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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Um governo à deriva

Quando há dois anos o actual governo tomou posse, e tendo em conta que alguns dos elementos do elenco surgiam como caras novas, calculei que teríamos uma equipa diferente, disposta a trabalhar e a lutar por um país melhor.

 

Portugal necessitava de alguém que não tivesse medo de enfrentar credores e quejandos, sistemas instituídos e vícios instalados, tomando sempre como exemplo final o bem comum do nosso país e dos portugueses. Mas, fosse da conjuntura internacional (a desculpa perfeita, ainda hoje!), ou da total ausência de estratégia, fosse da inexperiência política e de governação de alguns ministros ou da dificuldade em implementar e explicar novas regras, a verdade é que estamos muito, mas muito pior que há dois anos. E não se vislumbra no horizonte, seja ele mais recente ou mais longínquo, uma profunda alteração desta forma de gerir os destinos deste país.

 

Há vincadamente nesta equipa ministerial a tendência para uma navegação “à vista”, isto é, mais preocupada com a opinião da troika e de Angela Merkl e com as suas naturais (más) reacções, do que tentar reerguer um país perfeitamente derrotado por uma política de austeridade, que já se percebeu não melhorará o futuro.

 

Este é um governo que se deixou manipular pelas exigências de um conjunto de tecnocratas, insensíveis e claramente pouco conhecedores da realidade portuguesa, e sem qualquer capacidade (e quiçá vontade) de renegociar o primeiro memorando assinado por José Sócrates.

 

Actualmente  o país vai vivendo desgovernado… Sem esperança, sem dinheiro, sem economia, sem rumo… apenas com o desejo estúpido e brutal de que não lhe retirem ainda mais do pouco com que (ainda?) sobrevive.

O que a Troika não sabe!

 

Uma das maiores vítimas deste tempo de vacas magras, que vamos obrigatoriamente diluindo nos nossos dias, são justamente as crianças. Estas não entendem como de um dia para o outro deixaram de ter direito a comer mais um pão ou a beber mais um copo de leite porque… não há!

Infelizmente não há para o leite, para o pão, para os bens essenciais. O desemprego alastra ferozmente sem se perceber um fim. As forças políticas clamam, o governo responde, o PR encolhe os ombros, a Troika obriga, o povo paga.

Ontem o meu filho fez anos e eu fui à pastelaria buscar o tão tradicional bolo de aniversário. Lá dentro, entre muita gente sentada, encontrei uma jovem mãe, não teria 30 anos, com duas crianças pequenas mas muito sossegadas ao seu redor. Primeiro passei por ela sem me aperceber da sua presença. Era mais uma que por ali estava. No entanto, ao fim de um pouco, descobri estranhamente que ela aguardava…

Mas não entendia bem o quê… Uma empregada colocou numa caixa de papel um bolo. Entretanto de pé no balcão duas senhoras solicitaram cafés e pastéis de nata. E mais uma vez um bolo para a caixa de papelão.

De súbito olhei para a parede defronte de mim, enquanto aguardava que me fossem buscar o bolo previamente encomendado, e pude ler:

“A partir das 18 horas por cada dois bolos comprados leva mais de um de graça”.

E naquele instante fez-se luz. A mãe aguardava a “Happy Hour” das seis da tarde para poder dar aos filhos uma guloseima que lhes matasse a fome. Em tom baixo perguntei à senhora que me atendia, se o que eu percebera seria verdade. Ao que ela respondeu que sim, mas com uma revelação ainda mais aterradora:

- Ela leva os bolos todos que consegue até às nove da noite, hora a que fechamos. É a única alimentação da família.

Tremi todo. E lembrei-me daquele casal no supermercado… que aqui relatei vai para um ano. Desta vez haveria de ser diferente… Desviei-me e disse para a empregada:

- Arranje um saco com pão, fiambre e se puder queijo. E lá dentro coloque também uns pacotes de leite com chocolate e diga-me quanto é.

A senhora obedeceu sem pestanejar e no final deu-me a conta que paguei sem hesitar. Quando saí pude passar a mão pelo cabelo de uma das crianças e percebi que higiene era algo que ali também faltava.

Já no carro, carregando uma caixa onde residia um bolo grande, sorri sozinho, imaginando a reacção daquela mãe ao perceber um saco com mais do que os costumados bolos.

Será que a Troika tem consciência disto?

Um novo ano com ideias velhas

Estamos no primeiro dia de um ano que se prevê sofrido. Na noite passada muita gente saiu de casa não temendo a chuva e foi divertir-se. Creio que deve ser a última vez que o faz este ano.

Porque a partir de agora é sempre a descer. As pessoas estão a empobrecer, as empresas a desaparecer, o país a definhar.

Mas não foi para isto que trabalhámos tantos anos. No meu caso já lá vão 33. E tenho muito receio do que virá pela frente.

O novo ano não é garantia de coisas novas, bem pelo contrário! Vamos ter mais austeridade, mais pobreza e mais fome.

 

A receita usada no ano passado vai manter-se! Por isso o título deste texto: o ano é novo sim, mas as ideias mantém-se as velhas.

 

Infelizmmente!

Mensagem de Ano Novo que não gostei de escrever

Nunca como agora sinto que as pessoas estão com receio do próximo ano. Ninguém sabe bem o que os espera. Mas que não vai ser bom, isso é certo!

O ano de 2012 trouxe ao de cimo muitas das nossas fragilidades. O que julgávamos estar certo até à morte passou a ser incerto. Vivemos tempos assaz difíceis. E o pior não é a dificuldade do momento, mas a profunda incerteza que o futuro nos reserva.

Já ninguém acredita, aceita ou concorda com esta nova forma de viver em Portugal.

Dirão alguns supostos especialistas, que vivemos durante anos a fio acima das nossas possibilidades. Pois é… até acredito que seja verdade. Mas o malogrado Primeiro-Ministro sueco, Olof Palm, dizia que o maior desejo deles era acabar com os pobres. Em Portugal ao contrário daquele, vão-se criando cada vez mais pobres.

E o ano de 2013 vai ser o maior exemplo do que atrás escrevi.

Há quem diga que tivemos de recuar uns bons passos para voltarmos ao caminho correcto. Todavia neste recuo muitas famílias vivem momentos desesperados, sem comida ou dinheiro para o mínimo essencial. E isso não é justo!

Não sei o que estarei a escrever daqui a um ano, mas gostaria muito que as palavras fossem outras bem diferentes das que atrás escrevi.

Ainda assim, desejo a todos o melhor que 2013 vos possa dar.

E acima de tudo, jamais percam a esperança em dias melhores!

Esta é a mensagem que não gostei de escrever…

 

 

Publicado também aqui

Contas feitas!

Estamos a chegar ao fim de 2012. É tempo de fazer as contas. Nem sei se são de somar ou subtrair. Provavelmente mais desta última tais são os benefícios retirados a (quase?) todos os portugueses.

 

E nestas coisas de contas há sempre quem veja e interprete os números de forma diferente. Uns valorizam a queda do deficit, outros alertam para o profundo abrandamento da economia, e há aqueles que se queixam apenas porque… é moda!

 

Escrevi aqui no inicio deste ano que os portugueses tinham de mudar de atitude perante a vida e a sociedade. Nada estava dado como garantido como tinha sido até aqui. E acima de tudo haveria que mudar a ideia de que só temos direitos e (muitos) poucos deveres. Como também já aqui referi, Portugal não é um país rico, que se dê ao luxo de desperdiçar as verbas que vai retirando aos seus portugueses, seja através dos impostos directos, quer através dos indirectos.

 

Também aqui critiquei este governo, não pelas acções que teve de tomar (a troika assim o exigiu!!!), mas pela forma pouco cega como o fez…

As gorduras do estado não são os carros ou os motoristas dos ministros … mas as verbas pagas às PPP’s e que vão durar por muitos anos. As gorduras estão num Estado que criou hospitais sem ter gente especializada para lá colocar. As gorduras estão nas centenas de quilómetros de auto-estrada sem veículos, mesmo quando não havia portagens.

 

Há gorduras nas fundações, nas autarquias, nos IP’s…

 

2013 que se aproxima não vai ser melhor… bem pelo contrário. O desemprego, a fome, a miséria vão crescer.

 

O pior é que nunca ouvi falar tanto de Salazar como agora. Vá-se lá saber porquê?

Os “ses” deste Governo

Quando entrei no mercado de trabalho fui obrigado a descontar do meu rendimento determinado valor, que seria para a minha futura reforma. E todos os meses, durante trinta e tal anos, assim tem sido feito.

 

Isto tem-se passado comigo e com todos os trabalhadores deste triste País. E a única certeza é que quando chegarmos à hora da reforma o Estado tem esse dinheiro guardado para mensalmente me ir entregando até… morrer!

 

Puro engano!

 

O que era verdade há uns anos hoje não passa de uma utopia. O Estado abarbatou-se com parte do meu vencimento e quando pretendo o retorno eis que o mesmo Estado se nega a dar o que eu “não voluntariamente” descontei, alterando assim as regras do jogo.

 

Mas o que atrás descrevo não é nada que não se saiba ou se sinta já. Todos temos sofrido na carteira esta form(ul)a sui generis de nos roubarem o dinheiro… Porque é de um roubo descarado que se trata, digam o que disserem!

 

Ora então dei por mim a pensar…

 

1 - Se o Estado não paga as reformas conforme foram previamente acordadas e ninguém o leva preso (havia de ser giro!), porque não rasga o Estado os acordos com as tão conhecidas e sorvedoras de dinheiros PPP’s?

 

2 - Se o Governo tem coragem de deixar crianças irem para a escola com fome por os pais se encontrarem desempregados, ou outrossim olvidar os idosos que durante tantos anos trabalharam e descontaram, para agora cortarem nas suas míseras reformas, como não tem a mesma coragem para perante as PPP’s fazer o mesmo?

 

3 - Se o Estado tem intenção de cortar subsídios de férias e Natal a públicos e privados, porque não corta nos dinheiros para TODAS as Fundações, sejam elas de carácter for?

 

São provavelmente muitos “ses”. Demasiadas condições para um país à beira de um colapso colectivo e com um Governo incapaz de optar por atitudes realmente corajosas e radicais a bem do seu povo, que foi quem o elegeu. Não a MerkelTroika!

Um país sobre "brasas"

Começo a ficar preocupado. A sério!

 

O português sempre foi pacífico, de tal forma que se auto-intitulou como um povo de “brandos costumes”. Porém, creio bem que este último epíteto em breve desapareça tal a insatisfação que vai tomando conta dos portugueses. As razões são sobejamente conhecidas e sentidas por quase todos. Vivemos tempos de vacas magras e que passarão em breve a ser de vacas anorécticas.

 

Sinto que este luso povo não aguenta esta “terapia” de choque por muito mais tempo. É inevitável que algo tem de acontecer para (re)colocar o país num trilho correcto. Não sei o que será mas cheira-me…

 

Paira no ar uma paz podre e que não augura nada de bom. As constantes manifestações, as sucessivas greves (mesmo que tenham toda a razão!!!) também não ajudam Portugal. As nuvens negras do desencanto e da tristeza envolvem-nos como um manto.

 

Não sou economista para saber se haveria outras soluções. Também não sou político. Mas sou e serei como tantos outros portugueses uma das vítimas da tal austeridade. E pergunto a mim mesmo: eu que sou poupado, que não gasto um tostão mal gasto, que não tenho vícios de espécie alguma, porque tenho de pagar para aqueles que não sabem poupar? Porque tenho de ser eu e outros a pagar os erros de governação? Porque não pagam os políticos com o seu património esses desmandos?

 

Pois é! Falta à maioria da nossa classe política dignidade e sentido de Estado. Os políticos servem-se do país não servem Portugal. E é este espirito de missão que falta à sociedade gestora dos destinos deste rectângulo.

 

Sinto-me desiludido com esta gente, pouco conhecedora da realidade dos lares, onde todos os dias há quem faça contas aos parcos tostões que ainda tem. O povo português não é burro e sabe sofrer quando lhe pedem para o fazer, numa perspectiva que tudo irá melhorar. Agora desta forma… exagerada…

 

E se um destes dias um qualquer caldo se entornar (espero bem que não!!!!), não venham depois afirmar que não imaginam porque isso aconteceu…

E se ele não tivesse morrido?

 

 

««É necessária uma política de austeridade. Mas impõe-se que essa política de austeridade não recaia, especialmente, sobre as classes trabalhadoras (...) É preciso que ela se integre numa política de relançamento da nossa economia. Sem isto não há austeridade que valha a pena» - Francisco Sá Carneiro numa entrevista a O País - 3 de Março de 1976

 

Esta frase do antigo primeiro-ministro social-democrata parece cair na nossa actualidade como uma luva. Já nesse tempo se viviam tempos difíceis…

 

Mas a visão tenebrosamente apocalíptica que o actual governo tem do défice, coloca o nosso país em profunda depressão económica e social.

 

Não se muda a vida de um povo por decreto. É necessário explicar o que se está a fazer e acima de tudo cortar sem medos, a eito. Assim como assim este governo, que não ficará mais nenhuma legislatura, podia pelo menos enfrentar de peito aberto os lobbies e interesses partidários instalados, acabando com algumas mordomias e “gorduras” que ainda permanecem. Mal comparado é como eu se eu deixasse de comprar pão aos meus filhos mas continuasse a dar jogos para consolas.

 

Perante o que vou vendo (e sentindo no bolso!!!) e pegando uma vez mais na frase acima, coloco duas questões, para as quais não tenho qualquer resposta, a saber:

 

- escolheria Francisco Sá Carneiro alguns dos actuais ministros para consigo governar?

 

- teria Portugal chegado a este nível de pobreza se Sá Carneiro não tivesse morrido?

 

As respostas ficarão eternamente sem resposta...

 

Para finalizar creio que esta não era a social-democracia com que Sá Carneiro sempre sonhou e pela qual lutou arduamente.

A Peste Negra dos nossos tempos

Olho para o meu país e que vejo? Gente triste, desiludida, pobre e acima de tudo sem esperança. É uma dor de alma observar quantas pessoas descobrem o que é pobreza ao fim de tantos anos de trabalho e de vida. Esta coisa da crise, dos défices, dos cortes salariais, do desemprego, das empresas a fechar, do descalabro da economia parece uma doença pior que a Peste Negra… que vitimou por essa Europa fora milhões de europeus, na idade Média.

 

E quanto mais observo a nossa pobre sociedade mais entendo que as pessoas estejam desesperadas. A pergunta já tantas vezes pronunciada mantém-se: como chegámos aqui?

 

A resposta encontrá-la-emos quase de certeza no passado não muito longínquo. E se muitos de nós (mea culpa! mea culpa!) somos culpados porque não soubemos gerir as nossas próprias finanças, autorizando que outros metessem as mãos na nossa carteira em troca de bens bastas vezes desnecessários, a verdade é que também os nossos políticos nunca tiveram realmente cuidado com as finanças lusas, empurrando com a barriga os problemas que surgiam na hora. Portugal gastou o que tinha e não tinha sem se preocupar com o futuro e acima de tudo como pagar.

 

A génese da situação que ora vivemos pode (e deve!) ser encontrada na constante irresponsabilidade com que os diversos governos lidaram com as contas públicas. E o que a mim mais me custa e espanta é que ninguém, mas ninguém se sinta culpado pela situação a que chegámos. Foram sempre os outros, sempre!

 

Todavia esta nova “Peste Negra” que vai atacando, como na idade Média, os mais pobres e frágeis, não parece ter fim à vista. Desta vez não são as pulgas nem os ratos os culpados desta epidemia… Mas as pessoas sejam eles políticos, economistas, gestores ou os simples cidadãos.

 

E da mesma maneira que se fez na Idade Média, só com higiene é que se conseguirá erradicar esta Peste, que não sendo Negra de nome, tem na sua essência a negritude das más gestões governativas, corrupções, compadrios e outros “roedores”.

 

Desta vez ao contrário da Peste Negra morre-se, não de doença, mas da cura.

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