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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Tudo pelo poder!

O tema político dos últimos dias foi qual seria o candidato à Câmara do Porto por parte do PS, após a recusa de Rui Moreira.

O Partido Socialista tem muitas vezes esta tendência, quase mórbida, de dar tiros no próprio pé. Recordo assim de repente umas eleições autárquicas em que João Soares perde a Câmara para Santana Lopes no último instante. Anos mais tarde o PS deu apoio a Mário Soares para a Presidência da República dispersando assim os votos do partido entre o antigo presidente e o poeta Manuel Alegre, fazendo com este não ganhasse por uma unha negra.

Esta semana a secretária geral adjunta do PS voltou a dizer o que não devia. E pronto, entornou-se o caldo no Porto e Rui Moreira veio a terreiro (leia-se entrevista num canal televisivo) dizer de sua justiça.

Este caso confirma as minhas já antigas suspeitas de que o partido liderado por António Costa vive focado no poder a todo o custo e preço. Sem olhar a meios.

Novamente os políticos no seu pior. Como sempre têm sido em Portugal.

Ganhar e perder também é democracia

 

Após as autárquicas do passado Domingo quase todos os partidos, exceptuando claramente o PSD, reclamam vitória. Uns porque ganharam mais votos, outros porque têm mais câmaras e outros… só porque o PSD perdeu, já ganharam.

 

Mas se lermos com algum rigor os resultados percebemos que as vitórias, ditas pelos próprios, esmagadoras, não o foram assim avassaladoras. Nem mesmo as derrotas!

 

Passo a explicar!

 

Em Julho do ano passado Pedro Passos Coelho compreendia à distância, que as medidas e reformas implementadas pelo seu Governo, numa total submissão à vontade de uma troika profundamente insensível ao país, não estavam a ser bem aceites pela generalidade da população.

 

Em pouco tempo destrui-se a economia, reduziu-se a massa salarial da generalidade dos portugueses, atirou-se para o desemprego milhares de pessoas. Um país desmoronava-se com um castelo de areia.

 

O actual Primeiro-ministro já nesse início de Verão de 2012 percebeu com alguma clareza que numas próximas eleições seria severamente penalizado pelo eleitorado. Era natural! Foram as autárquicas como podiam ter sido as Europeias...

 

Para ajudar ao descalabro eleitoral ora evidenciado, Pedro Passos Coelho e a sua máquina partidária, também não souberam escolher alguns dos candidatos autárquicos: Meneses no Porto, Seara em Lisboa ou Moita Flores em Oeiras, foram apenas alguns dos casos mais evidentes dessa má opção.

 

Seja como for o PSD foi para estas eleições com as espectativas muito em baixo. Só um idiota era capaz de acreditar que o partido do governo laranja fosse ter agora melhor votação, após dois “annus horribilis” de governação. Desta forma a derrota é assumida sim mas não é tão estrondosa como alguns comentadores pretendem fazer passar.

 

Da mesma forma o partido liderado por António José Seguro não obteve uma fantástica vitória. No actual contexto político e social foi demasiado muito fácil ao PS ter uma votação superior ao PSD. Mas mesmo assim o PS foi também penalizado. É preciso não esquecer que das 33 edilidades perdidas pelo PSD, só 18 passaram para os socialistas. O que equivale dizer que houve deslocação de votantes do PS para a esquerda – PCP – ou até para a direita – CDS.

 

Na verdade coube ao PCP o grande feito da noite das eleições, algo que já não acontecia vai para muitos anos. Subiu em número de eleitores e de câmaras conquistadas, o que equivale a dizer que o discurso de Jerónimo de Sousa teve bom acolhimento junto da população desesperada e impotente.

 

O CDS foi uma das surpresas da noite. Cinco câmaras que lhe caíram nos braços quase sem saber. Uma prova de que a escolha de (bons) candidatos também se mostrou importante, não obstante fazer parte do actual Governo.

 

Quanto ao Bloco de Esquerda, mantém a queda livre já verificada em eleições anteriores e perdeu a única câmara que conquistara. Um partido condenado pelos seus próprios dirigentes à extinção.

 

Resta uma palavra para os independentes. Grandes conquistas mostrando desta forma à sociedade, que nem só de partidos políticos se faz a (boa) democracia.

 

Um Rio de vitórias e derrotas deu... à Costa

 

Ao contrário do que ouvi ontem e já li hoje, creio que o grande vencedor destas eleições foi… Rui Rio.

 

Poderá parecer um tanto estranho alguém que não foi a sufrágio ganhar eleições. Mas se pensarmos bem, o ainda Presidente da edilidade portuense, jamais aceitou ser candidato numa outra Câmara que não fosse a do Porto e não o podendo, por motivos constitucionais, preferiu não entrar no jogo político e de enviesados interesses, que tramou a maioria dos candidatos que assim procederam.

 

Rui Rio tem vindo a ser um crítico à máquina partidária do PSD. Um pouco na onda de Santana Lopes, quando numas autárquicas ganhou a Câmara da Figueira da Foz sem qualquer ajuda do seu Partido. Assumiu publicamente o seu desacordo com a escolha pelo seu partido de Meneses para candidato à Autarquia portuense, não o apoiando formalmente. E pelos vistos tinha toda a razão. Luís Filipe Meneses não conseguiu mais que um sofrível 3º lugar, muito aquém do que esperava e desejava, deixando o partido à beira de um ataque de nervos.

 

Quanto ao PS, António José Seguro não deve cair na tentação de dizer que ganhou as eleições. Conquistou muitas Câmaras, é verdade, mas isso aconteceu mais por demérito dos partidos do governo do que mérito seu. E pior… António Costa ao ganhar Lisboa com maioria absoluta, acabou por se tornar, não um mero fantasma mas uma sombra de Seguro, e preparado para assumir, assim que puder, a liderança do PS.

 

O PCP reconquistou baluartes no Alentejo e em Loures, perdidos em anteriores autárquicas, e terá sido o que mais beneficiou nestas eleições. Já o BE continua em queda…

 

Uma vez mais o grande partido destas eleições é… a abstenção. E não foi só o mau tempo que reteve as pessoas em casa. Muitos não acreditam nestes políticos, poucos lhes reconhecem competência, para gerir uma simples freguesia, quanto mais os destinos duma Câmara.

 

Caminhamos infelizmente a passos largos para o fim da democracia, sem ser necessário uma revolução ou um golpe de estado.

Autárquicas – o único voto de proximidade

 

Custa-me entender o intuito político de alguns comentadores televisivos. A “vontade” que estes cavalheiros têm, em colarem os resultados das próximas eleições autárquicas às más decisões deste governo, parece por demais evidente.

 

Não bastava os líderes da oposição usarem e abusarem da demagogia eleitoralista para atacar o executivo liderado por Passos Coelho, para surgirem estes profundos “senhores da verdade” alvitrando cenários num futuro que ninguém conhece.

 

É por demais sabido que as próximas eleições tendem a ser actos de proximidade. Muitos dos candidatos autárquicos pouco ou nada têm a ver com os partidos debaixo qual concorrem. Há mesmo alguns que mudam de partido para poderem continuar a concorrer. Se o presidente da Junta é alguém competente, próximo, dialogante e sério, concorra ele por que partido for e ganhará quase de certeza.

 

Para piorar aquelas previsões há que ter em conta os casos de freguesias que se fundiram, originando com isso diferentes resultados tendo como base as anteriores autárquicas.

 

Estamos pois perante um (mau) fenómeno televisivo, cada vez mais em voga e em crescendo. Fenómeno este que em nada contribuí para um melhor esclarecimentos do eleitorado, como se isso ainda fosse necessário para o mero votante luso. 

Que agricultor ceifará esta “Seara”?

O PSD continua, duma forma quase permanente, a dar tiros no próprio pé. E o novo exemplo vem do candidato à Câmara de Lisboa por parte do partido laranja.

A lei da limitação de mandatos apresentada e aprovada em sede própria virou-se, como seria de esperar, contra o feiticeiro que a imaginou… Tanto em Lisboa como no Porto os actuais candidatos do PSD tentam conquistar as capitais, após diversos mandatos nas câmaras vizinhas.

Não sou jurista e portanto não devo opinar sobre aquilo que desconheço. Não sei quem tem razão. Mas fica a (triste) sensação nas pessoas, de como uma lei pode ser deturpada e interpretada de forma tão diferente, do próprio espírito com que foi criada.

O Doutor Fernando Seara, ilustre Presidente da autarquia da Vila de Sintra, até poderia via a ser um bom Presidente de Lisboa, se se pudesse candidatar sem ser envolto em celeuma. Na verdade o povo eleitor não é tão idiota como alguns políticos julgam, e entende perfeitamente que estes candidatos são atirados à terra lavrada das autárquicas como semente fraca. E apenas por culpa dos partidos que os apoiam!

E assim, jamais retirarão desta “Seara” o produto do trabalho da sua (má) sementeira.

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