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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Cidadania também é isto...

Quase no fim de vida de trabalho eis-me numa campanha eleitoral para a Comissão de Trabalhadores da empresa para a qual (ainda) dou a minha contribuição.

Fui então convidado para fazer parte de uma lista e deste modo tenho feito quilómetros nos diversos edifícios de forma a fazer chegar a minha/nossa mensagem.

Curioso é a maneira como tenho sido recebido, especialmente por gente com quem trabalhei faz muitos anos. Olham para mim e quantas vezes incrédulos, confessam: tu nisto?

Sim nisto.

Porque como cidadão a minha intervenção na sociedade também pode (e deve) passar por esta postura.

Em nome de...

Conta-se, em jeito de anedota, que um dia, numa das movimentadas ruas de S. Paulo no Brasil, está um homem a pedir esmola. Do outro lado aparece uma idosa com evidentes dificuldades em andar e que vê o pedinte. Alguém repara na ansiã e diz ao homem que do outro lado há quem lhe queira dar esmola. Diz então o homem:

se tivé vontadi de dá, qui venha cá!

Também em Portugal há quem procure a caridade fácil em vez de trabalho duro. Mas a esmola também só dá quem quer. E eu não dou! Já assisti a muito maus exemplos de gente que andava a pedir, dormia na rua sob um qualquer telheiro, mas tinha milhares de euros em depósitos a prazo.

Mas em Portugal toda a gente considera isto perfeitamente normal. A subsídiodependência está arraigada na génese lusa.

Só que hoje espantei-me com alguém, muuuuuuuuuuuito mais novo que eu, sentado num pequeno banco de cozinha e tendo à sua frente um letreiro que dizia o seguinte:

"Por Deus preciso duma esmola".

Não imagino se terá uma doença que o impeça de trabalhar ou é mera preguiça. A verdade é que vi gente a depositar dinheiro na sua caixa de esmolas.

Todavia custa-me que o nome de Deus seja usado como chamariz dos corações (e das carteiras) dos crédulos traseuntes.

 

Receios em vão!

Temi o pior.

Após o granizo que ontem à noite invadiu Lisboa e arredores pensei que a minha agricultura de sábado tivesse ficado reduzida a meros destroços.

Pela manhã acabei por não ir ao quintal prometendo a mim mesmo que à tarde o faria.

Todavia e tendo em conta que a escola já começou, o trânsito na cidade cresceu exponencialmente, o que fez com que chegasse a casa mais tarde do que pretendia.

Ainda assim a tempo de fotografar a minha horta que após as couves do Outono e Inverno se prepara para as culturas da Primavera e Verão.

Começo pelo feijão que já dá mostrar de querer crescer.

feijao.jpg

Segue-se o cebolo roxo, os tomateiros e os pimenteiros, aqui numa visão demasiado ampla.

qtal_tom_ceb.jpg

E por fim algumas das curgetes, já com as respectivas caleiras para a época de rega.

curgetes.jpg

No entanto o que mais realço do que vi foi que o granizo, aparentemente, não fez grande mossa às plantas.

Mas veremos!

Uma memória e uma homenagem!

Durante os três anos que trabalhei na Avenida da Liberdade, encostado ao Cinema S.Jorge, todos os dias 9 de Abril via no monumento erguido ali defronte do velhinho Parque Mayer uma singela homenagem.

Geralmente apareciam ali umas individualidades e alguns homens já de provecta idade, quase sempre fardados e amparados em bengalas ou familiares. Calculei que seriam antigos soldados.

Na altura pouco percebia o que estava a acontecer. Só muito mais tarde dei conta da homenagem que ali faziam e a quem…

Hoje 100 anos passados sobre a Batalha de La Lys, já não existirão certamente nenhum desses antigos soldados que eu tive ainda o privilégio de ver ao vivo.

Um momento que hoje recordo e aqui homenageio.

Soubesse eu naquela altura o que sei hoje, provavelmente tiraria uma “selfie” com alguns deles. Ou talvez não!

A história de Portugal também foi feita com gente desta!

Domingo chuvoso!

O dia parecia querer ser diferente dos últimos, tal era o Sol matinal. Mas depressa tudo se toldou num céu plúmbeo e muito carregado.

De quando em vez uma trovoada descarregava a sua ira, transformando as ruas em autênticos ribeiros. Mas enquanto fosse chuva não haveria grande problema para a agricultura de ontem.

Ao fim da tarde fui ao futebol e já estava no estádio quando o céu me presenteou (e a todos os adeptos presentes!) com uma bátega que obrigou muita gente a mudar de lugar refugiando-se de uma molha. Eu estoicamente fiquei no meu lugar.

A água era fria, muito fria, quase gelo.

Depois recebi a informação que na Amadora, onde habitualmente resido, chovera copiosamente, na maioria granizo.

Fiquei logo com o coração triste por adivinhar que a minha agricultura de ontem deverá ter sido arrasada. É o risco desta vida...

Amanhã constataremos.

Sábado já está!

Este Sábado já o previra trabalhoso, mas muito longe do que realmente aconteceu.

E o problema esteve obviamente na chuva que caiu, enquanto amanhava a terra, com anormal abundância.

De tal forma que a determinada altura quase não consegui andar com uns velhos chinelos tal era o peso da lama que carregava sob os pés.

E não fosse a ajuda preciosa do meu filho mais novo, provavelmente o trabalho duraria o dia todo. Mesmo assim...

Esta plantação já deveria ter sido feita há um mês, mas nessa altura a chuva era muito mais, os dias mais pequenos e as plantas estariam pouco desenvolvidas antes de ir para a terra.

Ora bem... hoje plantaram-se quase uma grosa de pés de cebolo, duas dúzias de tomateiros, meia de pimenteiros e uma dúzia de curgetes.

Não sem antes termos enterrado o lixo guardado no compostor durante meses. Uma política que temos vindo a seguir, desde há alguns anos, aproveitando o lixo orgânico para estrumar a terra.

Faltou montar a estrutura para que os tomateiros se elevem e algumas caleiras ao redor das curgetes. Finalmente chamo a estes trabalhos... agricultura urbana pois é feita na cidade, com métodos antigos e resultados semelhantes aos das aldeias.

Assim deixe Deus...

 

Na loja do senhor A.

Aproxima-se o fim-de-semana. E como qualquer dos meus fins-de-semana anteriores este também não vai servir para descansar.

Manias...

Assim já me estou a preparar para cavar a terra, enterrar o lixo durante meses colocado num compostor, para finalmente poder plantar os tomateiros (já com atraso, eu sei!), pimenteiros, curgetes e mais algum cebolo.

Ora, todas estas plantas são compradas na loja do senhor A. Um homem sui generis. Baixo, robusto, de lustrosa calvície tem uma linguagem muito própria roçando muitas vezes o vernáculo. Esteja quem estiver na loja, o A. despeja o que sente com a mesma facilidade que faz as contas às plantas que cada um compra.

Uma das suas características é o seu asco aos nossos políticos. Destes tem a pior opinião possível e fala deles com azedume.

Logo pela manhã fui à loja buscar as plantas para dispor durante o fim-de-semana. A loja estava cheia a aguardei a minha vez. Quando me viu e conhecendo-me, apressou-se a despachar-me. Com ele tive então este diálogo:

- Bom dia amigo!

- Bom dia senhor A. Venho buscar a minha encomenda.

Na sua voz rouca indica:

- Vá ali ao fundo ter com o "jaquim"...

- Já agora só mais uma coisa que eu preciso...

- Diga.

- Tem sacos com estrume?

- Tenho sim senhor.

- É de quê?... De...

Nem me deixou acabar a pergunta:

- É m... de político. Da melhor. Vinda directamente da Assembleia de ladrões - disse a rir.

- Ó senhor A. isso não se diz. Então! Há lá gente séria, com toda a certeza... - tentei contrapor.

- Nenhum político português é sério... Se o fossem não estavam onde estão - continuou ele.

- Um saco é de que tamanho? - tentando desviar o sentido do diálogo.

- Quarenta litros e custa 3.90... Uma pechincha vindo donde vem. - insistiu.

Percebi que estava a perder uma batalha e portanto achei por bem calar-me, não fosse a conversa descambar por caminhos ínvios.

Paguei as plantas e saí.

Quanto ao estrume... ficou lá com ele.

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