O que vou brevemente relatar foi apenas uma brincadeira, mas que deu muuuuuuuuuuuito prazer.
Desde há uns anos criei no uotessape um grupo de autores blogosféricos. E todos os dias há inumeras mensagens entre nós.
A ideia que tive nasceu o ano passado, mas não houve oportunidade de o fazer por motivos logísticos. Todavia este ano assumi que teria de dar seguimento à minha ideia, de tal forma que antecipadamente fui preparando as coisas e tentando perceber as diferentes opções.
Tudo teve a ver com o meu azeite. Faço tanta publicidade a ele a estes meus amigos sem que alguma vez os tivesse brindado com uma amostra.
O resultado resumiu-se num conjunto de pequenas garrafas que enchi com azeite novo, vedei-o bem vedado, pedi umas caixas de sapatos numa loja de uma amiga e enchi aquelas com a embalagem de azeite devidamente escudada entre muitos papéis.
Depois entreguei-as a uma empresa de distribuição e lá foram as caixas vedadas e bem embrulhadas, para todo o país, ilhas incluídas. Pelo que fui constatando todas chegaram aos destinos sem qualquer mácula.
Apenas uma ficou retida em minha casa porque ficou combinado entre nós que seria entregue pessoalmente.
Ora como o Natal está aí mesmo à porta, consegui hoje entregar a amostra que faltava a uma das minhas boas e queridas amigas. Como se costuma dizer que os últimos são os primeiros paguei com juros o atraso, levando-lhe uma couvita.
Quando no mês passado andava por cima das pedras a escolher o melhor local para colher a minha azeitona sem trambolhar, pensei que se tivesse muito azeite brindaria uns amigos com uma garrafita dele.
Não que o meu seja melhor que o de outros apanhadores/olivicultures, mas é certamente muuuuuuuuuuuuito melhor que os das garrafas que se vendem nos supermercados.
Bom a coisa correu bem melhor que aquilo que esperava e como não gosto de faltar às promessas que a mim mesmo faço, eis-me em busca de garrafas para o transporte. Não encontrei o que pretendia e assim vali-me de uma reserva que tenho em casa para estas ou outras situações semelhantes.
Num bocadinho de manhã enchi onze garrafas, arrolhei-as, vedei-as e coloquei identificação. Faltava agora, não o pior, mas uma solução que passava por invólucros onde colocar as garrafas em segurança. Procurei em diversas lojas caixas pequenas, todavia não encontrei nada. Em conversa com uma amiga que tem uma loja de roupa e calçado perguntei-lhe se saberia onde encontrar o que procurava. Respondeu-me dando a ideia de caixas de sapatos. Não achei nada desinteressante a sugestão e lá fui eu carrregado de caixas de sapatos para casa.
Noutro dia dediquei-me a enfiar as garrafas dentro de cada uma das caixas, enchendo o vazio com o que tinha à mão.
E agora sim faltava o pior: transporte. Ora ambos os meus filhos trabalham na área de informática de uma empresa de entregas multinacional e vai daí perguntei se era possível enviar. A resposta foi que sim, que era fácil e rápido. Mas não me asseguraram em que condições chegaria.
Temi o pior... Mas arrisquei. E das onze garrafas que arranjei seguiram nove. E pelo que seu apenas uma ainda não chegou ao destino. Mas bolas a Madeira não é ali a seguir à curva!
Até para a Ilha Terceira, nos Açores, seguiu uma botelha tendo já chegado e em óptimas condições.
Resumindo foi uma aposta ganha que não me custou dinheiro (obrigado M.!), foi rápida e chegou como deveria ser.
Agora faltam apenas dois envios... Mas estes em breve seguirão também o seu caminho.
Na minha aldeia há muitos, muitos anos era hábito fazer-se uma almoçarada ou jantarada quando se acabava a campanha da azeitona. Tudo corria à custa do patrão, mas se a safra era boa este jamais se queixava. Note-se que naquele tempo não ficava um bago de azeitona no chão. Unzinho para amostra, nada!
O tempo passou as modernicaes entraram nas aldeias e as candeias de azeite foram rapidamente substituidas pelas lâmpadas. Depois vieram os frigoríficos e as geleiras de tal forma que o azeite que antes era usado para quase tudo deixou de ser necessário.
Restou a cozinha, onde o bacalhau e as couves criadas na horta e curtidas pelo frio requeriam sempre azeite, de preferência do bom.
Daqui resultou que deixou de ser necessário pessoal de fora, pois os da casa com mais uma ou outra ajuda seriam suficientes.
Entretanto os lagares modernizaram-se. Deixaram as prensas hidraúlicas ou de varas para passarem a terem cilindros centrífugadores. A almofeira que antes corria chão abaixo até à terra, agora tem de ficar retida e o bagaço antes alimentava os porcos vai para uma destilaria.
Portanto a beleza da festa de fim de campanha oleícola ou "adiafa"... reside hoje apenas na memórias dos mais velhos. Que cada vez são menos.
Entretanto a minha adiafa é feita desta forma... escrevendo, dando a conhecer o que foram três semanas de trabalho e obviamente o seu resultado.
Em postais anteriores fui publicando algumas fotos dos meus atarefados dias, mas hoje venho apenas mostrar em números a safra deste ano. Porém há algumas diferenças entre a minha aldeia e a terra beirã onde também colho azeitona. Numa sempre que a carga é grande levo-a directamente ao lagar e ali fica para ser devidamente tratada. Daí ter diversos pesos no quadro infra.
Quilos azeitona
Litros
197
24
543
74
434,15
59
524
74
341,05
52
624,15
96
530
77
498
67
437
66
360
44
268
34
4756,35
667
Enquanto na Beira Baixa entrego toda a apanha de uma só vez.
Quilos azeitona
Litros
2450
372
Mas no fundo vai tudo bater ao mesmo.
Só que no primeiro quadro alguns dos carregos que ali são apresentados referem-se a colheitas feitas por outras pessoas em terrenos meus, isto é, tendo em conta que não conseguiria em tempo útil correr todas as oliveiras tive o cuidado de as oferecer (algumas carregadas) a duas famílias que cuidaram de as apanhar e obviamente ficar com o azeite. Portanto dos meusterrenos que cuido ou mando cuidar colheram-se 4756 quilos de azeitona que deram 667 litros de azeite que foram distribuídos por quatro famílias: a minha, os meus pais e mais duas pessoas amigas.
Já na Beira foram necessários quatro dias e meio e nestes dois deles com mais duas pessoas o que equivale, na realidade, a oito dias e meio para se colher duas toneladas e meia de boa azeitona e que transformaram em 372 litros de azeite.
Fica a imagem final do reboque carregado de azeitona antes de ir para o lagar
Sinceramente perdi o conto ao número de sacos que passaram pelas minhas mãos para chegarem aqui. A maioria mais que duas e três vezes.
Remato com esta ideia final: a azeitona paga sempre ao patrão, mas este tem também de trabalhar para isso.
É o que eu faço.
Até para o ano que a campanha de 2026 começa agora!
Em princípio regressarei amanhã após o almoço à urbe que é a nossa capital. Após alguns dias de azeitona!
Sinceramente já tenho saudades dos meus netos, das suas brincadeiras, dos seus gritos e até das suas teimosias.
Depois é tempo de dar algum descanso a este corpo tantos dias sacrificado a tamanho trabalho.
Entretanto desta vez tive companhia nestes últimos nove dias. Gente que nunca tinha abraçado uma aventura deste calibre. No entanto ficaram com a consciência mais real da dureza destes dias, alguns com mais de doze horas de trabalho.
Quando por vezes oiço alguém dizer que o azeite está caro reconheço que sim, é caro! Porém gostaria de saber quantas pessoas estariam dispostas a deixar o conforto de casa e vestir uns oleados e seguir para o olival sob uma chuva inclemente? Quantos aceitariam trabalhar uma dúzia horas seguidas e sair do olival de mãos negras de tão sujas?
Se juntar, a este trabalho sem remuneração, os gastos que tive com o olival sem sequer saber se teria azeitona suficiente, provavelmente muitos que ora criticam o preço do azeite, talvez evitassem assumir esse descontentamento.
Um euro por decilitro é caro, já o assumi! Mas acreditem não paga um décimo do esforço e da tenacidade que temos de ter para levar este "navio a bom porto".
Espero que para o ano haja mais! Este ano encontra-se encerrado este processo!
Pelo menos enquanto não tiver a azeitona toda colhida.
Dizem por aí à boca-cheiaa que se aproxima a chuva. Pode vir, mas gostaria ques e atrasasse uns dias.
É que estou quase a terminar a camnpanha ribatejana deste ano e não me apetecia nada molhar. Enfim se tiver de ser...
Ontem ao fim da noite vim para casa, depois de entregar mais uma carregada de azeitona, bem inchado com a azeite angariado das minhas oliveiras.
porque já 259 litros de azeite. E ainda faltam os resultados do último carrego e ainda daquelees que estão preistos de entrar.
Há anos assim que nem Deus nos consegue acompanhare. Calculo que criar o Mundo também não seja coisa de somenos. Mas dias de trabalho com 18 horas também não será para todos.
E ainda não acabei esta campanha e já estou a pensar no próxima em Castelo Branco...
Em quatro dias três pessoas colheram, escolheram, carregaram a azeitona. Também se estenderam os panos (há quem os denomine de panais ou até mantas!!!) sob as oliveiras, arrumaram as alfaias, cuidou-se dos equipamentos, deixou-se a fazenda limpa.
Pois é tudo faz parte da campanha da azeitona. Até ir ao lagar deixar a azeitona para ser moída e transformada em bom azeite. E de preferência muuuuuuito. Pois como diria o meu avô paterno, lagareiro anos a fio cá na aldeia: a oliveira dá a azeitona, mas quem dá o azeite é o lagareiro.
Tudo isto para ddizer que ao início da noite fui entregar mais 534 quilos a azeitona colhida neste dia. Portante nestes últimos dias á entreguei 1501 quilos de azeitona, no lagar. Isto é em média três pessoas colheram 400 quilos por dis, de azeitona.
Entretanto pelo que constatei no lagar o azeite desceu de preço, pois dos 10 euros há uns anos agora querem "só" seis euros por litro.
A meu ver seis euros é um preço pornograficamente barato.
Quem andaria 12 ou mais horas ao Sol e ao calor para apanhar azeitona? Eu faço-o porque gosto de comer do meu azeite e não uma qualqquer zurrapa.
Há uma velha adivinha que principia com o título deste postal. Apostaria que sem a fotografia supra as pessoas com menos de 40 anos jamais saberiam decifrá-la. e algumas mais velhas também não!
É assumidamente sabido que a luz nas aldeias, há umas boas dezenas de anos, era "subsidiada" pelo azeite, retirado com saber das azeitonas maduras. Hoje há a luz eléctrica e o mesmo azeite já não ilumina ninguém, apenas tempera os pratos.
Seja como for daqui a uns meses aqui estarei, na aldeia, a colher estas mesmas azeitonas que terão, certamente, amadurecido e enviuvado, sinal evidente que estarão prontas para seguirem para o lagar.
O azeite continua a sofrer os meus tormentos... mas já não será para dar luz ao Mundo!
Quando andei na escola (continuo a afirmar que nunca fui estudante. porque simplesmente não estudava!!!), entre algumas disciplinas que adorava como era o Português e o Francês, outras mais ou menos como era a Matemática e Geografia, havia algumas que detestava. Olimpicamente!
No rol das odiadas estava História, Desenho e Química, se bemk que esta estivesse sempre colada a Física que eu gostava. Resultado: quando os pontos eram para 20, sendo 10 para a Física e 10 para a Química, já sabia que teria, no mínimo, 10 valores. Nunca entendi a química e nunca senti falta dela na minha vida.
Mas adiante!
Hoje andei de volta dos azeites deste ano. Bilhas grandes para um lado e pequenas para o outro, acabei por fazer um teste à acidez do azeite que extraí da minha azeitona.
A operação não é muito complicada todavia requer algum cuidado e olho clínico, já que basta um milésimo e as coisaspodem não corresponder à verdade-
Ora bem... para a dita alquimia temos um tubo de ensaio devidamente marcado, uma pepita graduada, uma seringa simples e mais importante de tudo dois produtos para os testes.
No tubo de ensaio coloca-se o azeite lentamente (daí a necesssidade da seringa!!!) até à marca branca. A seguir enche-se com o produto número (soluto de fenolnaftaleina) antes de se agitar bem.
A seguir carrega-se a pipeta de graduação até ao cimo com o produto número 2 (soluto alcalino).
Por fim e muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito lentamente, diria mesmo gota a gota, deita-se este soluto no tubo de ensaio até que a solução de azeite tome uma cor rosada.
Assim que surgir a dita cor escarlate pára-se e vê-se onde ficou o soluto. O que falta na pipeta dará o valor da graduação.
No caso da foto supra mostra abaixo de 1. O que equivale dizer que terá menos de um grau. Mas basta uma ligeiríssima diferença na quantidade de azeite, soluto ou 2~para o valor ficar muito alterado e obviamente longe da verdade!
Finalmente e voltando ao início deste postal, eu que nunca dei um chavo para a química é que ando envolvido com pipetas e tubos de ensaio.
Tenho um grupo de óptimos amigos no uotessape onde lancei o desafio de darem um título a esta fotografia, obtida na passada segunda-feira no lagar onde entreguei a minha azeitona para transformação.
Só obtive duas respostas: da MJP e da Maria. A primeira deu o sugestivo título de "Ouro líquido" e a nossa minhota lançou "Do fruto se faz ouro". Curiosamente ambas referem o ouro como ordem de grandeza.
Para quem como eu anda nesta vida de (quase) agricultor, este é o momento mais sublime e a razão da nossa demanda. Diria mesmo que é mui difícil de explicar por palavras o que sentimos quando nos apercebemos que esta bica vai lentamente despejando num tanque todos os nossos trabalhos, os nossos anseios e porque não dizê-lo as nossas canseiras.
Foram nove longos dias com direito a quase tudo do que ao tempo metereológico se refere: chuva, muita chuva, frio, vento, calor.
Para tudo finalizar neste belíssimo instante.
Nota Final:
Se alguém que por aqui tenha a simpatia de passar poderá, se assim o entender, dar um título a esta foto. Para tal basta colocá-lo nos comentários.