Um Presidente diminuído?
A Montanha “nem” pariu um rato. Assim se pode resumir esta ultima semana de negociações, entre PSD, CDS e PS. Cada um à sua maneira foi atirando para os outros as culpas dos insucessos. O usual, nestes casos!
Enquanto isso, os partidos à esquerda e as Confederações sindicais reclamam eleições antecipadas. O patronato, por sua vez, prefere que este governo se mantenha em funções.
Resumindo, o actual PR expôs-se, ao desejar um governo de “Salvação Nacional”, ao ridículo de se as negociações falhassem, como aconteceu, ter de aceitar o governo proposto por Passos Coelho ou então convocar novamente eleições, com os enormes custos políticos, sociais e económicos que dessa decisão adviriam para o nosso país.
Mas se o PR não fica bem neste “fotografia” política, também o PS não sai desta telenovela sem culpas. Era óbvio que o partido do Largo de Rato não desejava ficar ligado às futuras decisões governamentais. Os custos eleitorais dum aval a um outro governo PSD/CDS seriam incalculáveis. Mas ao invés do que afirma, Seguro foge de ser governo como “o diabo foge da cruz”. O tempo é ainda de vagas anorécticas. E o PS quer ter dinheiro para gastar, bem à moda “socratiana”.
Temos assim um Presidente diminuído politicamente, um PS amedrontado com a eventual marcação de eleições e um governo também ele estranhamente (ou talvez não!) silencioso. Muito (ou quase nada?) se espera da próxima comunicação ao país de Cavaco Silva.
A verdade é que com todo este imbróglio político já se passaram duas semanas. E Portugal não se pode, nem deve dar a estes luxos democráticos, sob pena de jamais sairmos desta crise que a todos assola.