Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Adeus Bijou!

Há um ditado na sabedoria popular que diz: "Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais!"

E a Bijou era o exemplo perfeito do que diz o pópulo.

Quando nasceu, lembro-me bem, a minha mãe levava-a no bolso de uma bata, tão pequenina que era. No entanto mesmo crescendo era ainda assim uma espécie de miniatura.

Mas esperta, esperta! E conhecia-me a quilómetros.

Contava a minha mãe que ainda não tinha chegado ao cruzamento que acede à aldeia e já ela andava atarantada a correr de um lado para o outro. Nunca percebi como sabia que eu estava para chegar.

Era a verdadeira companhia e companheira da minha mãe. Nem imagino as vezes que esta lhe confidenciou as amarguras. Duas idosas que se entendiam perfeitamente.

A Bijou morreu hoje atropelada por um carro.

Não sei se há céu para os animais, mas estou certo que se houver ela estará lá, a correr atrás de um brinquedo que tanto gostava.

 

BIJOU.jpg

 

Esta era a sua pose favorita à beira da lareira quente e acolhedora!

 

 

 

Não é nada sobre a morte de NB, mas quase!

Sei que sou diferente do comum mortal. Porque aceito que tenho fé e assumo-a como algo basilar na minha pobre vida, porque gosto de rir de tudo e mais alguma coisa, até de mim. Adoro comer e beber uns canecos, conversar com amigos, enfim viver a vida tal como ela se me apresenta diariamente.

Da mesma forma olho para a morte como mais uma etapa da nossa passagem por este mundo. O nosso ciclo só está completamente fechado quando partirmos. Por isso jamais percebi, nem nunca chegarei a perceber porque é que num velório as pessoas hão-de falar num tom baixo.O morto já não ouve e os viventes não vão para aqueles lugares para dormir.

Acredito que esta postura poderá chocar algumas pessoas mas já avisei quem tinha de avisar que no meu velório não deve haver lágrimas... somente alegria. E riam das parvoíces que fiz ou disse. Será a melhor maneira de me homenagearem.

Por que foi assim que eu sempre vivi...  E ainda vivo.

Com um sorriso nos lábios. Nos bons e nos maus momentos. 

A tal dor!

Já aqui disse que o meu maior património são... os meus filhos.

Certamente, tal como eu, muitos pais pensarão da mesma forma. Por eles fazemos tudo, damos tudo, pois são os nossos verdadeiros e mais sinceros projectos de vida.

Pela ordem natural das coisas devem ser os filhos e levarem-nos à nossa última morada. Mas a ordem nem sempre é natural.

E quando são os pais a levarem os filhos?

Pois... essa é a tal dor. A dor que nunca passa e jamais esmorece. Que verte lágrimas de sangue e sofrimento. A dor que arrebata a alma e a derrete. 

Aconteceu a uma colega minha, que esta semana o seu filho adormeceu num sono donde jamais acordará. A tal dor que dói sempre, a chaga permanentemente aberta, a tristeza atroz de mãe e pai.

Considero-me um corajoso perante as vicissitudes da (minha) vida, mas reconheço incapacidade para lidar com tamanha dor. Porque o amor de pai e mãe por um filho não se compreende, nem se explica... só se sente!

Dúvida recorrente

Uma das máximas populares com menos sentido é a que diz o seguinte: "Não há morte sem desculpa!"

Não posso estar em maior desacordo.

A morte existe porque... se está vivo. E faz parte da superior lei da natureza que tudo o que nasce terá um dia de morrer.

Todavia posso chamar para aqui a forma como a morte é apresentada. E aí já considero que aquele adágio popular tem algum sentido.

A morte temo-la como certa... As condições em que acontece é que podem variar.

Ao invés, a vida, surge com algo que podemos de alguma forma controlar. Obviamente que há sempre imponderáveis, mas até estes fazem parte do nosso dia-a-dia. Há quem lhe chame azar ou sorte! Eu sei que a vida é muitas vezes (em demasia) um jogo, mas seja como for há partes nela que devemos ter algum cuidado nas apostas que vamos fazendo..

A morte recente do meu amigo, na data em que foi e estando ele nas condições que se conhecia, alertou-me uma vez mais para um tema que em mim vem sendo recorrente (acho mesmo que já escrevi algures lá para trás sobre isto!!!) e que se resume numa questão, quiçá controversa: pode a morte ser uma espécie de felicidade?

Em face do que já vi e vivi, creio que sim, mas naturalmente que custa-me a admitir tal resposta!

Apagada?

A notícia entrou pelas mensagens do meu telemóvel com estrondo. A L. falecera no dia anterior, comunicava-me um amigo comum!

A morte é algo com que lido de uma forma direi... normal. Porque para mim morrer é tão natural como nascer ou viver. É certo que ainda não perdi nem pai nem mãe...felizmente. Mas mesmo assim... tenho a real consciência que um dia terei de ficar sem eles. Faz parte da vida.

A L. não foi só uma colega durante mais de trinta anos. mas uma grande e boa amiga. mesmo que muitas vezes estivessemos em desacordo!

Não era uma mulher saudável, não senhor! Insulina dependente, nunca se cuidou. Por duas vezes foi parar ao hospital onde fizeram diversos cateterismos. Mas logo que saía pegava no cigarro.

Tantas foram as vezes que lhe disse para ter cuidado consigo própria, mas ela não me escutava. Nem a mim, nem a ninguém.

Partiu assim, sábado passado, para a sua última viagem.

E falo disto porque o que mais me custou, imaginem, não foi só a morte dela, pois calculei que mais cedo ou mais tarde isso teria de acontecer, mas custou-me apagar definitivamente o nome dela dos contactos do meu telemóvel.

De uma maneira quase subtil foi como se a apagasse totalmente da minha vida! E não me senti nada bem!

 

Também sou pai…

As sociedades ocidentais têm sérias dificuldades em lidar com a morte. A perda de um familiar ou amigo é, para quase todos nós, tal como a própria palavra refere, uma perda! E obviamente que este sentimento agudiza-se quando envolve gente (muito) jovem.

É costume dizer-se que, pela lei natural da vida, devem ser os filhos a enterrarem os pais, jamais o contrário. Mas essa tal de vida não entende destas filosofias populares e arrebanha qualquer um de nós… E quando menos se espera.

Dos trágicos acontecimentos deste fim de semana no Meco ressai para além da dor profunda da morte, a tenebrosa amargura dos familiares e amigos, por não terem um corpo. Creio ser uma sensação de vazio interior que jamais será preenchido. E a revolta que vai crescendo no íntimo daqueles pais será uma ferida permanentemente aberta.

Há ainda uma questão que ficará, eternamente, sem resposta e que se resume no seguinte: porquê o meu filho?

Como pai, nem consigo imaginar a dor que sentem, neste instante, aqueles que perderam os seus descendentes!

De todo!

Que raio de vida!

 

Que sentimentos perpassam pelo espírito daqueles pais que acusados, quiçá de prepotentes e ditadores, não deixam os filhos passar um fim-de-semana com amigos junto à praia?

 

Que sentimentos povoam o coração daqueles pais que, de olhos no mar, aguardam ansiosamente que a mancha azul devolva a terra os corpos dos seus jovens infantes?

Nelson Mandela - Deus precisou dele!

Escrevi aqui em Junho passado, que o mundo não estava preparado para ficar sem Mandela. Hoje seis meses continuo a pensar o mesmo.

 

Só que Deus também necessitava de ter a seu lado um homem assim! A bondade e o carisma deste africano não se colhe nas árvores...

 

E não houve nos últimos séculos um homem que se comparasse a Mandiba.

 

Mesmo com 95 anos de idade partiu demasiado cedo.

 

Porque a luta que ele travou toda a vida por justiça, pela paz, pela esperança num mundo melhor não tem idade.

 

Que Deus o acolha junto de Si.

 

Mandela merece-o mais que ninguém!

 

Ao meu tio… Joaquim!

 

É frequente cometermos o erro de avaliar os outros pela sua vida passada, pelo local onde vivem ou apenas pela forma de falar. E se tivermos uma vivência citadina mais se torna evidente aquele (imenso) lapso.

Via telemóvel comunicaram-me o falecimento de uma tia idosa e enferma. A sua partida deixou um homem só mas em paz, libertou os filhos, noras e netos de um fardo que se tornava cada vez mais pesado.

Longe da aldeia, parti lesto ao encontro do meu tio, irmão do meu pai, dos seus filhos ora órfãos, para lhes dar o apoio que estas alturas sempre exigem. Era noite profunda quando entrei na capela mortuária duma aldeia cravada no sopé de uma serra pouco hospitaleira. Na sala, ínfima para o número de pessoas, encontrei o meu tio. Pela primeira vez aquele homem de metro e oitenta de altura, sentia-se quebrado a um profundo desgosto.

Na rua um ror de homens falava de tudo e de nada. As mulheres no interior acompanhavam o viúvo na sua solidão, quase em silêncio. E este homem, iletrado e de mãos repletas de cabos de charrua ali estava junto à defunta. A passar a sua última noite junto de com quem partilhara 55 anos de vida.

Fora assim durante todo o dia de ontem desde que o féretro entrara na capela. E hoje bem cedo lá estava ele, uma vez mais junto à defunta prestando-lhe com a solenidade do momento a sua última homenagem.

E eu, que já vi e vivi tanta coisa, jamais observei um homem devotar à sua mulher ali morta tamanho carinho, ternura, amor e compaixão. Sempre fora assim!

O meu tio é apenas um pobre aldeão, nascido e criado numa aldeia ribatejana. De cultura… só do milho ou dos tremoços e das batatas. O resto será para os de Lisboa!

Como eu!

Coisas (tristes) da vida

Crescemos quase sempre juntos. Quando ía a casa dele era como se fosse a minha e vice-versa.

 

Os nossos pais militares de carreira, andavam por esses mares fora em busca de sustento para a família.

As nossas mães sofriam de ausências e agruras pelas incertezas da guerra em África. 

 

Mais velho que eu seis meses, mas de anos diferentes, acabámos por nunca andarmos na escola ao mesmo tempo. Ainda por cima ele sempre foi muito bom aluno e eu um cábula emperdenido. Depressa ganhou balanço e eu fiquei na cauda de um pelotão da vida.

 

Com ele, todavia, aprendi a gostar de música. Ouvíamos no seu gravador de bobines, igual a um meu, as boas canções da época que ele arranjava nem sei onde.

O meu amigo acabaria finalmente por se licenciar em Engenharia Agrónoma com nota de excelência.

 

Fui ao primeiro casamento dele e ele ao meu. A vida separou-nos mas eu jamais o esqueci. Nem à sua mãe Maria e ao seu pai Teodoro.

Pai este que partiu, ao que sei hoje, para a sua última viagem. Ele que palmilhou tantas léguas nesses oceanos da vida, embarcou finalmente num cruzeiro sem retorno.

 

Ao Mário, meu amigo de há mais de cinquenta anos, um abraço profundo de amizade.

 

Certamente que nunca lerás este texto... Mas lê-o o teu pai, esteja lá onde estiver.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D