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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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De regresso!

Após doze dias na aldeia, rodeado de oliveiras, azeitona, jerupiga e castanhas eis-me de regresso à cidade barulhenta, apressada e chata.

 

Mais de tonelada e meia de azeitona apanhada por mãos pouco habituadas e habilitadas a esforços campestres.

 

Seja como for gosto deste tempo. Faltou um friozinho para requerer umas aguardentes reconfortantes.

Ao meu tio… Joaquim!

 

É frequente cometermos o erro de avaliar os outros pela sua vida passada, pelo local onde vivem ou apenas pela forma de falar. E se tivermos uma vivência citadina mais se torna evidente aquele (imenso) lapso.

Via telemóvel comunicaram-me o falecimento de uma tia idosa e enferma. A sua partida deixou um homem só mas em paz, libertou os filhos, noras e netos de um fardo que se tornava cada vez mais pesado.

Longe da aldeia, parti lesto ao encontro do meu tio, irmão do meu pai, dos seus filhos ora órfãos, para lhes dar o apoio que estas alturas sempre exigem. Era noite profunda quando entrei na capela mortuária duma aldeia cravada no sopé de uma serra pouco hospitaleira. Na sala, ínfima para o número de pessoas, encontrei o meu tio. Pela primeira vez aquele homem de metro e oitenta de altura, sentia-se quebrado a um profundo desgosto.

Na rua um ror de homens falava de tudo e de nada. As mulheres no interior acompanhavam o viúvo na sua solidão, quase em silêncio. E este homem, iletrado e de mãos repletas de cabos de charrua ali estava junto à defunta. A passar a sua última noite junto de com quem partilhara 55 anos de vida.

Fora assim durante todo o dia de ontem desde que o féretro entrara na capela. E hoje bem cedo lá estava ele, uma vez mais junto à defunta prestando-lhe com a solenidade do momento a sua última homenagem.

E eu, que já vi e vivi tanta coisa, jamais observei um homem devotar à sua mulher ali morta tamanho carinho, ternura, amor e compaixão. Sempre fora assim!

O meu tio é apenas um pobre aldeão, nascido e criado numa aldeia ribatejana. De cultura… só do milho ou dos tremoços e das batatas. O resto será para os de Lisboa!

Como eu!

Num dia que já foi feriado…

Ontem pela tarde parti de Lisboa com destino a Castelo Branco. Carrinha carregada e família disposta a fazer a viagem de noite, lá partimos.

Nestes dias de Outono as noites chegam depressa. E já na auto-estrada deparei-me com um problema eléctrico na carrinha. Pensei parar numa estação de serviço, mas em boa optei por tentar chegar à minha aldeia, que fica a meio caminho entre Lisboa e Castelo Branco,

Mal parei o veículo este não mais tugiu nem mugiu. A bateria tinha-se finado. Telemóvel na mão lá contactei um electricista de automóveis, conhecido do meu pai, que se comprometeu em resolver o meu problema hoje.

Era meio dia de um dia de Todos-os-Santos, antes feriado, quando parti novamente para a estrada com uma bateria nova, um alternador reparado e o problema completamente resolvido.

Quase me odiei por pensar o que pensei, mas agradeci à troika por obrigar este governo a cortar em feriados.

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