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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

De novo na cidade!

Cheguei há pouco da aldeia onde durante 15 longuíssimos dias andei à azeitona conforme fui por aqui dando conta,

Agora é tempo de tentar repousar dos dias de chuva e mau tempo, das correrias para levar a azeitona para um lugar seco de forma a ser escolhida, das enormes queimas de lenha após a poda das oliveiras.

Quem vive permanentemente na cidade dá pouco valor ao que lhe cai no prato. As batatas, as couves, o peixe e até os temperos trazem consigo muito, mas muito trabalho que alguns citadinos nãpo conseguem avaliar.

Este tempo de Outono a requerer geropiga e castanhas trás também esta azáfama anual.

As minhas mãos vêm carregadas de feridas, calos, negras de trabalhos.

A alma ao invés vem vazia de dramas e tragédias... Tudo ficou por lá... nalguma folha de oliveira ou em algum bago de azeitona.

PS - lamento não ter escrito outras coisas, de não ter comentado mais, mas o tempo não ajudou e em alguns locais a net foi uma raridade.

A gente lê-se por aí!

Diário da azeitona - 15

Fim.

Este é o último texto dedicado à minha aventura em terras olícolas.

Comecei no Ribatejo, parti para a Beira Baixa para terminar onde havia começado.

Quinze longos e extenuantes dias, com variações térmicas evidentes. No entanto a chuva foi sempre o denominador comum. Ainda hoje iniciámos mais tarde porque às sete horas da manhã a chuva caía com grande intensidade.

Eram 13 horas e 42 minutos quando enchi o último saco de azeitona bem madura. Depois foi o desmontar da feira com o carregar a carrinha com os sacos, estender os panos sobre o chão verde para que o vento os seque, guardar as máquinas para o próximo ano.

Duas semanas completas, muitas horas de trabalho e acima de tudo muita perseverança, já que se não fosse a nossa teima, provavelmente não teríamos apanhado tanta azeitona. Segundo já escutei prepara-se para aí temporal.

Só mais uma novidade: perdi alguns quilos.

À custa disto,

20181109_111815.jpg

Se tudo correr bem para o ano haverá mais. Até lá!

Diário da azeitona - 14

Para não variar hoje foi mais um dia dedicado à azeitona. Dois pobres de Cristo já visivelmente cansados lançaram-se logo de manhã em mais uma tentativa de deitar aqueles bagos negros que depois nos devolverão o belo do azeite.

O dia surgiu claro e frio, todavia suficientemente alegre para mais uma aventura. A noite fora de chuva e deste modo tantos as oliveiras como os panos denunciavam a intempérie anterior.

Cada vez com menos gente já que o mais novo havia partido ontem ao fim da tarde para Lisboa por motivos profissionais. Sobrou o meu pai que com 86 anos ainda se mostrou à altura destas aventuras, subindo às oliveiras para as ir podando.

A tarde quis trazer alguma chuva, mas nem sei como aguentou-se cinzenta, todavia sem qualquer aguaceiro.

Aproxima-se o fim desta campanha. Com 1700 quilos já colhidos no Ribatejo e perto de 1900 apanhados na Beira Baixa é altura de regressar a Lisboa.

Essencialmente para descansar… das férias!

Diário da azeitona - 13

Ao décimo terceiro dia mantém-se a chuva! E eu continuo a apanhar azeitona... Vestidos os fatos impermeáveis, três almas corajosas, com anormal estoicismo e persistência, enfrentaram a intempérie numa demonstração de o querer é poder. Do céu vinha a água em torrentes fosse das nuvens plúmbeas, fosse das próprias oliveiras completamente encharcadas. Do chão nascia a água dos panos ensopados. O que equivale a dizer que andámos todo o dia envolvidos numa demanda com a água.

Ao longe a aldeia surgia envolta numa neblina húmida, mas convidativa ao calor e descanso. O problema é que quem se atira para estes projectos com o tempo limitado, tem de aproveitar todos os minutos.

Por isso parti ontem de Castelo Branco já noite metida e cheguei à minha aldeia quase à meia-noite, para hoje acordar cedo e partir para mais uma aventura.

Os sacos repletos de azeitona no final do dia pesavam o dobro devido à chuva e os botins exibiam de um lastro invulgar de lama vermelha.

Após o almoço a tarde tornou-se mais simpática e conseguimos quase acabar uma das fazendas que tinha uma dúzia de oliveiras com muita azeitona. Amanhã com hora, hora e meia de trabalho partiremos para a que resta.

Uma mão cheia de árvores carregadas. Como esta...

azeitona_ramo.jpg

 No final do dia entregou-se no lagar mais 306 quilos.

 

Diário da azeitona - 12

Estou, no momento em que escrevo este texto, no lagar onde o meu azeite já corre,

15416131597791932848280.jpg

Um evento único que completa uma série de dias, trabalhos, canseiras e dores.

Foi para isto que uma equipa de quatro homens e uma mulher lutaram.

E ainda hoje regressaremos ao Ribatejo onde ainda ficaram muitas oliveiras por colher. Se o tempo deixar.

Vida de azeitoneiro é dura...

Diário da azeitona - 11

Décimo primeiro dia de azeitona. Nem um profissional da coisa aguenta onze dias seguidos a trabalhar.

Contudo o que mais custa é perceber logo de madrugada que... está a chover!

Aconteceu hoje, mais uma vez! Uma água fininha, mansa e persistente parecia querer estragar o nosso dia de trabalho.

Mas a coisa compôs-se pois não obstante o céu plúmbeo e muito carregado, foi  muuuuuuuuuito bom não chover mais, de tal forma que o saldo no fim do dia foi amplamente positivo com cerca de 21 sacos de azeitona colhida. Valeu para tal que as oliveiras estavam carregadas o que originou que eu andasse horas nisto,

Aparentemente parece fácil mas para quem anda há mais de dez dias â azeitona, acreditem que começa a ser doloroso.

Entretanto a azeitona vai já amanhá para o lagar para ser transformada no mais rico óleo luso. A manhá ainda se prevê complicada pois há umas oliveiras longe do povo que desejo apanhadas. Pelo menos de manhã deverá ser a nossa tarefa.

Já para lá mudei panos e alfaias, sacos e baldes, já npite cerrada e sob a tal chuva da madrugada que, felizmente, só regressou ao fim do dia mas a tempo de me encharcar completamente já que me coube carregar para dentro da carrinha os panos toalmente ensopados.

A finalizar e após o jantar vieram umas castanhas assadas e uma boa jeropiga.

PS - Dói-me tudo... no corpo. Até locais que não sabia existirem!

Diário da azeitona - 10

Se tivesse que brindar este texto com um título diferente daquele que coloquei charmar-lhe-ia: mar de azeitona.

Após a tenebrosa e chuvosa tarde de ontem que obrigou toda a equipa a deixar panos, sacos, escada e obviamente azeitona no terreno, hoje foi dia de não apanha devido à chuva interrupta. Ora chovia ora fazia sol deixando-no sempre na dúvida se deveríamos ir ou não.

No entanto após o almoço o sol aparceu em todo o seu esplendor e não obstante uma brisa gelada partimos à aventura de mais um dia. Eram três da tarde. Aguardavam-nos portanto somente duas horas de luz solar.

Ainda assim foi suficiente para se observar este mar,

casalinho.jpg

Juntá-la num monte,

azeitona_monte.jpg

Para depois de limpa ficar "reduzida" e uns meros cinco sacos e meio de azeitona, toda oriunda da mesma árvore. Se todas as outras oliveiras fossem assim estaria bem arranjado.

sacos_casalinho.jpg

 

O dia terminou a tentar-se queimar a lenha sobrante. Mas algo que foi impossível. A chuva da última tarde/noite fora muita...

 

Diário da azeitona - 9

Acordei muito cedo. Comecei a preparar as coisas para levar: baterias, água, alfaias, sacos...

O dia prometia chuva e às seis da manhã caía um pó de chuva, que não sendo suficiente para nos impedir de ir para o olival, anunciava panos e oliveiras molhadas.

Mas a "murrinha" desapareceu e durante toda a manhã conseguimos acabar uma fazenda. A azeitona tombada a rodos, juntava-se em panos,

azeitona_pardieiros.jpg

A foto supra deu a módica quantidade de seis sacos,

sacos_pardieiros.jpg

Após o almoço tardio, procurámos outra fazenda para onde já havíamos transferido todo o equipamento de trabalho. Também para lá se transferiu a chuva que não deu tréguas... Acabámos por regressar a casa completamente ensopados e a pedir rapidamente um banho quente.

São perto das nove da noite e a chuva continua impiedosa. Há momentos assim. Só temos que aguardar melhor tempo.

Finalmente dois dos homens regressaram a casa. Ficaram apenas três.

 

Diário da azeitona - 8

Hoje para mim, decididamente, não foi um bom dia. Assim que me levantei tive aquela estranha sensação de que algo iria correr mal.

Começou logo ao pequeno almoço quando a cafeteira de café derramou o dito pela mesa. Depois foi um pacote de leite que deixei cair. As minhas mãos estão uma lástima com muitas feridas, algumas delas em postos tão estratégicos que me limita a mobilidade manual.

Já no olival surgiu um enoooooooooooooooooorme contratempo, já que umas das baterias que alimenta uma das máquinas de colher azeitona, deixou de debitar energia. Após conversa entre todos achou-se por bem ir até Castelo Branco comprar uma bateria nova. Ora como a capital de distrito da Beira Baixa fica a quase 30 quilómetros, imaginam o tempo que perdi. Cheguei perto das onze da manhã junto dos meus para uma hora depois estar novamente a sair para ir buscar o meu filho mais novo ao Expresso que vinha de Lisboa.

Contas feitas não fiz nada de manhã. Vinguei-me da parte da tarde já que acabámos uma parte que nos parecia importante finalizar. 

Queimou-se ainda a lenha e carregaram-se os sacos cheios de azeitona para o barracão. Palpitou-se uma colheita diária a rondar os 600 quilos.

Mesmo com os episódios da manhã os outros trabalharam valentemente. Era já noite quando saímos da fazenda.

Entretanto recebi a notícia que os 316 quilos entregues neste dia no lagar deram 35 litros. Média de nove quilos para um litro de azeite.

Não sendo fantástico... até que nem é mau!

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