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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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A cidade e as serras (versão breve) - VI

Saí da cidade a 27 de Outubro para só regressar dia 8 de Novembro. Duas semanas afastado de Lisboa onde o trânsito, o barulho citadino, a má educação, a insensibilidade humana prevalecem acima de tudo o resto.

Todos os anos tenho por hábito escrever um pequeno texto, mais ou menos por esta altura, sobre os sentimentos de quem, após alguns dias no campo, regressa à urbe.

Reli os meus textos anteriores e está lá tudo. 

Nada mudou, infelizmente! E se tal aconteceu foi certamente para muito pior.

Amanhã vou embrenhar-me no meio da cidade, correr para o Metro, fugir à cratera aberta no asfalto, tentar chegar a casa incólume.

Hoje doem-me as mãos do trabalho do campo, Amanhá doer-me-á a alma!

Azeitona - campanha de 2019 #8

"No sétimo dia, Deus descansou de toda a obra que realizara

Isso não aconteceu comigo, pois ao sétimo dia de azeitona colheram-se a módica quantia de 21 sacos de azeitona.

20191101_131849[1] (1).jpg

De uma delas saíu esta mantada que "só" acrescentou quatro sacos!

A manhã devido ao dia Santo teve alguns interregnos. De tarde algumas bátegas obrigou-nos a recolher para dentro de casa sem todavia se parar de escolhar a azeitona já colhida.

Gosto deste tempo de azeitona, todavia prefiro-o sem chuva.

Certamente que amanhã mudaremos de fazenda, mas o espírito de luta e combate será o mesmo.

As mãos estão uma lástima, assim como o corpo... Mas há que aguentar!

São dez da noite, mas a minha cabeça já só reclama por Morfeu!

Vida dura esta!                                                                                                                                      

Azeitona - campanha de 2019 #6

O dia de trabalho de hoje começou tarde.

Uns assuntos pendentes obrigaram-me a iniciar a apanha perto das onze da manhã. 

Debaixo de chuva, claro!

Mas se não teimar, a azeitona não se apanha sozinha.

Finalmente ao fim do dia início de noite,  fui buscar o azeite da carga que deixara no passado Domingo. 

Não tendo sido maravilhoso ainda assim rendeu 57 litros, o que corresponde à média de 12,8 quilos de azeitona para dar um litro de azeite.

Esta na média deste ano.

Entretanto quem vive no campo arrisca-se a ver um sapo destes...

20191030_212935 (1).jpg

...seja a que horas for!

Azeitona - campanha de 2019 #3

Eis o primeiro carregamento de azeitona no lagar. Da colheita de ontem e de hoje.

Todos os sacos carregaram 445 quilos. Nao foi grande coisa, mas a azeitona este ano pecabpor ser miuda... muito miúda.

20191026_184812.jpg

Vai daí menos peso e quiçá mais azeite.

Próxima  terça-feira será apresentado o veredito.

Na rua ao frio e encostado à parede do clube da aldeia, a escrever no telemóvel.

Porque a rede aqui é muito dificil chegar.

Mas ficaram prometidas as fotos... e daqui a uns dias surgirão.

Azeitona - campanha de 2019 #2

Hoje foi o primeiro dia. É sempre duro este início já que o corpo não está, de todo, habituado.
O dia esteve brando a maioria do tempo, mas houve alturas que esteve muito quente.

Devido à limitação da Internet as fotografias não podem ser ora publicadas.

Todavia assim que puder...

O dia rendeu pouca azeitona. Somente nove sacos, Só para dar uma ideia comparativa as mesmas oliveiras o ano passado deram mais de 20 sacos.

20191026_181740.jpg

O problema deste ano prendeu-se com o calor, a seca e depois o vento em demasia que fez cair mais de 90 por cento da azeitona. Poder-se-ia varrer do chão.

Entretanto amanhã será novo dia. Já ouvi dizer que se aproxima chuva...

 

 

Crónica breve numa aldeia beirã

São seis da manhã.

Ainda reina a noite e nem o relógio da igreja acordou. O silêncio na aldeia é absoluto.

Os cães sempre tão activos e barulhentos deixaram-se também vencer por Morfeu. Corre uma mui singela brisa que carrega consigo todos os perfumes do casario e arredores.

Percorro a aldeia a pé. Os lampiões emitem uma luz mortiça. Será que eles também ousaram dormir?

Chega-me agora o enântico do engaço da uva que se prepara para passar pelas brasas e se transformar em aguardente. O cheiro do restolho após o corte atrasado da palha, o odor inesquecível dos marmelos já maduros e das suas irmãs gamboas, também elas já prontas.

20191006_080416 (1).jpg

Paira o odor a gado ovino. que daqui a pouco seguirá para a ordenha.

Os meus passos lentos ecoam no empredado das ruas como se eu fosse um fantasma. Aqui e ali nota-se uma já luz acesa na casario. Mais à frente finalmente o aroma perfeito do pão acabado de cozer.

Uma ligeira penumbra surge no horizonte avisando que o dia vem aí. Oiço o primeiro galo. Depois outro e logo a seguir mais um.

Absorvo com incrível prazer todas as fragâncias e escuto os sons de uma aldeia pacata e que se prepara para acordar.

O dia desponta por fim, ainda sem o sol, mas há já luz natural.

Fogem gatos à minha frente. Toca o relógio da igreja.

São sete da manhá.

Setembro - o mês dos figos!

Lá para a aldeia onde fui criado há nos pedaços de terra rija e barrenta algumas figueiras. E há de toda a espécie: do Algarve, Pingo Mel, Corigos, do Norte.

Por esta altura é ver a malta a correr para debaixo das figueiras em busca dos melhores frutos. Alguns serão para comer logo, assim fresquinhos acabados de apanhar, mas a maioria serão para secar ao Sol.

Lembro-me quando miúdo e ainda antes da escola iniciar, andar com a minha avó em busca dos tão gostosos e característicos frutos.

Mas as figueiras não são oliveiras. Nestas pode-se subir sem perigo para cimo de um ramo que ele fica ali firme e hirto a aguenta com o nosso peso. No entanto as figueiras são falsas como Judas. Nem todos os ramos se fixam e ao menor peso, por mais grossos que sejam, vergam-se facilmente.

Ora naquele tempo de apanha com a avó Pureza, este que ora se assina subiu ágil à arvore em busca de mais frutos e mais depressa eu subisse mais depressa caía.

Numa terra onde as pedras são muitas e enormes, tive a sorte de cair no único pedaço de terra por debaixo dos ramos verdes da figueira. Bastaria poucos centímetros ao lado e provavelmente hoje não estaria aqui a escrever.

Por tudo isto é que uns figos secos ao calor de Setembro têm outro sabor.

Apontamentos breves

Todo o santo dia andei a queimar lenha na minha aldeia. Restos de uma campanha de azeitona a dar as últimas.

O dia esteve quente, demasiado quente para a época. Uma brisa soprou de manhã ainda assim suficiente para atear a fogueira.

A tarde foi mais branda.

A noite está neste momento deliciosa (são 22 e 20). Parece quase Verão.

O céu está estrelado, um cão ladra enquanto a aldeia mergulha no morfeu.

Encostado ao muro, que outrora foi da escola primaria, vou esgalhando estas breves palavras.

Esta aldeia tem quase tudo. Mas o melhor é sem dúvida a paz que aqui se vive.

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