Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

O caudal de um novo Rio

Este fim-de-semana trouxe um novo Rio às águas turvas da política portuguesa.

O ex-presidente da edilidade portista ganhou ao ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia numas eleições directas no PSD, assaz renhidas e com direito a debates televisivos e radiofónicos.

Em termos meramente políticos estas eleições não vão mudar nada no país. Eventualmente só daqui a dois anos, mas para isso o novo Presidente do PSD terá um trabalho hercúleo ao tentar unir não só o partido, tendo em conta as diferentes facções internas ainda residentes, como trazer muitos portugueses que se reviam nesta faixa política para o centro das suas atenções.

Será então aqui que Rui Rio terá de dedicar mais atenção. A decisão de António Costa em não aceitar coligações com o PSD após as eleições de 2015, afastando o tal Bloco Central, criou muitos anticorpos na sociedade contra o líder do PS. Ou dito de outra forma os apoiantes laranja verão com muitos maus olhos uma eventual coligação política com o actual Primeiro Ministro. Nem tudo parece válido para se chegar ao poder, dirão alguns sociais democratas.

Quem, no entanto, poderá vir a ganhar com esta nova direcção partidária será certamente o CDS que tem na sua actual direcção alguém que consegue fazer chegar ao eleitorado laranja um discurso mais fundamentado e assertivo.

Rui Rio parece ser um homem pragmático e de ideias fixas, o que poderá levar ao afastamento de alguns históricos do partido para as trincheiras da oposição interna, todavia sempre preparados para a costumada farpa.

Face ao que precede prevê-se um ano de 2018 bem interessante. Por um lado a geringonça a tentar gerir para 2019, ainda algum capital de simpatia que angariou, não obstante os tristes eventos do Verão, o caso Raríssimas ou a relação (demasiado) próxima entre políticos e dirigentes desportivos. Por outro o PSD a tentar reerguer-se do fosso para onde foi atirado, mais pelos adversários políticos internos de PPC do que por este mesmo dirigente, através das suas intervenções.

Um palavra final para Pedro Passos Coelho que após o ciclo como Primeiro Ministro vai sair de deputado a seu pedido. Um afastamento definitivo ou meramente estratégico?

Pontos de vista

1

Sempre que é lançada uma nave espacial esta leva uns depósitos de combustível que depois, já vazios, são abandonados. Do mesmo modo o PS está a utilizar os partidos à sua esquerda para ganhar propulsão para uma eventual maioria absoluta em 2019. Nessa altura António Costa libertar-se-á dos partidos à custa dos quais tomou o poder, para então sozinho tentar governar.

2

O PSD prepara-se para directas com dois candidatos a lutarem pelos votos de cada militante laranja. Os candidatos são claramente diferentes. Conforme for o vencedor assim o PS se preparará para o combate político. Se Rui Rio se sugere mais conciliador com o partido do Largo do Rato, o que não significa mais submisso, já Santana Lopes surge como antagonista às actuais posturas da geringonça.

3

O Presidente da República entretanto vai desbravando caminhos para os corações dos portugueses. Se assim continuar dificilmente alguém se lhe oporá aquando da sua reeleição. Vejo muita gente de esquerda a concordar com a postura um tanto populista e popular do Professor Marcelo. Só gostaria de saber se após o último Verão, literalmente muito quente para o País e para o governo, o PR por causa das trapalhadas governativas (incêndios com mais de uma centena de mortes, Tancos, Raríssimas!) tivesse dissolvido a Assembleia da República se, ainda assim, estaria no coração de tanto português…

4

A recente e polémica lei dos Financiamento dos Partidos vetada pelo PR veio trazer ao de cima o pior da política lusa. Um jogo de interesses, a maioria escondidos, que envergonha a classe política lusa, nomeadamente os deputados, que devem o seu lugar ao voto popular e para quem deviam ser o mais transparentes possíveis. Imagino que referente a este assunto a procissão ainda vá somente no adro.

A contínua luta pelo poder

Ultimamente tenho lido, em alguns diários de economia, opiniões sobre o futuro de Portugal… no pós-troica. Não obstante algumas ligeiras diferenças de análise, a maioria dos comentadores partilham da mesma ideia: Portugal não pode voltar ao que era dantes.

O Primeiro-ministro já o disse, em diversas ocasiões, que não se desviará do rumo traçado, mesmo que isso lhe venha a custar, como é previsível, as próximas eleições. Parece-me uma atitude anormalmente coerente e corajosa para um político.

Ao invés o líder do PS vai conseguindo acertar mais no seu próprio pé do que no governo. Hoje pretende uma coisa, amanhã quer outra e assim, de contradição em contradição, vai tentando levar o seu PS a uma vitória eleitoral.

Percebe-se que Seguro não está preparado para ser PM. Tal como não estava Passos Coelho. E é esta impreparação que se torna o calcanhar de Aquiles de António José Seguro. Dentro do PS surgem cada vez mais frentes de batalha contra o seu próprio líder. Mesmo não sendo publicamente assumido, percebe-se que há no maior partido da oposição um ambiente de alguma turbulência, com o intuito de minimizar a futura vitória de Seguro.

Este líder tenta, com a actual recusa de um pacto com o governo para o futuro, descolar a sua imagem das futuras medidas impostas pela troica. Um processo que lhe pode dar algumas alvíssaras… ou talvez não. Os futuros eleitores o dirão!

Pior quer ter um governo demasiado subjugado às vontades de entidades estrangeiras é termos uma oposição mole, fraca e demasiado volátil. Tivesse o PCP outro líder, com uma visão mais actual, e talvez fosse o grande ganhador no futuro acto eleitoral.

Até às europeias muita água há-de correr debaixo de muita ponte.

Aguardemos, portanto!

Um Rio de vitórias e derrotas deu... à Costa

 

Ao contrário do que ouvi ontem e já li hoje, creio que o grande vencedor destas eleições foi… Rui Rio.

 

Poderá parecer um tanto estranho alguém que não foi a sufrágio ganhar eleições. Mas se pensarmos bem, o ainda Presidente da edilidade portuense, jamais aceitou ser candidato numa outra Câmara que não fosse a do Porto e não o podendo, por motivos constitucionais, preferiu não entrar no jogo político e de enviesados interesses, que tramou a maioria dos candidatos que assim procederam.

 

Rui Rio tem vindo a ser um crítico à máquina partidária do PSD. Um pouco na onda de Santana Lopes, quando numas autárquicas ganhou a Câmara da Figueira da Foz sem qualquer ajuda do seu Partido. Assumiu publicamente o seu desacordo com a escolha pelo seu partido de Meneses para candidato à Autarquia portuense, não o apoiando formalmente. E pelos vistos tinha toda a razão. Luís Filipe Meneses não conseguiu mais que um sofrível 3º lugar, muito aquém do que esperava e desejava, deixando o partido à beira de um ataque de nervos.

 

Quanto ao PS, António José Seguro não deve cair na tentação de dizer que ganhou as eleições. Conquistou muitas Câmaras, é verdade, mas isso aconteceu mais por demérito dos partidos do governo do que mérito seu. E pior… António Costa ao ganhar Lisboa com maioria absoluta, acabou por se tornar, não um mero fantasma mas uma sombra de Seguro, e preparado para assumir, assim que puder, a liderança do PS.

 

O PCP reconquistou baluartes no Alentejo e em Loures, perdidos em anteriores autárquicas, e terá sido o que mais beneficiou nestas eleições. Já o BE continua em queda…

 

Uma vez mais o grande partido destas eleições é… a abstenção. E não foi só o mau tempo que reteve as pessoas em casa. Muitos não acreditam nestes políticos, poucos lhes reconhecem competência, para gerir uma simples freguesia, quanto mais os destinos duma Câmara.

 

Caminhamos infelizmente a passos largos para o fim da democracia, sem ser necessário uma revolução ou um golpe de estado.

Um país sem memória!

Li algures que a memória dos homens só serve para… esquecer!

 

Na altura achei que esta teoria era um autêntico absurdo. Hoje, muitos anos passados desde o dia em que li aquele pensamento, reconheço, infelizmente, quão certas eram aquelas palavras.

 

O actual contexto do país é claramente propício à desmemorização, deliberada ou nem tanto! Seja como for ultimamente tem-se vindo a assistir a alguns fenómenos de falhas de memória por parte da maioria dos agentes políticos.

 

E o exemplo mais flagrante começou com o senhor Presidente da República ao se ter “esquecido” do valor da sua reforma. De outra forma não teria dito o que disse em Janeiro do ano passado. Ao PR associaram-se entretanto os dirigentes do PSD e CDS ao esquecerem as promessas eleitorais, que os elegeram.

 

O PS não se encontra imune a esta doença e sofre também de “esquecimentos” repentinos, pois olvidou anos e anos de (más) governações, que atiraram o país para o caos actual.

 

Neste rol de esquecimentos cabe também a senhora Ministra das Finanças e de alguns dos seus ex-colaboradores, ao não se lembrarem de reuniões e acordos assinados, mails e outras… informações.

 

É profundamente estranho, que de um momento para o outro, este país fique sem memória. E das duas uma: ou é uma maleita que ataca essencialmente políticos ou uma forma muito subtil de fugir às responsabilidades.

 

Uma coisa é certa: o povo jamais esquece!

 

Que agricultor ceifará esta “Seara”?

O PSD continua, duma forma quase permanente, a dar tiros no próprio pé. E o novo exemplo vem do candidato à Câmara de Lisboa por parte do partido laranja.

A lei da limitação de mandatos apresentada e aprovada em sede própria virou-se, como seria de esperar, contra o feiticeiro que a imaginou… Tanto em Lisboa como no Porto os actuais candidatos do PSD tentam conquistar as capitais, após diversos mandatos nas câmaras vizinhas.

Não sou jurista e portanto não devo opinar sobre aquilo que desconheço. Não sei quem tem razão. Mas fica a (triste) sensação nas pessoas, de como uma lei pode ser deturpada e interpretada de forma tão diferente, do próprio espírito com que foi criada.

O Doutor Fernando Seara, ilustre Presidente da autarquia da Vila de Sintra, até poderia via a ser um bom Presidente de Lisboa, se se pudesse candidatar sem ser envolto em celeuma. Na verdade o povo eleitor não é tão idiota como alguns políticos julgam, e entende perfeitamente que estes candidatos são atirados à terra lavrada das autárquicas como semente fraca. E apenas por culpa dos partidos que os apoiam!

E assim, jamais retirarão desta “Seara” o produto do trabalho da sua (má) sementeira.

Um Presidente diminuído?

A Montanha “nem” pariu um rato. Assim se pode resumir esta ultima semana de negociações, entre PSD, CDS e PS. Cada um à sua maneira foi atirando para os outros as culpas dos insucessos. O usual, nestes casos!

 

Enquanto isso, os partidos à esquerda e as Confederações sindicais reclamam eleições antecipadas. O patronato, por sua vez, prefere que este governo se mantenha em funções.

 

Resumindo, o actual PR expôs-se, ao desejar um governo de “Salvação Nacional”, ao ridículo de se as negociações falhassem, como aconteceu, ter de aceitar o governo proposto por Passos Coelho ou então convocar novamente eleições, com os enormes custos políticos, sociais e económicos que dessa decisão adviriam para o nosso país.

 

Mas se o PR não fica bem neste “fotografia” política, também o PS não sai desta telenovela sem culpas. Era óbvio que o partido do Largo de Rato não desejava ficar ligado às futuras decisões governamentais. Os custos eleitorais dum aval a um outro governo PSD/CDS seriam incalculáveis. Mas ao invés do que afirma, Seguro foge de ser governo como “o diabo foge da cruz”. O tempo é ainda de vagas anorécticas. E o PS quer ter dinheiro para gastar, bem à moda “socratiana”.

 

Temos assim um Presidente diminuído politicamente, um PS amedrontado com a eventual marcação de eleições e um governo também ele estranhamente (ou talvez não!) silencioso. Muito (ou quase nada?) se espera da próxima comunicação ao país de Cavaco Silva.

 

A verdade é que com todo este imbróglio político já se passaram duas semanas. E Portugal não se pode, nem deve dar a estes luxos democráticos, sob pena de jamais sairmos desta crise que a todos assola.

Contagem decrescente?

 

Cada vez me parece menos coincidência o regresso de José Sócrates à televisão. E a moção de censura ao governo por parte do PS. E uma quantidade de acontecimentos que ora reparo não terem sido inocentes.

A tentativa de alguns notáveis do PS em convocar um congresso mais cedo que o previsto. O aparecimento de Jorge Coelho, assim como de Daniel Bessa e de outros ministeriáveis, parece fazer tudo de um plano quiçá maquiavélico, numa eventual queda do actual governo.

Mas se as pessoas julgam que mudar de ministros resolve alguma coisa, enganem-se desde já! Não é que eu esteja de acordo com o que tem sido feito por Pedro Passos Coelho, mas tenho a certeza absoluta que quem vier a seguir fará precisamente o mesmo.

Em conversa com economistas insuspeitos, por estarem muito ligadas ao PS, foi-me dito em surdina que quem vier a substituir este governo assumirá na totalidade tudo o que a tróica ordenar. Ora se todos os políticos da nossa praça sabem disto, porque teimam então em afirmar que fariam melhor, como tivessem uma varinha de condão?

Eu respondo: porque a demagogia é um bem tão essencial à política como o voto o é para a democracia.

E não há nenhum político neste país que, naturalmente, diga toda a verdade. Só meia-verdade!

Por isso será fácil ao PS ganhar as próximas eleições… Um jogo de audazes que envolve antigos e actuais dirigentes do Partido Socialista. É necessário, obviamente, estar na primeira linha para poder ser naturalmente escolhido.

A contagem já se iniciou!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D