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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Com a Natureza não se brinca

Ano após ano tenho vindo a perceber que a Mãe Natureza tem muitas formas de se pagar pelo mal que, constantemente, estamos a aprontar.

E por muito que tentemos dar a volta à coisa a verdade é que a Natureza leva sempre a sua avante. Ora seja através do "El nino" ou demais tempestades e catástrofes naturais.

Também a agricultura sofre, e de que maneira, com as constantes alterações do clima, seja através de secas prolongadas ou com chuvas abundantes fora de tempo.

Mas deixem-me exemplificar: tenho no meu quintal diversas árvores de fruto. Uma delas, a ameixeira costuma todos os anos carregar de tal forma que muita vezes tenho dificuldade em fazer desaparecer tanto futo. Todavia este ano deu seis ameixas que eu deixei na árvore para os pássaros comerem.

A 120 quilómetros de onde moro há uma pequena aldeia onde fui criado e onde ainda vive muita família. Povoado rodeado de olivais, em tempos teve dois lagares a trabalhar permanenetemente. è nestas terras castanhas e barrentas que normalmente semeamos as nossas batatas.

Cuido-se da terra atempadamente, mondou-se amíude da erva daninha, mas mesmo assim a terra que deu mais do que isto

carrinha_batatas.jpg 

Se juntarmos a este pequeno monte mais oito sacos ainda assim a apanha deste ano foi fraca. Choveu muito e em momentos inapropriados. Depois veio um sol forte que ajudou a erva a crescer.

Há dois anos o mesmo peso de batatas para semente deu entre três a quatro vezes mais que este ano.  O ano passado a fartura já não foi muita e este ano ficámos assim!

De uma vez por todas façamos pelo ambiente o melhor que pudermos. Não tarda nada nem batatas saem da terra porque esta ficou... estéril.

A Mãe Natureza não brinca!

Agricultura: um bem precioso!

Vivemos tempos esquisitos, temerários! Não sabemos como será o nosso futuro, tendo em conta as inúmeras ameaças que pairam sobre todos nós.

Uma guerra à escala Mundial parece já não ser uma mera utopia. Creio mesmo que depois da segunda Guerra Mundial esta será a crise mais grave. Não me refiro exclusivamente à guerra na Ucrânia, nem na Faixa de Gaza, mas numa guerra à escala planetária com demasiados países, muito armados, envolvidos.

Se tal acontecer surgirá uma enormíssima crise alimentar, já que poucos países produzem produtos em enormíssimas quantidades, controlando produções e preços. Com um eventual litígio armado à escala Mundial restariam os pequenos países com ínfimas produções para as necessidades mundiais, o que parece ser demasiado pouco.

Portugal teve durante séculos a base da sua economia assente no secto primário onde se destacava a agricultura. Foi já no século XX que se descobriu no sector terciário a fonte de incremento da nossa economia. Obviamente muito à conta do Turismo e derivados.

Com um conflito bélico este sector ficaria quase parado (recordo a este propósito o que aconteceu e das queixas que se escutaram durante a pandemia!). Com o sector da indústria quase inutilizado restará novamente o sector primário para alimentar as bocas lusas e provavelmente de mais gente.

Hoje olha-se para a agricultura como um sector pobre e de pouco valor e no qual poucos são os trabalhadores portugueses. Optou-se por estrangeiros (em condições, muitos deles, profundamente deploráveis) que trabalham longas horas por uns míseros euros.

Conhecendo eu bem esta vida da terra, sei o que custa andar de sol a sol a sachar batatas, a mondar milho, a escardar oliveiras. Para depois num golpe de azar uma trovoada, um frio atípico estragar a produção de um ano. Sei que muitos agricultores sobrevivem à custa de uns parcos subsídios que por veses mal dá para pagar uma alfaia estragada.

A título de exemplo posso afirmar que já gastei 1000 euros este ano para podar as oliveiras para a próxima colheita. Todavia não sei, como ninguém sabe se terei um, dois ou centenas de quilos de azeitona para fazer azeite.

Com um novo governo em funções seria óptimo que o Ministério da Agricultura olhasse para os pequeníssimos agricultores e cuidasse deles como eles merecem! Não falo para mim... mas há por aí muitos a necessitarem de uma mão governativa.

Finalmente convém não esquecer que sem agricultura não há víveres. E sem estes as pessoas não (sobre)vivem!

Resposta mensal...

... a este desafio da Ana!

 

Outubro foi um mês de anormais situações, a saber:

- a constatação da triste realidade médica do meu idoso pai, mas ainda assimgrato por ele ainda por cá andar;

- os muitos dias de azeitona no Ribatejo e na Beira Baixa, que culminaram em boa colheita e em melhor azeite;

e

- o regresso sebastianicamente desejado da chuva, por vezes muito forte, mas que tem deixado os terrenos encharcados.

A gente lê-se por aí!

A campanha deste ano - versão beirã #3

Pronto, acabou-se!

Eram 11 da manhã desta terça-feira quando olhei o céu e agradeci aos deuses e demais acólitos terem-me ajudado a finalizar esta demanda.

Pelo chão ainda se viam mantadas de azeitona por escolher, 

20231031_105935.jpg que mãos hábeis rapidamente limparam. Depois ensacar e sacos em cima do reboque para ao fim da tarde partir para o lagar.

20231031_121703.jpg

O lagar, diria, que é quase um lugar mágico. Aqui se transformam muitas horas, dias, semanas de trabalho num líquido semi verde, semi amarelo, viscoso, mas saboroso.

20231031_194352.jpg 

Há muito que os lagares de ceiras e enormes mós de pedra desapareceram. Poderá haver um ou outro, mas sem creditação legal para o fazer.

No entanto o cheiro dos lagares é bem característico e não obstante ser um tanto forte... eu gosto!

Entreguei neste local 2030 quilos. Se descontar a folha que foi a acompanhar aceito as duas toneladas!

Foi um razoável pecúlio para três dias e meio de trabalho. Com chuva, muita chuva!

É hora de agradecer aos meus filhos e ao meu sobrinho a prestimosa ajuda que me deram. Sem eles ainda estaríamos longe do fim.

Finalmente... o lagar deu o seu veredicto: 243 litros.

Este.

Apanhar azeitona: porquê?

Há uns tempos alguém aqui na aldeia onde me encontro por estes dias de Outono me perguntava, quando se falava de azeitona:

- Porque vens de Lisboa de propósito para a apanha?

Poderia ter-lhe respondido de forma quase filosófica ou então de uma maneira bruta e mais assertiva. Porém respondi-lhe com sinceridade, o que fez com que ficasse mais atrapalhado, já que pensou que teria uma outra resposta para lhe dar:

- Venho porque... gosto!

A ideia de alguém gostar de apanhar azeitona pareceu-lhe provavelmente invulgar, mas acima de tudo uma ideia parva. Imagino mesmo que o terá comentado para si mesmo.

Mas desconhece esta gente que cresci no meio de oliveiras e azeitona, porque na aldeia onde não nasci, mas fui criado era o negócio de quase todos. Desse tempo guardo ainda as pias de pedra onde a minha avó guardava todo o azeite. E quando chegava o inverno e o frio coalhava, o cada vez mais precioso líquido, era vê-la de cafeteira com água a ferver e colocá-la do cimo do azeite coalhado de forma a rapar o suficiente para temperar a comida.

O tempo passou célere e as pias, que ainda existem, têm uma função mais decorativa, já que o azeite vai ficando nas bilhas de plástico até ser utilizado.

Hoje choveu muito por aqui, especialmente de manhã. Todavia a equipa que me acompanha manteve o ritmo que podia, até irmos almoçar.

De tarde tudo mudou e já se pode trabalhar melhor!

Este trabalho fica-me caro. Provavelmente mais caro que ir a um supermercado comprar uma garrafa de azeite.

Só que ter aquela certeza do que estou a comer e do que me custou a apanhar tem um valor incalculável a que muitas pessoas não darão valor!

O novo ouro!

Desde o ano passado que oiço gente a dizer que o preço do azeite vai subir muito. Posso acrescentar que é a verdade já que no lagar onde fiz a minha azeitona já se vende o garrafão de cinco litros a... 45 euros!

Em termos meramente teóricos diria que este poderia ser o preço justo para este tão apreciado produto. Todavia na prática considero um exagero.

Explicou-me o dono do lagar que o problema vem dos espanhóis que serão o maior produtor de azeite do Mundo. já que a produção por terras castelhanas parece ter uma quebra fantástica.

Ora com este monopólio entre mãos têm força suficiente para gerir os preços a seu bel-prazer. Contou-me outro dono de lagar que a semana passada apareceu na sua casa um espanhol que de notas de euro em riste pretendeu comprar toda a produção de azeite velho a... 8,40 euros o litro.

O lagareiro disse logo que não! E a meu ver fez bem pois assim não inflacionou o preço deste belo tempero!

Não imagino o que terá acontecido na vizinha Espanha para terem tão pouca produção, mas não será inocente a tentativa de alguns agricultores espanhóis em fazerem as pobres das oliveiras produzirem azeitonas...  duas vezes por ano! Tal como cá, infelizmente!

Entretanto o meu azeite é bom, mesmo o do ano passado já que é tão fino que nem sabe a... azeite. Tem origem em oliveiras certamente muito centenárias e sobre as quais mantenho uma cuidada postura não as deixando crescer muito ou alargar demasiado.

Cada dia que passa parece que este líquido estará a tornar-se o novo ouro.

A campanha deste ano - #6

Termino hoje este primeiro bloco de impressóes sobre a campanha da azeitona deste ano, na singela aldeia do Covão do Feto, onde tenho umas pequenas mas produtivas fazendas, essencialmente pedras, oliveiras, medronheiros, carrascos e muito mato.

Diz a história da região que foram os judeus que conseguiram povoar esta região quase inóspita de oliveiras. Ora como esta árvore adapta-se a todos os terrenos foi fácil o seu incremento. Resultado: já nesta pequena aldeia trabalharam dois lagares e o azeite é sempre de óptima qualidade.

Faz hoje oito dias que iniciei esta breve campanha. Dei por fim esta espécie de bravata contra o tempo, contra a īchuva e demais engulhos...

Já de tarde fui entregar a azeitona ao lagar que estava estranhamente vazio!

20231021_141124_resized.jpg 

Enfiada no pio, o tapete rolante levou a azeitona para a balança,

 

Para finalmente surgir o peso...

20231021_142406_resized.jpg 

510 quilos de uma azeitona madura e carregada de azeite. Assim espero!

Mas como diria o meu sábio avô: a oliveira dá a azeitona, mas é o lagareiro que dá o azeite!

Touché!

Nota final: para os Santos haverá mais! Não aqui... na Beira Baixa!

A campanha deste ano - #4

Hoje não consegui ir à azeitona. A chuva que caíu durante todo o dia devido à tal depressáo Babet inibiu-me de ir até ao olival onde panos estendidos me aguardaram em vão.

Assim decidi ir entregar alguma que já tinha colhido ontem e antes de ontem. Não seria muita, mas antes que aquecesse (pois é a azeitona metida em sacos, ao fim de uns dias ganha muito calor!!!) fui ao lagar entregá-la.

Segundo_carrego.jpg 

A verdade é que se não levei com chuva a apanhar azeitona acabei por levar com ela ao carregar a minha carrinha.

Portanto às oito e meia estava já em fila no lagar. À minha frente apenas cinco carros, mas era como se estivessem 50, pois o lagar estava fechado. Após mais de uma hora lá chegou o patrão ao lagar antes dos empregados (onde já se viu???).

Finalmente entregue os meus 417 quilos procurei saber se a anterior estaria já pronta. Estava mesmo!

Foi com inesquecívcel alegria que percebi que a minha colheita de sábado (recordo que haviam sido entregeus 573 quilos!!!) haviam produzido... 93 litros de azeite. O que equivale dizer que fundiu a 16,2 por cento (ou... por cada cem quilos de azeitona deu 16,2 litros de azeite) ou fazendo as contas de outra maneira foram necessários apenas seis quilos de azeitona para esta dar um litro de azeite.

Parece pouco desta vez mas foi muito melhor que em anos anteriores.

Entretanto amanhã há que teimar... mesmo que chova a cântaros!

 

A campanha deste ano - #3

Ontem previa-se chuva, mas esta felizmente nunca apareceu. Ainda bem porque se conseguiu colher 600 quilos de azeitona que tresandava a azeite. Todavia só entreguei no lagar 573 quilos porque o restante ficou no terreno ainda por escolher.

Costumo dizer em tom de brincadeira que apanhar a azeitona nesta minha fazenda é só para homens e mulheres de barba rija, tal é o terreno.

Basta um singelo descuido e arriscamo-nos a cair e chocar involutariamente com... uma pedra. Mas nem tudo é mau neste naco de terra barrenta. Por tradição, hábito ou propriedades específicas do local a verdade é que o azeite saído da azeitona destas oliveiras é sempre do mais fino e de melhor qualidade. Mesmo que não sirva para a conserva!

No entanto o trabalho exige esforço, dedicação, devoção (quase parece o lema do meu clube!!!) para se conseguir uma boa colheita.

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Do antigamente para hoje!

Sempre vivi e convivi com homens do campo. Gente por vezes rude, de poucas palavras ou quando as tinham eram sempre pouco simpáticas, Homens que lidavam com parelhas de vacas como se fossem pequenos felinos. As mãos, essas, eram um oceano de calos e talvez por isso mal sabiam fazer um afago fosse na esposa, nos filhos ou num cão.

Homens que olhavam o céu ou a encosta da serra sobranceira à aldeia e adivinhavam o tempo para o dia. Sabedores de tanta coisa, conhecedores das verdadeiras regras da Natureza e a quem nunca ofendiam.

A estes lavradores, agricultores ou meros cavadores sempre lhes vi aquele gesto para mim estranho e quase nojento de cuspirem para a mão e depois esfregarem uma na outra antes de pegarem na enxada. Nunca lhes perguntei o porquê desse gesto meio bizarro e acima de tudo pouco higiénico.

Mas o curioso é que ontem dei por mim a fazer o mesmo, antes de pegar na pesada alfaia e enfiar os bicos da enxada na terra. Só depois é que percebi da razão para tal acto.

Não o consigo explicar por palavras, mas a verdade é que entendi perfeitamente.

E conclui: os velhos sabiam muito!

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