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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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25 de Abril de 2020... Nunca mais!

Vivi os acontecimentos de há 46 anos. Vivi-os de forma intensa não obstante ser um jovem ingénuo e, porque não dizê-lo, politicamente pouco esclarecido.

Mas num instante percebi tudo... Ainda por cima o meu pai era militar e esteve uma serie de dias e noites sem vir a casa.

Os Verões que se seguiram foram uma primeira adaptação à democracia. A verdade é que alguns viam esta igual a Cuba, outros queriam uma democracia do género do Norte da Europa.

Foram estas as duas facções que durante mais de dois anos se dagladiaram até que aconteceu o 25 de Novembro, após um Verão políticamente demasiado quente.

Assumo mesmo que por uma unha negra Portugal não entrou numa guerra civil. Há quem diga que foi o embaixador americano Frank Carlucci que negociou, outros juram que foi a igreja católica e há ainda quem afince que foi a maçonaria.

De uma forma é doutra com o 25 de Abril conquistou-se a Liberdade. Uma Liberdade que hoje, neste dia tão especial nos foi retirada (obviamente por razões de saúde).

Por esta última (triste) razão termino com um slogan que não gostaria de escrever: 25 de Abril de 2020 nunca mais!

Bom senso... deseja-se!

Estalou o verniz sobre as comemorações do 25 de Abril na Assembeia da República.

Vou saltitando de texto em texto e de mensagem em mensagem e percebo como esta estória, que nem para a história fica, tem agitado as águas neste país comummente denominado de "brandos costumes".

Correm por aí petições contra e a favor das ditas comemorações! Lêem-se ataques acintosos aos que têm opiniões contrárias, roçando muitos deles a ofensa. Outros, pelo contrário, vão tentanto expor as suas opiniões baseadas nas suas convicções políticas ou não... num tom educado, todavia assertivo.

Tudo isto concorre para agitar as águas políticas deste rectângulo maioritariamente confinado e à beira de um (ou mais) ataques de nervos.

Mas há nestas próximas comemorações uma estranha contradição... Como posso comemorar o 25 de Abril (Dia da Liberdade!) se não a tenho, se neste momento não sou um cidadão com os meus direitos todos activos?

Provavelmente não seria mau alguém pensar nisto...

Quero aqui finalmente recordar que vivi aqueles acontecimentos históricos que muitos dos nossos actuais deputados apenas conheceram quando andaram na escola...

E mais não escrevo!

Imaginação ou realidade?

No dia 25 de Abril, enquanto fazia “zapping” em busca do canal do meu clube, acabei por parar num canal que raramente vejo, mas onde naquele instante se debatia o feriado.

Para além do moderador, estavam presentes uma deputada do PCP – Rita Rato, um antigo bastonário da Ordem dos Advogados – José Miguel Júdice e um conhecidíssimo politólogo que o ano passado esteve no centro de uma idiota contestação universitária – Jaime Nogueira Pinto.

Nada disto teria muita importância se a determinada altura não tivesse escutado esta frase dito por um dos oradores:

Prefiro ser governado por comunistas portugueses a ser governado por direitistas belgas”.

Agora se não viram o debate imaginem quem terá dito esta frase…

O 25 de Abril!

Em 1954 já quase ninguém se lembrava ou muito menos se preocupava com o que havia acontecido em 1910, aquando da Implantação da República. Haviam passado 44 anos. Da mesma forma hoje poucos se preocupam com o tal de 25 de Abril de 1974. Especialmente os mais novos...

Parte da actual população portuguesa terá nascido após a Revolução dos Cravos. O que equivale dizer que já nasceram em liberdade e assim não têm, nem nunca tiveram, outras (más) referencias para perceberem o que foi viver sob uma ditadura que limitou o pensamento e a palavra.

Talvez seja por esta falta de matrizes e outrossim porque os políticos que actualmente nos governam não parecerem gente de boa fé é que as eleições têm níveis de abstenção sempre acima de 40%.

Não foi para isto, certamente, que os Capitães de Abril vieram para a rua fazer a revolução há 44 anos.

Então de que forma poderemos reverter este distaciamento entre a sociedade civil e a classe política? Não imagino. Mas de uma coisa tenho a certeza: o actual panorama político está gasto, muito gasto.

Será tempo de alguém criar um 25 de Abril, versão século XXI!

Todavia e até lá continuemos a comemorar este feriado.

Os três dias do 25 de Abril

Quarenta e três anos passados sobre aquela quinta-feira de Abril, olho para a nossa sociedade e noto nela diferenças enormes. Não só por aquilo que os portugueses passaram antes do 25 de Abril, como o que decorreu depois. Acima de tudo as desilusões e as frustrações de muitos anseios.

Por isso comecei a perceber que o 25 de Abril corresponde a três dias, sendo cada um desses dias representativos de uma geração.

Colocando as coisas de forma mais prática direi que o Portugal de hoje é constituído pela geração do 24, do 25 e do 26 de Abril.

Passo a explicar:

  • 24 de Abril - são aqueles portugueses, hoje já obviamente idosos e que viveram grande parte da sua vida sob a ditadura. Até podem ter apreciado a Revolução dos Cravos, mas depressa desanimaram com as constantes alterações políticas. Caem quiçá no erro de assumirem: naquele tempo é que era bom!
  • 25 de Abril – são os da minha geração com mais ano, menos ano e que viveram as vicissitudes do golpe de Estado. Durante anos andaram de partido em partido pensando qual o melhor para o país, mas depressa se convenceram que este rectângulo não ia a lado nenhum. Desiludidos, vão votando aqui e ali temendo sempre pelo futuro;
  • 26 de Abril – é aquela franja da sociedade que não quer saber da política nem dos políticos, que não vota e considera estes pouco fiáveis. Preferem trabalhar horas a fio para ganharem mais uns euros. Não se preocupam com o passado e muito menos com o futuro. Vivem o dia a dia, simplesmente.

Certamente que haverá algumas excepções a estes três modelos. Todavia a maioria pensa assim. E desculpem-me os sociólogos, politólogos e demais especialistas, mas dificilmente este paradigma mudará.

Os cravos vermelhos fazem somente parte da história lusa. Infelizmente não mais que isso!

Pós 25 de Abril

João Miguel Tavares na sua coluna do Jornal Público de hoje chama a atenção para a noção de democracia de alguns dos nossos ditos... democratas!

Não assinando por baixo todo o texto do jornalista, bloguer, escritor e "ministro sombra"... subscrevo no entanto na sua essência, pois não concordei com aquele discurso quase patético de Vasco Lourenço à saída da AR ao dizer que os governantes anteriores eram anti-25 de Abril.

Então que dizer das declarações há anos proferidas por Otelo Saraiva de Carvalho quando afirmou que Portugal necessitava de um homem sério como Salazar?

Há uma esquerda em Portugal demasiadamente colada aos dogmas e às ideias de há 42 anos, olvidando que o mundo mudou, e de que por exemplo os desejos da actual juventude são profundamente diferentes do que foram naquela época.

Foi a democracia que nasceu no tal 25 de Abril que colocou os "tais" políticos no poder. E se eles lá estavam é porque ninguém da oposição conseguiu em tempo útil provar que poderiam fazer melhor.

Como disse uma vez Winston Churchill: A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.

Mas há ainda quem acredite que a democracia é uma forma de governo em que todos pensam da mesma forma!

Lembro-me!

Sempre que me lembro do 25 de Abril de 1974, recordo uma quinta-feira plúmbea e fresca. Mas não só...

Lembro-me do meu pai (militar de carreira) vir a casa para dizer que não fosse à escola e comunicar também que provavelmente não viria tão depressa dormir a casa.

Lembro-me de ter ligado a telefonia onde fui ouvindo os comunicados lidos pelo Luís Filipe Costa!

Lembro-me que a televisão deixou de emitir e quando recomeçou emitiu uma série que se desenrolava na selva africana e que se chamava "Daktari".

Lembro-me de estar no quintal com alguns amigos. Mas ainda não tínhamos apercebido dos reais acontecimentos que se estavam a passar... em Lisboa. Faltou claramente nesse tempo uma "CMTV"!

Lembro-me de um crescente e estranho fervor para o qual ainda não estava preparado.

Lembro-me de chegado o fim do dia e ter escutado o comunicado da Junta de Salvação Nacional lido pelo General António de Spínola.

Lembro-me que dia seguinte regressei à escola!

 

 

Uma vez mais o meu aplauso!

Para António Barreto.

Este Sociólogo deu esta noite uma longa entrevista a um dos canais por cabo, onde falou de tudo um pouco. Especialmente de Portugal.

Barreto que até já foi Ministro da Agricultura pelo PS, demonstrou uma vez mais um invejável discernimento e uma profunda lucidez.

Num país sempre em busca de referências positivas António Barreto continua a ser uma voz contra. Não do contra como muitos fazem mas somente contra.

Contra esta classe política pouco sincera e ávida de poder, contra um sistema velho e caduco e que não se autoregenera, contra a ideia pré-concebida de que os portugueses não prestam.

Com a calma e a serenidade que o caracterizam este analista respondeu a todas as questões sem receios nem tabus. Um exemplo para os actuais políticos... agora que se aproximam as eleições

Afligiu-me no entanto a sua declaração final. Disse Barreto: ...Há politicos em Portugal que usam a democracia como instrumento de despotismo".

Hoje curiosamente em dia da Liberdade fiquei deveras preocupado!

 

E se não tivesse existido o 25 de Abril?

Grande parte da população portuguesa já não se lembra ou puramente não assistiu ao 25 de Abril de 1974. Os que tem entre 40 e 45 anos ou menos só sabem o que foi a Revolução dos Cravos através dos livros de História que estudaram ou através de algum testemunho familiar.

A liberdade ou a falta dela nunca atingiu esta geração, assumindo sempre que a democracia é (foi) o estado normal deste país. Porém nem sempre foi assim. Durante mais de uma geração Portugal viveu debaixo de uma ditadura que não trouxe qualquer desenvolvimento. Lançou-se este país numa guerra claramente perdida desde o seu dealbar apenas porque não pretendíamos abdicar do que pensámos ser só nosso. Erro estratégico que matou milhares de soldados portugueses, destruiu lares e deixou marcas profundas em muitos dos que regressaram e que ainda hoje se podem observar através do denominado stress pós-guerra.

Dou assim por mim muitas vezes a pensar e a perguntar ao  vento: e se o 25 de Abril não tivesse existido? Como estaria este país?

Ninguém em seu perfeito juízo saberá com toda a certeza responder as estas questões. Poder-se-á especular, pegar em exemplos e provar por A mais B o que sucederia se a Revolução dos Cravos não tivesse existido. Mas creio que Portugal nunca esteve realmente preparado para viver em democracia. Somos demasiados ambiciosos mas pouco empreendedores. Achamos que temos direito a tudo e nenhum dever. Consideramos que somos mais espertos que os demais povos porque sabemos fugir aos impostos.

Odiamos a corrupção quando esta beneficia o vizinho mas quando somos nós os vizados ficamos calados. A velha máxima tão pateticamente lusa: “A  galinha da minha vizinha é melhor que a minha…”

Tentou-se a seguir à queda do regime de Marcelo Caetano virar este rectângulo para uma esquerda radical à moda de Cuba de Fidel (mais ligado ao bloco soviético) ou da Albânia de Enver Hoxna (um maoista empedernido). Todavia alguns militares reverteram algumas destas opções partidárias e passámos a viver numa democracia representativa.

Hoje quarenta anos depois sinto que se poderia (e devia9 ter ido mais (muito) longe no que respeita a reformas estruturais. O problema é que na cabeça de cada luso há uma ideia diferente para cada situação. E todos acham que a sua ideia é melhor que a dos outros.

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