Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Crónica numa sala de espera

São cinco da tarde. Estou há hora e meia a aguardar que chamem a minha mãe para uma consulta médica. As pessoas vão entrando e saindo conforme vão sendo chamadas.

Entra então um casal. Ele veste umas calças cremes e um pólo a condizer e parece um homem normalísssimo. Como na sala só um lugar vago procura outra sala para se sentar. A esposa é o contraste e fica na sala onde me encontro. Veste uma túnica branca acabada de sair da máquina de lavar roupa, umas calças também alvas e calça umas sandálias rasas.

Senta-se e retira então de um saco uma bisnaga e toca a besuntar as mãos e os dedos com o creme saído e dos quais se destacam uns "cachuchos" enormes enfiados. O cabelo preto, obviamente pintado, contrasta com a roupa. A tez é morena de quem usa a piscina para ganhar alguma cor, e os lábios são finos mas brilhantemente vermelhos. Após a rotina das mãos segue o batom passado pelos lábios como estivesse para entrar numa festa em vez de um consultório. Depois rebusca mais coisas na mala e tira uma espécie de livro de apontamentos e o telemóvel. Assisto então, entre o divertido e o pasmado, ao seguinte diálogo:

- Boa tarde! Tenho uma cadelinha com uma... (disse a doença!) e necesssito de uma consulta para ela, urgentemente. O Dr. R... não é ortopedista?... Pois é esse mesmo... Necessito urgentemente de uma consulta.

Tudo isto foi dito num tom de voz que muitos homens não têm e com uns décibeis altamente nocivos para os ouvidos dos presentes. Mas regressemos ao diálogo:

- Sexta feira próxima? Não posso! Não vou estar cá. (A consulta era urgente, a princípio!)

A chamada parece ter-se desligado. Tenta mais uma vez mas parece que ninguém a atende.Finalmente:

- A chamada caiu... 

Combina a dita consulta. Liga novo número:

- Tá J... preciso que me dê os nomes dos comprimidos do Dr - supus que o tal doutor fosse o marido, naquele instante longe da esposa espalhafatosa e provavelmente muito descansado.

- Como? Ésse, ipsilon, éle, não é éle... ah éfe, sim... - e vai escrevendo no seu bloco notas.

O tom de voz mantem-se mavioso... Todos os presentes e quiça alguns ausentes no andar inferior, vão começar a saber quais os medicamentos... Depois passou para o que irá ser o jantar pois continua a falar num tom muito acima do que é normal. Desliga finalmente o telefone e já se consegue ouvir a televisão pendurada na parede.

De súbito levanta-se, procura a assistente e após breve diálogo, desta vez e curiosamente em tom baixo, parte deixando o marido sozinho.

Nunca mais vi tal personagem.

Entretanto a minha mãe foi chamada!

Um governo sem ideias.

Não bastava o imposto sobre o património quando surge novamente a ideia da geringonça em acabar com o sigilo bancário.

Mais uma vez o PS a reboque do BE. O partido de António Costa vive das ideias de um partido que até nem está num governo. Enfim… isto é política à portuguesa! O BE manda e o PS obedece…

Ouvi a deputada Mariana Mortágua dizer que é preciso ter coragem para tirar aos mais ricos. Se colocarem em prática este pensamento pode vir a acontecer uma de duas coisas: ou os tais ricos saem todos de Portugal e o governo não buscar um “tusto” ou então vendem ao desbarato todo o património e com o dinheiro vão para as Caraíbas passar férias prolongadas.

Nesta confusão há algo que a esquerda ainda não percebeu: o património de cada um é na maioria das vezes herdado. Com esta medida a desertificação vai crescer pois ninguém quer ser dono de pedaços de terra com um valor predial exagerado e sobre o qual vai pagar um imposto estúpido e idiota, sem ter daquele qualquer rendimento.

O abandono das propriedades vai obviamente crescer exponencialmente. Veremos então!

Entretanto a quebra do sigilo bancário tem a imbecilidade de colocar todos os portugueses no mesmo saco. Ou melhor… o Estado não presume a inocência conforme está consagrado na Constituição e considera que todos os contribuintes são criminosos.

Se a AT considerar que alguém com um IRS baixo apresentar um património elevado pode, com a devida autorização judicial, perceber o que aconteceu ao contribuinte. Mas só nestes casos… Não de forma generalizada. Até porque a AT não é de fiar quanto a fugas de informação!

O PR teceu publicamente críticas a esta última ideia. Veremos o que nos reserva o futuro próximo até porque não acredito que Marcelo Rebelo de Sousa, numa eventual teimosia governamental quanto à quebra do sigilo bancário, não envie o diploma para o Tribunal Constitucional.

Receio que estejam a querer fazer deste país um exemplo de como não se deve governar. O apoio parlamentar pode ser fantástico, mas deixa num só partido (neste caso o PS) o ónus de tudo o que correr mal num futuro próximo.

Temo novo resgate. Temo mais austeridade, temo mais incompetência socialista.

O futuro de Portugal parece-me muito negro. Tão negro quanto o foi com os governos anteriores de Passos Coelho, Sócrates, Guterres ou Cavaco..

Ministro com bom gosto... musical?

Por hábito e para manutenção da minha já pobre sanidade mental raramente vejo televisão.

Todavia a noite passada acabei por assistir a uma reportagem onde a figura principal era o actual Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Este elemento do actual governo regressou à escola secundária que frequenou enquanto estudante do secundário.

Apercebi-me das naturais e simpáticas trocas de galhardetes entre o ministro e antigos professores e empregados da escola, quando a determinada altura o Senhor Ministro descreve que numa sala havia um leitor de cassetes mas com uma só cassete. Nesta estava gravada, num lado os Supertramp e do outro os Dire Straits.

No entanto não percebi realmente se o responsável pela pasta da Educação gostou daquelas bandas ou se fazia um frete ao escutá-las!

Quero acreditar na minha primeira hipótese!

 

Sou rico somente por decreto!

Não estou a achar piada nenhuma à ideia do BE em taxar o património em mais um imposto. Será que o PS, que vai a reboque das ideias de Catarina Martins só para se aguentar no poder, sabe no emaranhado em que se está a meter? Tenho a certeza que não…

Mas vamos ao que interessa… Taxar o património imobiliário acima de 500 mil euros parece-me um absurdo. É que o governo anterior actualizou – e de que maneira – o valor predial das casas. Basta alguém ter duas casas, uma na cidade e uma na aldeia, esta última quase sempre por herança, e o tal valor atinge-se sem grande dificuldade. Se juntarmos a isto uns pequenos nacos de terra, na maioria improdutivos, mas altamente valorizados pela AT, temos um valor muito acima do limite de isenção. Todavia não é com isto que a pessoa se torna automaticamente rica…

Vejamos o meu caso: trabalho diariamente há quase 40 anos. Neste caminho laboral adquiri uma casa através de um empréstimo bancário que estarei a pagar até aos 70 anos (se lá chegar!). Há mais de meio século os meus pais construíram, a expensas próprias e com muito sacrifício, uma reles casa na aldeia. Como sou filho único, um dia que eles partam, serei obviamente o seu herdeiro natural e assim o meu património imobiliário crescerá exponencialmente. Se juntar a isto umas fazendas onde as pedras são rainhas e onde nada cresce a não ser mato… passarei a ser um homem claramente rico em património mas pobre em dinheiro pois os impostos que me serão aplicados levar-me-ão as minhas já poucas poupanças.

Olhando para esta ideia tenho cada vez mais a certeza que em Portugal o melhor é ser realmente muito pobre, porque quer queiram quer não, pobre já eu sou! E sempre serei.

Entendo que esta “geringonça” tente ir buscar dinheiro a algum lado, para pagar os devaneios eleitorais. Mas esta forma é claramente exagerada.

Provavelmente com enormes custos eleitorais para o PS e não só!

Chuva de buracos!

Aproxima-se a passos largos o Outono (é já para a semana!) e o Inverno. Nós portugueses normalmente não gostamos de chuva… Basta surgirem dois dias um pouco mais chuvosos e ficamos logo cansados de “tanta” chuva.

Uma das incompatibilidades da chuva é, obviamente, com o trânsito. Com as intempéries tudo passa a andar na cidade muito mais devagar e os que não reduzem acabam muitas vezes imobilizados contra outros veículos, originando ainda maior confusão.

Costumo circular diariamente em Lisboa. Entro geralmente cedo tentando evitar os congestionamentos, mas saio quase sempre à hora de ponta. Pela tarde atravesso regularmente a cidade, tendo deste modo a consciência (quase) perfeita do (mau) estado das ruas lisboetas.

Não obstante diversas obras de alcatroamento em algumas vias, a maioria das estradas alfacinhas encontram-se em estado deplorável. Buracos – alguns parecem autênticas crateras -, deficiente sinalização vertical e pior que tudo a quase inexistente sinalização horizontal.

Na maioria das vias não se percebem as guias laterais nem os traços descontínuos do meio da via, originando que os condutores não percebam qual a faixa em que circulam, originando muitos acidentes que poderiam ser evitados.

A invernia que se aproxima, seja ela branda ou áspera, não vai certamente ajudar os milhares de condutores que entram e saem da cidade.

À edilidade pede-se cuidado e trabalho. Criarem-se obras quase megalómanas, deixando as essenciais para as calendas gregas não me parece, contudo, a atitude mais razoável.

Sinceramente a razoabilidade não é o forte dos autarcas lusos!

A minha liberdade

Ouvi hoje alguém dizer que não concordava com a eventual lei que poderá proibir que se fume fora dos recintos escolares, com a desculpa de que aquela cerceava a liberdade de cada um num espaço que é publico.

Ora se é público para se fumar também o é para o não fazer. Se a liberdade de quem fuma poderá ser colocada em causa, também a liberdade de quem não fuma é naturalmente questionada.

Não é um tema onde os interesses sejam convergentes, bem pelo contrário. Cada um considera que tem mais razão que o seu antagonista.

Só que quem fuma não só prejudica a si mesmo (mas isso não me preocupa!) como influi na saúde dos outros que o rodeia e que não fumam. Perguntar-se-á: com que direito?

Tenho consciência que a maioria dos fumadores só se preocupa com os seus anormais interesses. A tal de liberdade só interessa quando é colocada em causa um cigarro que só a eles agrada. Porque nesssa altura a minha liberdade de ser dependente de um vício já não interessa nada!

Durão e Sócrates: os porreiros!

Então vamos lá a ver se eu entendo… Durão Barroso deixou de ser Primeiro Ministro em Portugal para poder ajudar a “Comissão Europeia”. Aqui esteve dois mandatos e Portugal gostou muito disso… Não era “porreiro pá”?

Passado o tempo devido Durão Barroso sai de Presidente da CE e envereda por dar umas aulas aqui e ali, pois que a vida continua e há que fazer por ela.

Surge então a notícia do convite feito pela Instituição Goldman Sachs para integrar esta instituição como CEO não-executivo.

Pronto foi a bomba… Toda a gente se virou contra o homem e até a própria CE lhe retirou o estatuto de ex-Presidente só porque acharam que há ou houve conflitos de interesses entre o tal Banco e a dita Comissão.

Sinceramente a mim nada disso me interessa:

1º - porque não sou eu que lhe pago o vencimento como CEO do tal banco multinacional;

2º - o trabalho que ele realizou na CE foi muitas vezes elogiado (li eu…) por diversos sectores;

3º - porque me cheira a “dor-de-corno” por parte dos seus opositores, que agora surgem como cogumelos.

Naturalmente que o Doutor Durão Barroso não necessita que eu o defenda publicamente mas como detesto “linchamentos políticos” cheira-me que esta campanha entronca numa espécie de vingança de alguma esquerda ressabiada tendo em conta os casos do ex-PM José Sócrates. Com esta campanha bem orquestrada, numa hipotética candidatura a Belém, ficarão ambos em pé de igualdade.

Nestas coisas da política profissional nada é deixado ao acaso, de tal forma que o futuro é pensado a dez anos.

Ou como é que acham que Marcelo Rebelo de Sousa ganhou as eleições Presidenciais?

Regresso!

Não, não fui eu que regressei de qualquer lado, pois as minhas férias já se esfumaram há muito.

Só que hoje, segunda-feira, dia em que as escolas e colégios iniciaram as suas aulas, eis que voltaram à cidade:

- as enormes filas de trânsito;

- os condutores imbuídos do espírito do Ayrton Senna;

- a falta de educação e cidadania de quem anda na estrada;

- os peões armados em donos das passadeiras;

- os acidentes, na maioria por falta de civismo;

- as buzinadelas… só porque sim.

Enfim Lisboa regressa a um rame-rame que já estamos tristemente habituados.

Uma pergunta (ainda) sem resposta

O dia estava fantástico. Após um almoço e de um passeio eis-me de regresso à sala de aulas para continuação da formação. Na sala de espera a televisão estava acesa e no instante em que entro vejo no ecran, para imenso espanto, um avião a entrar por um edifício como faca em manteiga em dia de Verão. Percebi que era nas torres gémeas, na cidade que nunca dorme, para logo a seguir dar conta que não havia sido um mas dois aviões a chocar contra o World Trade Center. O resto já todos sabemos...

Todavia a imagem que nesse dia mais me surpreendeu foi a queda em directo dos dois edifícios. Inimaginável.

A formação ficou por ali, ainda por cima porque o professor era canadiano e não foi capaz de dar mais aulas.

Isto foi há precisamente 15 anos.

Desde aquele dia até hoje o Mundo mudou muito. Para pior!

Depois das Torres Gémeas, foram os atentados em Londres e mais tarde em Madrid. E num, quase indefinido, número de locais por esse Mundo. A insegurança passou assim a fazer parte integrante das nossas vidas.

Sempre achei os atentados às torres gémeas como algo impensável. Essencialmente devido aos sofisticados sistemas de comunicações que os Estados Unidos conseguem controlar. Não quero com isto dizer que defenda uma teoria da conspiração mas que dá que pensar, isso dá.

Quando estes nefastos acontecimentos surgem, quase sem sabermos como, há uma questão que fica sempre em aberto: quem realmente ganhou com a tragédia?

Diálogo impossível!

Chego à praia às nove da manhã. Sopra uma nortada um pouco fria que alisa a areia. Sou o primeiro a chegar ao areal.

Assim que arreio as coisas oiço uma voz:

- Bom dia… Onde tens andado?

- Voltei ao trabalho – respondi baixinho, sem perceber muito bem com quem me falava.

- Está bem está… Mudaste de praia… foi o que foi!

- Mudar de praia? Nem pensar… Venho aqui vai para mais de trinta anos e agora é que mudava?

- Isso é o que dizem todos… Mas a verdade é que deixam de vir cá uma vez e depois nunca mais aparecem.

- Isso comigo não acontece. Até venho cá de Inverno, nem que seja só para passear.

- Sim, sim mas esta semana nem um dia cá vieste.

A conversa parecia-me deveras estranha. Enquanto me preparava para a costumada caminhada a praia retornou ao diálogo:

- Agora vais mais novamente veranear.

- Desculpa lá mas agora já não sou dono da minha própria vida?

- Dono és… não deves abandonar uma praia como eu…

- Mas eu não te abandono… Para o ano se tudo correr bem cá estarei para as minhas férias.

- No entanto eu sou praia todo o ano e não só nas tuas férias.

Calei-me e parti para um longo passeio à beira-mar.

De súbito olhei para trás e reparei que a praia estava triste. Pois... faltavam as crianças!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D