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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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LM / 74 e " CORAÇÃO DAS TREVAS"



Era Abril, eu era jovem, feliz e vivia em Lourenço Marques.


Estava à espera de um filho que nasceu em Julho e dividia o tempo entre as aulas e o desfrute de um contexto que me proporcionava um imenso bem-estar. Confirmo:


_ Era feliz!


Mas, e há sempre um mas, em Novembro, o encantamento tinha acabado e parti desse país, aonde não voltei mais.


Residia agora em Joanesburgo e sentia uma mistura de sentimentos, todos eles contraditórios e negativos.


- É muito difícil, ter de fugir dos locais, onde nos imaginamos a envelhecer, onde vimos pela primeira vez o único por de sol que ofusca todos os outros, onde temos tempo até para não fazer nada e ser fúteis! Sim, ser fútil às vezes, faz bem à alma, torna-nos leves.


Foi então que estabeleci conhecimento com um  vizinho, solitário, reformado e inglês...


Pessoa atenciosa, culta e algo xenófoba, mas também tolerante...


Encontrava nas conversas que íamos mantendo, algum conforto emocional e intelectual, pois os amigos e conhecidos tinham ficado para trás.


Ele possuía uma boa biblioteca e dado o meu contexto, eu não tinha, ainda, quaisquer livros meus. Os acontecimentos em L.M. precipitaram a nossa fuga, deixando tudo para trás…

Passeando os olhos pelas lombadas da sua estante, chamou-me à atenção um título que era adequado ao meu estado de espírito do momento. Pedi-lhe que mo emprestasse e comprei, logo que pude, um dicionário inglês – português, o que não foi  fácil.


Passei algumas semanas empenhada na leitura de um livro que, pela temática e superior qualidade narrativa, me marcou indiscutivelmente e para sempre: CORAÇÃO DAS TREVAS! 


O capitão  Marlow, vai Congo acima, tentar salvar da morte Mr. Kurtz, que criara um reino de terror, mas era o maior comerciante de marfim! Et voilà!


 Era uma viagem com dois destinos: à selva no seu esplendor mais secreto e aos abismos da decadência moral e física. Ao reino dos instintos mais primitivos, onde uma escuridão enorme, temporariamente, se abateu sobre a humanidade, mas donde, apenas, se sai morto.


Foi com Joseph Conrad, que aprendi que, ao prazer que tiramos das coisas , não podemos deixar de subtrair o sofrimento  que  outros, algures, tiveram que padecer por elas.


Mais tarde, já em Portugal, vi o filme Apocalypse Now, com argumento inspirado em tão fantástica obra. Sedimentei  esse ensinamento.


Foi com HEART OF DARKNESS que, paradoxalmente, serenei o meu coração.


Ainda hoje, embora não concordando com o método da “nossa” atabalhoada descolonização, sei que, não existe, seja onde for, prazer absoluto, sem liberdade e respeito absolutos.


Por uma questão de justiça.
 


Nota:Intencionalmente, véspera do 25 de Abril 2008 sem rancores mas muito desencanto.





____________________________________________________________________________



Prosa/Poema para um fim de tarde



 




Daqui deste alto, tão alto que quase toco as estrelas,


Vejo ao fundo a linha de horizonte, ténue


Onde pontos brancos tocam o céu.



Daqui deste alto, tão alto, que quase abraço a Lua,


Vejo almofadas brancas e singelas,


onde o sol por fim repousa.




Daqui deste alto, tão alto que quase me sinto voar


Vejo o condor em voos serenos e fatais,


Mirar a presa perfeita e ingénua.




Daqui deste alto, tão alto que quase agarro o vento,


Vejo o verde da planície recortada,


Alagar o vale de esperança primaveril.




Daqui deste alto, tão alto, há quem veja o mar,


Pode ser que sim…


Mas eu também não sei o que é o mar!




Uma simples folha de papel

Uma simples folha de papel, branca e fina. Ali assim, quieta e silenciosa. Sem linhas, sem nada. Só… A clamar por um traço de letra, um borrão imenso ou talvez apenas atenção.


Miro-a com estranheza, incapaz de lhe fazer mal. Posso perfeitamente amarrotá-la e lançá-la ao lume acolhedor que arde à minha frente. Ou rasgá-la e colocá-la naquele saco próprio para o lixo reciclável. Ou não faço nada disso e deito-a simplesmente fora sem qualquer preocupação ecológica ou outra que seja.


Porém olho-a uma vez mais e procuro pequenos detalhes: os cantos perfeitamente recortados em ângulos de 90 graus, a textura suave e macia quase húmida a merecer honra de vagina excitada, a cor de farinha saudável. Depois sopro e ela ergue-se num orgasmo quase violento, escorrega um pouco e aterra em silêncio no tampo da secretária. A arfar… Fica um nada torcida à espera que eu lhe dê um destino.


Mas será que ela anseia o fim que eu estou a prever. Não preferirá antes outra fantasia, outro sonho? E se lhe perguntar, será que me responde?


Penso rabiscar umas palavras, à laia de confissão. Mas cheira-me a pieguice bacoca. Que tal um desenho? É boa ideia! Mas eu não sou Picasso, que desenhou num guardanapo e pagou a conta do hotel. Nem Miró ou Dali.


Lápis ou caneta? Lápis é negro mas macio e mutável. A caneta geralmente azul é musculada e permanente. Provavelmente uma paleta e um pincel fariam melhor trabalho. Pelo menos era capaz de ter mais cor.


Retenho-me outra vez nos pormenores. Reparo que uma das pontas ergue-se ligeiramente. Esqueci-me que a folha tem outra face. Esta evidência aguça-me a curiosidade. O que vou lá encontrar? Será interessante? Ou não está lá nada, somente a alma gémea. Virgem.


Vejo ou não vejo? Falta-me a coragem para o que posso encontrar. Tenho medo.


Arrisco!


Viro devagar a simples folha de papel…


Olha o que eu rabisquei!



A leitura e o erotismo!



Ler ou ver ler alguém, pode ser um acto de enorme apelo sexual.
Entramos em mundos que nos levam ao desconhecido e o desconhecido atrai-nos, de uma forma sempre mais intensa, quase pecaminosa.
Ler, é sempre uma experiência nova. Não se aprende em manuais de boa conduta. Cada um pode ler com o “despudor” que quiser, pois ler é um acto solitário que só mais tarde partilharemos com alguém.

Um dia escrevi para uma pessoa também ela, um leitor compulsivo !


-“ Possui-me como a um dos teus livros!
Podes folhear, parar, voltar atrás, sublinhar, ao de leve ou com mais ímpeto, deixar-te levar... Faz o que quiseres, mas surpreende-te !”

Boas leituras.


O DIA DATERRA, o “Transporter” e “CHÃO” de Mafalda Veiga!



Celebra-se o dia da TERRA! A casa de todos nós.

Ao acordar ouvi na rádio uma conversa com Mafalda Veiga a propósito do tema condutor das canções que compôs para o seu último álbum – CHÂO.

Contava que lera um livro que descrevia a história de alguém que, numa missão em que fora “transportado”, a missão falhou e ele viu-se de repente vagueando, erraticamente, pelo espaço, sem fim nem destino...

Achou, primeiro fantástico, mas lá mais para diante, desesperou e já somente sonhava cair, para se despedaçar aos bocados sobre um chão, num local qualquer da Terra, onde repousasse para sempre.

Ouvi depois desta breve história um belo poema desse álbum... CHÂO!

Era bastante apelativo! Fiquei com curiosidade em acompanhar a sequência.

Todos precisamos de um chão que nos acolha, por mais que apreciemos voar!
Todos os cuidados com a Terra são sempre cuidados para que todos tenhamos um sítio que nos abrigue no principio, no durante e fim da NOSSA caminhada.


Li também que o” National Geografic” tem hoje cinco horas de programação alusiva a este DIA.

Quem tiver tempo e empenho talvez possa dar uma olhada...

Ah! Já agora um apelo a quem ler este post:

- Por favor, não façam de todos os relvados deste País, WC para cães. 
Continuação de boa semana!

O seu a seu dono



Há pessoas que passam pela vida duma forma discreta. Preferem o anonimato às luzes da Ribalta. Optam por uma postura serena e menos exibicionista. Mas isto não quer dizer que sejam amorfos. Bem pelo contrário. São opções e não há como criticá-las. Isto tem a ver com um amigo meu que nos tempos aureos do PREC foi autor de uma quantidade de poemas e músicas que se ouviram a seguir ao 25 de Abril. Mas como ele nunca gostou de se chegar à frente, trinta anos mais tarde muita gente se esqueceu dele. Assim muitas das coisas que este amigo compôs são apresentadas como tendo sido criadas por outros. E o pior é que isso aparece escrito nos jornais de grande divulgação, assinados por colunistas de alta estirpe, que não têm o cuidado de tentar saber se aquilo que afirmam é correcto ou não. É por estas e por outras que deixei há muuuuuuuuuuuuuito de ler jornais. Há jornalistas que conseguem descobrir três lados numa bola e pior, há quem acredite neles. Eu não!









O nome Ana Filipa...

Hoje no Tribunal de Torres Novas foi decicido que a menina, disputada por pai biológico e pais adoptivos, permanecesse por mais 90 dias com o casal adoptante. Um imbróglio jurídico a que os juízes tentam a todo o custo escapar ou adiar uma decisão final. Porque bem vistas as coisas, ambos os lados carregam razão. E desta vez não há Salomão para decidir. Quem sofre com isto tudo é a criança que até agora foi conhecida por Ana Filipa e que daqui a uns tempos poderá ter que responder pelo nome de Esmeralda. Para um inocente com seis anos é algo que vai ter dificuldades em compreender e quiçá aceitar. O nome não nos formata, mas é uma referencia muito importante na nossa vida. E há que sabê-lo respeitar. Não basta uma decisão judicial para alterar/apagar o nome de alguém.



ZOMBIES... (excerto)

...

Assiste-se hoje, ao vaguear das pessoas por centros comerciais, perfeitamente sem rumo ou motivação! Não se reservam a um espaço que lhes permita reflectir. Não aguentam estar sós, porque não ocupam as cabeças... então quais zombies lunáticos, arrastam-se por sítios onde junto com outros igualmente zombies lunáticos, se sentem em companhia de alguém... sem se darem conta de quão sós estão!



boa semana e boas motivações.



Richard Florida, visionário?



Esteve na semana passada em Lisboa, para uma conferência na Gulbenkian, Richard Florida, 50anos, americano, guru do conceito de CIDADES CRIATIVAS...
Vive no Canadá de há um ano para cá...
É um sedutor E UM INTLECTUAL.
Porque o ouvem, políticos, economistas, banqueiros, empresários, etc...?


Acho que o seu segredo é o conhecimento e a capacidade para desafiar o establishment. Ele acredita no conceito de cidades do conhecimento! Afirma que o século vinte e um, será o século dos criadores, pondo fim ao reinado dos especialistas.
Só será percursor quem criar inovar. Quem fizer novo e diferente.
Para que essas capacidades se desenvolvam e criem protagonismo e riqueza, Richard Florida, afirma que, o local onde se vive, por escolha, é determinante. Temos que nos sentir seguros, felizes, socialmente aceites, no local onde vamos colocar o nosso “brain” ao serviço do futuro...
Dá como exemplo, S. Francisco, onde se vive uma das maiores experiências de aceitação da diferença - gays e lésbicas, sentem-se aí aceites, logo, escolhem lá viver, tornando essa cidade num dos maiores centros de criação e desenvolvimento do Mundo.... Por inerência, uma comunidade heterogénea, com competências nas diferentes áreas culturais, artísticas, sociais, politicas ou económicas, escolheu também lá viver...
A sua teoria dos três T (tecnologia, talento, tolerância), sustenta o conceito e chave para o desenvolvimento das regiões que no futuro comandarão o Mundo.
Deixou, também para Lisboa recomendações que seria bom que os nossos governantes e decisores conhecessem...
Está tudo nos livros que tem publicado, para quem se interessar.

Fiquei fascinada!

 

Já agora, bom Domingo!



CONSIDERAÇÕES! PONDERAÇÕES!



Tudo acontece por algum motivo. Os acasos êxito, são poucos, perigosos e surpreendentes, tal qual a vida...


 Perante o inusitado, que tal um pouco de ponderação? Nada de nos perdermos, por não considerarmos o suficiente.


Vai daí e escrever o que se alinhava no pensamento, tecendo uma teia de análises que nos conduzirão, inevitavelmente a uma, ou várias conclusões...


E tudo isto, para quê e porquê?


Porque sim! há que treinar o "olhar" incessantemente.


Escrever, pode regenerar o pensamento.

Concordo plenamente com esta tão vulgar afirmação, pelo simples motivo de que eu sou uma “vítima” desta prática.


Sempre que estou mais confusa ou descrente, escrevo... e mais tarde, ao reler, reescrevo e tudo fica claro para mim.




NOTA: Bom fim-de-semana .

A chuva convida ao conforto de um canto qualquer, uma mesa, uma cadeira e muitos jornais...

na companhia de um bom interlocutor.



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