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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Coisas da Natureza

Após um Verão e um Outono para esquecer, veio um final de Inverno e uma Primavera deveras destruidora.

Só para exemplificar direi que todos os anos os meus marmeleiros são pictoricamente pintalgados de pontos verdes e amarelos referentes a milhares de marmelos de todas os tamanhos e feitios.

Todavia este ano... Este ano não tenho um para amostra. Unzinho para contradizer este texto.

Apenas nas gamboas encontrei duas que, sabe-se lá como escaparam à intempérie de Março e Abril.

Da mesma forma não vi ameixas. As próprias laranjeiras e limoeiros não tiveram hipótese de florir.

Resumindo a Natureza mesmo contra a vontade de muitos é que manda e a fruta este ano vai andar muuuuuuito cara.

Ou então importamos.

A geringonça não se impoorta!

Plantar uma vida!

Na vida já fiz um pouco de tudo. Gerei dois filhos, já escrevi um livro (mesmo que seja uma coletâna de pequenos contos) e finalmente já plantei diversas árvores. Para além de outros trabalhos menores.

Mas este fim de tarde voltei a plantar uma árvore. Desta vez uma laranjeira, já que a anterior que se transpôs ressentiu-se da mudança e acabou por secar.

Gosto deste sentimento de dar vida à vida. E uma árvore, mesmo que um citrino, é um momento fantástico.

Agora é aguardar que o frio nocturno não estrague esta mudança.

Veremos!

À atenção dos radialistas

Todas as manhãs oiço a rádio. Faz parte do meu caminho para o trabalho. Ajuda-me acima de tudo a enfrentar o trânsito matinal e no fim do dia.

Entre algumas coisas que os radialistas dizem, com graça e até com algum interesse, há algo que me custa escutar e que se prende com a previsão metereológica.

Oiço-os declarar com incontida alegria que o dia vai estar fantástico com temperaturas óptimas. Esquecem ou simplesmente desconhecem que por esta altura já deveria ter chovido alguma coisa. Especialmente neste ano de tanto calor e tamanha seca. É que já estamos no Outono. Há terras para lavrar e sementeiras para fazer.

Eu sei que os lisboetas não se dão nada bem com a chuva, Olvidam provavelmente que nada na natureza se cria sem água.

Mas se assim continuarmos, sem chuva, o próximo ano agrícola não vai trazer muita fartura.

Pois... mas os citadinos (e os radialistas) não estão claramente preocupados pois compram tudo nos supermercados... onde nada falta...

Até um dia!

Tempo na aldeia!

É extremamente raro passar na aldeia uns dias como passei os últimos. Geralmente venho cá para resolver uma quantidade de problemas que foram surgindo e ando numa roda viva. Desta vez vim com calma, passeei pelas fazendas, olhei com olhos de ver e decidimos muitas coisas para o futuro.

Assim sabe bem vir à aldeia, respirar o ar puro e sentir o pulsar da natureza na candeia das oliveiras, nas flores das cerejeiras ou no perfume inebriante das laranjeiras floridas.

Ao invés do ruído cosmopolita da cidade adoro escutar o cantar dos grilos no chão atapetado de erva seca, o coaxar das rãs na charca próxima ou os trinados afinados da passarada agitada.

Sabe tão bem este som da natureza.

Duas horas de boa vida!

Foi o que esta manhã e início de tarde, tive direito.

A primeira visita à praia, um longo passeio à beira mar, um sol acolhedor que me aqueceu, entre uma ou outra brisa marítima mais fresca.

A areia ainda virgem de banhistas após um inverno de fortes marés cheirava naturalmente a mar. A água claramente fria mas apetecível.

Ai como gosto deste aroma a... liberdade e a paz.

Janeiro fora, uma hora!

O ditado é popular e representa a diferença horária entre oo início de Janeiro e Fevereiro.

Quem, como eu, acorda cedo e se apresenta em Lisboa de madrugada nota como os dias crescem de forma evidente.

Ainda há uma semana entrava na garagem do meu trabalho ainda de noite enquanto hoje mais ou menos à mesma hora o dia já clareava.

Eis que começou o ano e já vamos em Fevereiro! O tempo passa...

 

Um sapo livre

A vida do campo dá-nos muitas vezes a oportunidade de lidarmos com toda a espécie de animais. Quando digo lidar não quer significar uma profunda interacção com a fauna.

Porém há sempre a possibilidade de vermos animais no seu mundo natural.

Foi o caso deste fim de semana chuvoso mas onde quase tropeçei num sapo que saltitou à minha frente.

Como não gosto muito de interferir na sua pacata vida deixei-o. Só que chamei a malta que me acompanha para ver o batráquio. É sempre uma experiência enriquecedora.

O meu filho mais novo acabou por o agarrar com luvas e levá-lo para outro local de forma a que não interferíssemos ainda mais com a sua vivência.

Todavia ficaram as fotos das quais retirei a que se segue!

 

Sapo.jpg

 

Amigo dos animais?

Costumo ser amigo dos animais sejam eles quais forem e detesto quando alguém mata um bicharoco (quase) só porque sim. Posso até contar um episódio que me aconteceu na aldeia. Andávamos três homens a montar uma cerca de arame quando ao desviar uma pedra saiu de baixo desta um alacrau. Consegui tirar uma foto dele antes de um dos homens o ter espezinhado violentamente. Na altura fiquei furibundo mas depois acabei por perceber a situação.

Esta minha reflexão tem como base uma pessoa que um destes dias vi a passear na rua um... furão! Realmente gostava de perceber o que leva alguém a adoptar como animal de estimação um bicho destes?

No mesmo sentido também não compreendo como se pode ter um animal todo o dia fechado entre quatro paredes de um apartamento. A minha cadela se bem que esteja limitada por um muro não está presa e anda pela casa a seu belprazer. Entra e sai, vai ao quintal, ladra aos traseuntes, corre atrás do gato Pólo, o mais recente elemento da família. Ora este felino é outrossim livre de passear e geralmente basta apanhar um sofá livre para bater uma soneca.

Nas aldeias encontro diversas vezes cobras, lagartos e outros animais mas jamais os atormentei ou prendi. Porque todos fazem parte da Mãe Natureza. No entanto há quem não entenda isso... mantendo em cativeiro toda a espécie de répteis.

Cães com nós?

Sempre gostei de animais. Especialmente domésticos. Cães e gatos de preferência.

Sei que os gatos são normalmente muito independentes e com personalidades bem vincadas. Os cães são geralmente dóceis e bons amigos do ser humano. Eu que o diga...

Lembro-me bem dos nomes dos cães e cadelas que passaram (e ainda passam) por casa dos meus pais e agora na minha: Aiçu, Sebastião, Tica, Farrusca (duas), Black, Pantufa, Tintim, Piki, Bijou, Lupi.

Sempre lidei com eles como simples animais que são. Respeitei-os e eles respeitaram-me. E respeitam ainda!

Por isso acho muito estranho que alguém faça dos animais verdadeiros autómatos como se fossem unicamente máquinas de obedecer. E refiro esta situação porque vi um destes dias, numa rede social, um filme onde um cão, por acaso bem simpático, obedecia que nem um robot às ordens do dono.

É preciso ser-se demasiado egoísta para se obrigar um animal a ter atitudes quase humanas. A natureza tem regras que não devem ser desprezadas. Nunca! Um cão pode ser um bom amigo do homem, mas não é, de todo, um ser humano.

E neste mundo tão moderno há ainda quem não perceba isso.

Termino assim com uma simples questão: porque será que o melhor amigo do homem não fala?

 

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