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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

37a9m25d - #4

O Guilherme Mota

Não me lembro onde é que ele estava quando, naquela manhã, o conheci, mas entre nós nasceu logo uma enorme empatia que se transformaria em amizade, acima de tudo por partilharmos o mesmo amor clubístico. Pode parecer pouco, mas nestes locais onde se passava grande parte do dia isso também era importante.

O Guilherme era um homem bom. Especialmente para os outros... já que não se poderia dizer o mesmo para a sua própria família. Recordo a este propósito e dito por ele, que a mulher só o poderia procurar ao fim do terceiro dia de não aparecer em casa. Até lá...

De compleição baixa o Mota aos 45 anos parecia ter mais de 60. Cabelo branco, rugas cavadas e exibindo uma redonda e proeminente barriga, este colega tinha um grave problema e do qual derivavam outros: era alcoólico.

De tal forma que bastava ao almoço beber um dedal de vinho para que ficasse completamente bêbado. Havia quem dissesse, em tom de estranha brincadeira, que nas suas veias o álcool que lá corria tinha um pouco de sangue.

Tinha outrossim uma noção de economia doméstica muito própria. No final de cada mês ia ao seu Banco levantava todo o dinheiro do ordenado que colocava inteirinho na carteira para logo que saía do trabalho passar pela primeira cervejaria e gastar algum em marisco e cerveja.

Entretanto em casa a mulher e o filho lutavam para sobreviver. Muitas vezes lhe disse que deveria parar, mas ele não gostava nada de me ouvir.

Depois quando já não havia dinheiro arranjava uns esquemas esquisitos para auferir algum, mas aquele era sempre pouco para o nível de vida que fazia.

Morreu cedo com um cancro na garganta devido ao tabaco. Quiçá a sua morte terá sido a salvação da família.

Bom, mas com o Guilherme aprendi coisas fantásticas e passei momentos absurdos…

É um desses que vou agora relatar.

Estávamos a 23 de Maio de 1984. Um colega fazia 25 anos e convidou-me para a sua festa de anos que se realizou num bar em Alfama. Nesse tempo vivia no outro lado do Tejo e não tendo carro teria de sair a tempo de apanhar o barco para Cacilhas. Todavia quando olhei o relógio tive pouco mais de 5 minutos para me colocar no velhinho pontão do Cais do Sodré. Muito corri pelas ruas ribeirib«nhas da cidade, mas não cheguei a tempo. Passava pouco da uma da manhã e o Cacilheiro já havia zarpado. Entretanto o próximo barco seria somente às 3 e meia da madrugada. Tempo a mais para estar à espera.

Encontrei então outros atrasados e começámos a tentar arranjar um táxi que nos levasse para a margem Sul. Sempre seria uma despesa a dividir por 4. Faltava somente uma pessoa. De repente olho para uma rua estreita que desembocava no terminal e vejo o andar de alguém conhecido.

- Guilherme?

- Que fazes aqui? – perguntou ele com a voz muito atabalhoada do alcóol.

- Perdi o barco da uma… estava a ver se arranjávamos 4 pessoas para apanharmos um táxi… Queres ir?

- Claro…

Encontrada a equipa, lá apareceu um taxista que curiosamente acabara o serviço e morava também do outro lado do Tejo. Lá partimos… não sem que o Guilherme me pedisse emprestado dinheiro:

- Empresta-me 500 paus…

Dei-lhe o dinheiro sem mais perguntas. Durante a viagem conversámos e o taxista foi-nos deixando em cada lugar: o primeiro na Cova da Piedade, eu no Laranjeiro, o terceiro ficou em Corroios e o Guilherme sairia em Vila Nova, já bem perto da Caparica. Fizemos as contas e o último ficou com a parte de cada um para pagar a corrida ao taxista.

No dia seguinte coincidentemente fui trabalhar para o lado do Guilherme. Mas nada comentei sobre a madrugada anterior… Provavelmente m«nemse lembraria, pensei eu.

A meio da manhã diz ele:

- Toma os quinhentos paus que me emprestaste ontem…

Admirado com a rapidez do pagamento da dívida, que não era costume, não consegui evitar um:

- Já?

O esclarecimento veio logo sem lhe pedir…

- Depois de Corroios fomos até à Caparica beber umas imperiais.

- Àquela hora?

E sem ligar à minha questão:

- Acabou depois por me levar a casa e nem quis o dinheiro do frete.

Só pude rir e pensar: o Guilherme no seu melhor a abotoar-se com algum!

Do meu avô aos dias de hoje!

O meu austero e sábio avô paterno tinha uma frase que me marcou e que rezava assim: dinheiro no bolso não consente misérias.

Mal imaginaria ele quanta razão tinha nas suas sábias palavras plasmadas que são na realidade dos dias de hoje. Basta o exemplo dos cartões de crédito...

A sociedade em que vivemos actualmente formatou-nos de forma a pensarmos que é mais importante ter um carro novo, um telemóvel topo de gama ou umas fárias paradisíacas, mesmo que a seguir as nossas contas fiquem durante anos no vermelho, do que olharmos para as nossas finanças domésticas e percebermos até onde poderemos ir.

Contudo esta espécie de mundo (quase) perfeito tem os seus grandes inconvenientes que, só por mero acaso, esta pandemia veio mostrar e colocar em cima das nossas mesas.

A vida tal como a imaginávamos há uns meses deixou de existir. Nada é certo. E se por vezes tínhamos algumas dúvidas quanto ao nosso futuro antes deste vírus, ora aquelas triplicaram.

O “lay-off”, o desemprego, a reforma antecipada e muitas vezes forçada, veio lançar a confusão e um verdadeiro temor nalgumas franjas da sociedade lusa que, no entanto, continua a aguardar que tudo passe de forma natural. Tal como surgiu.

Só que a triste realidade continua a mostrar-se muito diferente dos ensejos dos portugueses.

E o fim desta pandemia não surge já ali…

O prometido é devido!

Em Maio passado prometi neste meu postal beber um branco Guarda Rios bem fresco assim que encontrasse esta marca no tal tom mais icterício. A verdade é que a promessa fora feita em primeiro lugar ao Robinson e que por não ter ficado completa na altura, teimei com a ideia de que assim que achasse o dito vinho passaria à acção...

Há dias encontrei-o de forma casual num supermercado. Logo comprei duas "botelhas" e levei-as para casa para aguardar o tal dia.

Foi ontem!

Um almoço de arroz de polvo que se fez acompanhar deste nectar digno de Baco.

O polvo estava também bom, se bem que para o insosso, já que os meus pais que estiveram presentes comem tudo com pouco sal.

Ainda assim comeu-se quase todo. Tal como o vinho que só restou um dedal na garrafa.

Tudo feito cá pelo Zé! Fica a foto a comprovar!

arroz de polvo.jpg

O sexo e a idade!

Hoje, perto das cinco da tarde, estava eu bem estendido na areia da praia quando escutei esta frase meio perdida:

- … Aproveita agora… porque quando chegares aos quarenta, sexo?... Já era!

Esta conversa tirou-me do sério de tal forma que me ergui da minha confortável esteira arenosa e tentei perceber quem proferira aquela ideia. Encontrei então um conjunto de jovens, todos com idade para serem meus filhos. Desculpei a idiotice da afirmação.

Todavia como as palavras que vou escutando não caem em saco roto, eis-me aqui a falar de um assunto que pouco abordo neste blogue, talvez por nunca se ter proporcionado: sexo!

Tirando algumas franjas mais radicais, mais velhas ou mais retrógadas, certo é que este tema deixou há muito de ser um tabu na nossa sociedade. Temos todos mais ou menos consciência de que o sexo é tão essencial ao bem-estar humano como uma fantástica refeição, uma boa conversa com amigos (todos com máscara, obviamente!!!) ou um exemplar momento de cultura.

Até por aqui na blogosfera este assunto é tratado com a naturalidade que merece, mesmo que alguns casos haja alguma fantasia. Basta passarem por aqui ou por aqui para perceberem o que estou a escrever…

Quando era jovem lembro-me que este tema não era usual falar-se como se falava de futebol, música ou de um livro. E reconheço que eu próprio tinha do sexo uma visão quase satânica. No entanto fui entendendo que o sexo era algo bem diferente do que me queriam impingir. Mais… naquele tempo achava mesmo que o sexo seria somente destinado aos mais novos... Provavelmente e por me lembrar desta minha antiga visão, quase ingénua, é que desculpei aqueles jovens.

Posto isto diria então que o sexo actualmente não tem idade. E se julgam que com os anos perdem o líbido… desenganem-se. E quem vos diz não é um médico psiquiatra ou um psicólogo vanguardista, mas somente alguém com 61 anos e que ainda adora estar com a mulher. E sei que não sou o único que preferem as companheiras às externas!

Não é que não aprecie uma mulher bonita ou formosa, nada disso. Acho até que as mulheres portuguesas são hoje mais bonitas que antigamente. Mas a ideia de estar com alguém que não seja a minha mulher surge-me como altamente improvável.

Também é verdade que não somos um casal comum quando se fecha a porta do quarto (agora nem fechamos, já que estamos sozinhos!!!), mas quiçá por isso mesmo olhamos actualmente para o sexo como aquela especialidade gastronómica que adoramos fazer, mas que dá algum trabalho.

Finalmente não há desculpas para a idade. Perguntem ao Eça!

A gente lê-se por aí!

Fico sempre triste quando alguém deixa de escrever e publicar. Então se for alguém competente mais ainda...

Ontem li aqui que o espaço, que tanta coisa publicou, vai encerrar. Conforme diz a própria autora este terá sido o primeiro capítulo. Espero então os novos capitulos. Aqui ou noutro lugar qualquer!!!

Compreendo perfeitmente que tentar manter um blogue com escrita de alta qalidade e de forma corrente, não é uma empresa de somenos. È exigente e requer tenacidade.

E depois...há as vidas de cada um. Muitas vezes assaz complicadas.

Portanto desejo à autora de "Amor líquido" as maiores felicidades e que, publicando ou não, continue a escrever.

Como tão bem nos deixou ler.

Crónica real na capital

São oito da manhã do primeiro dia útil da semana. Estou num dos bairros periféricos da cidade. Um local mais ou menos aprazível com muito comércio e onde reside uma classe média/alta.

A manhã está tépida a prever um dia que será certamente muito quente. O movimento das pessoas nota-se já e os cafés iniciam a encher-se se bem com o distanciamento devido.

Há uma marcação prévia para as oito da manhã e por isso aguardo que o estabelecimento abra. A proprietária não é costume atrasar-se, mas desta vez deve ter adormecido ou teve dificuldade em estacionar o seu carro.

Estou eu e a minha mulher em amena cavaqueira quando reparamos que um homem já com alguma idade passa por nós sem máscara. Até aqui tudo normal…

O insólito vem a seguir quando esse cavalheiro, a meia dúzia de metros de nós, se baixa e apanha uma máscara do chão. Se achava aquilo mau pior achei quando ambos reparámos que ele coloca a mesma na face.

Olhámo-nos atónitos… Seria possível?

Sim foi possível e o homem por ali andou a entrar e a sair de diversos lugares com uma máscara apanhada do chão…

Enfim… nesta cidade já nada me espanta!

Ennio Morricone por fim no Paraíso!

Morreu o enorme Ennio Morricone. Aos 91 anos!

Se há pessoas que nunca deveriam desaparecer do Mundo, este compositor italiano, deveria ser uma delas. Ennio compôs dos melhores temas, das melhores músicas que o cinema já teve.

É quase infidável a lista de filmes em que Morricone participou com as suas belas melodias. Que a sétima arte ficará agora mais pobre é certo, pois dificilmente haverá um compositor que conseguisse somente com a sua música colocar um cunho tão pessoal nas suas fantásticas melodias.

Lamento profundamente o seu desaparecimento, mas de uma coisa tenho a certeza: Ennio Morricone irá tocar agora as suas belas e comoventes músicas de cinema no Paraíso.

Referendar a manutenção da TAP?

Vou lendo e ouvindo muitas e divergentes opiniões sobre o futuro a dar à TAP. Nem sei se o acordo recente será o melhor para a companhia de aviação portuguesa. Mas enfim… o futuro próximo ou mais ou menos longo o dirá!

Todavia não gostaria de estar no lugar dos trabalhadores da TAP.

Entretanto a ideia de que vai ser o povo a pagar o enorme buraco financeiro da transportadora nacional é mais ou menos evidente. Tal como pagou o BPN ou o Novo Banco. E muuuuuuuuuuuuuuuuitas outras coisas que ninguém fala. Ou já esqueceram!

Basta olhar para a profusão de auto-estradas que se construíram neste país sem que lhes seja dada o verdadeiro uso para se perceber onde é que se gastou tanto dinheiro… dos nossos impostos. Algumas daquelas com três faixas para cada lado sem movimento que o justifique.

E não me venham com a desculpa que as portagens são caras… pois muitas delas até nem são.

Decididamente e ainda em relação à TAP acho que seria importante o governo fazer um referendo nacional sobre se os portugueses estarão dispostos a pagar com os seus impostos uma empresa em falência.

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