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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Algumas considerações…

O resultado das últimas eleições vai ser, nas próximas semanas, analisado e esmiuçado até à medula. O que vai originar as mais diversas análises, obviamente adaptadas ao pensamento político de que as profere (leia-se escreve).

Portanto não me cabe analisar os últimos resultados e outrossim extrair deles brilhantes conclusões. Outros, como já o disse, o farão, quiçá, com mais verbo e mais discernimento que eu.

Assim hoje venho abordar o (grave) assunto da abstenção. E lanço para já uma simples questão: como pode alguém, em Portugal, ter coragem para criticar um qualquer governo se na altura devida nem aparece para exprimir o seu desagrado? Nem digo para votarem num partido bastava que o fizessem votando em branco.

Os partidos, ao invés do que hipocritamente afirmam, não se preocupam com a abstenção. De todo. No fundo para alguns partidos é bom que as pessoas não votem. Até porque tenho a triste sensação de que os abstencionistas são, na sua maioria, de direita.

Porém o povo só votaria maioritariamente se visse nisso alguma vantagem financeira. Por exemplo quem votasse teria um determinado benefício no IRS. Aí sim tenho a certeza que a taxa de abstenção baixaria.

Mais, se os nossos partidos ditos de esquerda, tivessem a garantia que com esta hipotética regra ganhariam sempre as eleições, tenho quase a certeza que já teriam alterado a lei eleitoral. Assim mantêm-se fiéis aos velhos princípios.

Ontem fiz 300 quilómetros, com a minha mulher doente no carro, para podermos ambos exercer o nosso direito de voto. Mais uma aberração… Com tanta tecnologia tive de me dirigir à minha mesa de voto da residência para votar, quando poderia simplesmente tê-lo feito lá no interior profundo.

Finalmente continuo a pensar que a abstenção existe muito por culpa dos nossos actuais e antigos governantes. A confiança, a honestidade, o (bom) exemplo que eles geralmente transmitem ao povo é igual a… zero.

Depois não se admirem… que uns movimentos tontos comecem a surgir. Hoje com um só deputado… mas nas próximas eleições quantos serão?

Só espero que um dia a esquerda não venha inventar desculpas para o trabalho que não fez ou que deixou que os outros fizessem por ela.

Com 5 perguntas apenas...

Não sou sociólogo, todavia interessam-me alguns fenómenos que surgem na nossa bizarra sociedade, como por exemplo a fixação das pessoas pelos telemóveis em detrimento dos livros, o estranho gosto pelos "reality shows", a cegueira pelas telenovelas, a paixão clubística (da qual também sofro!!!), etc.

Junto a tudo isto o recente fenómeno para a enormíssima abstenção eleitoral que nos foi oferecido observar nas eleições do passado fim de semana. A Sarin apresentou uma série de propostas muito válidas para tentar diminuir a abstenção. No entanto creio que o problema deve ser visto a montante, isto é, perceber porque as pessoas deixaram de votar. Sem saber a origem do problema, dificilmente conseguiremos um tratamento eficaz.

Deste modo achei que seria interessante entender o que pensa realmente um abstencionista. Das minhas relações conheço vários, mas de todos escolhi um por me parecer claramente o mais coerente.

Assim à pessoa coloquei apenas cinco questões que tentei que fossem o mais assertivas possível. As respostas são deveras interessantes e lanço daqui um desafio a todos quantos têm blogues a colocarem estas (ou outras que considerem mais válidas) perguntas a alguém que não tenha votado. E a publicá-las nos seus espaços com os respectivos resultados. Pode ser que alguém leia isto, pegue na informação e a consiga estudar e retirar algumas conclusões.

Vamos às perguntos e respostas:

Consideras-te politicamente esclarecido?

  • Sim, no sentido de saber que tipo de Governo é que eu aprovaria, a nível ideológico e económico. Não, no sentido de não conhecer a realidade política portuguesa e europeia: não sei que partidos existem e não sei que personagens políticas existem e qual a sua relevância individual.

Há quantos anos deixaste de votar?

  • Uns 6 ou 7.

Lembras-te para qual eleição votaste a última vez?

  • De certeza que votei nas legislativas de 2011. Depois disso não tenho recordação.

Razão principal porque deixaste de votar?

  • Na altura, perdi confiança na classe política. TInha votado no CDS, e pensei estar bem informado ao fazê-lo (não estava). Relembro que foi neste Governo que o Paulo Portas fez birra até o deixarem ser Vice-Primeiro-Ministro. Abriu-me os olhos.

Condição ou condições mínimas para voltares a votar?

  • Fim da subvenção anual aos partidos consoante o número de votos. Tanto quanto sei o valor de um voto em branco é repartido proporcionalmente pelos partidos e prefiro não fazer parte desse processo (não consegui encontrar a lei que especifica isto, não sei se já mudou). Os deputados e tal devem ter salários, mas os partidos devem auto-financiar-se. Dito isto, descobri recentemente que se calhar o voto nulo não conta para tal subvenção anual, e isso talvez seja suficiente para voltar a votar por si só.
  • Fim da impunidade da classe política em relação à sua incompetência e à de subordinados.
  • Testes de aferição de competência dos ministros e afins, devidamente controlados por especialistas independentes (e talvez anónimos) nas áreas respectivas. Toda a gente tem de provar a sua competência antes de entrar num emprego, porque não os políticos também?

 

Ficha  (mais ou menos) técnica:

Português com formação académica superior e trabalhador por conta de outrém.

Ainda a tempo!

O tema português da actualidade é a enorme abstenção oriunda destas recentes eleições europeias. Este é sem sombra de dúvidas um problema, que sejamos sérios… não é de agora.

Há muito que os nossos políticos têm vindo a reparar no enorme incremento da abstenção, mas como os seus lugares estão mais ou menos assegurados, assobiam para o lado.

Não obstante o PR vir publicamente incentivar a votar, os portugueses não o escutaram ou então não o levaram a sério… Apostaria na segunda hipótese.

Certo é que quase 70 por cento dos eleitores deixaram de exercer o seu direito de voto. Isto é, a democracia só é exercida na sua plenitude por menos de um terço da população. O que para mim é alarmante pois pode tornar num campo minado à própria democracia.

Essencialmente porque não se prevê alteração do paradigma num futuro mais ou menos breve. Ou se existir será sempre para pior…

A Sarin neste seu postal levantou uma série de possíveis soluções, todas elas muito válidas, mas que obrigaria a uma mudança radical da lei eleitoral, algo que os actuais partidos não querem nem desejam. Pudera!

Tal como numa qualquer doença é necessário identificar onde está o mal ou de forma mais profunda o que originou a maleita. Neste caso a origem está unbicalmente ligada com uma classe política pouco ou nada credível, recheada de mordomias e, salvo algumas excepções, impunes aos seus próprios actos de gestão.

É esta falta de credibilização que leva, ou melhor, não leva as pessoas a votar. Mesmo que seja em branco.

A melhor solução passaria por educar as crianças desde a primária para a necessidade de um dia poderem ser chamados a decidir o futuro do país através do voto. Mas para tal será sempre necessário ter gente associada à política valorosa e competente, sem “rabos-de-palha” ou reféns de organizações de todo o género e espécie, o que me parece de todo quase impossível. E pior demoraria mais de uma década… Então até lá?

Até lá deveríamos, cada um à sua maneira, tentar esclarecer as pessoas, tentar acordá-las do marasmo em que se envolveram. A partir de agora…

É que amanhã pode ser tarde demais.

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