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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Nove ilhas, nove encantos!

Comecei a visitar as ilhas açorianas em 2004. Desde esse ano já lá fui pelo menos cinco vezes.

Com a viagem deste ano acabei por conhecer as 9 ilhas. Todas elas bonitas, fantásticas, todas diferentes.

Contudo sinto que não ficarei por aqui. Tenho a ideia de que para o ano lá terei de regressar. Mas para a próxima gostaria de fazer uma visita às baleias. Ideia antiga minha!

No entanto hoje venho aqui escolher um ex-libris para cada ilha. Ou melhor dizendo aquilo que não se deve perder em cada pedaço daquelas terras rodeadas por mar.

Iniciemos então por ordem alfabética:

Ilha do Corvo – Caldeirão;

Ilha do Faial – Porto da Horta;

Ilha das Flores – Poço da Ribeira do Ferreiro;

Ilha Graciosa – Furna do Enxofre;

Ilha do Pico – Vinhas;

Ilha de S. Jorge – Caldeira de Santo Cristo;

Ilha de S. Miguel – Lagoas;

Ilha de Santa Maria – Floresta de cliptmérias;

Ilha Terceira – Cidade de Angra.

 

Agora é só escolher!

Mil quilómetros... #8

... em três ilhas!

Quilómetro anterior

Regresso

Aproximava-se o fim das férias.
Talvez por isso deixei a visita à cidade de Ponta Delgada para aquela manhã.

Como católico e sempre que vou a alguma ilha dos Açores gosto de assistir a uma missa. Como durante os últimos dias não tivera essa oportunidade espreitei a hipótese de na capital açoriana poder assistir a uma.

Descobri que no Convento de Nossa Senhora da Esperança, onde reside permanentemente a imagem sagrada do Senhor Santo Cristo dos Milagres haveria eucaristia às 8 da manhã. Assim à hora aprazada lá estava eu para assistir. Uma missa rápida, mas repleta de sentido e com a igreja, por sinal muito bonita, cheia.

Já na rua falaram-me da "roda"... Um local onde numa janela colocamos algum dinheiro, damos um toque na madeira, esta roda para logo a seguir ela voltar a rodar com singelas oferendas. Todavia antes escutei uma voz perguntando de dentro:

- Bom dia, há crianças?

- Sim uma neta... - respondi.

- Ai que bom! - escutei.

Surgiram então uma série de artefactos, mas do qual destaco este que ofereci à minha neta de seis meses.

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Não é o valor da peça em si, mas tão-somente o gesto que as freiras daquele convento tiveram para comigo.

Já em passeio pelas ruas de Ponta Delgada percebi como esta pandemia influenciou esta cidade. Foi enorme a diferença entre este ano de 2020 e o 2005, ano em que aqui estive pela última vez. Desta vez lojas fechadas, ruas quase desertas, negócios parados. Um (quase) deserto!

Até as portas da cidade parecem ter perdido a graça,

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mesmo num raro dia de muita luz.

O carro entretanto ficara estacionado perto da praça de S. Francisco donde se destaca para além da igreja de S. José,

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esta espécie centenária com muitos prumos a amparar as pernadas. Li algures que esta árvore é um metrosídero... Mas sem certezas!

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Estava então na hora de fazer uma última visita. Os célebres viveiros de ananazes.

Peguei no GPS e andei às voltas até que finalmente encontrei uma plantação de ananazes. Ao invés do que acontecera da primeira vez que estivera em Ponta Delgada e devido ao covi19 não pude entrar nos inúmeros pavilhões, onde se pode observar da evolução deste fruto tão característico dos Açores e único no Mundo, já que, pela explicação dada por uma jovem trabalhadora da plantação, o ananás só se dá em viveiros e nunca ao ar livre como acontece com o primo abacaxi.

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Adorei esta visita e tive até direito à prova do licor de ananás. Delicioso!

De repente percebi que o tempo nestes passeios voa. Dei então conta que se aproximava a hora de definitivamente rumar ao aeroporto para entregar o carro alugado, fazer check-in e entregar a mala de porão.

Lá parti, enchi o depósito, cheguei ao aeroporto, entreguei o carro e esperei que o blcão abrisse para dar início à viagem de regresso.

Mais uma vez constatei a tristeza destes dias ao ver um aeroporto completamente às moscas!

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É bizarramente assustador!

Nota final

Já foi em casa com papéis na mão que descobri que havia feito mais de 1000 quilómetros de carro calcorreando somente três ilhas e que acabou por titular este breves relatos.

Com esta viagem termino a minha saga açoriana, isto é, já conheço as nove ilhas que fazem parte do arquipélago. Espero regressar para o ano que vem a algumas delas, nomeadamente Flores e Corvo. E quiçá tentar fazer uma viagem em busca de baleias.

Se quiserem saber mais alguns pormenores sobre uma ida aos Açores estou sempre disponível seja por aqui como comentário, seja através domeu email.

Boas férias, boas viagens!

 

Mil quilómetros... #7

... em três ilhas!

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A cor grená

Um dos maiores erros dos viajantes é pensarmos que já vimos tudo. E que não haverá nada para ver que seja melhor ou mais atraente.

Aconteceu-me neste dia 7 da minha estadia nos Açores. Saí com o intuito de ir à Caldeira Velha já que no dia anterior não tivera oportunidade. Todavia encontrei-a ainda fechada e como não estava disposto a esperar eis-me a caminho das Furnas. Um caminho bonito ladeado outrossim por hortenses sem, todavia, ter o esplendor dos caminhos à volta das Sete Cidades.

A determinada altura leio a indicação de Lagoa do Congro. Ora... toca a virar para lá convicto que seria dali a alguns quilómetros. Todavia a estrada parecia não terminar e a determinada altura apercebi-me que estava no encosta contrária à ilha mais perto de Vila Franca do Campo. 

Lá apareceu finalmente nova indicação, mas logo percebi que a estrada de alcatrão acabava ali. Bom sinal assumi eu já que poderia ser sinónimo de que a lagoa estaria perto. Mau cálculo, mas ainda bem.

Ao fim de mais de seiscentos metros encontro uma seta a direcionar-me para dentro de uma mata e de um caminho a descer. Aí vou eu sem medos à aventura. Penetro num bosque bonito com o arvoredo no seu habitat natural. Curvo-me perante árvores caídas,

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ou paro a escutar o som da natureza.

Quando ao fim de um quarto de hora sempre a descer deparo-me com esta beleza,

confirmando a ideia de que em S. Miguel há ainda muita coisa bonita para se ver!

Uma lagoa com peixes negros e quase mansos que surgiam quase à tona de água e onde as velhas árvores desejam descansar.

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A subida foi obviamente mais difícil que a descida, mas ainda assim fez-se sem grandes problemas. Cruzei-me no caminho ascendente com turistas todos eles portugueses que desciam em busca desta beleza.

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Já no carro regressei ao caminho para as Furnas. Quando cheguei aqui,

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já parte dos cozidos à portuguesa tinha saído das covas típicas onde cozem durante longas e lentas horas.

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Entretanto as caldeiras continuam em actividade e paira no ar um cheiro estranho a enxofre.

Há muito que o meio dia passou e a fome aperta. Portanto nada melhor que na Vila das Furnas comer um cozido como este.

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Sinceramente o meu cá em casa é muito melhor. Mais... gostaria de fazer um cozido naquelas caldeiras, mas com os ingredientes levados daqui.... Aí sim eu poderia com propriedade avaliar o cozido.

Regressei à Lagoa

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para finalmente dar conta de um parque que esteve encerrado até 2019. Reabriu agora após o desconfinamento e definitivamente foi um passeio único, imperdível e inesquecível!

Paredes meias com a Lagoa, o Parque Grená complementa na perfeição este local. Em cerca de cinco quilómetros a pé descobre-se uma imensidão de belezas naturais. O Parque está muito bem pensado e, acima de tudo, muito bem aproveitado já que utilizaram muitas das árvores caídas para construirem degraus ou algum corrimão em sítios mais perigosos.

Cascatas, pequenos ribeiros e lagos, arvoredo em profusão, uma natureza pura ali ao nosso dispor,

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Já para não falar da vista sobre a belíssima Lagoa das Furnas.

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O única problema é que a caminhada é lenta e sempre a subir para se chegar aos seus lugares mais bonitos. Mas vale mesmo a pena. Creio que será um futuro ex-libris da ilha!

A tarde veio mansa e serena pouco convidativa a mais uma volta. Todavia falta a zona norte da Ilha e os seus belos miradouros.

Fiz um desvio à Ribeira Quente onde há vinte anos um desmoramento de terras matou dezenas de pessoas. Depois foi o caminho para a Povoação e Nordeste.

Pela estrada muitos miradouros,

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alguns deles autênticas obras de arte em jardinagem.

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Cheguei finalmente à Ribeira Grande já noite para jantar...

... dois peixões acabadinhos de pescar!

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Mil quilómetros... #6

... em três ilhas

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Um mar de... beleza

Este seria, em princípio, o grande dia para se ver o melhor da Ilha Verde. Já havia passado 15 anos desde a minha última visita, mas há sitios que tinham de ser revistos...

Saí cedo do AL e depressa apanhei a estrada para a caldeira das Sete Cidades. Assim que iniciei a subir começaram a surgir as primeiras hortenses, tal como apareceu a chuva. 

Não imagino quantos quilómetros serão desde o cruzamento da estrada à beira mar até este local mas todo o caminho foi todo feito sob uma chuva copiosa para além de aborrecida. Temi mesmo que quando chegasse ao local as nuvens me impedissem de ver esta beleza.

Esta foi a terceira vez que fui a S. Miguel, mas sinceramente nunca me canso de ver esta paisagem. Mesmo plúmbea como nesta manhã.

Ao redor destas celebérrimas lagoas há uma série de outras crateras repletas de água e também elas bem bonitas. Entre subidas e descidas o caminho por aquela zona da ilha apresenta-se quase todo assim...

São 33 segundos de uma beleza, diria que estonteante! E não é das curvas...

Entretanto lembrei-me de duas lagoas que eu já havia visto da primeira vez, mas que gostaria de rever. No entanto, o portão de acesso estava fechado, mas isso não impediu que contornasse a pé a cancela e subisse a longa estrada de areão vermelho até chegar aqui,

Daqui sai um outro caminho por entre cliptomérias e eucaliptos japónicos até à Lagoa Raza. São cerca de quatrocentos metros de um túnel natural. Pena foi que as nuvens não deixassem ver a logoa em todo o seu esplendor.

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Quando saímos do caminho de acesso a esta lagoa e antes de chegar às Empadadas há uma indicação de miradouro (não percebo porque está em inglês, mas tudo bem!). São mais 550 metros sempre a subir. No fim vê-se isto

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que num ápice desaparece devido ao nevoeiro. Porém como (quase) sempre não é no fim que está o belo, mas no caminho.

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DSC_0549.JPG.

Após longos minutos a descer com cautela eis-me no carro para dar conta de uma outra lagoa. A de São Tiago.

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Já demasiado escondida pelo arvoredo circundante.

Foi a hora de descer às lagoas das Sete Cidades

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onde patos e pássaros lutam por uma migalha de pão.

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No regresso à estrada contornei a ilha virada a norte com alguns miradouros com pouco interesse. Aproximava-se a hora do almoço e tinha a indicação de um restaurante em S. Brás bem perto de Porto Formoso.

Pois... perdi-me! Após algumas voltas ao redor da Ribeira Grande lá descobri o caminho para a povoação e pergunta aqui, pergunta ali lá encontrei o "Cantinho do Cais". 

Um restaurante amplo onde comi um soberbo "Molho de Peixe". Uma espécie de caldeirada que estava simplesmente... divinal. Abençoadas mãos! Curioso é que não podemos ser nós a servirmo-nos mas o empregado ou o patrão, porque parece haver preceito.

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O dia daquele lado da ilha pareceu querer levantar o que me levou a subir mais uma encosta com a indicação de Lagoa de S. Brás.

Ali chegado deparei com mais um espaço muito bonito, mais amplo e sem o arvoredo cerrado das lagoas do outro lado da ilha.

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Entretanto a Caldeira Velha estava ali mesmo ao lado. Mas aproveitando a ausência de nuvens preferi subir ao cimo da Lagoa do Fogo.

Faço aqui um pequeno parentesis neste relato para lamentar o que vi... Há 15 anos quando estive pela segunda vez na ilha havia na estrada da Lagoa um restaurante que se chamava "Lagoa do Fogo". A curiosidade deste local é que tinha a particularidade de ter um pequeno ribeiro que atravessava todo o estabelecimento. Coisa única... Deparei-me desta vez com um prédio em ruínas. Literalmente. E daí o meu profundo lamento!

Adiante!

Passei pela Caldeira e continuei até lá acima. Desta vez tive sorte porque o céu limpo e anilado deixou-me apreciar a Lagoa do Fogo em toda a sua beleza.

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Não é comum ver-se a Lagoa desta maneira, mas desta vez tive sorte. Ainda ponderei descer lá abaixo, mas a hora já meio tardia e a vontade de rever a Ribeira Grande fez com que voltasse para trás. Entretanto a Caldeira já havia fechado.

Entrei na Ribeira Grande e passeie pelas suas ruas. Uma povoação simpática mas tendo em conta esta pandemia tinha os seus locais mais interessantes fechados como foi o caso da igreja Matriz ou a "Casa do Capote".

Regressei a Ponta Delgada ao fim do dia e caminhei cerca de 2,5 quilómetros para ir comer a uma pizaria premiada.

Se bem que a piza fosse boa... ainda assim não justificou o esforço físico da caminhada. Valeu pela experiência!

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Mil quilómetros... #5

... em três ilhas.

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PAZ em Vila Franca

Como sempre os dias por aqui acordam quase sempre frescos e cinzentos. O avião para Ponta Delgada sairia por volta das três da tarde o que me obrigaria a estar no aeroporto para entregar a mala de porão por volta das duas.

Decidi ficar essa manhã pela vila de Santa Cruz. Uma povoação pequena com algumas obras no seu coração esoecialmente aquilo que parece ter sido dois lagos, ora secos!

Visitei a igreja Matriz a única que apanhei aberta

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passeei à beira-mar de um oceano menos anilado que o costume.

Aproveitei o resto a manhã para dar mais uma volta completa à simpática ilha da Graciosa. Um local a revisitar... de preferência a pé!

Já passavam das 5 da tarde quando cheguei ao AL de Ponta Delgada. Um quarto enorme e uma casa de banho também ela grande. A anfitriã recebeu-me de braços abertos e deu logo a indicação de um restaurante para jantar. 

Havia mais de 15 anos que não ia a S. Miguel! Notei por isso uma enorme diferença, essecialmente em novas estradas que atravessam quase toda a ilha Verde. Dirigi-me então para Vila Franca do Campo para rever a ermida de Nossa Senhora da Paz elevada numa encosta sobranceira à Vila.

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Daqui tem-se uma visão espectacular da povoação e acima de tudo do ilhéu defronte onde da minha primeira visita visitei com direito a uma belíssima banhoca nas águas tépidas.

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Visitei o porto que também me pareceu deveras diferente de outrora. Mas percebe-se a necessidade de resguardar as embarcações da fúria oceânica.

A igreja Matriz estava também fechada, mas desta vez talvez devido à hora mais tardia. Parti então em busca do tal restaurante que me haviam referenciado.

Evitei a via-rápida e optei pela estrada osteira. Passei por uma série de praias todas elas repletas de gente, mas onde não parei. É que depois de Formosa em Santa Maria...

Encontrei finalmente a indicação da povoação Caloura para onde me dirigi para, finalmente, jantar!

A estrada sempre a descer levou-me até junto do mar onde estacionei.

Na realidade o restaurante era bom e comi muito bem. Todavia achei que havia gente a mais, mesmo que estivesse numa esplanada. Uma piscina natural,

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e uma luz de fim de tarde inesquecível.

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Noite dentro e já em Ponta Delgada percebi como a pandemia afectou esta cidade. Contavam-se pelos dedos as pessoas que passeavam na marginal. Uma tristeza invadiu-me...

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Valeu pela passagam pela marina. Com muito menos embarcações do seria previsível, mas ainda assim bem iluminada.

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Mil quilómetros... #4

... em três ilhas!

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No imo da Terra

Se a ilha de Santa Maria surge pequena aos olhos de um continental, a ilha Graciosa ainda é menor. O que equivale dizer que uma volta total à ilha será aproximadamente 30 quilómetros que poderão ser feitos numa hora.

Por isso há que escolher outras estradas pelo interior de forma a termos a verdadeira noção do local.

Ora bem no Domingo tínha já previamente marcado um novo teste ao Covid19 no Centro de Saúde de Santa Cruz. O que me dava muito tempo para explorar a minha primeira ideia de ir à Furna do Enxofre.

Meti-me por estradas menos movimentadas e a determinada altura passando a povoação das Almas surgiu um caminho alcatroado e amplo com a indicação da Caldeirinha. 

Eis-me a subir, subir, subir até encontrar um parque eólico. Parei o carro e percebi que ao lado havia ali algo diferente. Apareceu então a dita Caldeirinha, uma velhinha cratera com umas formações rochosas curiosas.

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Das margens deste buraco natural pode-se avistar outra parte da ilha, destacando os verdes e os amarelos numa doce e simpática mistura e conjugação.

O local é quase idílico. De tal forma que fiquei por ali muito tempo, a assitir aos criadores de gado a alimentarem os seus animais, a sentir o vento quase fresco da manhã, a escutar os trinados da passarada.

De tal forma que a ideia de visitar a Furna ficou para depois do teste.

Como já referi ontem, a entrada para a Caldeira fez-se através de um túnel escuro e que nos transporta para outro Mundo. Uma outra realidade onde o verde é permanente e preponderante. Estacionado o carro é o momento de começar a descer. Diria que se desce aos confins da Terra.

Após pagar a entrada surge uma estrutura com mais de 30 metros de altura e 181 degraus que há que descer.

Mas o esfoeço futuro de subir vale a pena. Oh se vale!

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O cheiro a enxofre sobe ao nariz mas sem ser muito forte. A gruta surge finalmente em todo os seu esplendor. A natureza faz coisas fantásticas. No final de uma espécie de degraus de madeira aparece a verdadeira Furna onde se vê com nitidez a água e lama a ferver.

Um local inesquecível.

A Caldeira tem também um parque com simpáticos gamos e um merendário recheado de eucliptos e criptomérias.

Aproximou-se a hora do almoço e optei por regressar à Carapacho. As termas estavam fechadas mas havia uma espécie de piscina natural bem apetitosa. 

Todavia não arrisquei a um banho... O tempo estava plúmbeo e quase ameaçava chover!

O almoço foi demorado (parece que é normal por aqui!), mas valeu pela espetada de polvo com camarão que soube divinalmente.

Após o repasto foi o momento de ver o Falor do Carapacho.

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e perceber a vista que aquele local nos brindava com a vista para a povoação e respectiva encosta.

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A estrada continua agora a descer. Páro num local que deu para filmar este momento. Da ilha Graciosa conseguia-se ver três das cinco ilhas do grupo central: à esquerda Terceira, defronte a estreita mas comprida ilha de S.Jorge e à direita a bela ilha do Faial. Já estive do lado de lá e nunca me apercebi desta ilha...

Desci novamente para S. Mateus onde observei com mais pormenor os já célebres moínhos.

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Calmamente passeei naquela enseada mas não fui à praia já que esta se encontrava carregada de algas. O mar a virar...

Depois um lanchito de queijo e linguiça, terminado com as saborosíssimas queijadas. Uma delícia.

Os dias por aqui correm lentos, pastosos, ao sabor dos vontade de cada um, sem pressas e sem receios.

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Mil quilómetros... #3

... em três ilhas!

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Jus ao nome

São seis da manhã de um sábado fresco. Estou já no aeroporto de Santa Maria para partir para a ilha da Graciosa.

Já entreguei o carro alugado e descobri que em dia e meio, numa ilha tão pequena, fiz mais de 200 quilómetros.

Após uma escala breve em Ponta Delgada e uma longa nas Lages, na Terceira, aterro na ilha branca por volta da hora do almoço.

Levantei o carro e dirigi-me ao AL reservado. A primeira boa surpresa. Numa moradia encontrei o dono do alojamento muito simpático e afável. Depositei lá a mala e parti em busca do almoço previamente reservado antes de sair do aeroporto.

O restaurante era agradável e a comida também. Não havia peixe e por isso optei por linguiça frita que já aqui mostrei.

Finalmente chegou o momento de visitar a ilha. Como sempre atirei-me à sorte para a  estrada. Passados poucos quilómetros encontrei este ilhéu

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obviamente conhecido como o Ilhéu da Baleia.

Quase encostado pode-se observar uma pequena bacia de águas cristalinas.

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Quase ao lado temos a zona do Barro que mais não é que um naco de terra vermelhada muito semelhante ao Faneco do Barreira de Santa Maria

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Continuei no sentido da Ribeirinha onde encontrei a igreja fechada como em quase toda a ilha. Continuei na estrada até encontrar um desvio a dizer "Beira-Mar". Entrei no caminho alcatroado até onde pude. Depois saí e andei a pé até junto do mar

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No trilho encontrei algumas vinhas meio abandonadas e restos do que poderia ter sido uma casa.

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Mais uma vez na estrada principal entrámos na povoação da Luz que tem origem na Santa local que é Nossa Senhora da Luz.

A estrada parecia descer agora para o nível do mar. Na verdade entrámos em Carapacho onde existem umas termas mas que se encontravam encerradas nesta altura devido a pandemia. Disseram-me que tinha também praia, mas neste primeiro dia não deu para ver essencialmente porque queria ir a S. Mateus.

Subi então para Guadalupe e entrei na caldeira. Um túnel faz fronteira. Para lá o arvoredo surge completamente diferente. As árvores crescem em profusão e a beleza do local é fantástica. É na Caldeira que se encontra um dos ex~libris da ilha: a Furna do enxofre que no início do século XIX foi visitada por um monarca monegasco antepassado do actual Princípe e que curiosamente tinha o mesmo nome. 

Todavia e tendo em conta a hora mais tardia não tive oportunidade de descer aos confins da Terra. Ficou prometido para o dia seguinte.

Desci finalmente a S. Mateus ou Vila da Praia onde pude observar os moínhos caractarísticos desta ilha.

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A povoação de S.Mateus vale pela suas queijadas, moinhos, praia mas para mim vale por um conjunto que inclui outrossim o ilhéu, conhecido pelo ilhéu da praia.

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Acabei o dia no alto da Senhora da Ajuda donde se tem uma bonita panorâmica da vila de Santa Cruz.

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e onde o vento sopra com força.

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Mil quilómetros... #2

... em três ilhas!

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SANTA MARIA - o Algarve dos Açores

Sempre que ouvia falar desta ilha, elogiavam-na pela excelência das suas praias.

Ora sendo eu um apreciador por excelência de locais balneares, não queria partir da ilha sem perceber até que ponto o que diziam correspondia à verdade.

Com a questão do covid19 os pequenos almoços no hotel têm de ser previamente marcados o que originou que a primeira vaga fosse somente às 7 e 45 da manhã. Daqui resultou sair do hotel muito para lá das oito e meia da manhã.

Porém o dia estava plúmbeo nada convu«idativo para ir à praia. Assim desvia a trajectória por outro caminho e a determinada altura encontrei este santuário Mariano.

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Segundo está escrito numa das paredes laterais este será o mais antigo santuário dedicado a Nossa Senhora de Fátima e inaugurado em 1933.

Daqui fomos até ao Norte em busca do farol. Todavia surgiu uma pedaço de estrada em terra batida em muito mau estado que me obrigou a evitar chegar tão longe com o carro.

Entrámos em S. Bárbara onde parámos para um café e comprar água, já que, não obstante o tempo nublado, pairava um calor húmido muito próprio do arquipélago. 

Passámos por diversas povoações até que vimos a indicação de Praia Formosa. Após alguns quilómetros eis que deparámos com a raínha das praias dos Açores (dizem!)!

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A praia na verdade é muito boa, de areia mais preta que branca e com a as águas tão calmas e tão cálidas que me fez lembrar a longuíssima praia de Porto Santo.

O almoço foi mesmo ali no restaurante à beira-mar e soube divinalmente: arroz de marisco.

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Obviamente já comi melhor, mas talvez pelo momento e o local soube-me muito bem!

Saí da praia a meio da tarde para ir visitar a Vila do Porto, sede de concelho!

Uma vila pequena, de gente simpática e donde se destaca para além do seu pequeno porto,

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o forte onde poderemos encontrar algumas curiosas explicações para a bandeira dos Piratas, já que esta ilha foi outrora diversas vezes fustigada por ataques de corsários.

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Numa loja encontrei algumas lembranças para a família, para partir em busca de um local no meio da Reserva Florestal a quem dão o nome de Recreio das Fontinhas. Aqui tive o previlégio de ver um viveiro de cliptómerias que irão alimentar e renovar a floresta da ilha. Um exemplo! 

Finalmente parei na loja onde o Nelson (já aqui falei dele) me recebeu de braços abertos e me vendeu umas meloas... simplesmente divinais.

Foi simplesmente o meu jantar!

 

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Mil quilómetros...

... em três ilhas!

Nota inicial

Resumindo: oito dias de calendário decorridos e mil quilómetros percorridos! Assim terminou a minha aventura no arquipélago dos Açores.

Uma ideia que na sua génese não metia pandemias já que projectei esta viagem logo no dealbar de 2020.

Depois veio o tal covid19 e tudo se transformou. Menos a minha vontade de ver as ilhas açorianas restantes.

Teimei, teimei e acabei por, no passado dia 16, embarcar para Santa Maria no primeiro vôo que a SATA fez para aquela ilha pós-confinamento.

É então sobre estes oito dias açorianos que irei escrever.

SANTA MARIA - A ilha amarela

Cheguei ao Aeroporto da ilha perto da hora do almoço. A questão do covid19 obrigou-nos a perder longo tempo, de forma que quando chegámos ao porto da Vila para almoçar no Clube Naval eram quase três da tarde e já não havia nada para comer. Acabei assim por regressar ao centro e aí almocei. Depois parti da vila, mais à sorte que planeado, em busca de descobrir a ilha que já sabia de antemão ser pequena.

A primeira paragem foi no Pico Alto no meio de um parque florestal fantástico onde abundam as cliptomérias de origam nipónica.São árvores de grande porte e que segundo informação de um vigilante da natureza têm um crescimento muito rápido. A verdade é que há nacos de estrada em que o sol olimpicamente não entra, tal a densidade de arvoredo. 

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A paragem seguinte já foi bem perto do mar no farol da Maia. Uma ponta de terra que entra pelo oceano dentro. De um lado a Fábrica da Baleia do Castelo, aparentemente há muito tomada pelo mar,

Ao meio o Farol tendo nas suas encostas algumas plantações de vinha

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Do lado esquerdo junto ao mar, qual fajã de S.Jorge pode-se apreciar a bela povoação da Maia.

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No final da estrada que ladeia o mar nesta povoação podemos apreciar uma das mais belas cascatas. Pena é que fosse Julho e a água fosse pouca. Ainda assim adorei este local.

Talvez este tenha sido o sítio onde fiquei mais tempo (retiranto o de praia, claro!). O som da água a cair da cascata, os patos próximos e o ruído das ondas do mar a bater no basalto negro, criaram uma mistura muito curiosa e que me deu uma paz diferente. Ainda aqui pode-se ainda apreciar um antigo lagar de vinho.

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Regressei à estrada para me dirigir a S. Lourenço, uma baía deveras conhecida por estes lados.

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São célebres na ilha as suas piscinas naturais. Todavia neste dia o mar não estava com grandes contemplações e mostrou-se sempre muito arisco. Um local bonito, mas sem aquele arrebatamento que o poderia tornar especial.

Curiosamente não muito longe daqui pude observar o Poço da Pedreira. Outro local idílico. Ficam aqui algumas imagens, mas essencialmente registe-se o som natural ali captado.

Um dos ex-libris da ilha dizem que é o "Barreiro do Faneco". Uma espécie de deserto de terra vermelha e seca.

O mapa foi ajudando, mas creiam-me... foi uma desilusão. Na verdade a terra é vermelha e o chão parece árido... mas basta olhar-se para algumas terras no nosso Alentejo no final do Verão e infelizmente vemos coisas bem piores.

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Antes de jantar ainda tive a oportunidade de visitar a povoação de Anjos onde, segundo dizem, chegou Cristóvão Colombo aquando do regresso ao Continente europeu, após ter descoberto a América.

Jantei finalmente na Vila do Porto um bife bem saboroso.

 

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Ínfimo diário de férias nos Açores... 8

... em tempo de pandemia!

Hoje dediquei a manhã à cidade de Ponta Delgada.

Um local muito diferente do que me redordo há 15 anos, aquando da últim visita à ilha Verde. As ruas estão agora quase desertas e os turistas (estrangeiros e lusos) contam-se pelas mãos.

Sinais evidentes destes tempos de pandemia que atinge todos os sectores da sociedade. Sem excepção!

Ao meio dia o aeroporto João Paulo II mostrava esta triste desolação. algo absolutamente impensável há um ano.

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Regressei hoje a Lisboa!

 

 

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