmente ao trabalho. Daí esta minha ajuda...
Os meus dias dividem-se agora entre brincadeiras para bebés, dar de comer, mudar fralda ou simplesmente ajudá-la a adormecer.
Nunca fui pessoa onde o tempo abundasse tal era a quantidade de "burros" que tocava diariamente, como sói dizer-se. Deste modo para chegar a muito lado roubava horas ao sono. Porém agora o tempo parece escassear ainda mais. Sempre me imaginei a escrever serenamente longos textos durante a minha reforma. Mas tal não tem sido possível.
Tudo por uma causa maior que é alguém que entrou na minha vida sem pedir licença e ocupa já todo o espaço que havia livre no meu coração.
Finalmente a minha neta não é só uma linda e simpática criança, como é um anjo que vai iluminando o meu caminho.