A cidade e as serras! - a partilha!
Tem sido notório desde há alguns anos a invasão de algumas aldeias de pessoas oriundas de outros países nomeadamente Países Baixos, Bélgica, França ou Alemanha. O ano passado uma Junta de Freguesia contava já co mais de 100 famílias, o que significa, no mínimo, mais de 200 pessoas, ocupando terras e casas que adquirem por baixo valor, a maioria sem condições de habitação, mas que eles vão calmamente reconstruindo.
Amíude cruzamos com eles por caminhos inóspitos trazendo quase sempre consigo uns patudos. Os mais afoitos conseguem já ter uma conversa connosco não obstante a dificuldade da nossa língua. Os miúdos rapidamente se adaptam à língua e alguns falam bem.
Ao fim de semana é frequente vê-los nos cafés da aldeia a beberem aguardente ou simples copos de vinho. Os miúdos ficam fora do café a brincar quase todos magros, loiros, bonitos, porém alguns deles muito mal vestidos.
Os habitantes da aldeia já convivem com esta gente sem receios e sem pruridos. E os estrangeiros sentem-se em casa.
Só que não há por lá apenas estrangeiros. Habitam nalgumas casas de melhor qualidade alguns portugueses que procuram, quiçá, a pacatez de uma aldeia beirã. Nada a opor. Mais... diria que é um benefício para o povo.
Se aos estrangeiros não se exige nada até porque a maioria vive em locais ermos, os portugueses que residem na aldeia e que cairam ali como por acidente, têm tendência a serem muito mais esquivos, para não dizer antipáticos que os estrangeiros.
Dou um exemplo: defronte da minha casa há um edifício ernorme que foi reconstruída de início. De p+edra granítica imagino que por dentro deva ter as melhores condições. O casal que lá mora é bem mais novo que eu, mas já não são jovens.
Passeiam o cão e tratam de gatos abandonados, mas raramente os vejo. Parecem eremitas que fugiram da cidade para a aldeia para se isolarem. Porém a vida aldeã tem muito mais que isolamento. Há partilha, conversas, risos e eventualmente alguma lágrima.
Há também uma entrega às causas locais e um aproximar ao povo. Jamais os vi no café, nem em qualquer actividade local. As janelas estão quase sempre fechadas e não há uma aproximação ao terreno, à vida aldeã.
Os estrangeiros podem não o fazer, mas cuidam em chegar-se ao povo. Um dos casdos mais fantásticos é um pai alemão ter todos os seus sete filhos a tocar na Banda Filarmónica.
Resumindo... na aldeia há uma filosofia diferente das cidades e quem quer ir viver para o povoado simples e singelo tem de perceber esta ideia de... partilha!