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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Imaginação ou realidade?

No dia 25 de Abril, enquanto fazia “zapping” em busca do canal do meu clube, acabei por parar num canal que raramente vejo, mas onde naquele instante se debatia o feriado.

Para além do moderador, estavam presentes uma deputada do PCP – Rita Rato, um antigo bastonário da Ordem dos Advogados – José Miguel Júdice e um conhecidíssimo politólogo que o ano passado esteve no centro de uma idiota contestação universitária – Jaime Nogueira Pinto.

Nada disto teria muita importância se a determinada altura não tivesse escutado esta frase dito por um dos oradores:

Prefiro ser governado por comunistas portugueses a ser governado por direitistas belgas”.

Agora se não viram o debate imaginem quem terá dito esta frase…

O 25 de Abril!

Em 1954 já quase ninguém se lembrava ou muito menos se preocupava com o que havia acontecido em 1910, aquando da Implantação da República. Haviam passado 44 anos. Da mesma forma hoje poucos se preocupam com o tal de 25 de Abril de 1974. Especialmente os mais novos...

Parte da actual população portuguesa terá nascido após a Revolução dos Cravos. O que equivale dizer que já nasceram em liberdade e assim não têm, nem nunca tiveram, outras (más) referencias para perceberem o que foi viver sob uma ditadura que limitou o pensamento e a palavra.

Talvez seja por esta falta de matrizes e outrossim porque os políticos que actualmente nos governam não parecerem gente de boa fé é que as eleições têm níveis de abstenção sempre acima de 40%.

Não foi para isto, certamente, que os Capitães de Abril vieram para a rua fazer a revolução há 44 anos.

Então de que forma poderemos reverter este distaciamento entre a sociedade civil e a classe política? Não imagino. Mas de uma coisa tenho a certeza: o actual panorama político está gasto, muito gasto.

Será tempo de alguém criar um 25 de Abril, versão século XXI!

Todavia e até lá continuemos a comemorar este feriado.

Os três dias do 25 de Abril

Quarenta e três anos passados sobre aquela quinta-feira de Abril, olho para a nossa sociedade e noto nela diferenças enormes. Não só por aquilo que os portugueses passaram antes do 25 de Abril, como o que decorreu depois. Acima de tudo as desilusões e as frustrações de muitos anseios.

Por isso comecei a perceber que o 25 de Abril corresponde a três dias, sendo cada um desses dias representativos de uma geração.

Colocando as coisas de forma mais prática direi que o Portugal de hoje é constituído pela geração do 24, do 25 e do 26 de Abril.

Passo a explicar:

  • 24 de Abril - são aqueles portugueses, hoje já obviamente idosos e que viveram grande parte da sua vida sob a ditadura. Até podem ter apreciado a Revolução dos Cravos, mas depressa desanimaram com as constantes alterações políticas. Caem quiçá no erro de assumirem: naquele tempo é que era bom!
  • 25 de Abril – são os da minha geração com mais ano, menos ano e que viveram as vicissitudes do golpe de Estado. Durante anos andaram de partido em partido pensando qual o melhor para o país, mas depressa se convenceram que este rectângulo não ia a lado nenhum. Desiludidos, vão votando aqui e ali temendo sempre pelo futuro;
  • 26 de Abril – é aquela franja da sociedade que não quer saber da política nem dos políticos, que não vota e considera estes pouco fiáveis. Preferem trabalhar horas a fio para ganharem mais uns euros. Não se preocupam com o passado e muito menos com o futuro. Vivem o dia a dia, simplesmente.

Certamente que haverá algumas excepções a estes três modelos. Todavia a maioria pensa assim. E desculpem-me os sociólogos, politólogos e demais especialistas, mas dificilmente este paradigma mudará.

Os cravos vermelhos fazem somente parte da história lusa. Infelizmente não mais que isso!

Pós 25 de Abril

João Miguel Tavares na sua coluna do Jornal Público de hoje chama a atenção para a noção de democracia de alguns dos nossos ditos... democratas!

Não assinando por baixo todo o texto do jornalista, bloguer, escritor e "ministro sombra"... subscrevo no entanto na sua essência, pois não concordei com aquele discurso quase patético de Vasco Lourenço à saída da AR ao dizer que os governantes anteriores eram anti-25 de Abril.

Então que dizer das declarações há anos proferidas por Otelo Saraiva de Carvalho quando afirmou que Portugal necessitava de um homem sério como Salazar?

Há uma esquerda em Portugal demasiadamente colada aos dogmas e às ideias de há 42 anos, olvidando que o mundo mudou, e de que por exemplo os desejos da actual juventude são profundamente diferentes do que foram naquela época.

Foi a democracia que nasceu no tal 25 de Abril que colocou os "tais" políticos no poder. E se eles lá estavam é porque ninguém da oposição conseguiu em tempo útil provar que poderiam fazer melhor.

Como disse uma vez Winston Churchill: A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.

Mas há ainda quem acredite que a democracia é uma forma de governo em que todos pensam da mesma forma!

Lembro-me!

Sempre que me lembro do 25 de Abril de 1974, recordo uma quinta-feira plúmbea e fresca. Mas não só...

Lembro-me do meu pai (militar de carreira) vir a casa para dizer que não fosse à escola e comunicar também que provavelmente não viria tão depressa dormir a casa.

Lembro-me de ter ligado a telefonia onde fui ouvindo os comunicados lidos pelo Luís Filipe Costa!

Lembro-me que a televisão deixou de emitir e quando recomeçou emitiu uma série que se desenrolava na selva africana e que se chamava "Daktari".

Lembro-me de estar no quintal com alguns amigos. Mas ainda não tínhamos apercebido dos reais acontecimentos que se estavam a passar... em Lisboa. Faltou claramente nesse tempo uma "CMTV"!

Lembro-me de um crescente e estranho fervor para o qual ainda não estava preparado.

Lembro-me de chegado o fim do dia e ter escutado o comunicado da Junta de Salvação Nacional lido pelo General António de Spínola.

Lembro-me que dia seguinte regressei à escola!

 

 

Uma vez mais o meu aplauso!

Para António Barreto.

Este Sociólogo deu esta noite uma longa entrevista a um dos canais por cabo, onde falou de tudo um pouco. Especialmente de Portugal.

Barreto que até já foi Ministro da Agricultura pelo PS, demonstrou uma vez mais um invejável discernimento e uma profunda lucidez.

Num país sempre em busca de referências positivas António Barreto continua a ser uma voz contra. Não do contra como muitos fazem mas somente contra.

Contra esta classe política pouco sincera e ávida de poder, contra um sistema velho e caduco e que não se autoregenera, contra a ideia pré-concebida de que os portugueses não prestam.

Com a calma e a serenidade que o caracterizam este analista respondeu a todas as questões sem receios nem tabus. Um exemplo para os actuais políticos... agora que se aproximam as eleições

Afligiu-me no entanto a sua declaração final. Disse Barreto: ...Há politicos em Portugal que usam a democracia como instrumento de despotismo".

Hoje curiosamente em dia da Liberdade fiquei deveras preocupado!

 

E se não tivesse existido o 25 de Abril?

Grande parte da população portuguesa já não se lembra ou puramente não assistiu ao 25 de Abril de 1974. Os que tem entre 40 e 45 anos ou menos só sabem o que foi a Revolução dos Cravos através dos livros de História que estudaram ou através de algum testemunho familiar.

 

A liberdade ou a falta dela nunca atingiu esta geração, assumindo sempre que a democracia é (foi) o estado normal deste país. Porém nem sempre foi assim. Durante mais de uma geração Portugal viveu debaixo de uma ditadura que não trouxe qualquer desenvolvimento. Lançou-se este país numa guerra claramente perdida desde o seu dealbar apenas porque não pretendíamos abdicar do que pensámos ser só nosso. Erro estratégico que matou milhares de soldados portugueses, destruiu lares e deixou marcas profundas em muitos dos que regressaram e que ainda hoje se podem observar através do denominado stress pós-guerra.

 

Dou assim por mim muitas vezes a pensar e a perguntar ao  vento: e se o 25 de Abril não tivesse existido? Como estaria este país?

 

Ninguém em seu perfeito juízo saberá com toda a certeza responder as estas questões. Poder-se-á especular, pegar em exemplos e provar por A mais B o que sucederia se a Revolução dos Cravos não tivesse existido. Mas creio que Portugal nunca esteve realmente preparado para viver em democracia. Somos demasiados ambiciosos mas pouco empreendedores. Achamos que temos direito a tudo e nenhum dever. Consideramos que somos mais espertos que os demais povos porque sabemos fugir aos impostos.

 

Odiamos a corrupção quando esta beneficia o vizinho mas quando somos nós os vizados ficamos calados. A velha máxima tão pateticamente lusa: “A  galinha da minha vizinha é melhor que a minha…”

 

Tentou-se a seguir à queda do regime de Marcelo Caetano virar este rectângulo para uma esquerda radical à moda de Cuba de Fidel (mais ligado ao bloco soviético) ou da Albânia de Enver Hoxna (um maoista empedernido). Todavia alguns militares reverteram algumas destas opções partidárias e passámos a viver numa democracia representativa.

 

Hoje quarenta anos depois sinto que se poderia (e devia9 ter ido mais (muito) longe no que respeita a reformas estruturais. O problema é que na cabeça de cada luso há uma ideia diferente para cada situação. E todos acham que a sua ideia é melhor que a dos outros.

25 de Abril Mundial

Tenho dito aos meus filhos que vivi o que eles estudaram nos livros.

Era quinta feira. O dia prometia ser sombrio. Umas nuvens plumbeas ornavam o céu.

Muito cedo o meu pai, militar de carreira, chegou a casa e avisou-me para não sair. Estava a decorrer um golpe de Estado.

Todavia o tal golpe de Estado depressa se transformou em Revolução dos Cravos.  No dia seguinte regressei à escola. Tinha 15 anos.

 

Trinta e oito anos decorridos olho para este país e percebo que algo correu mal. Mas o quê?

Não sei se alguém alguma vez conseguirá responder com realismo a esta pergunta. 

Os partidos de esquerda acusam a direita de retirar direitos, os da direita acusam a esquerda de despesismo em nome de melhor sentido social.

Todavia quem paga é sempre o mesmo. Ou quase sempre...

 

Entendo que os ideais do 25 de Abril de 1974 são hoje uma miragem e um sonho desfeito, especialmente para quem o organizou. Mas há algo no Mundo que ainda ninguém percebeu e com a qual nenhum 25 de Abril de ano nenhum conseguiu lidar.

 

O mundo está em guerra. Vivemos a Terceira Guerra Mundial sem sabermos. Nas outras anteriores houve uns estupores que usaram as armas e mataram milhões em nome de não sei que ideais. Hoje usa-se o dinheiro (ou a falta dele) para matar economias, governos, empresas e pessoas.

Uma 3ª guerra que rebentou nas nossas mãos e perante a qual não sabemos lidar. Nem nós nem governo algum.

 

Os Mercados mandam mais que os partidos e o povo. O mercado diz "vende-se" e toda a gente vende. Assume-se para comprar e toda agente compra. Mas que coisa, que figura tenebrosa é esta, que nos vai destruindo e corroendo?

 

Necessitamos de um Churcill ou de Gaulle para colocar um fim a isto. Ou então uns novos Capitães de Abril armados de IPad e alguns virus para atacar algum servidor dos Mercados.

Os velhos do Restelo?

Não entendo este país.

 

Ou melhor, não percebo algumas pessoas neste país.

 

Faz hoje 38 anos que se fez o 25 de Abril, para dar ao povo português a liberdade retirada durante quase meio século. Após alguns anos de perfeita desarmonia, natural nestas coisas, finalmente passámos a ter governos democraticamente eleitose apoiados por deputados eleitos em eleições mais ou menos concorridas. 

 

Aceitaram-se sempre esses resultados. Todos diziam que a opinião do povo era soberana.

 

E agora uns idiotas de uns Capitães de Abril, velhos e senis vêm dizer que não vão às comemorações do 25 de Abril porque não foi para isto que foi feita a Revolução dos Cravos...

 

Então foi para quê? Para termos ditaduras do tipo Coreano ou do tipo Sírio? Ou o povo quando vota à esquerda é inteligente e quando vota à direita é burro?

 

Custa-me escrever este texto. Eu que vivi o 25 de Abril.

Ainda me lembro daquela quinta-feira sombria em que o meu pai não me deixou ir à escola. E os dias seguintes. As manifestações e aquele primeiro 1º de Maio.

 

Eu, que vivi o 25 de Abril, não gosto de ver estes tristes cavalheiros a fazerem birras de crianças mimadas.

Portugal necessita de vozes discordantes, mas que surjam em sede própria. Perdem eles e o País.

 

 

 

 

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