Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Utopia ou realidade?

Como se percebe pelas recentes notícias a política de limpeza das matas continua um horror. Tirando um caso aqui e ali, maioritariamente a floresta continua repleta de mato e inertes. E é neste último ponto que me vou focar hoje.

Desde o início de 2015 que iniciei uma espécie de demanda contra o mau estado dos terrenos agrícolas pertencentes ao meu pai. Uma luta dura que me tem gasto tempo e muuuuuuuuito dinheiro. Todas as semanas lá vai mais uma transferência para pagar mais uns dias de trabalho de um ou mais homens.

No entanto ainda fica muito por fazer. Especialmente a queima dos inertes ou sobrantes. O que equivali«e dizer que não obstante o desbaste e corte de mato grosso e robusto, mais não posso fazer senão deixá-lo no chão a aguardar que chova para que possa ser queimado.
Mas fica a pergunta: e se não chover?

Pois... é aqui que "a porca torce o rabo" e em vez de termos mato verde e espalhado, temos o mesmo cortado e a secar, transformando-se em pequenos barris de pólvora, sempre prontos a arder.

Na verdade quem se senta por detrás de uma secretária a proferir legislação e a dar entrevistas não tem conhecimento da realidade do terreno. E nem aponto isso como desinteresse, apenas desconhecimento.

Sugiro por isso que em cada freguesia haja alguém a fazer o apanhado dos terrenos que estão a ser limpos, mas sem possibilidade de queima, de forma a fazerem a respectiva recolha por empresas que criam energia com estes sobrantes.

Resolviam-se assim dois problemas: o mato era cortado e não haveria necessidade de queimar, colocando em perigo matas e povoações.

Tenho consciência que tudo o que escrevi acima não passará de pura utopia. Mas pelo menos fica a ideia!

Domingo gordo!

Há uns tempos comprei um prédio rústico na aldeia da minha mulher na Beira Baixa. O meu interesse na compra não era assim evidente mas após breves negociações lá adquiri o naco de terra pelo preço que me patreceu justo.

Como disse uma vez Mark Twain: terra é algo que já não se fabrica.

Portanto este fim de semana gordo foi o momento propício para uma intervenção mais profunda no terreno já que este encontrava-se abandonado pelos donos havia muitos anos.

Estão a imaginar, não estão? Um Domingo duro, muito duro. 

De tal forma que a esta hora quase nem sinto as mãos.

Ah, só mais uma coisa... Os Sapadores Florestais já lá tinham andado a cortar o mato. Agora foram os detalhes: oliveiras, figueiras, ameixeiras, nespereiras, videiras tudo podado e colocada a rama toda em monte para queimar quando chover.

Se gostasse do Carnaval diria que me mascarei de agricultor...

(Más) contas agrícolas

Estamos em pleno inverno e a chuva só a espaços tem surgido e com pouca intensidade. Também é certo que o ano passado estávamos numa situação semelhante por esta altura e depois Março e Abril foi o que se sabe com muita chuva em pouco tempo.

Pelas aldeias as pessoas vão, sempre que podem, queimando os inertes que o Verão e Outono deixaram. Ou são as vides ou a ramagem das oliveiras após a apanha da azeitona. A isto posso acrescentar o mato que durante anos cresceu ao Deus dará e que ultimamente tenho mandado cortar e queimar.

Uma dessas fazendas chama-se Chão da Alagada e terá uns 3 mil metros quadrados, quiçá menos. Esteve muitos anos quase abandonada até que um dia achei que a terra merecia outro cuidado.

Meti mãos à obra, requeri gente, gastei dinheiro, passei lá muito tempo. Finalmente no início deste ano mandei lavrar o tal chão e atiraram-se para lá algumas sementes.

Quase mês e meio depois é esta a imagem do terreno.

Agora uma pergunta: calculem os leitores quanto terei gasto para que a terra chegasse a este ponto?

chao_alagada_2.jpg

 

 

Quase prontas para o Natal!

No início de Setembro mais propriamente no dia 7 dediquei-me a plantar umas couvitas no meu quintal. Conforme podem testemunhar aqui.

Parece uma brincadeira mas daqui a pouco mais de um mês será mais um Natal. Tempo de família, alegria e muita (demasiada) comida.

Onde obviamente não podem faltar as couves... Por isso após passarem o resto do Veráo e pirncípio de Outono a serem regadas, de durante últimas três semanas não terem sido objecto de intervenção humana, estas...

quintal_2018.jpg

estão quase prontas para o Natal. Faltar-lhes-á um pouco de frio e geada para ganharem mais gosto e se cozerem mais depressa.

 

 

Onde está o Verão...?

... De São Martinho!

É uso por esta altura o Astro-Rei brilhar num momento muito especial a que o povo chamou de Verão de S. Martinho.

Mas a intempérie veio e alagou tudo ao redor da cidade de Lisboa. No entanto cá em casa cumpriu-se mais uma tradição: comeram-se as castanhas e bebeu-se jeropiga. Mesmo sem sol!

O ano agrícola anda estranho, muito estranho. De tal maneira que durante o passado recente encontrei figueiras com muitos figos por amadurecer. Já para não falar dos dióspiros que tardam em ficarem cosmestíveis.

Já não há tradições como antigamente?

 

Diário da azeitona - 15

Fim.

Este é o último texto dedicado à minha aventura em terras olícolas.

Comecei no Ribatejo, parti para a Beira Baixa para terminar onde havia começado.

Quinze longos e extenuantes dias, com variações térmicas evidentes. No entanto a chuva foi sempre o denominador comum. Ainda hoje iniciámos mais tarde porque às sete horas da manhã a chuva caía com grande intensidade.

Eram 13 horas e 42 minutos quando enchi o último saco de azeitona bem madura. Depois foi o desmontar da feira com o carregar a carrinha com os sacos, estender os panos sobre o chão verde para que o vento os seque, guardar as máquinas para o próximo ano.

Duas semanas completas, muitas horas de trabalho e acima de tudo muita perseverança, já que se não fosse a nossa teima, provavelmente não teríamos apanhado tanta azeitona. Segundo já escutei prepara-se para aí temporal.

Só mais uma novidade: perdi alguns quilos.

À custa disto,

20181109_111815.jpg

Se tudo correr bem para o ano haverá mais. Até lá!

Diário da azeitona - 14

Para não variar hoje foi mais um dia dedicado à azeitona. Dois pobres de Cristo já visivelmente cansados lançaram-se logo de manhã em mais uma tentativa de deitar aqueles bagos negros que depois nos devolverão o belo do azeite.

O dia surgiu claro e frio, todavia suficientemente alegre para mais uma aventura. A noite fora de chuva e deste modo tantos as oliveiras como os panos denunciavam a intempérie anterior.

Cada vez com menos gente já que o mais novo havia partido ontem ao fim da tarde para Lisboa por motivos profissionais. Sobrou o meu pai que com 86 anos ainda se mostrou à altura destas aventuras, subindo às oliveiras para as ir podando.

A tarde quis trazer alguma chuva, mas nem sei como aguentou-se cinzenta, todavia sem qualquer aguaceiro.

Aproxima-se o fim desta campanha. Com 1700 quilos já colhidos no Ribatejo e perto de 1900 apanhados na Beira Baixa é altura de regressar a Lisboa.

Essencialmente para descansar… das férias!

Diário da azeitona - 13

Ao décimo terceiro dia mantém-se a chuva! E eu continuo a apanhar azeitona... Vestidos os fatos impermeáveis, três almas corajosas, com anormal estoicismo e persistência, enfrentaram a intempérie numa demonstração de o querer é poder. Do céu vinha a água em torrentes fosse das nuvens plúmbeas, fosse das próprias oliveiras completamente encharcadas. Do chão nascia a água dos panos ensopados. O que equivale a dizer que andámos todo o dia envolvidos numa demanda com a água.

Ao longe a aldeia surgia envolta numa neblina húmida, mas convidativa ao calor e descanso. O problema é que quem se atira para estes projectos com o tempo limitado, tem de aproveitar todos os minutos.

Por isso parti ontem de Castelo Branco já noite metida e cheguei à minha aldeia quase à meia-noite, para hoje acordar cedo e partir para mais uma aventura.

Os sacos repletos de azeitona no final do dia pesavam o dobro devido à chuva e os botins exibiam de um lastro invulgar de lama vermelha.

Após o almoço a tarde tornou-se mais simpática e conseguimos quase acabar uma das fazendas que tinha uma dúzia de oliveiras com muita azeitona. Amanhã com hora, hora e meia de trabalho partiremos para a que resta.

Uma mão cheia de árvores carregadas. Como esta...

azeitona_ramo.jpg

 No final do dia entregou-se no lagar mais 306 quilos.

 

Diário da azeitona - 12

Estou, no momento em que escrevo este texto, no lagar onde o meu azeite já corre,

15416131597791932848280.jpg

Um evento único que completa uma série de dias, trabalhos, canseiras e dores.

Foi para isto que uma equipa de quatro homens e uma mulher lutaram.

E ainda hoje regressaremos ao Ribatejo onde ainda ficaram muitas oliveiras por colher. Se o tempo deixar.

Vida de azeitoneiro é dura...

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D