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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Diário da azeitona - 5

Mais um belíssimo dia de chuva.

E hoje custou tanto. Mas tanto que as horas e as oliveiras pareciam jamais esgotarem-se. E a chuva impiedosa a tombar do céu plúmbeo.

Penedos_gordos.jpg

Uma hora depois de termos chegado à fazenda já estávamos todos molhados. Até ao ossos.

A água era fria, mas tão fria que mesmo com luvas nem sentia as mãos.

Demos o trabalho por terminado por volta da uma da tarde somente com quatro sacos de azeitona colhidos e fomos para casa onde nos aguardava não só o almoço como um banho bem quente.

A primeira etapa desta minha aventura ficou por ora terminada. Lancei-me à estrada e após um Ribatejo é a vez da Beira Baixa, onde mais de centena e meia de oliveiras me aguardam e aos meus.

Portanto amanhã haverá mais... apanha, mesmo que em dia de feriado.

A boa notícia é que não deve chover.

Colheita de hoje e de ontem foi de 316 quilos.

Diário da azeitona - 4

Ao quarto dia já tudo dói. As costas, as mãos, os pés, os braços, o pescoço e mais um sem número de locais do meu corpo.

Eram seis e meia da manhã quando acordei. Chovia! Não era uma chuva forte todavia constante.

- Vamos não vamos? Perguntávamo-nos.

Não apetecia ir para a chuva. De todo! No entanto a azeitona não se apanha sozinha e havia que teimar.

Após um pequeno almoço reforçado e um café quente, pusemo-nos a caminho da fazenda onde a lama, a chuva e o frio nos aguardavam.

Nem sempre choveu, mas quando caía era com vontade molhando-nos até aos ossos, os panos, as ferramentas, a azeitona.

A determinada altura alguém me chamou à atenção para um fenómeno corrente, mas sempre muito bonito: um arco-iris.

Um arco que atravessava a aldeia num semi-círculo perfeito.

Ser testemunha desta natureza não é para todos...

arco-iris.jpg

Entretanto a tarde não sendo das melhores, com algumas bátegas fortes, ainda assim foi no final bem produtiva com nove sacos bem cheios. Hoje ficam em casa à espera do que se apanhará amanhã para serem entregues finalmente ao lagar.

O azeite de ontem tinha a graduação de dois décimos. O que em termos de acidez é quase nada. Nem sabe verdadeiramente ao óleo vegetal!

Quando atrás de à, há!

A nossa língua é malvada. Reconheço que se fosse estrangeiro teria imensas dificuldades em aprender o português. São tantas as variáveis e tantas as excepções que dificilmente alguém que não seja luso percebe as reais diferenças. Também no inglês há o “th”, aquele sopro tão característico dos britânicos, que ninguém, por muito bom inglês que fale, o pronunciará como os súbditos de Sua Majestade.

Mas voltando à língua de Camões diria que cada vez se escreve pior em Portugal. Não imagino se será do N.A.O. ou desconhecimento puro da nossa língua ou até da falta de leitura de obras mais antigas onde a lusa língua era bem tratada.

O problema é que a aplicação de determinadas palavras, mesmo que de forma errada são já um (quase) património linguístico. Os políticos, jornalistas e até escritores usam estas expressões de forma tão normal que um destes dias ninguém diz que é um erro.

O exemplo mais flagrante está no advérbio “atrás” quando usado com o verbo haver. É tão comum escutarmos “… há anos atrás…” dito por todos e mais alguns que já ninguém considera erro. Neste caso basta dizer “… há anos…” que já se percebe que é no passado. Portanto um erro que já vem de há anos!

O verbo haver acarreta outras dúvidas e muitos mais enganos. Pelo que vou lendo por aí, há quem não perceba a diferença entre o “à”, contração da preposição “a” com o artigo “a” originando com a sua duplicação o respectivo acento grave abrindo a vogal, com a forma verbal do presento do indicativo do verbo haver “há”.

É tão recorrente este erro que até eu, por vezes, fico confuso para não dizer com dúvidas, quanto à correcta aplicação das diferentes formas.

Ninguém tome este postal como uma crítica, até porque eu próprio dou imensos erros. Mas erros deste género custa-me aceitar-

A gente lê-se por aí!

Diário da azeitona – 3

Levantámo-nos bem cedo, pois havia que aproveitar o dia claro. As oliveiras esperavam-nos pacientemente.

Após o café no bar do clube da aldeia partimos para mais uma aventura. Desta vez a azeitona meava entre a verde e a madura. Como não há possibilidade de escolha derrubou-se toda.

Recolhida posteriormente em panos mais pequenos e retirada a folha, foi tempo de a colocar em sacos. Serenamente estes ficaram espalhados pelo terreno á espera de serem levados para o lagar.

Eram nove e meia da manhã quando caiu uma bátega forte e muito fria. Mas teimámos e ao fim do dia contabilizaram-se onze sacos bem cheios que somaram 241, 5 quilos, entretanto já entregues no lagar.

Aqui recebeu-se finalmente o produto da primeira apanha. De 269 quilos obtiveram-se 29 litros de azeite.

Pareceu-nos pouco… Mas o mestre do lagar é que sabe!

Fatal como o destino!

Havia um homem na aldeia, entretanto já falecido, que dizia o seguinte: sempre que esta gente (éramos nós!!!) vêm à aldeia para a azeitona, chove!

Não obstante estarmos no Outono há mais de um mês a chuva tem tardado em chegar. Até virmos para a azeitona...

Pronto a chuva lá apareceu. E como sempre tivemos que teimar com ela a bater nas costas e a encharcar-nos.

Invariavelmente de há uns anos a esta parte a chuva tem sido nossa companheira. Pode não cair mais uma pinga de água durante todo o ano, todavia quando vamos à azeitona é certinho.

O aldeão já partiu, mas o seu presságio mantem-se firme!

 

Diário da azeitona - 2

Após a noite chuvosa de ontem calculei que as mantas e restantes apetrechos estivessem completamente encharcados, No entanto enganei-me completamente pois tudo estava seco. O vento da noite ajudou a secar.

A manhã estava muito fria. Soprava um vento forte e pouco convidativo. Mas a azeitona não espera... Se não cair obrigada, cai por si própria perdendo por isso qualidade. Portanto havia que antecipar.

Foi um trabalhão tentar atapetar o chão por debaixo das oliveiras devido ao vento inclemente e poderoso. Mas com persistência e saber (e a ajuda de muitas pedras) lá fomos constituindo um tapete de recolha da azeitona.

Entre muitas oliveiras que temos de correr há duas que se destacam, não só pela sua imponência, Mas essencialmente pela quantidade de azeitona que ambas dão. Voltaram a não falhar... um par de oliveiras deram 9 sacos de azeitona.

São do tipo lentrisca, uma variedade muito apreciada cá na aldeia essencialmente pelo azeite muito fino e de grande produção. Todavia os bagos náo servem para a conserva.

Após as duas oliveiras que levaram toda a manhã foi a altura de corrermos uma meia dúzia de oliveiras galegas onde a maioria está verde. Mas o tempo não corre a nosso favor...

Carregados os sacos fomos novamente ao lagar.

Desta vez apanharam-se 270 quilos. E amanhã já deve haver azeite... novo!

 

Diário da azeitona - 1

Todos os anos a história repete-se. Pelo Outono seja este chuvoso ou soleiro, arrepiado ou encalorado, brando ou ventoso a época da azeitona é uma certeza.

Este ano, todavia, atrasou-se, já que choveu até muito tarde. Portanto há um evidente atraso de cerca de um mês, tendo como matriz anos anteriores.

Estou no Ribatejo. A serra dos Candeeiros surge imponente acomodando a aldeia mais que centenária. Começámos cedo que isto de andar à azeitona recupera uma velha ideia do meu falecido avô: somos nós que esperamos no olival pelo dia claro.

Munidos de maquinaria, sacos, mantas e outros apetrechos entrámos no olival ainda o astro-rei estava a dormir. Retirámos as alfaias, espalharam-se os panos, montámos as máquinas e vai de botar abaixo a azeitona. Horas e horas de árduo trabalho. Os bagos negros vão à força caindo em enormes mantas.

Hoje o vento forte foi uma constante duplicando o trabalho para quem estendia os panos... Não fossem as pedras...

Junta e ensacada a azeitona vai logo que possível para o lagar, onde o mestre nos dará o azeite.

Ou, e regressando ao meu avô ,que dizia: a oliveira dá a azeitona, o lagareiro o azeite!

Apanha total do dia de hoje: 250 quilos.

 

 

Aviso à navegação

A partir de hoje à noite vou estar ausente. Passarei a estar em modo "azeitona" que é, para quem não conhece, o meu estado normal por esta altura do ano. Vão ser duas longas semanas a levantar muito cedo de forma a aproveitar o dia na apanha da azeitona.

Pelos menos até dia 31 deve ser difícil que apareça aqui alguma coisa escrita. Tentarei deixar uns textos agendados mas não sei se hoje ainda terei tempo para isso. Quanto a respostas a eventuais comentários só mesmo a partir do dia 31.

Tudo se prende com a questão de na aldeia onde vou estar a rede de telemóvel ser muuuuuuuuuuuito fraquinha. Resultado... dificilmente terei rede.

Portanto para quem fica por aqui desejo bom trabalho, férias, feriado, fins-de-semana. reforma... seja o que for!

A gente lê-se por aí!

 

O drama das escadas

São 16 e 59 quando saio do meu trabalho já devidamente equipado para o jogo. O Metro vai quase repleto de adeptos. Vinte minutos depois estou a entrar no estádio após ter passado os seguranças e os torniquetes.

E é aqui que tudo se inicía. São diversos lances de escadas, inúmeros degraus, diversos andares sempre a subir.

Faço-o com calma e serenidade, pois ainda é cedo. Já escuto o "speaker" mas não percebo o que diz.

Continuo a subir. O drama adensa-se.

Passo a passo, degrau a degrau vou-me aproximando do cimo.

Sinceramente não há drama como este.

Chego ao último patamar onde encontro outro segurança.

Não há mais escadas para subir a não ser as dentro do estádio que dão acesso ao lugar.

Respiro fundo.

O drama resume-se finalmente: como descerei as escadas depois do jogo?

Alegre e feliz?

Triste e cabisbaixo?

Entre ambos?

Estas dúvidas assistem-me em todos os jogos.

Esta noite não foi diferente!

 

Também aqui

Ouro em série!

Desde que terminou a nona temporada da série 24 que deixei de seguir qualquer conjunto de enlatados americanos. Ao mesmo tempo que deixei de seguir a televisão.

Um filme aqui, outro ali, quase sempre clássicos, mas séries nunca mais!

Nunca mais? Mentira!

Há umas semanas alguém deixou a televisão acesa na minha sala. Todavia quando a fui desligar apercebi-me de um episódio diferente. Primeiro porque era em francês, o que nas nossas televisões não é frequente. Depois reparei na referência ao Canal Plus. Picou-me a curiosidade e deixei-me ficar.

Não me arrependi!

Guyane é uma excelente série onde a estória dos garimpeiros clandestinos se mistura com crimes, prostituição e negócios muito obscuros.

Acabou ontem a primeira temporada e para a semana iniciar-se-á a segunda.

Não é costume vir aqui falar de televisão. Porém esta série que foi traduzida para português como “Ouro” merece um olhar atento. Chamo, no entanto, a atenção para alguma linguagem mais vernácula, especialmente quando os intérpretes são brasileiros.

A não perder! Mesmo!

guyane.jpg

 

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