Levantei-me muito cedo. Eram pouco mais das seis da manhã. Mas tendo em conta a previsão daquilo que seria o meu dia, havia que despachar algumas etapas.
Estou na Beira Baixa. Num local abrigado pela Serra da Gardunha sempre tão devastada com os incêndios. Todavia ainda assim aqui respira-se bom ar, colhe-se boa azeitona (eu que o diga!!!), a fruta é de excelência e as couves têm um sabor a terra pura.
Gosto de deambuar pelos terrenos da família. Perceber algum pinheiro caído, um murro derrubado, algum silvado para cortar.
Sendo alguém que foi criado numa povoação onde a água era (e ainda é) um bem muito escasso, quando chego a esta povoação beirã e noto os poços repletos, as charcas cheias e as ribeiras a correr sinto-me imensamente feliz.
Depois... há aqueles ruídos que a natureza nos brinda, nos afaga, nos eternece; o trinados dos pássaros, a água que foge por entre as pedras num qualquer leito de uma ribeira, o coaxar harmonioso das rãs, o doce sibilar do vento por entre as árvores... ou então não e nada disto e a Mãe Natureza prefere o silêncio!
Há mais de quarenta anos escrevi uma breve e pobre crónica sobre um dia de futebol na cidade.
Um texto que hoje provavelmente não escreveria. Acima de tudo porque naquela altura disse no dealbar da crónica "... Uma correria louca, de muitas dezenas de homens de todas as idades e poucas mulheres..."
Hoje regressei ao futebol após algumas semanas de ausência. Saí por isso mais cedo do trabalho, fui buscar a minha mulher, dirigi-me para casa onde me vesti a preceito (sim, sim para ir ao futebol há que ter... farda apropriada!) e apanhei o Metropolitano.
Saí na estação de S. Sebastião onde mudei para a linha vermelha que me levou ao encontro da amarela que me carregou até perto do estádio. Tudo muito rápido. Quando cheguei a Alvalade subi as largas escadas e cruzei-me com diversos grupos de senhoras, todas brilhantemente identificadas com cachecóis verdes e cor-de-rosa, e que por ali conversavam em amena cavaqueira.
À entrada da porta B mais senhoras que também seriam sujeitas a revista. Já sentado no meu lugar passo os olhos ao meu redor tendo contado dezenas de "eternos femininos" numa altura que o estádio ainda estava quase vazio.
Gente de coragem, penso eu, já que arriscam-se a escutar um ror de expressões vernáculas muito próprias e comuns no futebol. A realidade trouxe-me estranhos epítetos aos jogadores e árbitros, proferidas por algumas das meninas presentes. Quem diria?
Não tenho um disco de vinil, um cd, uma mera cassete do popularíssimo cantor Marco Paulo. Mas soube recentemente que se encontra doente com um raríssimo cancro na mama.
Independentemente de se gostar ou não da sua música há que dar o devido valor a um artista que é seguido por milhares de fãs. E não são só mulheres…
Todavia o que acho fantástico é alguém com a sua visibilidade, ou quiçá por isso mesmo, ter vindo publicamente assumir a sua doença e num acto de enorme humildade pedir que os seus seguidores o ajudem em mais esta bravata, contra uma doença que para além de ser altamente mortal é profundamente limitadora.
Cada um no seu íntimo assume os seus receios, as suas dúvidas, as suas incertezas. Só que Marco Paulo mostrou que para além de ser uma referência na música popular portuguesa é outrossim um ser humano de enorme coragem.
Daqui deste que se assina e que publicamente não é seu fã, envio-lhe um forte abraço para que mantenha a coragem e a lucidez.
A gastronomia do Porto é conhecida pelas suas francesinhas, pelas tripas, pelo cabrito ou pelas fêveras.
Naturalmente não sou muito apologista de experiências gastronómicas. Deste modo prefiro comer algo que conheça do que abraçar alguma aventura.
Pelo que me deu perceber o Porto está recheado de pastelarias ou confeitarias/padarias (ainda não entendi bem se são confeitarias que fazem pão ou padarias que produzem bolos!!!).
Seja como for e pelo que nos foi dado observar, as monstras deste tipo de estabelecimentos são autênticas obras de arte de bolos e outras doçarias.
Mas iniciemos então um mui breve roteiro de três dias mal medidos que estive no Porto.
Sexta-feira
Chegámos ao Campo 24 de Agosto pelas 11 horas. Ainda a tempo de um segundo pequeno almoço na pastelaria “Presa Doce”. O primeiro contacto será sempre o mais marcante e este deixou marcas bem positivas. Até o preço foi simpático.
Após muitos quilómetros entre “vielas e calçadas” como cantou Rui Veloso fez-se tarde e na Rua das Taipas encontrei num rasgo de sorte o restaurante “O Caraças”. Um local singelo, sem luxos ou ementas “gourmet”, mas com alheiras.
Se na capital aquele enchido de origem transmontana é frito e acompanhado de batata frita e ovo estrelado a cavalo, foi com estranheza que a alheira grelhada nos foi servida com batatas, um ovo e uns grelos de nabos (daqueles que amarujam), tudo cozido. Tal como a foto documenta.
A sobremesa trouxe-nos pudins franceses que estavam excelentes.
Acreditem ou não o almoço já tardio estava divinal. Não necessito de grandes luxos num restaurante, mas tão-somente comer bem e sentir-me em casa. A simpatia do pessoal foi outrossim digna de registo.
A noite já caira havia muito. Não tinha muita fome mas a cara metade desejava somente uma sopinha para poder ir descansar dos quilómetros palmilhados e dfas escadas subidas e descidas. Assim na rua dos Clérigos, ali mesmo à beira do ex-libris da Invicta entrámos numa casa onde nos serviram sopa, dois pastéis de bacalhau com queijo, algo que jamais comera e que não sendo algo fantástico... não é mau de todo e umas sandes de fêvera.
Uma refeição (quase) ligeira antes do merecido descanso.
Sábado
Pequeno almoço no hotel, café no Majestic como já havia aqui falado e lá fomos nós dar uma volta pela cidade. Com o passe "Andante" acabámos por ir até ao Castelo do Queijo e por fim a Matosinhos.
Foi nesta terra de pescadores que saboreei um dos melhores almoços dos últimos tempos. Foi um acaso encontrar o Restaurante Dom Zeferino. Poderei mesmo dizer que foi o melhor momento do dia.
O estabelecimento é muito agradável. o senhor Zeferino irradia simpatia e boa disposição que acaba por alastrar aos próprios clientes.
A sala é ampla, bem iluminada e sem cheiros desagradáveis a comida.
Logo de entrada fomos brindados com umas mini pataniscas acabadas de fritar e soberbas... a lembrar cozinhas e sabores muito antigos.
Optamos a seguir por robalos grelhados, que haviam sido pescados nessa manhã pelo senhor Francisco, que tive o privilégio de conhecer.
O peixe veio bem acompanhado de umas migas de bacalhau que estavam, simplesmente, divinais.
À sobremesa um pão de ló de Ovar que estava espectacular merecendo da minha mulher larguíssimos elogios que ecoaram durante diversos dias.
O vinho verde branco com chancela da casa era muito bom e estava estupidamente fresco.
O preço não foi barato, mas para quem já havia pago nessa mesma manhã 10 euros por dois cafés, também facilmente perceberia que aquele repasto merecera o dinheiro gasto. Local a repetir!
Ao fim da tarde alguém nos falou dos celebérrimos cachorrinhos da Casa Gazela ali bem perto da Praça da Batalha.
Nessa noite e ao mesmo tempo que decorria um jogo de futebol que originava menos gente nas ruas e nos restaurantes, fiquei eu adepto do petisco, não obstante não ter muita fome.
Domingo
Este foi o pior dia para comer. Num dia de chuva miudinha não tive grande ensejo de escolher outros restaurantes. Entrei numa churrascaria na Rotunda da Boavista onde comi frango assado (o cozido parecia ser optimo, mas decididamente não estava para ali virado). Serviço demasiado lento e sem qualquer motivo de interesse que não fosse matar a fome. Restou o preço... menos mau!
Regressei ao Campo 24 de Agosto, debaixo de uma chuva mais intensa, para apanhar o expresso para Lisboa, não sem antes voltar à pastelaria "Presa Doce" para um último café Portuense. Soube divinalmente!
Receio que a próxima votação da Assembleia da República sobre a eutanásia, acabe por abrir uma espécie de caixa de Pandora.
É certo que o pior desejo que poderemos sentir em relação a alguém é aquele em que desejamos a sua pópria morte só para que não sofra mais. Mas quem não conhece um exemplo destes?
Tenho vindo a ler alguns textos dispersos com ideias sobre este assunto, profundamente antagónicas onde a dignidade na morte e a dignidade da vida surgem como razões profundamente válidas para cada umas das partes.
No meu caso pessoal diria que a minha resposta à eutanásia seria… “nim”, já que em ambas as opções há razões objectivas para aquilo que cada um defende.
Como católico deveria obviamente ser contra a morte medicamente assistida já que a Igreja defende a vida até ao seu limite. Todavia como ser humano e cidadão percebo que a eutanásia seria a forma mais fácil de se libertar alguém de um sofrimento e uma agonia atroz.
Conheci alguns casos reais de gente que era um vegetal. Alimentava-se através de um tubo que ia directo ao estômago. Assim esteve muitos anos obrigando a famíia e amigos a revesarem-se nos cuidados permanentes. Creio que esta não é uma forma digna de se viver!
Nenhum ser humano merece sofrer, mesmo sendo o maior patife do Mundo.
Porém sinto ainda que a sociedade portuguesa, sempre tão retrógada, não se encontra nem preparada, nem esclarecida para votar em total consciência num eventual referendo sobre a eutanásia.
A vida já me obrigou a não acreditar em coincidências ao mesmo tempo que o povo, na sua imensa sabedoria, afirma: quando a esmola é grande o pobre desconfia.
Ora serve o presente entróito para enfim perceber, e de alguma forma justificar, o que na passada sexta feira a minha operadora de telemóvel fez comigo.
Sem que eu o solicitasse o meu tarifário manteve-se o mesmo, mas o acesso à Internet subiu para mais do triplo... De três gigas que terei ainda este mês, passarei em Março próximo para 10 gigas. E sem custos associados.
Entendi somente hoje o porquê desta oferta tão generosa. É que segundo o responsável da ANACOM, deverá surgir brevemente no mercado um outro operador para telemóveis. E por aquilo que me foi dado perceber, na entrevista que Cadete de Matos deu à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, servirá essencialmente para distribuir internet.
Antecipando-se à futura e nova concorrente, a minha operadora ofereceu-me melhores condições pelo mesmo preço, obrigando-me no entanto a fidelizar por 24 meses.
Obviamente que as empresas prestadores deste tipo de serviços não dão "ponto sem nó". No entanto e no meu caso pessoal preferiria que oferecessem um acesso mais abragente em termos geográficos, já que há ainda locais relativamente perto de Lisboa, onde a rede telefónica e de internet é profundamente deficiente.
Pode ser que a concorrência venha colmatar esta falha.