Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Crónica numa aldeia beirã

São sete da manhã de um dia feriado Nacional.

Gosto de acordar cedo na aldeia. Sentir o cheiro da maresia, ou escutar os cães repentinamente acordados por alguém que passa na rua... Eu!

Não há vivalma. A aldeia está cada vez mais idosa e deserta, que os mais novos náo querem a serenidade destes campos, mas o reboliço das grandes urbees.

Finalmente cruzo-me com um homem: o responsável pela Confraria das Almas. Magro, esquálido e de poucas falas percorre a aldeia de lés a lés em passo decidido. Nunca se sabe de onde vem nem par onde vai. É assim o Gervásio a quem nem vale a pena dar a saudação pois a resposta é imperceptível.

Passo por um café já aberto. Atravesso a porta e encontro a costumada ti'Filomena por detrás do balcão.

- Bom dia.

- Bom dia. O que vai ser?

- Um café!

Já na rua percebo porque o estabelecimento tem tão pouco gente. Ali não abunda a simpatia.

As casas de granito cinzento aqui e ali rebocadas a areia espalham-se pelo aglomerado.

Toca o sino na igreja indicando a meia hora certa. Começo a ouvir vozes e gargalhadas. 
A aldeia finalmente parece ter acordado.

O dia é de feriado mas há tanta coisa a fazer. Que o amanho não requer dias determinados e o gado tem de comer sempre.

O Sol vai agora brilhando e as andorinhas durante a primavera tão afadigadas foram substituídas por vazios.

Num charca longe há patos bravos em puro descanso. Mesmo ao lado os coelhos e as lebres fogem. Há tiros nas redondezas.

A aldeia desperta já e vai ganhando normalmente vida.

No povoado humilde e pacaro não há sinais luminosos nem passadeiras nerm sentidos proibídos. E são raros os acidentes.

Quem terá ensinado os aldeões a andar na estrada?

A noite cai cedo. Há cada menos gente nas ruas e demasiado no café.

12 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D