Uma quinta imperdível
Ser avô e ter alguma responsabilidade e cuidado no crescimento dos petizes é algo fantástico. Mas é também um caminho de aprendizagem, pois educar nos nossos dias uma criança é assaz diferente de há 30 ou 40 anos.
Hoje há normalmente um maior cuidado nos alimentos que se dão, nas guloseimas e também daquilo que é distribuído via televisão, telemóveis e demais artefactos.
E é sobre este tema dos conteúdos digitais que tentarei escrever. Mas para tal recuemos seis décadas já que naquele tempo a televisão monocromática era pouco aliciante. Especialmente para as crianças.
Recordo que os desenhos animados que os miúdos tanto gostam eram, naquele tempo, um doce (quase) proibido. Havia um programa conduzido por Jorge Alves que dava antevisão dos programas para a semana seguinte e quase sempre terminava com apenas 15 a 20 segundos de bonecada. Era pouco, mas antes pouco que nada.
Regressemos a este tempo. Hoje há muitos, quiçá demasiado, heróis. As televisões por cabo e não só acomodaram canais dedicados às crianças. Assim os miúdos conseguem manter-se sossegados enquanto os pais ciradam pela casa noutros afazeres.
Mais... antigamente eu comprava revistas de automóveis para que o meu sobrinho comesse, já que o puto adorava carros. Portanto não é de agora o desvio da atenção dos fedelhos para as coisas do seu interesse.
Nos dias que correm qualquer televisão tem acesso à internet e com este ligações a conteúdos digitais pagos (detesto olimpicamente "streaming", reconheço assertividade na palavra, mas não é português!!!), já para não falar dos telemóeis e demais periféricos. Posto isto, assumo que amiúde uso esta forma de entretenimento para levar a água ao meu moinho ou dito de outra maneira, levar a colher cheia de comida à boca dos putos.
O curioso é que recentemente descobri uma série para crianças de enormíssima qualidade. Obviamente que as estórias serão infantis, mas são muito bem engrendradas. Não será de admirar a sua origem: britânica com um humor muito peculiar sem jamais atravessar o bom senso.
Numa quinta muito específica tudo acontece sem uma palavra, sem legendas, sem violência e com muita graça, muita mesmo. A série chama-se "Shaun the Sheep" e merece o meu aplauso.
O meu neto adoooooora ver. Eu também!