Este texto é, por assim dizer, uma continuação deste meu post, escrito há uns dias. Desta vez abordo não a relação de duas pessoas mas o sentimento que as une ou desune e as respectivas consequências. E este sentimento tem sempre um nome primeiro: amor!
Por amor tudo se suporta, ouvi eu há muitos anos, dito por alguém próximo. Mas será mesmo assim? Será mesmo o amor o único sentimento que mantém a chama de uma relação?
Reconheço e aceito que por amor se fazem muitos (por vezes demasiados) sacríficios. Mas terá obrigatoriamente de ser sempre assim? A resposta é obviamente difícil e depende da capacidade de cada um tem para aguentar, fisica e psicologicamente, o que lhe vai sendo apresentado.
Há quem ao primeiro embate desista de uma relação só porque não está para se sacrificar e há quem nunca desista porque entende que o amor tudo aceita, tudo aplaca mesmo que com isso perca toda a sua identidade. Ora o mais certo seria explicar à outra parte que algo está mal e que está a sujeitar a um sacrifício anormal. Para isso é necessário que o diálogo franco e aberto seja o lastro da relação. Isto é, se alguém pedir sacrifícios ao outro sem disso ter verdadeira consciência, é bom que seja antecipadamente avisado do que está a pedir e que poderá terá custos... Se assim não for alguém deixa de ser quem é, para passar a ser escravo de outrém! E isto não me parece bem. De todo!
O amor deve ser um sentimento mútuo muito à imagem do "eu dou mas também recebo". Mas neste dar e receber não é necessário quantificar nem qualificar. Basta estar permanentemente disponível. E é esta disponibilidade ou não que naturalmente define o amor que se tem pelo outro.
Nos tempos que correm só vive numa relação pouco disponível quem quer!
A maternidade é, nos nossos dias, um momento muito especial. Para os familiares próximos, para o pai mas sobretudo para a mãe. E então se for a primeira vez... Tudo é novidade, ventura e aventura, desassossego permenente!
Hoje uma recente mãe fez anos! Festa em família, como não podia deixar de ser, o bebé foi sem dúvida alguma o centro das atenções. Até nas prendas...
Um desenho do menino nos braços da jovem mãe, reproduzindo fielmente uma foto tirada havia umas duas semanas, gerou uma torrente de lágrimas por parte da aniversariante. Um gesto que os mais velhos compreenderam e aceitaram. Todavia estas lágrimas são antes de mais o assumir real e genuíno do amor de uma mãe pelo seu rebento.
E quer queiram quer não, jamais haverá amor como este!
Habitualmente fico contente com pouca coisa. Ou melhor. Poucas coisas fizeram a minha felicidade, porque esta é claramente fugaz e passageira.
Os momentos mais fantásticos que guardo, da minha já longa vida, foram os nascimentos dos meus filhos, a publicação do meu primeiro texto num jornal e quiçá o primeiro destaque deste blogue na Sapo.
Tudo o resto foram momentos bons mas... normais. Estudar (pouco???), arranjar um bom trabalho, casar, tudo me aconteceu com alguma... naturalidade
Até hoje.
Tenho dois filhos já homens. O mais velho faz tempo que saiu de casa para ir viver a sua própria vida. O mais novo ainda por aqui vai... resistindo.
É quase "cliché" afirmar que queremos o melhor para os nossos filhos. Mas costumo dizer que eu apenas lavrei a terra... cabendo a eles fazer a sementeira, mondar o terreno das ervas daninhas e colher os frutos...
E hoje alguém colheu. Num gesto extraordinário, o meu infante mais jovem, convidou a família e amigos para assitir à discussão pública da sua tese da Mestrado. E foi obviamente evidenciado pelo Júri a anormal assistência presente (quase duas dezenas de pessoas).
No final da discussão, que demorou tempos infinitos e em que todas as perguntas pareciam ser unicamente para fazer mal ao arguido, lá veio a tão esperada nota: dezoito valores!
Foi a (muito) custo que evitei uma lágrima... É que isto de ser pai não é (nada) fácil.
Neste momento sinto-me um homem imensamente feliz! Por que a felicidade é, como referi acima, efémera, mas o amor de pai jamais!
A questão “para que serve o casamento a não ser para ter filhos?” colocada assim de supetão, sem qualquer contexto associado parece quase uma fórmula matemática de “dois mais dois é igual a quatro”.
Na verdade só o ser humano casa. Na natureza pelo contrário tudo se faz pela sua própria lei, sobreviver!
Falta, no entanto, àquela pergunta uma variável e que se chama sentimento. Só o ser humano sabe dizer o que sente. E é esta variável que faz alguém gostar ou detestar outrem.
O que afinal pretendo dizer é que a junção de duas pessoas acarreta consigo obvias sensações, desejos, vontades e alegrias e claramente o inverso. Pode-se gostar ou detestar de uma pessoa só porque sim, sem haver uma razão lógica ou racional para essa atitude.
Dentro da panóplia de sentimentos que envergamos para gostarmos ou não de outra pessoa um deles é naturalmente o amor.
Amar alguém é algo pouco racional já todos nós sabemos. Mas como podemos explicar aquele suor frio nas mãos quando saímos a primeira vez? Como se explica o pulsar acelerado do coração, as pernas pouco firmes, as ideias toldadas?
Pois é, o amor não se explica, apenas se sente… Tal como o ódio ou a raiva.
No fim de contas tudo sentimentos que usados como variáveis alteram, e de que maneira, a nossa forma de ver a vida a dois.