O José Luís!
Soube ontem, já tarde, que o meu antigo colega do BdP José Luís Martinho Mouta Liz havia falecido.
Sobre ele guardo uma frase lapidar proferida na altura por alguém colega e militante de outro partido. Disse então: se este tipo fosse do PS teria uma carreira política brilhante.
Quando o conheci já ele andava nas costumadas bravatas sindicais. Porém foi ele que levou o meu pedido de inscrição no Sindicato ao qual ainda hoje pertenço. Isto de ser "apadrinhado" por uma figura quase histórica não é para todos.
Como calculam jamais professei as suas ideias políticas, mas com ele assisti a um caso paradigmático. Estávamos nós a contar notas num serviço a que cahamavam recontagem, quando ele aparece. Se a maioria dos colegas não apreciavam de todo a sua forma de fazer política, outros havia que o idolatravam. A determinada altura um dos colegas sentados à frente de uma máquina para contar dinheiro entrou em debate político com o Mouta Liz. Aquilo parecia querer azedar, mas a determinada altura percebi que ambos já concordavam um com o outro. Noto apenas que o adversário da altura fora filho de um antigo Ministro de Salazar. Fiquei ali com a certeza que os extremos acabam sempre por se tocar.
Lembro-me bem de ele ser detido na Tesouraria e do reboliço que isso causou, mas também recordo as declarações de antigos colegas que observavam que Mouta Liz antes do 25 de Abril costumava ir a Londres às compras ao Marks & Spencer.
Todavia o caso mais extraordinário foi naquela noite em que eu juntei todos os colegas que haviam passado pela Tesouraria para um jantar no restaurante da antiga FIL em Lisboa. A noite estava agradável e ainda faltavam alguns colegas. Estava eu na varanda do restaurante quenaso de súbito entra no estacionamento uma viatura que trazia a sigla "FM", que significa "Funcionário em Missão (Internacional) e é utilizada para identificar veículos pertencentes a funcionários de organizações internacionais que estão em missão em Portugal".
Pois é, o nosso "suposto terrorista e tesoureiro da FUP", passados os anos de bravatas jurídicas era agora funcionário da embaixada de Angola, país para onde emigrara em busca de melhor vida.
Conheço muitas outras estórias sobre ele, mas a sua morte obrigar-nos-á a esquecê-las.
E ainda bem!