Creio que em tempos houve para aí um anúncio, já não lembro a quê que tinha como slogan publicitário o titulo deste postal.
Quem como eu vive na cidade tem sempre ao seus redor um conjunto de supermercados (a expressão "grande superfície" parece-me exagerada), todos eles equipadpos de secção de padaria e onde poderemos achar todo o tipo de pão.
Pão grande, pequeno, mistura, branco, encarnado, de alfarroba, de beterraba, de milho e até, imaginem, há pão feito de simples farinha de trigo. Porém com tanto fermento dentro que ao fim de dois dias qualquer pedaço de pão está carregadinho de humidade. Depois há aquele pão de massa mãe e alguns devem ter ainda mais longínquos antepassados porque rapidamente o pão ganhar bolor.
Nunca fui padeiro e muito menos ousei abraçar a aventura de um dia cozer pão. Porém na aldeia onde fui criado houve aaaaaaaaanos a fio uma belíssima padaria de cujo forno exalava sempre um perfume de vida renovadaque se espalhava pelo povo. Era de tal forma saboroso e bem feito que facilmente comeria um pão de quilo ao pequeno almoço. Confesso que nunca o fiz, mas vontade nunca me faltou!
Curiosamente a padaria da aldeia vizinha usava dos mesmos produtos da padaria da minha aldeia, mas nunca, nunca conseguiram chegar aos calcanhares daquele pão que eu comia.
Hoje foi ao mercado que costumo frequentar em tempos de veraneio. Há lá um posto que vende pão de local chamado Alfarim povoação que faz paredes meias com a aldeia do Meco. Trouxe um pão de quilo e não sei se foi a saudade ou outra coisa qualquer não é que o raio do pão quase pareceu o da minha aldeia?
Após os últimos dias de azáfama natalícia eis-me uma vez mais a descansar neste sábado.
Todavia ontem aproveitei estar na aldeia com os meus idosos pais para rever lugares fantásticos na zona que já conheço, mas que dá sempre gosto revisitar.
A maioria das imagens destes locais tem mais graça no Inverno e depois de uns tempos de chuva intensa como foi nas últimas semanas. O video infra mostra o polje de Minde como é tecnicamente conhecido, mas que por aqui tratam de chamar a Mata de Minde.
Minde é a povoação à direita, que foi há muitos anos um enorme centro de indústria de lanifícios e onde foi inventada, criada não sei dizer uma forma de comunicação muito própria que se chama "Piação dos Charales do Ninhou". Minde é uma das freguesias do concelho de Alcanena no distrito de Santarém, mas a sua relação é preferencialmente atraída para o lado contrário, quer dizer Leiria.
No entanto a amizade com a freguesia de Mira de Aire (a povoação da esquerda), já noutro concelho e distrito, nunca foi assim fantástica. Outras estórias, provavelmente agora sem razão de ser.
No lado oposto do concelho de Alcanena podemos encontrar, quiçá, o ex-libris desta zona e que se liga à história de Portugal e à cidade de Lisboa.
Em 1871 o rei da altura D. Luís I, o Popular, mandou captar água no nascente do Rio Alviela e trazê-la para Lisboa onde depois seria distribuída por diversos fontanários.
Um trabalho de engenharia fantástico já que a água chegava a Lisboa através da própria gravidade. E 120 quilómetros era, para a época, uma distância bem razoável.
Dizem alguns especialistas que a água do video do topo escoa lentamente por debaixo do chão desde a Mata de Minde até a este nascente, por entre pedras calcárias, grutas e algares.
Mais este é o maior lago submerso da água doce da Península Ibérica. Acresce dizer que há um video de alguém que desceu à profundidade de 215 metros.
Um rio que já foi nome de jornal e onde eu colaborei durante alguns anos.
Toda a vida tive e lidei com animais de estimação.
Cães, gatos e até, imaginem, um bezerro que cuidei desde pequeno e (quase) tudo na aldeia. Na cidade só quando mudei para um espaço com quintal é que tive direito a ter amigos de quatro patas.
O primeiro foi o Aissú, uma pileca em tamanho, porém bravo e irritadiço. Mais tarde vieram duas gatas irmãs da mesma ninhada: a Turista e a Fofinha. E todos nós, mais cão e gatas conviviamos em paz!
Anos mais tarde os meus pais levaram os animais com eles quando retornaram à aldeia depois de 40 anos na urbe.
Um dia a minha casa na cidade foi assaltada e acabei por receber uma cadela de raça Pastor Belga e a quem baptizamos de Lupi. Uma guarda fantástica e só lhe faltava falar. Esta!
Mas regressando à aldeia foram muitos os cães e gatos que conheci e convivi acabando por dar nomes a diversos.
A Farrusca, uma perdigueira preta, linda e muito minha amiga, a Bijou outra cadela de tão pequena cabia num bolso, a Tica outra cadela amarela, pequena, mas muito gira, a Pantufa que um dia foi "injustamente" acusada de roubar a chucha ao meu mais novo tendo este alguns pontapés prometidos, mas nunca dados.
Hoje ainda por lá vivem o Black e a Piki, esta bem velhinha, para além de dois gatos: o Gil e o Índio.
Por esta época de caça aparecem sempre novos animais largados ou perdidos pelos caçadores, ainda não consegui perceber. Ainda não descobri como, mas aquela casa é um autêntico chamariz.
Neste momento estão lá dois animais, ainda não totalmente adoptados, mas a um amarelo, rafeiro e feio todavia muuuuuito simpático já o chamo de Rafa.
Entretanto na minha casa vive uma cadela esgrouviada e assaz defendora dos petizes e que se chama Bolota. A loucura total num único animal.
Não estou a falar de política, não! Tão somente de gente simples, que no café debatem com energia e, quiçá, algum fundamentalismo, as suas ideias.
Desta vez o tema que estava a ser debatido versava sobre os lagares de azeite e na suas capacidades para enganarem os clientes. Entrei na conversa e tentei chamá-los à razão pois pareceu-me que o debate estava repleto de equívocos.
- Se eu mandasse neste país estavam todos na prisão. É vê-los a roubar por tudo quanto é lado - assume um.
Esta ideia de que anda meio mundo a enganar outro meio é antiga, quase ancestral, mas não cria raízes no meu espírito.Todavia se num minuto estamos a discutir médias oleícolas logo a seguir salta-se para o futebol e daqui para a freguesia.
Tudo feito com demasiado alarido sem que alguém consiga provar o quer quer seja das suas desconfianças. O que interessa é que a voz se sobreponha ao do outro.
Verdadeiros debates, mas tal como os dos políticos sem qualquer nexo...
Vim à aldeia beirã numa viagem rapidinha, quase só para homenagear o meu falecido sogro que fará amanhá 17 anos que partiu e apanhar alguns marmelos e gamboas para a próxima marmelada e geleia.
Saí cedo da capital, parei na feira do Feijão Frade na Lardosa e continuei para a aldeia, onde almocei. Depois do almoço o calor apertou e fiquei em casa até que a temperatura fosse mais branda.
Voltas para um lado e para o outro era já noite quando parei num café e pedi uma "mine" para amenizar a sede. Estava eu dentro do café quando um homem que conhecia, mas creio nunca lhe ter falado se aproximou de mim e perguntou se eu era primo do C., e sem que eu pudesse responder atirou:
- Tenho ali um pedaço de terra ao pé de si e queria saber se estaria interessado em comprar.
Atacado assim de chofre a minha reacção foi genuína e a resposta mais ainda:
- Não sei se quero... já tenho por aí tanta coisa, e depois não sei onde é...
- É a fazenda pegada consigo do lado norte... a que tem um barracão.
Obviamente que a minha série de aquisições de terrenos rústicos nos últimos anos ficou célebre e apetitosa para quem se quer livrar de terrenos. Ou de trabalhos. (Apostaria na segunda!). Mas para esta gente é necessário ter cautela com o que dizemos. Por isso inventei uma desculpa:
- Eh pá... até poderia estar interessado desde que a fazenda esteja em seu nome. Ela está?
A atrapalhação denunciou a venda:
- Ah, não sei... mas acho que não! Aquilo foi herança do meu pai e só soube que tinha aquilo após a sua morte.
- O costume por aqui... Mas então coloque o terreno em seu nome e depois falamos. Pode ser?
Um ar de desânimo surgiu na face, para logo acrescentar:
- Mas fazemos o negócio, o senhor fica com aquilo e quando tiver os papéis prontos faríamos a escritura. E pagava-me nessa altura.
Escapei outra vez:
- Sinceramente não me sinto bem nessa situação... Trate de colocar tudo em seu nome e só depois poderemos falar em fazer negócio. Até lá nada feito. Não me leve a mal...
O homem ficou desiludido com a minha postura. Mas também não poderia ser de outra forma. Farto de pagar escrituras de usucapião estou eu! Ainda por cima são caras e demoradas na sua conclusão.
A minha fama de tudo comprar vai-se esfumar, acredito eu, mas não me importo nada! Até porque prédios rústicos tenho até até.
Agora se ele quiser tratar vai ter que gastar umas boas notas. E o tempo que irá demorar...
O tempo é danado. Adormecemos de forma serena e quando acordamos passaram dias, semanas, meses, anos.
Digo isto porque há uns anos, nem imagino quantos, prometi a alguém deste sapal fazer uma pequena e singela reportagem sobre as fontes e chafarizes de uma aldeia que foi também ela recentemente vítima dos incêncios. De tal forma que durante a festa a organização teve o cuidado de mudar o percurso da procissão de forma a não atrapalhar o movimento dos carros de bombeiros.
Não vim à festa por causa do fogo, mas estou cá este fim de semana. E trouxe a minha Glorinha (mais conhecida por máquina fotográfica) para com ela poder finalmente fazer um périplo pela bonita aldeia em busca de fontes e chafarizes.
Começo por aquela que dizem ser a mais antiga. Chama-se...
e tem este aspecto.
Tem três datas: 1908, 1938 e 1958. Não consegui descobrir a razão para estas referências temporais. Talvez com alguma investigação...
Eis agora a "minha fonte". Escrevo minha não por ser dono dela obviamente, mas apenas porque esta encontra-se a 30 metros de casa e é um local que visito amiúde e donde bebo muuuuuuuuuuuuuita água. Água esta que sai de duas bicas durante todo o ano sem parar. Fresca, fresca, fresca como uma manhã de inverno. Chama-se Fonte Velha, mas parece não ser a mais antiga... Contradições das aldeias.
Um lugar muito simpático e acolhedor, seja de Verão ou Inverno.
No extremo da aldeia num enorme largo onde antigamente se realizavam as festas da aldeia surge a...
Esta é uma vista geral do local.
Na parte de cima do povoado pode-se encontrara esta,
que se mostra assim.
Mais no alto uma pequena fonte não de bica permanente, mas de torneira. Tem o distinto nome de,
e apresenta-se assim.
Não lhe chamaria uma fonte... quiçá um chafariz ou provavelmente nem isso!
Descendo a encosta da aldeia podemos dar de caras com outra fonte, chafariz, bebedouro... o que quiserem. É a...
mas tema particularidade de terem colocado por cima da fonte um azulejo do Santo que é veberado na igreja: S. Fiel.
Não imagino de quem foi a ideia de ali colocar aquele espécie de mural, mas aceita-se.
Finalmente remato com a fonte central denominada,
e que marcaram como "Obra da ditadura". Uma expressão que pode dar para todos os sentidos, mas que não fica bem. Seja como for esta fonte fica no centro da aldeia e será de todas a que tem menos... "charme"!
Fica então por aqui o tal périplo pelas fontes, chafarizes ou bebedouris desta aldeia encravada na serra da Gardunha sempre tão acossada pelos incêndios.
Termino com uma curiosidade: desde há quarente anos que venho para este local, que conheço gentes, mas jamais hac«via feito um passeio pelo povoado como fiz esta tarde.
Há uma velha adivinha que principia com o título deste postal. Apostaria que sem a fotografia supra as pessoas com menos de 40 anos jamais saberiam decifrá-la. e algumas mais velhas também não!
É assumidamente sabido que a luz nas aldeias, há umas boas dezenas de anos, era "subsidiada" pelo azeite, retirado com saber das azeitonas maduras. Hoje há a luz eléctrica e o mesmo azeite já não ilumina ninguém, apenas tempera os pratos.
Seja como for daqui a uns meses aqui estarei, na aldeia, a colher estas mesmas azeitonas que terão, certamente, amadurecido e enviuvado, sinal evidente que estarão prontas para seguirem para o lagar.
O azeite continua a sofrer os meus tormentos... mas já não será para dar luz ao Mundo!
Nasci na capital, mas desde cedo habituei-me a viver e a lidar com a vida no campo. Aprendi a cavar, a mondar, a carregar o carro de fueiros com feno seco e atado. Apanhei batatas, azeitona, tremoços. Trabalhei numa debulhadora de cereais de sol a sol e operei uma enorme quantidade de actividades agrícolas.
Talvez por isso quando comecei a frequentar as terras da Beira Baixa, muitos na aldeia beirã admiravam-se por, sendo eu da cidade, saber fazer tanta coisa e melhor que tudo não ter qualquer receio em enfrentar as agruras das intempéries fossem estas canícula atroz, frio glaciar ou chuva torrencial.
Admira-me que muitos homens na aldeia não sejam capazes de manter as suas terras produtivas ou no mínimo competentes para receberem sementeiras. Muitos deles ou a maioria preferem o emprego das oito às dezassete para depois seguirem directos para a taberna onde afogam as eventuais canseiras em copos de vinho ou cerveja doirada.
Tenho real consciência que a vida do campo não é nada fácil, nem muito proveitosa. Porém nem tudo é mau! Quem quer e gosta pode ser quase auto suficiente para os gastos de casa. Mas para isso é necessário trabalhar muito, cuidar ainda mais e munir-se de muuuuuuuuuito espírito de sacrifício.
Problema... é que a maioria da juventude não conhece que sentimento é este. E os mais velhos não querem já voltar a sentir esse mesmo.
Tivessse eu mais tempo e provavelmente ganharia muito mais dinheiro trabalhando aqui na aldeia, que aquele que recebo da minha reforma.
Depois de umas voltas de tarde acabei por ir ver como estavam os terrenos no que respeita à água. Obviamente encharcados. Muito encharcados.
Não sou nada fiscalizador do trabalho dos outros, mas gosto de deambular pelo terreno percebendo a candeia nas oliveiras ou somente o... renovo das árvores.
Como já referi o dia estava cinzento e chuvoso. Mas sem frio! O rapaz que toma conta de uma das fazendas apareceu para tratar do gado (ovelhas e alguns bezerros).
Depois fomos am,bos perceber como estava a aramada que circunda o terreno após as últimas chuvadas. E foi aqui que reparamos num ninho de vespa asiática no terreno contíguo.
Não é o primeiro que vejo. Já em tempos apanhei outro que se formou dentro de um buraco de um ramo de sobreiro cortado.
Têm sido vários os acidentes, alguns mortais com estes insectos.
Que vivem ao nosso lado sem quase percebermos disso!