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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Regresso à juventude!

Ontem encontrei um antigo professor de Liceu. Pois... pois... Eu ainda sou do tempo dos liceus.

Foi engraçado encontrar este professor de ginástica e hoje um reconhecido advogado. Viviam-se tempos cunturbados nesses já idos anos setenta.

Ficámos mais de uma hora a recordar colegas de um lado e de outro. Antigos alunos, hoje professores, autarcas, políticos, jornalistas, advogados, engenheiros ou simplesmente meros portugueses... como eu!

Mas vale este texto pelas saudades deste professor. Ensinou-me entre outras coisas a gostar do Rugby, chegando eu a frequentar um curso de treinador, ministrado pela Direção Geral dos Desportos.

Este professor marcou-me claramente. Acima de tudo pela forma coerente como sempre lidou com os jovens revolucionários (e não só!!!) da altura. Na minha qualidade de delegado de turma tive com ele algumas divergências de posição e essencialmente de visão dos problemas, mas conseguimos sempre encontrar pontos de convergência para bem de todos, alunos e professores.

Foi muito bom ontem recordar, nem que fosse por uma hora, a minha juventude. Ainda por cima com alguém que comigo partilhou esse tempo.

O dia seguinte: a história repete-se!

O primeiro dia de greve dos professores fez com que cerca de 18000 alunos ficassem sem fazer os exames respectivos. A exemplo de casos anteriores cada uma das partes envolvidas neste conflito reclama vitória (como se uma guerra se tratasse!). Todavia quem perdeu foram, para já, os alunos.

Os sindicatos anunciaram que os níveis de aderência haviam sido superiores a greves anteriores. Por outro lado o Ministério da tutela comunicava que mais de 70% dos estudantes haviam realizado as provas de aferição.

Tal como a velha história da garrafa meio cheia ou meia vazia, cada uma das partes interpreta os dados à luz da sua versão dos acontecimentos. Seja como for, sinto que ambas as partes saíram derrotadas. O Ministério da Educação por não ter conseguido evitar a greve. O braço de ferro que fez com os dirigentes das associações profissionais dos professores, só poderia terminar neste fracasso negocial.

Por outro lado os sindicatos, ao colocarem a greve a coincidir com os exames nacionais, jogaram com a chantagem psicológica de alunos e encarregados de educação, numa tentativa, que saiu claramente frustrada, de lançarem para as costas destes as pressões sobre o governo. Erro estratégico crasso com consequências (ainda) imprevisíveis.

Com a natural marcação de novo exame para o próximo dia 2 de Julho pode-se abrir um ror de litígios administrativos, originando quiçá volumosos processos em tribunal com os respectivos custos financeiros e humanos.

Pois ninguém, em boa verdade, pode afirmar que o próximo exame será mais fácil ou mais difícil que o de ontem. É uma questão de perspectiva, preferência e estudo.

Enfim, mais uma greve justa, mas (muito) mal conduzida, por todas as partes em conflito.

O costume em Portugal! Infelizmente…

Greve dos professores: razões certas, formas erradas

 

Sempre considerei a greve como um direito do trabalhador para conquistar melhores salários ou condições de trabalho.

 

Mesmo sem direito a receber o dia de greve, esta deve prejudicar mais o patronato que o empregado. E daí a força que aquela forma de luta pode ter numa mudança de atitude por parte de quem tem, geralmente, mais poder.

 

Mas o que perspectivo para os próximos dias por parte dos professores surge como uma forma pouco democrática de lutar. Não ponho sequer em questão a justiça da greve, mas creio que prejudicar os alunos em vez do Estado (que é o verdadeiro patrão!) não me parece ser o mais sensato.

Há com certeza outras formas de luta ou outros dias para greves que não dos dias de exames. E eu estou perfeitamente à-vontade porque nem tenho filhos no secundário, mas compreendo e de que maneira a ansiedade de pais e filhos. Estes exames podem definir o futuro de um estudante.

 

Formar estudantes é umas das mais nobres profissões! Sempre o achei! Mas usar os alunos como armas de arremesso, mesmo que a razão lhes assista, como é o caso, parece-me profundamente descabido, injusto para os alunos e claramente impopular.

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