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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Passadeiras de peões: direito ou dever?

 

Uma destas noites vi a espaços uma reportagem sobre os atropelamentos de ciclistas e peões.

 

Surgiu na rua uma quantidade de gente a manifestar-se pela forma como a maioria dos condutores lida com as passadeiras e os ciclistas.

Creio que terão razão, na maioria dos casos, mas… A chatice é que este mas me vai dar!

 

Eu sou condutor. E já aqui escrevi que sou contra a forma como os peões usam e abusam das passadeiras. Obviamente que quem quer atravessar uma rua deve-o fazer no local adequado e não em qualquer ponto duma via pública, acima de tudo para sua segurança e dos automobilistas.

 

O problema é que os peões não entendem que conduzir um automóvel não é a mesma coisa que andar a pé. E parar um veículo não é simplesmente travar. Um conjunto de factores estranhos, até ao próprio condutor, pode originar atropelamentos muitas vezes de consequências dramáticas.

 

O peão por sua vez não pode pensar que, só por ter ali à sua frente um conjunto de linhas brancas, se pode atirar para o alcatrão sem tomar mais nenhuma precaução. Há quem se atire para a estrada sem se preocupar em olhar o trânsito. Parece que só os peões têm direitos e os condutores apenas deveres.

 

Quantas vezes paro na passadeira para dar passagem a um peão e este diz para eu avançar porque está ali apenas a…

 

A educação cívica e o respeito na estrada, ao existirem, deve serem apresentadas por ambas as partes, não exclusivamente por uma. E neste caso os automobilistas.

Formação e Educação, Cidadania e outras considerações

No tempo da minha já longínqua juventude era costume ouvir os mais velhos dizerem:

“Esta juventude está perdida… No meu tempo nada disto acontecia… O que vai ser desta gente?...”

Correram os anos por cima desses mais velhos que se tornaram em idosos e também pelos mais jovens que passaram a ser velhos. Eu, por exemplo!

Mas ao contrário do que se referia naquele tempo à juventude da época, não digo as mesmas coisas que ouvia outrora, mas reconheço com alguma ironia do destino e quiçá mágoa, que nem sempre estou de concordo com a juventude de hoje.

 

I - Formação e Educação

Senão vejamos: a empresa onde trabalho tem centenas de empregados. De todas as idades (ou quase!!!), culturas, raças ou credos, assim como de diferentes níveis de formação escolar. Desde a antiga quarta classe ao doutoramento, todos trabalham debaixo do mesmo tecto, se cruzam nos mesmos corredores, almoçam no mesmo refeitório. Todavia comecei há uns tempos a notar que alguns dos meus colegas, essencialmente os mais novos, quase nem falam. Entram e saem dos elevadores sem dar uma saudação sequer, cruzam-se com qualquer outro colaborador e nem “água vai”. Por diversas vezes cumprimento-os e quando não oiço resposta, elevo o meu tom de voz de forma a que percebam que os estou a cumprimentar e que a educação é outrossim um valor e não uma mera retórica.

São estes jovens rapazes e raparigas que ao entrarem no mercado de trabalho carregados de energia e estaleca, crêem que podem mudar o (seu) mundo. E para isso ser possível trucidam tudo à sua frente e não olham a meios para alcançar os fins. São os filhos duma geração que se auto-intitulou moderna e evoluída mas que deixou de transmitir valores básicos e claramente uma educação.

E o pior é que mesmo com toda a força na guelra, aqueles jovens acabam não por ser parte da solução para um país mas sim parte de um problema. É este tipo de gente licenciada, mestres e (quase) doutores com os quais lidamos diariamente. São naturalmente incapazes de olhar para a beleza de um dia repleto de sol e vão acinzentando as suas vidas com teorias e mais teorias e sem nenhuma prática real da vida.

 

II - Cidadania

A estrada é para muitos condutores portugueses um palco imenso. Há quem descarregue no asfalto tantas e tantas angústias e traumas, colocando bastas vezes os outros em perigo. Não respeitam sinais verticais nem sinalização horizontal (vulgo traços contínuos), desrespeitam os outros condutores como só eles tivessem direitos. Raramente se agradece um gesto de simpatia como se a tudo, alguns fossem obrigados. As intermináveis filas de trânsito são assim o local perfeito para se aquilatar do nível de cidadania de cada condutor… E há cada um…

É por estas e por muitas outras semelhantes que não conseguimos evoluir, que mantemos um nível educacional e de civismo muito baixo do nível europeu.

 

III – Outras considerações

Muitos dirão ao lerem este já longo texto, que nem toda a juventude é assim tão desprendida de valores, nem que todos os condutores são outrossim incivilizados. É certo o que pensam… e ainda bem! Contudo meus caros leitores parem um dia e observem com serenidade quem vos rodeia. Talvez percebam então aquilo que acabo de escrever.

Cabe a cada um de nós fazer com que não sejamos mais um desses… Eu já eduquei os meus filhos no sentido da educação, formação interior e da cidadania. Espero apenas que eles não me desiludam.

Eu sei de antemão que não!

Maria do Carmo Vieira – uma professora sem papas na língua

Ouvi esta noite uma professora de seu nome Maria do Carmo Vieira, apontar diversas feridas ao nosso pobre e mau ensino, numa entrevista que deu a um canal de televisão.

 

Aquela senhora explicou por A mais B, porque os nossos alunos têm níveis de aprendizagem tão baixos. E se algumas das culpas se podem atirar para os alunos, há em sua opinião muita culpa do Ministério que tem vindo desde há alguns anos a permitir um facilitismo que em nada melhora o nosso ensino, bem pelo contrário, e pior, não prepara convenientemente os alunos para os estudos superiores.

 

Será por isso que a maioria dos alunos quando chegam ao 10º ano não sabe o que querem ser no futuro? Provavelmente porque ninguém os estimulou a saber mais.

 

Depois quando caem nas mãos de professores universitários são vistos como incompetentes e calões. Não querem estudar nem trabalhar mas exigem sempre ter boas notas. Acabam os cursos com resultados medianas mas pretendem serem vistos de igual forma, àquele que estudou e tirou média de 14 ou quinze ou mais.

 

A professora Maria do Carmo falou de muita coisa: da (má) formação pedagógica dos professores, da indisciplina cívica dos alunos, dos critérios impensáveis para avaliar professores e claramente os alunos. E que depois de escrever e falar com altos responsáveis ainda ninguém fez nada.

Olha-se para o ensino não como um investimento mas sempre como uma despesa. São os tecnocratas que nos governam, que assim pensam.

 

Finalmente a Dra. Maria do Carmo, falou do Novo Acordo Ortográfico que acha uma aberração e contra o qual se vai batendo e lutando. Tal como eu acrescento…

 

Daqui vai o meu mais sincero aplauso e a devida vénia a esta professora de português.

 

 

 

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