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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A democracia em perigo!

Por vezes tenho medo dos meus pensamentos. É verdade, tenho medo... pronto!

Receio essencialmente que alguém os oiça, até porque posso sem querer e mesmo que seja de forma quase silenciosa verbalizar algum deles.

Isto para dizer que daqui a dois meses estaremos a comemorar o meio-século daquele que foi um golpe de esatado. A revolução dos cravos foi apenas um epíteto aproveitado pelo PCP para dar nome à sua ideia política. Que como todos sabemos nunca vingou neste País de gente preguiçosa, invejosa e de brandos costumes.

Hoje tenho mais cuidado com o que digo e escrevo, não vá eu ofender algumas alminhas que há meio século ainda nem existiam, nunca souberam o que foi viver sob a ditadura e muito menos o que foi a censura. Falam e escrevem, eles e elas, considerando que têm sempre razão olvidando que há outras opiniões e visões e que podem não coincidentes com eles. Então ofendem-se com isso!

Tenho a certeza que a democracia lusa tal qual como foi criada ou inventada pode não ser perfeita. Como nenhum regime político o é! Mas até há uns tempos convivia bem com ele. Todavia sinto-me cada vez mais apertado num espartilho de pensamentos e acções que me leva a sentir que é a hora de termos um novo 25 de Abril.

Que até pode ser a 24 ou a 26 do mesmo mês! Ou de outro mês qualquer!

Onde estavas no... 25 de Novembro?

Ao que consegui somente hoje perceber, o Presidente da Câmara de Lisboa deseja que haja iniciativas para a comemoração do 25 de Novembro de 1975.

O Verão Quente desse já longínquo ano poderia ter-se tornado ainda mais quente se alguns militares quiçá mais lúcidos e menos políticos, não tivessem percebido o que se estava a gerar na população.

Nessa altura o meu pai comprou até um rádio, creio com onda curta, para escutar uma rádio que tinha uma emissão em Português e que era a conhecida Deutsche Welle. Através desta estação conseguia-se perceber melhor os acontecimentos, até porque a televisão evitava criar pânico popular.

Recordo de ouvir falar de marchas oriundas do Norte a descer até Lisboa e creio terem sido paradas por militares em Rio Maior. Lembro-me das manifestações pela liberdade e contra o Conselho de Revolução na Alameda D. Afonso Henriques, do sequestro do Governo, na altura chefiado por um Comandante da Marinha de nome Pinheiro de Azevedo, de uma série de pequenos e grandes eventos que obrigaram algumas forças militares, nomeadamente para-quedistas e Comandos, a tomaram posições em sítios estratégicos.

Portugal desde o 25 de Abril de 1974 vivia um ambiente frenético, muito próprio deste tipo de golpes de Estado (mais tarde renomeado como Revolução) a que algumas forças políticas chamaram de PREC (Período Revolucionário em Curso).

Nestes 19 meses que distaram Abril de 74 a Novembro de 75, nacionalizou-se a banca, seguros e as maiores empresas do País. A reforma agrária parecia estar em força para no momento seguinte perceber que nem tudo seria um mar de rosas na agricultura.

Destruíu-se também muito tecido empresarial revertendo os custos desta danosa gestão para um Estado que vivia ainda do que vinha de África.

O 25 de Novembro nasce. como já referi, porque alguns militares rapidamente perceberam que Portugal caminhava para uma ditadura à imagem de Cuba. E sendo o nosso país elemento permanente da OTAN (ou NATO), esta eventual possibilidade poderia originar uma guerra civil com contornos políticos internacionais muito preocupantes. Lembro-me de ter atravessado o Tejo num vetusto Cacilheiro e ter notado na quantidade de vasos de guerra estrangeiros fundeados no "Mar da Palha".

Por esta altura eu ainda frequentava o Liceu Nacional de Almada e dei conta de muitas escaramuças pelas ruas da cidade, rapidamente controladas pela intervenção de elementos da Força de Fuzileiros.

Foram tempos agitados, mas ao mesmo tempo de uma rápida aprendizagem e consciencialização política.

A exemplo do que acontecera em Abril do ano anterior e sendo o meu pai militar, logo fui por este avisado para não sair de casa e nem ir à escola nesse célebre dia!

Portanto no 25 de Novembro eu estive em casa... Mas sinceramente é coisa que já não recordo!

E vocês onde estavam?

Direito à palavra!

Já há muito que tento (não sei se tenho conseguido!!!) ter mais cuidado com o que aqui escrevo. Durante 48 anos, Portugal esteve amordaçado devido a uma política de calar quem se sentia no direito de protestar ou simplesmente dizer o que lhe ia na alma.

Dá-se o 25 de Abril em 1974 e desde esse dia cada um pode dizer o que sentia de forma livre e sem complexos. Foram anos assim... Bons anos, acrescento!

Depois e de uma forma quase camuflada foi-se cerceando a liberdade. As opiniões são muitas vezes focos de bravatas que não trazem nenhuma luz, unicamente dinheiro aos advogados e enchem os tribunais de acções.

A tal liberdade de expressão que se falava no pós-25 de Abril deixou de existir, já que cada um pode considerar que está a ser olimpicamente ofendido nos seus direitos constitucionais ou de cidadania.

Dito por outras palavras... é-me hoje vedado o direito de discordar! Pior... se ainda assim eu tiver a ousadia de publicamente falar de algo com o qual não concorde arrisco-mem  como escrevi acima, a ser levado a tribunal para ser acusado de um crime qualquer, que sinceramente e em consciência nunca cometi.

Hoje a palavra está muito cara. Tão cara que muitos preferem nem a usar!

Resumindo... há uma nova e subtil espécie de censura, curiosamente num país que se diz democrático!

Claro que a classe política adora este estado de coisas... Corre muitíssimo menos riscos de ser criticada.

Quem diria?

Resposta mensal...

... a este desafio da Ana!

 

Já estamos a meio de Maio e ainda não havia escrito nada sobre o mês passado. Bom deixa cá ver o que de bom aconteceu:

  • no dia 9 de Abril celebrou-se o Domingo de Páscoa o que equivale dizer para um católico como eu será sempre um dia de festa:
  • no dia 19 o meu filho mais velho celebrou a vida;
  • depois há sempre o 25 de Abril... será necessário dizer mais alguma coisa?

E se os cravos fossem... rosas?

A pergunta que faço é mesmo assim! Se em vez de cravos naquela manhã de Abril a senhora tivesse comprado rosas?

Nesta altura as belas das rosas, principalmente as vermelhas, estariam por todo o lado e eu provavelmente ou não teria nenhuma no meu jardim porque mas roubariam ou então seria um homem rico!

No meio desta brincadeira apresento um cacharolete de rosas vermelhas do meu jardim. Ontem, disseram-me, que estavam mais bonitas, mas como só hoje tive tempo de fotografar, eis as ditas rosas.

Rosas_vermelhas.jpg 

rosa_vermelha.jpg 

rosa_vermelha1.jpg 

25 de Abril dia de ... agricultura!

Há muitos anos que deixei de participar em marchas, comícios ou festividades para este dia. Será bom não esquecer que daqui a 50 anos já não deve estar ninguém vivo para contar o que foi este acontecimento em 1974.

Portanto sendo feriado, que como reformado será (quase) igual aos outros dias, com a mera diferença de não ter comigo a minha neta, dediquei-me a zelar pela minha horta.

Neste momento tenho favas a crescerem com força,

20230425_110633_resized.jpg 

como se pode comprovar na foto seguinte.

20230425_110645_resized.jpg 

Diria que mais uma semana e estarão prontas para o tacho!

Entretanto os tomateiros já foram transplantados dos vasos para a terra. Se alguns gostaram da mudança outros houve que não se sentiram bem e morreram. Seja como for estava na hora de lhes fornecer a armação para que daqui a uns tempos possam elevar-se e brindarem-me com belos frutos.

Mas a coisa parece fácil mas requer trabalho, muito trabalho. E paciência... Que é coisa que tenho em abundância. andei toda a manhã e parte da tarde de volta da estrutura, em tronco nu (asneira, pois apanhei um escaldão!). Com um ferreo grosso criava um buraco na terra para depois lá colocar as canas que secas tornam-se frágeis. Finalmente atravessei as canas na horizontal e... "voilá" temos as peças montadas.

20230425_110056_resized.jpg 

Esta é a horta antes e a próxima foto a mesma horta... depois!

20230425_140307_resized.jpg 

Ainda fiz uma estrutura semelhante para os feijoeiros. Estes têm a vantagem de subirem e agarrem-se sozinhos sem a minha ajuda.

Diverti-me imenso neste dia 25 de Abril!

É só mais um 25 de Abril!

Hoje comemora-se mais um 25 de Abril. Vermelho, mas sem corantes nem conservantes (como brincavam naquela altura os anarquistas!)

Li há muitos anos que a história dos acontecimentos só se começa a fazer ao fim dos primeiros 50 anos. Portanto estamos a um disso acontecer.

Independentemente de mais 12 ou menos 12 meses a história daquela quinta-feira não se muda, por muito que tentem.

Hoje e com o actual panorama político pergunto-me muitas vezes se foi para isto que se fez aquele golpe de Estado, celeremente aproveitado pelo PCP para lhe chamar uma revolução. Diria que naquela altura nada percebia de política e muito menos imaginaria aquilo que iria acontecer muitos anos mais tarde.

A 11 de Março de 1975 o governo da época aproveitou umas escaramuças para fazer valer a sua ideia progressista e estatizante com a nacionalização de grandes empresas, bancos e seguradoras. Com os custos que mais tarde haveríamos de pagar!

O 25 de Abril poderia ser um marco MAIS positivo se tivéssemos uma classe política competente, com visão de futuro e focada no país! Porque o que temos são jotinhas (os senadores ou são demasiado velhos ou então já morreram!) fabricados nas concelhias partidárias, muitos deles sem sequer penetrarem a fundo no mercado de trabalho e que num ápice surgem no topo dos partidos. Conheço diversos e dos vários quadrantes políticos.

Se Salgueiro Maia e outros camaradas de armas que já partiram estivessem vivos agora, com toda a certeza que se sentiam desiludidos com o caminho que este país levou! Não me falem que prevalece a democracia pois esta também já tem os dias contados.

Basta que continuem a dar à direita azo para que tal aconteça!

A liberdade que (não) temos!

Inicio com uma laracha muito velha:

Um homem passa por outro e cumprimenta:

- Adeus amigo mio!

O outro espantado com o cumprimento deduz:

- Amigo mio? Ora o gato mia, o gato come o rato, o rato come o queijo, o queijo vem da cabra, ai o patife o que ele me chamou!

 

Desde o 25 de Abril de 1974 que vivemos em democracia, com direito a falar e a escrever sem estar sujeito à censura de outros tempos. Já para não falar de direitos e deveres  constitucionalmente aprovados. Portanto somos um país livre. Certo? Errado!

Diariamente somos invadidos por notícias em que o direito de cada um é posto em causa por outros que, supostamente, se valem da sua posição de força.

O problema reside na noção daquilo que é verdadeiro ou apenas desconfiança. Não saber fazer esta diferenciação é que torna a actual sociedade um local inseguro onde podemos ver atrás de uma simples e inocente palavra... um acto criminoso.

Dou um exemplo: se for na rua com a minha neta de três anos e alguém disser a cachopita é bonita, poderei pensar que a pessoa está a assediar a criança? Obviamente que não pensarei assim, mas porque sou eu e não vejo em cada expressão um dichote! No entanto há quem pense o inverso e possa considerar até ofensivo.

Na actual República Portuguesa a liberdade já não existe como outrora. Ou melhor... se eu pretender dizer o que penso sobre um determinado assunto arrisco-me a ser vilipendiado por uma turba agarrada a estranhos ideais e cerceando diariamente a nossa liberdade.

Hoje todo o cuidado é pouco com aquilo que se escreve ou diz. Ter tento na língua (e nos dedos!!!), não vá alguém escutar e ler coisas absurdas que ninguém disse ou sequer pensou!

Volto à laracha inicial... quando um homem apenas cumprimentou o outro!

A tua liberdade deixa-me preso!

Vivi o 25 de Abril de 1974 como muitos portugueses. Na realidade naquela altura e durante uns dias ainda houve algum receio de que tudo retrocedesse.

Creio que foi no primeiro 1º de Maio que comecei a convencer-me que Portugal havia ganho a batalha contra um regime autoritário e déspota. A liberdade havia sido alcançada, com a ajuda dos Capitães de Abril, mas acima de tudo com a convicção popular que este teria de ser o caminho para um país diferente, para melhor.

Falava-se então de liberdade à boca cheia.

Liberdade para rir, chorar, barafustar ou aplaudir.

Liberdade para dizer o que mandava o coração.

Liberdade para revindicar e negociar.

Liberdade para manifestar.

Liberdade para cada um de nós ser livre à sua maneira.

Ora passados 48 anos pergunto-me se hoje sou tão livre quanto fui naquela altura? Sinto sinceramente que não.

Há nos nossos dias uma liberdade controlada por gente que nunca viveu em ditadura e que se considera dona da verdade absoluta (o regime antes do 25 de Abril também pensava assim!).

O que equivale dizer que para eles a minha prisão de pensar, falar, escolher é a sua própria liberdade!

Infelizmente não foi para isto que se fez o 25 de Abril!

Falar, escrever e liberdade!

Como posso viver a minha liberdade se não posso falar como sempre falei ou escrever como sempre o fiz?

Muitas vezes surge esta questão no meu espírito, assaz rebelde. Adormeço amiúde sobre esta problemática para acordar consciente que estamos a regredir em termos de liberdade. Especialmente verbal e escrita.

O que disser hoje pode ser altamente mal interpretado e ser até alvo de gravíssimas acusações pois alguém descobriu que no meio da minha inocente frase eu tentei atingir outrém.

Mais do que nunca o cuidado com o que dizemos ultrapassou a normalidade já que nem somos donos das nossas próprias palavras. Pensemos, mas não devemos proferir. Portanto uma censura camuflada de bons costumes...

Não imagino o que pensaria o malogrado Otelo Saraiva de Carvalho desta nova regra, mas certamente não terá sido para acabar neste exercício que aquele pensou e executou o 25 de Abril de 1974.

Andamos com a nossa liberdade ameaçada (e não é só devido à pandemia!!!), mas já ninguém se importa!

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