Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Dos justos não reza a história

Como leigo direi que percebo (muito) pouco de justiça, Talvez perceba melhor o que é a injustiça. Mas desta creio que todos os portugueses entendem ou pelo menos têm consciência de que ela existe. Mas adiante...

No dealbar de 2013 escrevi isto sobre a actual Procuradora-Geral da República. Um texto sucinto, mas já na altura explicava como me parecia estar a ser o Magistério desta senhora.

Uma mulher que tem tido a coragem de enfrentar os mais poderosos deste país, não recuando um centímetro na sua vontade. O que é realmente de louvar.

Talvez por isso o actual governo não pretenda renovar o mandato que terminará em Outubro próximo. É sabido que o PGR é nomeado pelo Presidente da República sob proposta do governo.

Ora se pensarmos nos diferentes processos que a Dra. Joana Marques Vidal tem entre mãos, dos quais se destaque a Operação Marquês, parece naturalmente óbvio que o PS se sinta muito desconfortável com a Senhora Procuradora.

Se somarmos a isto o litígio diplomático com Angola, envolvendo o antigo vice-Presidente, Manuel Vicente, num caso de corrupção activa, temos os ingredientes perfeitos para uma saída em Outubro da actual Procuradora-Geral.

Se tal vier a acontecer ficará demonstrado que a separação dos poderes tantas vezes propalada, ainda é, em Portugal, uma verdadeira utopia.

Pontos de vista

1

Sempre que é lançada uma nave espacial esta leva uns depósitos de combustível que depois, já vazios, são abandonados. Do mesmo modo o PS está a utilizar os partidos à sua esquerda para ganhar propulsão para uma eventual maioria absoluta em 2019. Nessa altura António Costa libertar-se-á dos partidos à custa dos quais tomou o poder, para então sozinho tentar governar.

2

O PSD prepara-se para directas com dois candidatos a lutarem pelos votos de cada militante laranja. Os candidatos são claramente diferentes. Conforme for o vencedor assim o PS se preparará para o combate político. Se Rui Rio se sugere mais conciliador com o partido do Largo do Rato, o que não significa mais submisso, já Santana Lopes surge como antagonista às actuais posturas da geringonça.

3

O Presidente da República entretanto vai desbravando caminhos para os corações dos portugueses. Se assim continuar dificilmente alguém se lhe oporá aquando da sua reeleição. Vejo muita gente de esquerda a concordar com a postura um tanto populista e popular do Professor Marcelo. Só gostaria de saber se após o último Verão, literalmente muito quente para o País e para o governo, o PR por causa das trapalhadas governativas (incêndios com mais de uma centena de mortes, Tancos, Raríssimas!) tivesse dissolvido a Assembleia da República se, ainda assim, estaria no coração de tanto português…

4

A recente e polémica lei dos Financiamento dos Partidos vetada pelo PR veio trazer ao de cima o pior da política lusa. Um jogo de interesses, a maioria escondidos, que envergonha a classe política lusa, nomeadamente os deputados, que devem o seu lugar ao voto popular e para quem deviam ser o mais transparentes possíveis. Imagino que referente a este assunto a procissão ainda vá somente no adro.

Tudo pelo poder!

O tema político dos últimos dias foi qual seria o candidato à Câmara do Porto por parte do PS, após a recusa de Rui Moreira.

O Partido Socialista tem muitas vezes esta tendência, quase mórbida, de dar tiros no próprio pé. Recordo assim de repente umas eleições autárquicas em que João Soares perde a Câmara para Santana Lopes no último instante. Anos mais tarde o PS deu apoio a Mário Soares para a Presidência da República dispersando assim os votos do partido entre o antigo presidente e o poeta Manuel Alegre, fazendo com este não ganhasse por uma unha negra.

Esta semana a secretária geral adjunta do PS voltou a dizer o que não devia. E pronto, entornou-se o caldo no Porto e Rui Moreira veio a terreiro (leia-se entrevista num canal televisivo) dizer de sua justiça.

Este caso confirma as minhas já antigas suspeitas de que o partido liderado por António Costa vive focado no poder a todo o custo e preço. Sem olhar a meios.

Novamente os políticos no seu pior. Como sempre têm sido em Portugal.

O descontentamento do PR!

Era mais ou menos óbvio que o actual Preidente da República vetaria a lei do fim do sígilo bancário.

Como cidadão cumpridor só posso concordar com o veto presidencial. De outra forma passaria a ser considerado criminoso como muitos que andam por aí ...

Porém este veto traz consigo muito mais que uma reanálise da lei. É claramente a primeira afronta ao governo apresentada por Marcelo.. Sendo certo que a geringonça já sabia de antemão da decisão do actual Presidente, tendo como base declarações proferidas em Agosto (se não me falha a memória), ainda assim não se coibiu de apresentar o diploma para aprovação presidencial.

Ora isto cheira-me ao início de uma guerrilha institucional para a qual Marcelo parece estar mais bem preparado que os adversários. Há neste este veto uma mudança de atitude do PR. Esta manobra pode nada significar ou pode ser sinónimo de algum cansaço no que respeita a algumas medidas ou ameaças de medidas por parte do governo de António Costa e "sus muchachos".

Dito de outra maneira o PR está um pouco farto de ouvir falar os partidos que apoiam o PS no governo. , enquanto este segue um pouco a reboque dessas declarações mesmo que tenha que as desmentir.

Neste momento cabe ao BE e ao PCP marcar o compasso da música que este governo vai tocando (mal).

 

Sou rico somente por decreto!

Não estou a achar piada nenhuma à ideia do BE em taxar o património em mais um imposto. Será que o PS, que vai a reboque das ideias de Catarina Martins só para se aguentar no poder, sabe no emaranhado em que se está a meter? Tenho a certeza que não…

Mas vamos ao que interessa… Taxar o património imobiliário acima de 500 mil euros parece-me um absurdo. É que o governo anterior actualizou – e de que maneira – o valor predial das casas. Basta alguém ter duas casas, uma na cidade e uma na aldeia, esta última quase sempre por herança, e o tal valor atinge-se sem grande dificuldade. Se juntarmos a isto uns pequenos nacos de terra, na maioria improdutivos, mas altamente valorizados pela AT, temos um valor muito acima do limite de isenção. Todavia não é com isto que a pessoa se torna automaticamente rica…

Vejamos o meu caso: trabalho diariamente há quase 40 anos. Neste caminho laboral adquiri uma casa através de um empréstimo bancário que estarei a pagar até aos 70 anos (se lá chegar!). Há mais de meio século os meus pais construíram, a expensas próprias e com muito sacrifício, uma reles casa na aldeia. Como sou filho único, um dia que eles partam, serei obviamente o seu herdeiro natural e assim o meu património imobiliário crescerá exponencialmente. Se juntar a isto umas fazendas onde as pedras são rainhas e onde nada cresce a não ser mato… passarei a ser um homem claramente rico em património mas pobre em dinheiro pois os impostos que me serão aplicados levar-me-ão as minhas já poucas poupanças.

Olhando para esta ideia tenho cada vez mais a certeza que em Portugal o melhor é ser realmente muito pobre, porque quer queiram quer não, pobre já eu sou! E sempre serei.

Entendo que esta “geringonça” tente ir buscar dinheiro a algum lado, para pagar os devaneios eleitorais. Mas esta forma é claramente exagerada.

Provavelmente com enormes custos eleitorais para o PS e não só!

Desencadeou-se!

desencadeou_se.jpg

 

Assim que li a notícia na Sapo lembrei-me desta célebre frase de Astériz na sua aventura com os Godos. O texto é simples mas explica muita coisa: desencadeou-se!

É a palavra certa para aquilo que o PCP está a começar a fazer. E o BE vai, como não podia deixar de ser, atrás do discurso facilitista e demagogo do partido de Jerónimo.

Agora é o Orçamento rectificativo, amanhã são os transportes, para a semana é outra coisa qualquer...

Como pode um partido ser tomado a sério se três semanas após ter votado contra a moção de censura apresentado pela PàF, já se propõe votar contra o governo que apoia? Parece que neste país anda toda a gente a brincar aos políticos e governantes. E com uma irresponsabilidade atroz.

Se a oposição votar outrossim contra este orçamento rectificativo temos um governo, que não se aguenta muito bem, já que oiço discursos diferentes para a mesma situação, preso unicamente por arames.

António Costa avaliou muito mal os seus parceiros de apoio parlamentar. Pretendeu sair da situação que ele próprio tinha criado de forma altiva e vencedora para criar um problema ao país muito maior.

Percebe-se agora que o actual PM está cada vez mais refém da esquerda radical que não quer contribuir para a solução do país mas ser parte do problema. 

Um regresso previsivel ou... desejado!

Ontem não vi a restante entrevista de JS a um canal televisivo. Primeiro porque aquilo que me foi dado ver no dia anterior mostrou-me muito do que viria a seguir; segundo porque tenho mais coisas que fazer do que ouvir alguém a vitimizar-se.

Os anos ensinaram-me que em política nada acontece por acaso. E obviamente, seguindo este mesmo raciocínio, afirmo que o "timing" desta conversa não foi uma mera coincidência.

A longa entrevista do antigo PM foi curiosamente (?) apresentada a semanas das eleições presidênciais, onde o PS voltará a perder em toda a linha, ao mesmo tempo que o actual governo tenta sofregamente acertar algumas agulhas orçamentais.

Tudo isto para dizer o quê? Que Sócrates começou esta semana a sua campanha política a umas futuras eleições. Há quem fale já em presidenciais daqui a cinco anos. Porém, com aquilo que pode vir a acontecer ao PS neste seu encosto à esquerda, não me admiraria que JS tentasse voltar à ribalta para ser uma vez mais líder do PS.

Creio mesmo que há muitos socialistas desejosos disso! Ou não?

O barbeiro e eu!

Ontem foi dia de eu ir ao barbeiro. O J. é um transmontano, (mau) tocador de concertina mas simpático e competente na sua profissão. Foi este o nosso diálogo de ontem:

- Boa noite J - cumprimentei quando cheguei.

- Boa noite J. Sente-se aqui se fizer favor - e apontou-me uma cadeira própria.

Sentei-me e ele logo enrolou à volta do meu pescoço um enorme e costumado babete. Pegou nas suas ferramentas e antes de iniciar a tosquia aqui deste animal, perguntou:

- O corte, é o do costume?

- Claro J.

Aí começou a destapar-me a nuca com gestos seguros e sabedores. Como qualquer barbeiro que se preze iniciou ele a conversa:

- Que me diz a esta história do novo governo?

Percebi a questão mas preferi não avançar um grande depoimento. Fiquei-me pelas palavras redondas...

- Não digo nada. Eles é que sabem o que andam a fazer...

- Será que sabem?

Silêncio meu. Ele continuou...

- A minha filha mais velha votou este ano pela primeira vez e perguntou-me onde deveria votar e eu disse-lhe para votar nas miúdas que até são giras...

- Pois são - confirmei.

Ele voltou à carga:

- Agora isto não se faz... Eles perdem as eleições e ainda assim querem ser governo... Não está nada bem!

Acabei por dar a minha opinião mais sincera e que vai no sentido daquilo que já aqui expressei. Ele concordou em parte para depois genuinamente dizer:

- Para a Presidênciais já sei em quem votar... Desta vez já náo me enganam.

Entrou novo cliente e a conversa morreu logo ali. Finalmente no regresso a casa percebi que o meu Barbeiro é o eleitor-tipo português. Mais... Por muito (bom) trabalho que o novo governo apresente, muitos eleitores vão sempre considerar que o voto no PS não é (já) um voto de confiança..

 

 

 

Estará Costa preparado?

Finalmente António Costa é PM.

Um lugar que não merece e que conquistou à força de acordos assinados quase à socapa, com uma esquerda tonitroante e belicista que quando os outros estão contra ela está a favor e quando são a favor esta esquerda é contra! O normal em Portugal!

Se PPC teve diversos lapsos de memória na sua governação, tendo em conta a diferença entre o que disse em campanha e o que fez governativamente, Costa irá ser também confrontado com as contradições e incongruências entre o discurso eleitoral e as acções governativas. E o pior é que vai ser a mesma esquerda que o colocou no poder que o irá derrubar! E alertar para as divergências!

Ao contrário dos governos acabados de chegar ao palanque, o PS não entra com o costumado "estado de graça". Para além da forma como aterrou em S. Bento, AC terá o seu próprio partido muito dividido, não obstante ter chamado para assumir lugares de governo algumas das diferentes facções internas. A máquina partidária a trabalhar!

Os próximos meses não serão fáceis. O Eurogrupo quer ver trabalho. Os portugueses que tanto desejaram este governo querem resultados, a oposição não irá dar tréguas.

Costa viverá assim momentos muito duros porque terá de fazer melhor que PSD/PP. O que em abono da verdade nem parece muito difícil...

Termino com um simples palpite: nesta legislatura José Sócrates vai ser ilibado e elevado à figura de herói!

A ver vamos...

Fábulas políticas

Nota de abertura: sempre fui pobre. Com Passos Coelho fiquei mais pobre. Com o próximo governo continuarei pobre.

Conhecem aquela fábula do lacrau e do cágado?

Então aqui vai:

Certo dia um lacrau teve necessidade de atravessar um lago. Surgiu então um cágado a quem o lacrau pediu o favor de o levar à outra margem. Todavia o cágado receoso lá foi dizendo:

- Mas vais espetar-me com o teu ferrão...

Logo respondeu o outro:

- Nem pensar... Então dás-me boleia e eu fazia-te isso?

Convencido o cágado disponibilizou a sua carapaça para levar o lacrau fora de água.

A meio do lago o lacrau acabou por não resisitir e espetou mesmo o ferrão no seu transportador. Este sentido a dor dilacerante perguntou:

- Então tu prometeste não me picar e agora fizeste isso?

Resposta do lacrau:

- Tens razão que te prometi... mas é da minha condição espetar o meu ferrão.

- Pois bem... e é da minha condição mergulhar nas águas do lago!

 

A primeira pergunta que me vem à cabeça é saber se fosse ao contrário, se o PS tivesse ganho com minoria e a direita tivesse maioria parlamentar, se se assistiria a este folclore político?

António Costa surpreendeu-me pela negativa. E o que está para acontecer só serve para que Costa sobreviva politicamente, já que como cidadão está obviamente morto. Ninguém empurra um camarada de partido para fora do seu lugar com a promessa de tudo ganhar e quando perde mantém-se... a frente do Partido!

Mas claro em Portugal o jogo político tem contornos muito diversos de outras sociedades europeias! E como português lhano lamento estas novas posturas. Isto é, tudo é válido desde que se chegue ao poder!

Está assim nas mãos do PR a solução deste imbróglio partidário. Todavia se eu fosse o Presidente deste rectângulo aceitaria naturalmente a tal "plataforma de entendimento" da esquerda. Mas com uma simples condição: todos os partidos teriam representação governativa.

Ora, é muito fácil para o PCP ou BE concordarem por escrito como PS mas isso não os vincula a nada. Só em teoria pois na prática... Mais, facilmente estão a exigir medidas populares, mesmo que isso entre em choque com os tratados orçamentais aprovados com Bruxelas, com a chantagem de apresentarem moções de censura no parlamento. O PS encontra-se assim refém de um acordo assinado entre as partes mas sobre o qual não tem qualquer poder nem controlo.

Desconfio mesmo que esta armadilha engendrada pelo PCP ao PS tem como destino implodir com o partido de AC. O partido de Jerónimo jamais perdoou ao PS o fim do PREC. E como todos sabemos a vingança serve-se fria... Ou então será tal qual o lacrau da fábula acima!

Termino então como comecei: se ontem era pobre, amanhã pobre serei.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D