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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Na minha cidade VIII - Táxista desembaraçado!

São nove da manhã. Estou num dos centros financeiros da cidade, paredes meias com a Avenida da Liberdade. Após o meu pequeno almoço tenho que ir a uma caixa automática fazer pagamentos.

À porta um colega fuma um cigarro.

Cumprimentos para cá, larachas para lá eis senão quando reparo numa situação estranha que se passa ali mesmo ao pé: uma mulher com três crianças pequenas encontra-se num meio de uma passadeira à conversa com outra senhora.

Não se preocupou com os carros. De todo! Mais uma que considera a passadeira o prolongamento do passeio.

É meio-dia e meia hora. Somos seis num táxi. Tivemos sorte de apanhar um desses com muitos lugares. O trânsito àquela hora está autenticamente um caos. São os transeuntes, na maioria turistas, os já célebres "tuk-tuk", os autocarros, os centenários electricos tudo junto com destino às zonas mais turisticas da cidade, curiosamente local para onde tentamos ir.

Uma das conhecidas calçadas de Lisboa tem dois sentidos para os carros, mas somente um para os electricos. O táxi começa a subir a rua mas a meio há uma carrinha a descarregar. Impossível passar.

O táxista é paciente e estranhamente não apita. Todavia o pior estaria para chegar... Duzentos metros mais acima a rua alarga, mas há carros estacionados no sentido descendente e em segunda fila está outro carro. Mesmo à nossa frente um electrico não consegue passar. Os carros no sentido descendente estão parados porque não conseguem contornar o que está mal parado. Há que recuar de forma a dar espaço ao transporte público de passar.

Ao lado do nosso táxi uma menina tenta recuar o carro no sentido ascendente. Por diversas vezes que o tenta. Enerva-se e deixa descair o seu veículo batendo no da frente (o tal que está indevidamente parado e atrapalhor tudo isto!). O "nosso" táxista decide, á boa maneira marialva, salta do táxi, tira a menina do carro e retira a viatura do local.

Entra no táxi todo contente. Finalmente seguimos viagem. Com imenso prazer assistimos sem querer a mais um belíssimo retrato humano da nossa cidade.

Gosto de saber o que como!

Definitivamente não sou pessoa para enormes experiências gastronómicas. Digam o que disseram só gosto de comer o que faz mal, seja carne ou peixe! E nunca vegetariano ou macrobiótico e muito menos vegan.

Enfim… tenho consciência que um dia terei de morrer e deste modo prefiro fazê-lo após uma boa refeição. Porque isto de partir para o outro lado saudável, não dá gozo nenhum e é obviamente um grande desperdício.

É com base nestes meus (parvos) argumentos que continuo a “alargar” o meu raio de acção, com a ideia fixa de que os três números na balança chegarão um dia!

Isto de se gostar de cozido à portuguesa ou de um arroz de galo tem os seus custos (leia-se pesos!). Já para não falar de um arroz de lampreia ou de lavagante. Se juntarmos a tudo isto um pargo assado no forno ou uns chocos de Setúbal ou uma caldeirada de Sesimbra, tudo certamente muito bem regado… temos um comensal de bom gosto (mas com pouco dinheiro!!!).

Abordei este tema porque a cidade de Lisboa está cada vez mais pejada de restaurantes de todas as espécies e origens, perante os quais me surge um imenso cepticismo. Desculpem lá a coisa…

Não é que os produtos lá confecionados não sejam de primeira qualidade, nada disso, mas sinceramente, comer coisas que não sei o que são torna-se-me muito difícil.

Adoraria a cidade assim... sempre!

Lisboa por estes dias de festas é uma cidade transitável. O movimento é reduzido, os transeuntes que se atiram para a estrada são em menor número, os táxistas conseguem até ser simpáticos e até dão passagem num cruzamento.

Fica então a pergunta: porque não somos assim durante todo o ano?

Se não posso nem devo pedir que haja menos carros nas estradas, já que há mais gente a trabalhar após as curtas férias, pelo menos podiam todos portar-se como se fosse sempre a época de Natal.

Provavelmente a sinistralidade diminuiria, tal como o desgaste dos carros e dos condutores citadinos.

Fica a ideia. E um desejo!

 

Baixa Pombalina, tempos novos?

Durante anos trabalhei na Baixa de Lisboa. Um local cosmopolita tanto em pessoas como em lojas, de todos os géneros e para todos os gostos... e bolsas.

Bom... depois houve o incêndio do Chiado... no Verão de 1988. E este golpe foi realmente fatal.

Grande parte das grandes empresas (leia-se bancos) acabaram por fugir da Baixa e deste modo, o que fora durante dezenas de anos, o centro financeiro do país transferiu-se para outros locais, alguns deles até para fora da cidade..

Lentamente toda aquela área foi assim definhando, não obstante as tentativas de reanimar a zona rainha do Chiado: Os Grandes Armazéns! Com relativo exito...

Mas a Baixa é muito mais que a rua Garrett e ruas envolventes. Desde o Tejo até ao Rossio e desde a rua do Cruxifixo à rua da Madalena, há um conjunto de pequenos negócios que a evolução dos (novos) tempos tem vindo a encerrar.

A maioria dos prédios acabaram por ficar devolutos o que originou naturalmente enormes e radicais intervenções nos edifícios.

São estas intervenções que estão a determinar o fim da Baixa. Hoje todos aquelas lojas, comércios, locais históricos e não só, que durante anos conhecemos, estão todos transformados em hotéis. E há para todos os gostos e carteiras.

Hoje soube que a cervejaria Caracol que me recordo desde muito miúdo, fechou também. Porque naquele lugar vai nascer, imaginem... um hotel!

O charme da Baixa desapareceu. Olvidando ainda algumas lojas que tentam resistir a esta nova invasão, certo é que a Lisboa está a perder, dia a dia, a sua normal identificação. As casas de souvenirs e os restaurantes de qualidade duvidosa são outra doença na Baixa.

Um verdadeiro casamento entre a cidade e o rio jamais se fez, E agora parece-me demasiado tarde.

O pior é que, se um dia alguém coloca uma bomba nesta cidade o turismo, que agora literalmente invade e alimenta a capital, desaparece num ápice.

Lisboa deixou há muito de ser a "Menina e Moça" de que falava Ary dos Santos. Hoje a Baixa passou a ser uma idosa a quem fizeram uma (má) operação plástica.

 

Chuva de buracos!

Aproxima-se a passos largos o Outono (é já para a semana!) e o Inverno. Nós portugueses normalmente não gostamos de chuva… Basta surgirem dois dias um pouco mais chuvosos e ficamos logo cansados de “tanta” chuva.

Uma das incompatibilidades da chuva é, obviamente, com o trânsito. Com as intempéries tudo passa a andar na cidade muito mais devagar e os que não reduzem acabam muitas vezes imobilizados contra outros veículos, originando ainda maior confusão.

Costumo circular diariamente em Lisboa. Entro geralmente cedo tentando evitar os congestionamentos, mas saio quase sempre à hora de ponta. Pela tarde atravesso regularmente a cidade, tendo deste modo a consciência (quase) perfeita do (mau) estado das ruas lisboetas.

Não obstante diversas obras de alcatroamento em algumas vias, a maioria das estradas alfacinhas encontram-se em estado deplorável. Buracos – alguns parecem autênticas crateras -, deficiente sinalização vertical e pior que tudo a quase inexistente sinalização horizontal.

Na maioria das vias não se percebem as guias laterais nem os traços descontínuos do meio da via, originando que os condutores não percebam qual a faixa em que circulam, originando muitos acidentes que poderiam ser evitados.

A invernia que se aproxima, seja ela branda ou áspera, não vai certamente ajudar os milhares de condutores que entram e saem da cidade.

À edilidade pede-se cuidado e trabalho. Criarem-se obras quase megalómanas, deixando as essenciais para as calendas gregas não me parece, contudo, a atitude mais razoável.

Sinceramente a razoabilidade não é o forte dos autarcas lusos!

Regresso!

Não, não fui eu que regressei de qualquer lado, pois as minhas férias já se esfumaram há muito.

Só que hoje, segunda-feira, dia em que as escolas e colégios iniciaram as suas aulas, eis que voltaram à cidade:

- as enormes filas de trânsito;

- os condutores imbuídos do espírito do Ayrton Senna;

- a falta de educação e cidadania de quem anda na estrada;

- os peões armados em donos das passadeiras;

- os acidentes, na maioria por falta de civismo;

- as buzinadelas… só porque sim.

Enfim Lisboa regressa a um rame-rame que já estamos tristemente habituados.

A minha (triste) cidade

Quando era miúdo e ia para a aldeia passar as férias grandes, ao regressar à cidade tinha a estranha sensação de que tudo estava diferente... para melhor. Nunca percebi muito bem este sentimento, mas era assim que me sentia.

Hoje regressei a Lisboa, a cidade que me viu nascer, após três semanas de profunda ausência. Porém o tal e bizarro sentir da juventude não fez a sua aparição, ou melhor, surgiu mas ao contrário, o que equivale dizer que (re)vi a cidade com as mesmas obras, os mesmos buracos (quiçá um bocadinho maiores), a mesma confusão, os mesmos atrasos no Metro (com desculpas tão parvas…), o mesmo trânsito caótico.

Quando parto da cidade espero que ela me dê a alegria de a reviver. Nada disso. A capital (que estranhamente até ganha prémios???) parece não ter mudado um milímetro nos derradeiros 30 anos, quanto mais nas últimas semanas. Não obstante os túneis que furam a barriga da cidade…

A Lisboa de Ary dos Santos era a “menina e moça”. A Lisboa deste que se assina é “velha e meretriz”.

A cidade que está na moda: Lisboa

Nasci, mas nunca vivi em Lisboa. Não obstante isso, desde sempre andei pela capital com grande à-vontade. Muito jovem conheci as ruas e ruelas e tirando alguns bairros mais recentes sei onde são a maioria dos arruamentos.

Conheço muitas cidades, capitais e não só, desta nossa velha Europa, mas reconheço que Lisboa é deveras especial. Como disse uma vez o realizador Wim Wenders sobre a capital: “à luz do dia até os sons brilham”. Mas não é só a luminosidade é também o pulsar da cidade através das constantes correrias ou dos passeios, o trânsito caótico, até a vida mundana são características de Lisboa.

Hoje desci ao coração da cidade. De metro!

A população citadina nesta altura do ano quase desapareceu. Os utentes do metropolitano são, na sua grande maioria, turistas. Vêm aos magotes, trazem toda a família, as malas e mochilas e cheiram mal. Muito mal! Não me venham com a tal história que é do turismo de “pé-descalço”… Bem pelo contrário! Mas adiante!

A Baixa Pombalina, antigamente pejada de trabalhadores locais que enchiam por completo os restaurantes desta bonita parte da cidade, é hoje anormalmente invadida de estrangeiros. São às centenas se não aos milhares. Procuram sol, calor, comer e beber por tuta e meia.

Os alfacinhas deixaram assim de ser proprietários das suas belas ruas e das lojas e restaurantes. Hoje a Baixa está invadida de pequenos negócios de toda  a espécie de souvenirs que proliferam como cogumelos.

No entanto tenho consciência de que a capital necessita desta economia, como de pão para a boca, para poder sobreviver… Mas o que vi hoje pareceu-me um exagero de gente. Sem culpa de quem nos visita, obviamente.

Como Lisboeta assumo que não gosto de ver a cidade onde nasci assim invadida.

Como viajante percebo que quem vem queira aproveitar na sua plenitude a beleza da cidade.

Sexta-feira na cidade...

... é dia de fila. Por todo o lado.

Seja para a Ponte 25 de Abril, seja para a A5, seja para onde for para sair de Lisboa, as filas são uma constante. Para ajudar à festa iniciaram-se trabalhos em diversas estradas e avenidas que congestionam ainda mais o trânsito, já de si caótico.

Já sei de antemão que este dia da semana é normalmente muito complicado. especialmente nesta época de calor e de quase Verão.

Mas hoje o trânsito na cidade entrou num descalabro total. De tal forma que demorei simplesmente 56 minutos a percorrer um mísero quilómetro. Digo bem cinquenta e seis minutos...

Conforme se pode comprovar pelas más fotos de telemóvel.

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Ideias minhas!

A economia turística é uma das grandes vítimas do terrorismo. Desde os atentados ao World Trade Center de Nova Iorque que quem viaja procura unicamente países onde os atentados nunca tenham existido.

Curiosamente hoje tive de ir à Baixa de Lisboa. E achei o Rossio e as ruas limítrofes atapetadas de gente estrangeira. Eles eram espanhóis, ingleses, franceses, americanos... um ror de malta.

As esplanadas repletas, as lojas cheias, o comércio fervilhante. Fiz as compras que tinha a fazer e quando regressei à rua lembrei-me de repente dos ataques em Bruxelas.

Nem consigui imaginar então o que seria um atentado naquele lugar. Quantos mortos, feridos, gente a gritar.

Mas, ao contrário do que se possa pensar Portugal não está imune a este tipo de acontecimentos. Com quase 800 quilómetros de costa, somos facilmente "invadidos" por terroristas.

Renovo o meu olhar para a baixa e nem calculo o que seria dos inúmeros hóteis, pensões, restaurantes e outras casas sem os turistas para os alimentar, tudo por causa de um estúpido ataque terrorista.

Por isso cada vez tenho mais a sensação que nestes ataques religiosos a questão religiosa é somente um mero subterfúgio.

Mas isto sou eu... a pensar alto!

 

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