Aceitar! - Parte 2
A Golimix respondeu a este texto com um comentário que abaixo transcrevo (com a devida e natural vénia e agradecimento). É um exemplo como aceitar está intimimamente ligado a... lutar. E unida outrossim ao inconformismo.
Eis o naco de bela prosa:
Sabes também eu sofro de um problema de saúde. Se procurares por dor no meu blogue encontras alguma coisa. Já falei para aí uma três ou quatro vezes no assunto. Isto para te dizer que a vida torce-nos as coisas e cabe-nos fazer a tal limonada com os limões, ou seja a aceitar e lutar com as armas que se tem. Ou então ficar azedo e resmungar.
Aqui há uns dias uma colega de trabalho, que só está há dois anos no serviço, não sabia que tenho dor crónica. Sabia que tenho alguns problemas com o braço mas só. Na conversa comigo ele perguntava espantada.
- Mas tens dor 24 horas por dia?
- (eu) Sim. Alguns momentos mais suportável e outros menos.
- Mas como é que consegues não demonstrar, e mesmo assim fazeres por trabalhar, arranjares maneira de sorrir e tudo?
- (eu) Se a dor estiver no suportável consigo, já que não me adianta absolutamente nada dizer que tenho dor, pensar que tenho dor, e viver para essa dor. É ela que vive comigo, não eu com ela. Aceito-a. Mas não gosto dela, tento livrar-me dela com vários tratamentos mais invasivos. Um dos quais, da última vez, correu muito mal e em vez de descer na escala de dor subi e esta passou ao insuportável todo o dia atirando-me outra vez para casa. Deprimi uns dias. Claro! Foi uma grande pancada que levei depois de uma luta enorme para chegar onde cheguei. Mas tive que erguer a cabeça aceitar e lutar.
Aceitar não é conformar, é viver com algo sem rancor, sem vingança, sem raiva. E lutando sempre pelos nossos sonhos mas com o coração limpo.
E em psicologia de dor, na consulta de dor, é uma das primeiras técnicas que se trabalha. Aceitar a dor.
Mais uma vez muito obrigado pela tua partilha.