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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Ir e vir...

Hoje tive necessidade de ir à aldeia  dos meus antecessores buscar batatas. As que por aí se compram não prestam e num ápice fazem-se negras. Ao invés as do meu pai, mesmo velhas, ainda são muito saborosas.

Assim aproveitei a calada da noite para ir à aldeia buscar as ditas batatas e mais algumas coisas. Nada de beijos nem abraços, mantive o afastamento, sem bem que não esteja infectado e eles também não, cumpri, pelo menos, com essa regra.

Fiz nesta viagem 233 quilómetros em menos de duas horas e meia conforme ficou registado no mostrador do meu carro,

Mostrador_.jpg

Todavia o que realmente achei estranho foi andar na A1 sem qualquer carro. Uma coisa nunca vista. Aquilo parecia um deserto, parece que vivemos sós, sem mais ninguém ao nosso redor.

Senti uma enorme tristeza...

Isto é bizarramente estranho...

A primavera aproxima-se...

Notei isso na viagem à Beira Baixa onde os pessegueiros e cerejeiras começam a atapetar os pomares de cores brancas e rosas.

Mas é na terra que se nota a aproximação da estação das flores.

Hoje saí da aldeia beirã, onde estive os últimos três dias, para ir até ao povoado onde residem ainda os meus pais.

Aqui dei uma volta pelas fazendas que tento tratar. O verde mantém-se imponente.

20200225_141533.jpg

Mas o que mais me impressionou foi a força que os javalis apresentam. Esfocinham a terra em busca de trufas ou algumas cabeças de nabos selvagens.

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Num chão à base de barro vermelho o estado que a terra apresenta após a passagem daqueles suínos selvagens é este.

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Entretanto as oliveiras começam a dar sinal do que pode vir a ser a próxima colheita de azeitona.

20200225_140658.jpg

Natureza pura!

Levantei-me muito cedo. Eram pouco mais das seis da manhã. Mas tendo em conta a previsão daquilo que seria o meu dia, havia que despachar algumas etapas.

Estou na Beira Baixa. Num local abrigado pela Serra da Gardunha sempre tão devastada com os incêndios. Todavia ainda assim aqui respira-se bom ar, colhe-se boa azeitona (eu que o diga!!!), a fruta é de excelência e as couves têm um sabor a terra pura.

Gosto de deambuar pelos terrenos da família. Perceber algum pinheiro caído, um murro derrubado, algum silvado para cortar.

Sendo alguém que foi criado numa povoação onde a água era (e ainda é) um bem muito escasso, quando chego a esta povoação beirã e noto os poços repletos, as charcas cheias e as ribeiras a correr sinto-me imensamente feliz.

Depois... há aqueles ruídos que a natureza nos brinda, nos afaga, nos eternece; o trinados dos pássaros, a água que foge por entre as pedras num qualquer leito de uma ribeira, o coaxar harmonioso das rãs, o doce sibilar do vento por entre as árvores... ou então não e nada disto e a Mãe Natureza prefere o silêncio!

A cidade e as serras (versão breve) - VI

Saí da cidade a 27 de Outubro para só regressar dia 8 de Novembro. Duas semanas afastado de Lisboa onde o trânsito, o barulho citadino, a má educação, a insensibilidade humana prevalecem acima de tudo o resto.

Todos os anos tenho por hábito escrever um pequeno texto, mais ou menos por esta altura, sobre os sentimentos de quem, após alguns dias no campo, regressa à urbe.

Reli os meus textos anteriores e está lá tudo. 

Nada mudou, infelizmente! E se tal aconteceu foi certamente para muito pior.

Amanhã vou embrenhar-me no meio da cidade, correr para o Metro, fugir à cratera aberta no asfalto, tentar chegar a casa incólume.

Hoje doem-me as mãos do trabalho do campo, Amanhá doer-me-á a alma!

Azeitona - campanha de 2019 #8

"No sétimo dia, Deus descansou de toda a obra que realizara

Isso não aconteceu comigo, pois ao sétimo dia de azeitona colheram-se a módica quantia de 21 sacos de azeitona.

20191101_131849[1] (1).jpg

De uma delas saíu esta mantada que "só" acrescentou quatro sacos!

A manhã devido ao dia Santo teve alguns interregnos. De tarde algumas bátegas obrigou-nos a recolher para dentro de casa sem todavia se parar de escolhar a azeitona já colhida.

Gosto deste tempo de azeitona, todavia prefiro-o sem chuva.

Certamente que amanhã mudaremos de fazenda, mas o espírito de luta e combate será o mesmo.

As mãos estão uma lástima, assim como o corpo... Mas há que aguentar!

São dez da noite, mas a minha cabeça já só reclama por Morfeu!

Vida dura esta!                                                                                                                                      

Azeitona - campanha de 2019 #6

O dia de trabalho de hoje começou tarde.

Uns assuntos pendentes obrigaram-me a iniciar a apanha perto das onze da manhã. 

Debaixo de chuva, claro!

Mas se não teimar, a azeitona não se apanha sozinha.

Finalmente ao fim do dia início de noite,  fui buscar o azeite da carga que deixara no passado Domingo. 

Não tendo sido maravilhoso ainda assim rendeu 57 litros, o que corresponde à média de 12,8 quilos de azeitona para dar um litro de azeite.

Esta na média deste ano.

Entretanto quem vive no campo arrisca-se a ver um sapo destes...

20191030_212935 (1).jpg

...seja a que horas for!

Azeitona - campanha de 2019 #3

Eis o primeiro carregamento de azeitona no lagar. Da colheita de ontem e de hoje.

Todos os sacos carregaram 445 quilos. Nao foi grande coisa, mas a azeitona este ano pecabpor ser miuda... muito miúda.

20191026_184812.jpg

Vai daí menos peso e quiçá mais azeite.

Próxima  terça-feira será apresentado o veredito.

Na rua ao frio e encostado à parede do clube da aldeia, a escrever no telemóvel.

Porque a rede aqui é muito dificil chegar.

Mas ficaram prometidas as fotos... e daqui a uns dias surgirão.

Azeitona - campanha de 2019 #2

Hoje foi o primeiro dia. É sempre duro este início já que o corpo não está, de todo, habituado.
O dia esteve brando a maioria do tempo, mas houve alturas que esteve muito quente.

Devido à limitação da Internet as fotografias não podem ser ora publicadas.

Todavia assim que puder...

O dia rendeu pouca azeitona. Somente nove sacos, Só para dar uma ideia comparativa as mesmas oliveiras o ano passado deram mais de 20 sacos.

20191026_181740.jpg

O problema deste ano prendeu-se com o calor, a seca e depois o vento em demasia que fez cair mais de 90 por cento da azeitona. Poder-se-ia varrer do chão.

Entretanto amanhã será novo dia. Já ouvi dizer que se aproxima chuva...

 

 

Crónica breve numa aldeia beirã

São seis da manhã.

Ainda reina a noite e nem o relógio da igreja acordou. O silêncio na aldeia é absoluto.

Os cães sempre tão activos e barulhentos deixaram-se também vencer por Morfeu. Corre uma mui singela brisa que carrega consigo todos os perfumes do casario e arredores.

Percorro a aldeia a pé. Os lampiões emitem uma luz mortiça. Será que eles também ousaram dormir?

Chega-me agora o enântico do engaço da uva que se prepara para passar pelas brasas e se transformar em aguardente. O cheiro do restolho após o corte atrasado da palha, o odor inesquecível dos marmelos já maduros e das suas irmãs gamboas, também elas já prontas.

20191006_080416 (1).jpg

Paira o odor a gado ovino. que daqui a pouco seguirá para a ordenha.

Os meus passos lentos ecoam no empredado das ruas como se eu fosse um fantasma. Aqui e ali nota-se uma já luz acesa na casario. Mais à frente finalmente o aroma perfeito do pão acabado de cozer.

Uma ligeira penumbra surge no horizonte avisando que o dia vem aí. Oiço o primeiro galo. Depois outro e logo a seguir mais um.

Absorvo com incrível prazer todas as fragâncias e escuto os sons de uma aldeia pacata e que se prepara para acordar.

O dia desponta por fim, ainda sem o sol, mas há já luz natural.

Fogem gatos à minha frente. Toca o relógio da igreja.

São sete da manhá.

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