Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Uma história de vida, igual a tantas outras - I

No dealbar dos anos cinquenta Portugal era um país pobre e isolado do resto do Mundo. A Segunda Grande Guerra havia terminado meia dúzia de anos antes e enquanto a Europa se reconstruía o nosso pa´ís vivia ao mesmo ritmo de anos anteriores. Por isso muitos portugueses começaram a sair das suas aldeias em busca de melhor vida.

O meu pai foi um desses casos. Em 1953 é chamado para o SMO (Serviço Militar Obrigatório) e de repente percebe que o seu futuro poderia estar ali. Quando ingressou na Marinha de Guerra Portuguesa deixou para trás anos a calcorrear caminhos e veredas atrás das cabras, semanas seguidas a cavar a terra ou dias a mondar o milho.

Na tropa tinha um tecto, com um boa cama em vez do monte de palha, roupa limpa em vez dos trapos velhos herdados sabe.se lá de quem e sapatos todos janotas em vez de uns enormes "alguidares" que só usava para ir à missa, por obrigação do pai, em vez do irmão mais velho.

Esteve muito tempo ausente da aldeia e quando regressou foi para casar e voltar à cidade. Outros irmãos também optariam por partir da aldeia em busca de nova vida. E assim dos sete filhos do meu avô, apenas três ficaram na aldeia e destes apenas um tomava conta das fazendas. Assim depressa o meu avô se libertou do gado caprino.

Morreu ainda novo deixando então aos filhos uma herança em fazendas. Com tanta gente ausente estas depressa passaram a ficar abandonadas e nelas começou a nascer naturalmente uma floresta. Desordenadamente!

Foi necessário decorrer quase meio século para que eu, herdeiro único de meu pai ainda vivo, pusesse mãos à obra e passasse a tomar conta daquilo que fora abandonado pelo meu antecessor.

Visitei então as fazendas onde nalgumas delas nem consegui entrar tal era o mato e o arvoredo que cresciam espantaneamente. Algumas oliveiras tinham o tamanho de autênticos sobreiros lutando com pinheiros, eucaliptos ou carrascos (vulgo azinheira) por um naco de luz solar. E nelas investi dinheiro e muitas, muitas horas de trabalho.

Pois... eu regressei às origens e apostei no amanho das terras...

 

(Continua...)                

 

 

 

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D