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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Trocaram-me as voltas!

Tenho por hábito afirmar que quem não valoriza o seu passado não pode valorizar o seu futuro. Esta máxima na sua génese aplica-se tanto a pessoas como a empresas.

Hoje precisei de ir à tesouraria da casa onde trabalho há perto de 35 anos. Esta é uma entidade secular com perto de dois mil empregados e, portanto, com um enorme passado. Umas vezes mais brilhantes outras nem tanto. Mas vai fazendo o seu percurso.

Como ia dizendo (leia-se escrevendo) entrei na tesouraria, onde trabalhei 15 anos, e procurei um colega desse tempo mas muito, muito complicado em termos de trabalho. Abordei-o, tu cá tu lá, e pedi-lhe uma coisa e ele sem mais, manda-me tirar uma senha. Eis o primeiro revés. Algo que ele faria em 10 segundos, repito 10 segundos, não mais e obriga-me a tirar senha. Bom percebi o contexto e lá fui à maquineta retirar a dita.

Passaram-se vinte minutos até que alguém chamou pelo meu número. Não era o mesmo colega. Dei a minha senha a uma jovem que provavelmente já nasceu depois de eu estar na empresa, e disse ao que vinha. Pois bem, mandou-me preencher um papel.

- Mas eu sou empregado do activo desta casa… - disse eu tentando demover a minha colega enquanto mostrava a minha identificação.

Nada feito. Furioso com a situação que correspondia somente a uma troca, uma mera troca, abandonei logo a tesouraria invetivando tudo e mais alguma coisa.

Pegando nisto percebi como está agora formatada a nossa sociedade. Não há amigos, colegas, companheiros ou simples conhecidos. Esta nova filosofia laboral não olha às pessoas, ao ser humano, mas somente à burocracia e às normas instituídas, esquecendo que não obstante estar breve da reforma a empresa cresceu também comigo e com as centenas, quiçá milhares, de trabalhadores que me antecederam.

Lembro quando era muito mais novo e algum colega mais velho surgia eu adorava falar com eles saber as suas histórias que foram histórias daquela casa. E fazia sempre o que me pedia… Outros tempos, é certo!

Hoje somos olhados por esta juventude de sangue na guelra e um bloco de gelo no coração, como empecilhos e gente de menos-valia.

Olvidam que também um dia chegarão a velhos. Talvez se lembrem do que fizeram… Ou não!

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