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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Azeitona 2020… sem vírus! #7

Termino hoje esta série de textos sobre a campanha da azeitona deste ano.

Devo desde já esclarecer que estes textos têm unicamente uma função didática, já que há muita gente que não tem conhecimento de como o azeite chega âs nossas mesas.

Sei que as grandes empresas do sector terão menos preocupações e menos trabalhos que eu, mas isso não tira, obviamente, as minhas dores nem o meu cansaço e muitíssimo menos o meu empenhamento..

Nasci e crecei quase no meio da azeitona já que os meus avôs, tanto paterno como materno eram grandes produtores. Na aldeia onde me criei era normal, por esta altiura, a chegada de ranchos de gente vindas de longe com o único intuito de apanhar azeitona.

Nesse tempo nem um bago ficaria no chão, estivesse ele em óptimas condições ou quase podre. Recordo até uma frase da minha avó a dizer para o marido:

- Não mistures o azeite... O desta medura vai somente para casa.

Acresce dizer que o outro serviria para quase tudo, Desde alimentar as candeias com as quais iluminavam as noites ou tão-somente conservar os enchidos ou os queijos.

Como já escrevi num postal anterior fiquei desliludido com os quilos apanhados e a sua transformação em azeite. Sempre pensei que teria mais peso e obtivesse mais azeite. Erro de cálculo...

Todavia o que conta é reconhecer que este trabalho não é fácil, nada mesmo, mas no final fica sempre aquela nostalgia por já ter acabado.

Entretanto amanhã regresso à capital!

Até para o ano...

Azeitona 2020… sem vírus! #6

Fim!

Pois é... ao fim de seis dias de árduo trabalho a campanha da azeitona de 2020 terminou.

Não direi que o saldo tenha sido assim algo extraordinário, mas tenho a consciência que fiz muito mais do que as minhas forças permitiam.

Muito cedo regressámos ao olival para correr as últimas oliveiras, que em princípo seriam sete, mas que no final foram muitas mais.

É costume dizer-se que a campanha do ano que vem inicia-se na deste ano, através, essencialmente, das podas das oliveiras.

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Este derradeiro dia torna-se sempre num dia diferente dos demais, já que é o momento das teimas e apostas nomeadamente no peso da azeitona colhida.

Porque os sacos só servem para serem enchidos...

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Já no lagar a azeitona é deitada num fosso...

20201103_153249.jpg

Sendo depois levada por tapetes rolantes até ao tanque que há-de lavar as azeitonas antes de serem moídas (cuidado com o som do video).

Depois é amassada, centrifugada e finalmente sai assim (cuidado com o som do video).

No fim é medido e colocado no vasilhame.

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E este foi o resultado final...

vasilhame.jpg

De 2400 quilos de azeitona recebi 225 litros de azeite. Não foi grande número, mas para um ano chega.

Azeitona 2020… sem vírus! #5

Recupero hoje uma velhíssima máxima do meu avô, homem muito sábio. Dizia ele que em tempo de azeitona o patrão deve esperar pelo nascimento do dia... no olival.

Sempre achei esta ideia demasiado radical, mas a vida tem o condão de nos ensinar.

Digo isto porque era ainda madrugada e já estava no olival concordando com o meu avô!

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Não obstante a luminosidade da foto afianço-vos que o sol ainda não havia aparecido. Todavia minutos mais tarde dei conta de uma cor alaranjada na linha longínqua do horizonte...

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eram 7 horas e dois minutos. Finalmente nascera o dia.

Tirando esta madrugada a jornada foi um conjunto de factos normais na apanha da azeitona: estender panos, colher, levantar panos, juntar a azeitona em mantas para limpeza, limpar a azeitona retirando os ramos e folhas, ensacar e finalmente arrumá-la até ser levada para o lagar.

O dia esteve bom sem calor com um capelo cinza, sem nunca ter chovido.

Aproxima-se o fim desta campanha. Creio que amanhã poderá ser o último dia de apanha. Faltará, no entanto, levar a azeitona para o lagar e esperar que o azeite nasça como que por milagre.

Confeso que ao fim do dia gosto de olhar o chão e perceber os diversos pontos brancos que correspondem aos sacos cheios de azeitona.

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Hoje foram só 18 sacos!

Azeitona 2020… sem vírus! #4

(sem virus #3)

E ao quarto dia... apanhou-se azeitona.

Bem cedo cheguei ao olival e logo estendi os panos por baixo das oliveiras

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antes que o meu colaborador chegasse. Este ano tive a sorte de arranjar alguém que me ajudasse nesta espécie de demanda.

Sinceramente já vi gente muito trabalhadora, mas reconheço que como este homem nunca assisti. Reparem como trabalha ele com a varejadoura eléctrica.

Eu que deveria estar a seu lado para colher azeitona também com uma máquina, acabei por andar o dia todo a estender e levantar panos e juntar os montes de azeitona como este.

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Não imagino o que aconteceu às oliveiras beirãs, mas este anos de 2020 cada árvore dá fruto com fartura. Por isso os sacos acumulam-se no aramazém.

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Contam-se já perto de 90 sacos o que dá aproximadamente 2000 quilos. E ainda há muitas para colher.

Este ano haverá record de colheita!

Azeitona 2020… sem vírus! #3

(sem virus #2)

III

Hoje para variar... andou-se o dia todo na azeitona!

Mudou-se de fazenda, mas não de actividade. Há que aproveitar os dias de sol e a abençoada (neste dias) ausência de chuva.

Ainda ontem ao fim da tarde, já a noite entrara, acabei por transferir todo o aequipamento para outra fazenda para que hoje tudo se iniciasse sem mais demoras. É que as oliveiras são muitas e requerem alguma atenção especialmente na pode.

Ãssim que chegámos npotou-se o chão molhado da noite húmida.

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Chegaram os homens e depressa se chegou a isto.

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Para se fazer um pequena ideia esta mantada deu cinco sacos cheios de azeitona negra e bonita. Como já aqui havia falado se não fosse isto,

muito provavelmente estaríamos muito atrasados. O video não é muito feliz em primeiro plano, mas se repararem bem no segundo há outrém.

Voltava eu a espalhar pela terra os panos que irão recolher a azeitona,

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enquanto outros cuidavam em podar as oliveiras colhidas.

A azeitona cai em quantidades fantásticas e três horas depois há novo pano repleto

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somente que mãos hábeis retirem as folhas antes de ensacar.

A chão está tão atapetado de panos que houve quem brincasse com a situação.

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Entretanto a poda das oliveiras resultava nisto,

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Após o almoço a azáfama mantém-se para chegar o fim do di e olhar-se o terreno e vê-lo assim.

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Há baldes, sacos cheios, mantadas com mais azeitona, rama da poda espalhada, oliveiras bem despidas.

Depois foi arrumar o que se pode para finalmente recolher os sacos.

Contei 27, mas a manta terá no mínimo mais três.

E amanhã será novo dia... de azeitona, claro!

(sem virus #4)

Azeitona 2020… sem vírus! #2

(sem virus #1)

II

Hoje sem a necessidade de buscar alfaias cheguei ao olival mais cedo que ontem, ainda não eram sete e meia da manhã.

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Cedo percebi que iria ser um dia quente. O anilado do céu surgia em todo o seu esplendor sem uma única nuvem.

No intuito de fazer um breve esclarecimento comunico que desde há uns anos que adquiri máquinas para varejarar a azeitona. São máquinas eléctricas alimentadas por baterias de carro e que me dão um jeitão... Diria que sem elas demoria mais do dobro do tempo a apanhar a azeitona. Depois a escada por vezes é falsa e são conhecidos os acidentes de quedas das oliveiras... Então estas que são vetustas!

Mas hoje iria ter a colaboração de um jovem habituado a esta vida dura do campo. E sinceramente ele vale o dinheiro que ganha. Ao fim de uma hora as mantadas de azeitona colhida para escolher, começaram a espalhar-se pelo olival.

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Mal se acaba uma oliveira, logo se recolhe o pano e se estende noutra, de forma a que o homem com uma das máquinas não pare.

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As mantadas sucedem-se enquanto só um par de mãos a escolhe para ensacar.

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Entretanto isto, eu sou "pau para toda a obra": colho com uma outra máquina, depois corro a mudar os panos ou vou ajudar a minha mulher a ensacar a azeitona que ela vai escolhendo. Na foto supra já havia três enormes mantas com azeitona.

Depois de escolhida ei-la finalmente em sacos.

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Mas a chuva negra não pára de cair. Ao que parece este ano as oliveiras fizerem fé em dar fruto. Até uma pequena e velha oliveira fez a sua parte,

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já que do seu único ramo saiu pouca azeitona, mas ainda assim tapou o fundo do balde.

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A tarde já cai sobre a aldeia, no entanto há que acabar de escolher. De tal forma que se esgotam os sacos e tenho de levar a azeitona em baldes para o barracão de guarda.

Valeu o dia 27 sacos que a somar aos 11 de ontem dá 38... Portanto contas redondas... 1000 quilos já estão apanhados.

E ainda faltam tantas...

(sem virus #3)

Azeitona 2020… sem vírus! #1

Nota de abertura

A pandemia que entrou na vida de todos nós quase que me estragava os planos da campanha deste ano de apanha da azeitona beirã. Por causa dos confinamentos e proibição de andar entre concelhos no próximo fim de semana acabei por vir mais cedo… E ainda bem porque a azeitona está no ponto!

I

Nestes dias dormir até tarde acarreta uma grande desvantagem: torna o dia muito mais pequeno. Por isso levantei-me às seis da manhã para ir ao pão e comprar aqueles croissants que são uma especialidade. Depois um pequeno almoço reforçado, um café rápido mascarado e eis-me na carrinha para ir buscar sacos, mantas, baldes e demais alfaias.

Cheguei ao olival passava já das sete e meia, mas num ápice descarreguei o material.

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Mantas estendidas,

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máquinas preparadas e iniciei a campanha deste ano com a mesma vontade de anos anteriores. Quiçá mais, já que não vieram os meus colaboradores do costume… A vida assim obrigou.

Duas horas depois já o chão se atapetava de azeitona negra.

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Às onze era já assim o aspecto do olival

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e um pouco mais tarde juntava-se a primeira mantada de azeitona colhida de uma só oliveira.

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O dia esteve bom, mesmo agradável sem muito sol devido a um capelo de nuvens que ajudou a manter a temperatura amena. Ideal nestas coisas, já que tanto o frio como o calor em demasia são óbvios inibidores de uma boa apanha.

A tarde chegou, mas como havia ido almoçar um tanto fora de horas aquela foi mais curta. Andei quase todo o dia de máquina em riste para o céu. Atrás de mim vinha um parente, que nestas alturas me ajuda na poda… Ah pois… que aqui faço logo dois trabalhos: apanha-se a azeitona e poda-se a árvore para o próximo ano.

A minha mulher foi, entretanto, separando a azeitona da maior das folhas. E enchia sacos… Uns atrás dos outros.

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Uma penumbra noctívaga desceu finalmente sobre a aldeia e deste modo colocamos um ponto final no dia.

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Tudo somado… foram quase 12 sacos que arrumei no barracão.

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Nem foi mau… para o primeiro dia...

E amanhã haverá mais!

(Sem virus #2)

As pedras dos meus dias...

Andei este fim de semana à azeitona, conforme dei aqui sinal.

Dois dias e meio (contando com a manhã de hoje) em que apanhei 660 quilos de azeitona boa e sã. No entanto não é a apanha da azeitona o meu maior problema nestes dias.

A aldeia que me recebe para este evento fica na encosta da serra dos Candeeiros e faz parte de um Parque Natural. É um local pacato, sem casos de virus, com muita gente idosa e alguma mais jovem.

Todavia o desafio mor destes dias não é a apanha, mas somente caminhar sobre um chão atapetado de pedras sem que nos esbardalhemos num colchão demasiado duro para os nossos ossos.

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Este naco de chão, porque nem se pode dizer de terra pois tem pouca, chama-se Pia Nova. Fica na encosta na fronteira do povo e este ano, mesmo assim, esmerou-se em dar boa azeitona. Também é verdade que tenho ali investido demasiado dinheiro, mas o proveito que retiro jamais pagará o que já lá gastei. E nem estou a contar o que lá tenho trabalhado.

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Este pedaço chama-se Penedos Gordos (que não estão na foto) e é bem pior que o chão da foto de cima. Com muito mais pedras e acessos para estender panos muito mais difíceis. Sair dali sem mazelas é uma aventura.

Fica uma questão: sabem que povo plantou estas oliveiras? Calculem lá...

De novo na cidade!

Cheguei há pouco da aldeia onde durante 15 longuíssimos dias andei à azeitona conforme fui por aqui dando conta,

Agora é tempo de tentar repousar dos dias de chuva e mau tempo, das correrias para levar a azeitona para um lugar seco de forma a ser escolhida, das enormes queimas de lenha após a poda das oliveiras.

Quem vive permanentemente na cidade dá pouco valor ao que lhe cai no prato. As batatas, as couves, o peixe e até os temperos trazem consigo muito, mas muito trabalho que alguns citadinos nãpo conseguem avaliar.

Este tempo de Outono a requerer geropiga e castanhas trás também esta azáfama anual.

As minhas mãos vêm carregadas de feridas, calos, negras de trabalhos.

A alma ao invés vem vazia de dramas e tragédias... Tudo ficou por lá... nalguma folha de oliveira ou em algum bago de azeitona.

PS - lamento não ter escrito outras coisas, de não ter comentado mais, mas o tempo não ajudou e em alguns locais a net foi uma raridade.

A gente lê-se por aí!

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