Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Será que só eu é que assisto… (V) 

São quase cinco da tarde. Caminho apressado para o hospital onde me aguarda um exame perto da hora do chá inglês. Desde o metro ao portão de entrada são trezentos metros de um passeio largo.

Cruzo-me com diversas pessoas anónimas e de (quase) todas as idades. O sol bate forte mas hoje até nem está muito calor. Olho em frente quando me apercebo de uma idosa que agarrada a uma bengala caminha em sentido contrário do meu muito devagar, denotando esforço.

No instante seguinte percebo que cambaleia e ameaça cair. Estou a meia dúzia de metros da anciã… nem tanto! Temo que possa tombar e a minha reacção instantânea é correr ao seu encontro. Em boa hora o fiz porque a senhora larga a bengala e se não fosse eu teria caído com violência na calçada.

Não a deixo cair, amparo-a e dou-lhe a bengala. Logo uma jovem aparece junto de mim disposta a ajudar. Identifica-se como enfermeira do hospital que eu tinha como destino. Olho em redor e encontro uma parede pequena que serve às mil maravilhas para a senhora se sentar. Devagar, eu a jovem enfermeira, conseguimos que ela descanse.

- Como se chama? – pergunto!

- Verónica…

- Que idade tem? – pergunta a enfermeira.

- Oitenta e nove…

Aqui olhámos um para o outro e a pergunta estava lá… Todinha…

- Como era possível que esta senhora ande em Lisboa completamente sozinha?

Continuou o breve interrogatório:

- Donde vem e para onde vai?

Numa voz sumida foi respondendo:

- Fui a uma consulta ao hospital e agora vou ali apanhar o autocarro que pára à minha porta.

- Não tem ninguém para a acompanhar: filhos, netos… alguém?

Olhou-nos a ambos e eu percebi naquele olhar, que jamais esquecerei, o verdadeiro sentido da solidão. Entretanto a enfermeira aproveitara a mão dada à idosa para lhe medir a pulsação. Apercebi-me pelas vezes que olhava o relógio. Finalmente respondeu:

- Estão todos muito longe.

- A senhora tem uma pulsação muito fraca. É melhor vir ao hospital para ser observada.

Num gesto que pareceu repentino pretendeu levantar-se, mas nós impedimo-la. Logo no momento seguinte soou qualquer coisa que identifiquei como sendo um telemóvel. Da idosa que também ouvira. Da mala, tão velha quanto a dona, Verónica retirou o aparelho, olhou o monitor e disse:

- É o meu filho.

Antes de falar, a enfermeira virou-se para a doente e perguntou mais uma vez, enquanto retirava o aparelho das mãos da senhora:

- Posso falar com o seu filho?

Não resistiu. A jovem afastou-se de mim enquanto falava para alguém. Não foi necessário um minuto para voltar a entregar o aparelho à dona:

- Falei com o seu filho… Ele está a sair do golfe e vem já buscá-la.

Que trunfo iremos ter?

É certo a candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Daqui deste lado do Atlântico e ainda à distância de uns meses, nada desta história parece incomodar Portugal. O nosso governo tem nesta altura outras batalhas bem mais estimulantes com Bruxelas.

No entanto o Mundo parece andar em bolandas. De um lado os Estados Unidos preparam-se para ter uma eleição mui renhida sem vencedor antecipado. No Oriente andam ali umas espécies de “mosquitos por cordas” por causa de uns mares. A Europa que anda (quase) sempre na crista da onda tem um Brexit para resolver com alguma celeridade, uns bancos à beira de ruir, umas ameaças de sanções a Portugal e Espanha e uma espécie de golpe teatral na Turquia. Portanto… tudo normal!

Ah falta o terrorismo!

Pois é… os últimos eventos deste flagelo, para além da mortandade que originam, têm vindo a criar uma ideia imbecil de que só se param estes acontecimentos com mais violência. Daí começaram a nascerem por essa Europa fora pequenas células de gente radical que paulatinamente vão crescendo em apoiantes.

A estúpida frase de Trump após o ataque em Nice é sinónimo de alguém que fala em demasia, não medindo o alcance das suas palavras, acrescentando petróleo numa fogueira já demasiadamente crepitante.

De forma directa não receio os Estados Unidos governados seja por Trump ou Hillary. Todavia temo os efeitos colaterais das decisões que qualquer um daqueles candidatos, possam vir a tomar.

Portugal é realmente um país pequeno, insignificante… Mas não estamos sós.

Dificilmente passaremos pelos intervalos da chuva dos futuros maus acontecimentos.

De regresso às velharias - 3

Voltemos às minhas velharias, se bem que as caixas infra não sejam velhas mas são curiosas. Pelo preço que me custaram valeu o negócio. Não têm a costumada pintura em laca com evidentes caracteres orientais nem tem embutidos. Todavia gosto muito delas.

DSC_1037.JPG

 

 

A caixa que apresento a seguir comprei-a também na feira da Ladra em Lisboa, já vai para uns aninhos bons! Mas com esta há uma breve estória. A antiga dona, a dona Aurora tinha-a na mão e passava um pano pela caixa. Reparei no objecto e lancei:

- Bom dia D. Aurora... Bela caixa!

- Bom dia.

Num gesto repentino apresentou-me a caixa dizendo:

- Fique com ela!

- Quanto quer?

- Cinco contos... Para me estrear!

Achei caríssima e respondi-lhe:

- Não a quero, é muito cara...

Parti logo para fazer a costumada volta. Mas a caixa ficara gravada na minha memória. No regresso passei pela idosa e voltei a perguntar:

- Ainda quer vender a caixa?

A simpática vendedora ergeu-se do seu banco pegou na caixa e repetindo o gesto anterior pediu:

- Dois e meio...

Peguei na caixa então, meti-a num saco e paguei-lhe. Nunca me arrependi deste negócio.

A caixa não é muito rica mas é atraente e eu gostei muito dela... Depois tem esta história que acabei de contar.

Quantas mais terá tido na sua vida?

DSC_1034.JPG

 

Breves desabafos!

Se me perguntarem se já me arrependi de algumas coisas que fiz na vida, direi logo que sim. Todavia seria necesssário explicar o contexto da época, o que eu precisava e acima de tudo os valores que eu assumia nesse tempo.

Esta linha do tempo pode até nem ser muuuuuuito longa. Já me aconteceu recentemente tomar uma atitude e no segundo seguinte perceber que cometi um erro. Mas faz parte da vida... cometermos erros. Ou como me dizia um professor nos meus já longínquos tempos de escola: "Errar é humano, permanecer no erro é estupidez!".

Não tenho por hábito fugir às responsabilidades das minhas boas ou más acções. De tal forma que sempre que considero que cometi um erro sou o primeiro a assumi-lo e a pedir as respectivas desculpas. Paralelamente aceito o pouco mérito dos meus actos ao mesmo tempo que acato com humildade as críticas, por mais corrosivas que sejam. Esta forma de viver os dias passados e futuros entronca obviamente em muitos eventos da minha história pessoal. E das lições que dela tirei!

Como já referi noutros textos desejo pouco da vida... Não porque sou humilde a pedir mas essencialmente porque considero que quem muito pede arrisca-se a ter muito pouco. Viver um dia de cada vez parece-me, por isso, essencial. O resto virá por acréscimo.

Ontem revi os meus pais. Estão velhotes, surdos, queixosos mas ainda assim capazes de enfrentar as vicissitudes com que os dias presentes os vão brindando. Já de regresso a casa percebi que daqui a uns tempos já não farei aquela estrada. Mas é a lei natural das coisas.

A jornada de ontem foi deveras preenchida! Mas gosto dos dias assim: repletos de vida, de venturas e aventuras.

E hoje é outro dia!

 

 

Eu e os blogues... dos outros

Nunca tive grandes decepções neste mundo da blogosfera. Porque também nunca esperei muito dela. Bem vistas as coisas sinto que tenho sido mais apaparicado que vilipendiado.

Mas hoje não venho falar deste espaço mas como leitor dos outros!

Gosto de ler muitos blogues (peço imensa desculpa mas vou tentar passar esta tarefa sem mencionar nomes para não ofender ninguém). Uns quase por vício, outros porque conheço parte dos seus colaboradores e outros porque gosto do que escrevem (e há tanta gente a escrever bem!).

Mas na maioria dos casos não comento. Leio simplesmente e pronto... está feita a minha parte.Outros há em que pela assertevidade do assunto acabo por escrever uns gatafunhos.

Os temas não são razão para a leitura... mas tão só a qualidade da sua escrita.

Depois há aqueles que visito uma vez e faço como o outro ministro: jamais! Contudo não os critico, longe disso. Não tenho obviamente moral para o fazer!

Por isso amigos e amigas deste mundo blogosférico não se admirem de eu ser parco em palavras... Não é mesmo defeito... é feitio!

A gente lê-se por aí!

 

Redes Sociais? Nunca mais...

Ontem à noite passei os olhos pelo feicebuque. Apareceu uma mensagem no chat que me enviou para pornografia pura. Achei estranho, vindo de quem vinha, mas enfim fiquei por ali.

Só que mais tarde comecei a receber mensagens de outras pessoas a perguntar-me o que era aquele link. Ora se eu não havia enviado para ninguém como podia aparecer noutras pessoas? Fiquei profundamente irritado.

Bom, antes de mais, fiz aquilo que já deveria ter feito há muito tempo... Fechei a minha conta do feicebuque e enquanto me lembrar disto jamais terei outra conta.

Peço desculpa a todos quantos me conhecem por algo que eu possa ter enviado sem a minha real aprovação.

As redes sociais são boas... para não se terem!

A gente lê-se por aí!

Ser ou não ser… blogger!

Um dia da semana passada, em conversa com um colega ainda sobre a vitória de Portugal no Europeu, acabei por dizer que escrevia num blogue. A admiração veio do outro lado, associada a uma questão:

- Também és um blogger?

Naquele preciso instante apenas me ocorreu responder que sim. Porém durante toda a restante semana aquela pergunta assaltou os meus quentes dias. Sim quentes… com estas temperaturas só podiam…

Finalmente hoje apeteceu-me falar disto. De ser alguém com um blogue mas que não se sente um blogger. Então que serei eu?

Bom se ser blogger é alguém que acede a uma plataforma e inventa um nome todo “xpto” e cria esse espaço… então somos todos bloggers!

Contudo na minha modesta opinião um blogger será alguém que vive não só dessa actividade mas outrossim alguém que consegue, através dos seus escritos, influenciar os seus leitores. Assim sendo não me considero um blogger, mas unicamente um mero cidadão que aproveita umas funcionalidades para expressar o que pensa sem se preocupar assazmente com o que os outros pensam do que escreveu.

Da mesma forma, e tentando fazer um breve paralelismo, se eu tiver todas as ferramentas de um canalizador isso não faz de mim forçosamente este género de artífice. De igual forma se tiver escrito um conjunto de histórias e as juntar num só documento como se fosse um livro isso não faz de mim logo um escritor. Ou faz?

Eu sei que as pessoas adoram rotular os outros e isso nem me preocupa sobremaneira. Porque acima de tudo gosto de ser o que sou e não parecer o que nunca fui!

The day after

Esta noite numa breve viagem que fiz acompanhado do meu infante mais jovem acabámos por debater sobre alguns aspectos do atentado de ontem em Nice.

Ele defendeu que o terrorista era louco por ter atirado com um camião de não sei quantas toneladas contra uma multidão indefesa. Eu, desconhecendo de todo as razões que levaram um franco-tinisino a cometer tão hediondo crime, defendi que provavelmente não seria tão louco quanto isso e apenas pretendeu que o seu nome fosse falado. Há muita gente capaz disso!

Obviamente que alguém com a consciência do verdadeiro valor da vida humana jamais levaria a bom termo um ataque desta envergadura. Mas é também necesssário perceber (o que não quer dizer que se concorde!) que há indivíduos capazes de sacrificar-se porque acreditam numa vida melhor no tal de Paraíso Celeste.

O problema está definitivamente instalado e a França tem um sarilho entre mãos que não saberá resolver tão depressa. O medo, o terror, a insegurança vão agora tomar conta dos Franceses por muito tempo.

Há mesmo quem diga que este atentado já fez esquecer o outro... o do passado Domingo.

 

O fracasso da Paz europeia

O triste atentado de ontem à noite em Nice leva-me a colocar uma questão e para a qual não obtenho qualquer resposta: até quando estes constantes morticínios?

Cada vez mais começamos a perceber (e a temer!) que o nosso inimigo pode ser aquela pessoa que está sentada ao nosso lado no metro e vai brincando com o telemóvel ou simplesmente vai lendo um livro. Ou o jovem que passou por nós a correr devidamente equipado com roupagem de atleta e de repente se transforma numa bomba humana... só porque sim!

Este problema que vai alastrando pela Europa é assim responsabilidade de quem?

Curiosamente e regressando por breves instantes à Final do Euro2016 dei por mim a rever algumas imagens de sofredores por Portugal em alguns países lusófonos. Isto quer dizer que, não obstante a nossa passagem como colonializadores, restou todavia um factor de ligação a este rectângulo por parte desses povos. Algo que não vejo nas antigas colónias Francesas, por exemplo.

É mais ou menos sabido que o Estado Islâmico convive mal com a liberdade e com a democracia ocidental. Basta perceber o estatuto das mulheres de lá e cá... quão diferentes! Depois há todo aquele fanatismo religioso que lhes retira qualquer discernimento humano. Sei que a nível dos católicos também há gente adepta do radicalismo religioso... mas jamais capazes duma barbárie como a que aconteceu ontem em Nice.

Não sei que solução se deverá dar para este gravíssimo problema. O que sei é que as sociedades modernas conforme estão montadas, fracassaram. E este fracasso vai naturalmente fazer crescer radicalismos ainda mais extremistas.

Portanto e de uma forma velada a Europa está em guerra. E se noutras batalhas conhecíamos o inimigo no campo de batalha... hoje ele almoça a nosso lado sem que realmente o saibamos!

 

Acorda Portugal!

Após a euforia do Domingo e de Segunda-feira eis-nos de regresso à nossa geringonça com as pendentes ameaças de sanções a Portugal, por parte da União Europeia, por deficit excessivo.

Bem vistas as coisas, nada mudou desde a semana passada a não ser que Portugal se sagrou campeão europeu de futebol. Pois... mas esta vitória, se trouxe alegria e ânimo ao povo, não surge como redenção e cura de todos os nossos males.

Este país continua pobre e bastante gastador, como historicamente sempre foi. Decididamente não há volta dar a este fado.

Entretanto aparecem uns iluminados que acreditam (será mesmo que acreditam?) que podem controlar o deficit das nossas contas gastando em vez de poupar. Sinceramente ainda não percebi como…

Será que a exportação de alguns jogadores agora campeões é suficiente para contrabalançar as contas? Receio bem que não… Até porque os jogadores são contratualmente empregados de clubes… também eles deficitários.

Hoje ouvi dizer que a Catarina Martins e o próprio PCP pretendem que Portugal se desvincule do Tratado Orçamental. Ora se assim acontecer onde esperam aqueles lideres políticos financiar o País? Será bom, se ainda ninguém o fez, que lhes expliquem estas coisas.

Obviamente que após diversos anos de profundíssima austeridade imposta por Bruxelas seria injusto que Portugal viesse a sofrer sanções. Ainda por cima quando diversos países falharam também os seus deficits e jamais foram sancionados.

Será então com este último trunfo entre as mãos que o actual governo deverá negociar os próximos orçamentos. Não com opções imbecilmente radicais que não trarão a Portugal boas novas.

Era bom que o Governo não iludisse o povo, mesmo que este ande meio adormecido devido às recentes vitórias desportivas (não só em futebol).

É tempo de acordar.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D