Gosto pouco que brinquem com o meu dinheiro. Ainda por cima quando ele me é retirado contra a minha vontade.
Falo disto por causa dos 500 milhões que Portugal vai emprestar a Angola. Não imagino qual a taxa de juro aplicada mas tendo em conta que algumas delas estão negativas...
Mas sinceramente... não havia mais país nenhum ou organização com capacidade de emprestar tal dinheiro a Angola? Então andámos nós a pagar juros altíssimos, a aceitar uma austeridade como nunca fora vista, para de um momento para o outro... vir um PM e entregar de mão beijada 500 milhões de euros ao Estado Angolano?
Andou um país a quotizar-se para pagar as obras de Pedrógão para agora António Costa pespegar com 500 milhões em África?
Desculpem, mas das duas uma: ou sou eu que vejo teorias estranhas ou alguém anda a comprar amizades.
As relações entre Portugal e Angola estão numa situação demasiado periclitante. O senhor Presidente da República foi, ao que sei, o único estadista europeu a ir àquela antiga colónia portuguesa assistir à tomada de posse do novo Presidente da República Popular de Angola.
Ora até aqui tudo bem, já que naquele país trabalham muitos portugueses. Era necessário fazer-lhes ver que Portugal está atento.
O que realmente me surpreendeu foi que o novo PR angolano, no seu discurso de tomada de posse, nomeou uma série de países a quem quer dar primazia nas relações. Nesta espécie de lista, o actual Chefe de Estado Angolano, não referiu Portugal.
Penso que de propósito.
Esta posição tristemente marcada pelo novo governante angolano, não deverá ter caído bem nem Marcelo (mesmo que este diga o contrário) nem ao nosso próprio governo, não obstante as declarações esfusiantes de Costa.
Angola foi, desde a sua independência, um parceiro privilegiado de Portugal tanto nas importações como exportações.
Face a esta mais recente postura por parte daquele país Africano, Portugal poderá optar por um de dois caminhos:
1 - ou não liga e tudo acaba por passar como se nada tivesse acontecido, enfraquecendo naturalmente a nossa actual posição naquele país
ou
2 - dá um murro na mesa e pede o divórcio litigioso com consequências ainda por calcular.
Termino com uma máxima que, um dia, uma colega de trabalho me indicou: Antes perder um bom amigo que uma boa resposta.
É a hora de Portugal não deixar cair os seus créditos por mãos alheias, correndo o risco, se não o fizer, de perder toda a credibilidaade na esfera diplomática.