A eleição havia sido no dia anterior a ter escrito e publicado este postal.
Ainda me recordo da chegada à janela do novel Papa, acabadinho de ser escolhido, segundo dizem, pelo Divino Espírito Santo.
Recordo esse fim de tarde, quase noite, quando o novo Papa apareceu à janela da Praça de S. Pedro e as suas primeiras palavras foram simplesmente um cumprimento.
No fundo um cumprimento ao Mundo.
Em 2023 não imaginaria que um Papa, vindo da longíssima Argentina, fosse tão influente, tão racional e tão sereno.
O episódio acontecera em Fevereiro deste ano de 2012. Um AIT fez-me ficar surdo do ouvido direito. Após alguns tratamentos, sem melhorias evidentes, aconselharam-me a frequentar a Camara Hiperbárica do Hospital da Marinha.
Durante 20 tratamentos ali estive diariamente 110 minutos a mergulhar... virtualmente.
A verdade é que o tratamente fez-me muito bem.
Razão óbvia para ter escrito este postal. Que é o segundo postal, dos milhares que escrevi, com mais comentários, na maioria gente a tentar saber e perceber como eram os ditos tratamentos.
Também por isto valeu a pena estar por aqui e será sempre uma boa memória!
Escrevi e publiquei este postal. Mais por brincadeira que a sério, mas passado todos estes anos tenho consciência que foi mais a sério que a brincar!
Do ano de 2011 não trouxe nenhuma memória daquelas importantes e daí ter passado para o ano seguinte.
No terceiro ano de existência o LadosAB teve quase 100 postais publicados. Todavia os comentários continuavam muito abaixo dos mínimos exigidos por mim.
Mas o caminho havia principiado pouco tempo antes e a esperança, nestas coisas, é sempre a última a morrer.
Encerrava definitivamente o jornal regional "O Alviela".
Um pedaço de mim que ali ficou.
Tantas e tantas linhas esgalhados com crença, afinco e alegria.
Só meia dúzia de anos que ali colaborei mas que valeram por uma vida.
Recordo o momento em que escrevi este naco de prosa, quando não evitei uma lágrima. E deste postal retiro uma frase que ainda hoje, quinze anos passados, faz sentido:
"Que o rio, que tantos anos deu nome ao Jornal, alague as mentes autárquicas e ajudem a recuperar uma fonte de informação, regional é certo, mas naturalmente muito importante."
Estes pedaços de memória terão uma sequência de tempo, mas sem corresponderam ao dia. Entre 2009 e 2010 a minha escrita ainda foi menor. Apenas 29 textos e 24 comentários.
Curiosamente foi neste mês de Março e perante tanta inactividade comentarial que passei para a Sapo.
Em boa hora o fiz.
A justificação desta mudança baseou-se em questões técnicas segundo escrevi no postal naquela altura.
À distância já não me lembro nem imagino o que aconteceu.
Mas pronto... aterrei na Sapo nessse Março de 2010.
Este LadosAB comemorava o seu primeiro aniversário. Sem pompa nem circunstância.
O ano não fora grande coisaem termos de escrita... Com 70 postais publicados que originaram a módica quantia de 71 comentários. Coisa infíma e obviamente muuuuuuuuuuito aquém das minhas ingénuas espectativas.
De tal forma que nem no dia do aniversário escrevi algo sobre o assunto. Foi no dia seguinte que perorei sobre o primeiro ano de blogosfera onde agradeci aos poucos amigos que ousavam comentar. Alguns deles nem sei onde param actualmente. É a vida!
Um postal sofrível com pouco conteúdo e ainda menos esperança. De tal maneira que nem consegui de lá escolher uma frase para ilustrar esta memória...
No Mundo viviam-se as consequências da queda de diversos Bancos e a grave crise financeira da Islândia de 2008. Portugal viria mais tarde a levar por tabela como todos nós sentimos na pele e na carteira.
Neste mês comemorei o meu meio século de vida. Do texto que escrevi na altura retiro esta frase: "...aos 50 anos só me falta uma coisa para me sentir realizado interiormente. Publicar um livro."
Curioso que 18 anos depois olhe para os meus livros editados recentemente com alguma naturalidade, como se fossem o corolário óbvio da minha escrita.
No mesmo ano em que este blogue começou, também eu principiei a disparar para todos os lados.
Curiosamente trago hoje um excerto de um postal que publiquei no dia 12 de Maio desse ano, tendo como tema principal a... justiça.
Isto é 18 anos depois o país neste sector não evoluiu nada! Muitos casos, muitas "operações", mas infimas condenações tendo em conta o número de casos e pessoas.
Posto isto termino com uma das frases deste postal:
"Um país sem justiça não é país, é anarquia. E esta só existe nalgumas mentes ainda próprias de um neo-socialismo inexistente e impraticável."