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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Hoje 25 de Novembro!

Durante muitos anos este dia foi quase esquecido, tanto pelos portugueses, mas essencialmente pela troupe de esquerda que sempre viu nesta iniciativa militar um revés à ideia de fazer de Portugal uma Cuba ou Albânia dos tempos modernos.

O país virara radicalkmente à esquerda com as consequentes nacionalizações de Banca, seguros e demais tecido económico e empresarial.

Portugal esteve, por esta altura, à beira de uma guerra civil! Muitas famílias desentenderam-se por causa das opções políticas de cada um. O clima social crescia deveras crispado e com natural tendência para piorar.

As próprias forças armadas dividiam-se entre apoiar o Governo do General Vasco Gonçalves e do Presidente da República Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho comandante do COPCON ou alguns militares mais moderadas donde se destacava claramente Jaime Neves, comandante do Regimento de Comandos, que teria uma grande influência no sucesso do 25 de Novembro na recolocação de Portugal no caminho da verdadeira democracia!

Vivemos agora novos tempos! Dessa época já longínqua poucos gostam de recordar, especialmente se forem de esquerda. Porém o pior é mesmo a direita lusa ao tentar aproveitar politicamente de algo para o qual nada contribuiu!

Onde estavas no... 25 de Novembro?

Ao que consegui somente hoje perceber, o Presidente da Câmara de Lisboa deseja que haja iniciativas para a comemoração do 25 de Novembro de 1975.

O Verão Quente desse já longínquo ano poderia ter-se tornado ainda mais quente se alguns militares quiçá mais lúcidos e menos políticos, não tivessem percebido o que se estava a gerar na população.

Nessa altura o meu pai comprou até um rádio, creio com onda curta, para escutar uma rádio que tinha uma emissão em Português e que era a conhecida Deutsche Welle. Através desta estação conseguia-se perceber melhor os acontecimentos, até porque a televisão evitava criar pânico popular.

Recordo de ouvir falar de marchas oriundas do Norte a descer até Lisboa e creio terem sido paradas por militares em Rio Maior. Lembro-me das manifestações pela liberdade e contra o Conselho de Revolução na Alameda D. Afonso Henriques, do sequestro do Governo, na altura chefiado por um Comandante da Marinha de nome Pinheiro de Azevedo, de uma série de pequenos e grandes eventos que obrigaram algumas forças militares, nomeadamente para-quedistas e Comandos, a tomaram posições em sítios estratégicos.

Portugal desde o 25 de Abril de 1974 vivia um ambiente frenético, muito próprio deste tipo de golpes de Estado (mais tarde renomeado como Revolução) a que algumas forças políticas chamaram de PREC (Período Revolucionário em Curso).

Nestes 19 meses que distaram Abril de 74 a Novembro de 75, nacionalizou-se a banca, seguros e as maiores empresas do País. A reforma agrária parecia estar em força para no momento seguinte perceber que nem tudo seria um mar de rosas na agricultura.

Destruíu-se também muito tecido empresarial revertendo os custos desta danosa gestão para um Estado que vivia ainda do que vinha de África.

O 25 de Novembro nasce. como já referi, porque alguns militares rapidamente perceberam que Portugal caminhava para uma ditadura à imagem de Cuba. E sendo o nosso país elemento permanente da OTAN (ou NATO), esta eventual possibilidade poderia originar uma guerra civil com contornos políticos internacionais muito preocupantes. Lembro-me de ter atravessado o Tejo num vetusto Cacilheiro e ter notado na quantidade de vasos de guerra estrangeiros fundeados no "Mar da Palha".

Por esta altura eu ainda frequentava o Liceu Nacional de Almada e dei conta de muitas escaramuças pelas ruas da cidade, rapidamente controladas pela intervenção de elementos da Força de Fuzileiros.

Foram tempos agitados, mas ao mesmo tempo de uma rápida aprendizagem e consciencialização política.

A exemplo do que acontecera em Abril do ano anterior e sendo o meu pai militar, logo fui por este avisado para não sair de casa e nem ir à escola nesse célebre dia!

Portanto no 25 de Novembro eu estive em casa... Mas sinceramente é coisa que já não recordo!

E vocês onde estavam?

Morte de um anti-herói

 

A história do nosso país, nos últimos trinta e oito anos, tem alguns (poucos) heróis. Um deles foi com toda a certeza Jaime Neves.

 

Em pleno PREC, este militar, soube manter-se do lado daqueles que pensavam e conheciam a democracia, contra os que consideravam a ditadura de esquerda, plasmada duma União Soviética já decadente, o ideal perfeito para Portugal.

 

Amparou por isso o General Ramalho Eanes (antigo colega de curso), nessa madrugada de 25 de Novembro de 1975, fazendo com que Portugal entrasse finalmente nos carris duma democracia pluralista e participada.

 

O Major Jaime Neves era conhecido pela sua postura pouco simpática, todavia frontal e directa. E assumia-se categoricamente como um anti-herói.

 

Morreu hoje aos 76 anos.

 

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